Angel
11 Memory Part. Two - Burn.
Notas iniciais

{ Flashback On }
Já havia se passado quase um mês sem o soldado receber uma visita de Lili, ela estava sendo muito cobrada sobre o soro, e ele nem fazia ideia, já estava com raiva de si por ter confiado em alguém, todos a quem ele confiava pisavam na bola com ele. Ele respirou fundo, sentado na cama e fitando o nada, como sempre, ele já estava começando a se irritar com isso, nem ao menos missões ele tinha a quase dois meses, estava ficando estressado por ficar trancado muito tempo. Se assustou com as portas sendo abertas, dois soldados armados o chamaram e ele se levantou. Amarraram-no, uma faixa grossa de couro no pescoço, onde atrás desciam duas correntes e uma faixa grossa de couro, que encontravam-se com mais duas faixas na altura do cotovelo, seguindo depois para os pulsos, uma contenção e tanto, mas seu braço biônico escaparia fácil.
–Existe mesmo necessidade de fazer isso? -A voz de Lili o obrigou a fita-la, ela parecia cansada, com um ar nervoso, ele respirou fundo e voltou a fitar a parede enquanto os homens terminavam de o amarrar.
–Ele está muito tempo na jaula, pode estar meio, nervosinho, já perdemos muitos homens pela falta disso. -O homem respondeu a fitando, o soldado deu meio sorriso, ainda estava achando engraçado o jeito desengonçado que ela falava o russo.
Um dos homens o puxou com certa violência, o fazendo cambalear um pouco, ele afirmou o corpo e fitou o homem com certa raiva no olhar.
–Eu sei andar sozinho... -Ele disse entredentes e saiu da sala, seguindo Lili, sendo escoltado pelos dois que agora tinham certo medo.
O soldado não conseguiu dar atenção ao trajeto, seus olhos estavam ocupados demais dando atenção ao rebolado da mulher de longos cabelos brancos á sua frente, ele sorriu assim que ela percebeu e o fitou de canto de olho, esperando-o no caminho para que eles andassem lado a lado.
–Porque sumiu todo esse tempo?
–Eles estavam me enchendo o saco com esse maldito soro, estou a noites sem dormir, se isso não der certo, eu estarei bem ferrada. -Ela disse quase sussurrando.
–Gosto quando você fala russo. -Ele disse a fazendo rir.
–Gosto do seu cabelo. -Ela respondeu dando passagem para que ele entrasse na sala de experimentos.
Instintivamente ele se sentou na cadeira, onde já estava acostumado a ficar, e ficou esperando que os homens que o escoltavam desamarrassem toda aquela contenção. Assim que o fizeram ele se deitou na cadeira reclinável, os braços novamente foram presos na mesma, junto com a barriga e as pernas, ele respirou fundo, aquele lugar sempre o lembrava de dor, muita dor.
–Soldado, o procedimento que iremos realizar aqui é bem complexo. -E isso vai doer muito, eu preciso que você aguente até o fim. -Ela pediu o fitando nos olhos.
–Tenho certeza que já passei dores bem piores aqui. -Ele respondeu dando meio sorriso enquanto a fitava.
Uma seringa, apenas isso, ela puncionou uma veia dele e injetou o liquido incolor, queimou um pouco no começo, mas aquilo pra ele foi apenas como se deitar num chão duro. Mas depois de longos minutos todo seu corpo começou a queimar, como se ele estivesse pegando fogo, seu braço era a parte que mais queimava, ele fitou o local, com medo de que estivesse na carne viva, mas tudo estava normal, foi quando ele desmaiou e não viu mais nada.
{Flashback off }
{ ... }
Era a única coisa que queimava, seu braço, uma pequena rajada de fogo conseguiu quebrar a energia de Angel. A garota nem ao menos percebeu o que estava fazendo, e ele não conseguia manter os olhos abertos. Angel nunca havia experimentado seus poderes, e hoje ela enfim fez o uso de um deles, sim ela era muito poderosa e nem imaginava o quanto. O desejo de proteger o soldado foi tanto, que toda energia que ela tinha dentro de si fez uma pequena barreira entre os dois, protegendo-os da explosão.
Quando todo o barulho foi substituído por estaladas faiscantes, Angel levantou o olhar, e imediatamente olhou para o seu corpo, nem sinal de queimaduras, ela arregalou os olhos sem entender e fitou o soldado, ele ainda sangrava, um pouco de seu braço havia queimado, e ele repetia um nome sem parar.
–Não! Lili, Lili...
–Bucky, acorda, hey, olha pra mim. -Angel bateu no rosto dele algumas vezes.
Demorou um pouco, mas funcionou, lentamente ele abriu os olhos, a visão ainda turva. Olhou ao redor, olhou para seu braço que queimava, e dessa vez sua pele estava mesmo queimada.
–O que aconteceu? Como nós, escapamos daquilo? -Ele perguntou tentando levantar, Angel o ajudou.
–Eu não sei, eu... -Ela realmente não havia percebido o que tinha feito.
O barulho no helicóptero se aproximava cada vez mais, ele olhou para o céu, mas a chuva misturada com a fumaça negra não deixava ver de onde vinha o barulho.
–Nós temos que fugir, tem alguém se aproximando. -Ele disse com dificuldade, tentou novamente levantar, Angel o ajudou com cuidado, segurando forte na cintura dele.
–Nós temos que ir á um hospital, você foi baleado. -Ela disse com os olhos arregalados, ele riu.
–Isso não foi nada, eu vou melhorar. -Ele respondeu enquanto ambos andavam devagar pelos destroços da casa.
Um pouco mais á frente Angel viu a foto dele, um pouco queimada, mas ainda sim em quase perfeito estado, ela se abaixou e a pegou, ele sorriu de lado.
–Nós devíamos voltar pra cabana, eu preciso de roupas. -Angel disse olhando para trás brevemente.
–Não é seguro Angel, nós vamos achar um lugar.
Ela respirou fundo e continuou o acompanhando. A chuva fazia o corpo dele arder, principalmente onde o braço havia sido queimado. Foi quando Angel parou no meio do caminho, obrigando-o a também parar, já que ela o apoiava, e novamente quem estava ali era Lili.
–Mas o que diabos aconteceu com vocês? -Ela perguntou o fitando assustada.
–Primeiro precisamos de um lugar pra esconder, depois te explico o resto. -Ele respondeu sem fita-la.
–Espera aí, eu conheço esse caminho, estamos perto de uma casa da HIDRA. -Lili arregalou os olhos.
–A casa já virou pó, precisamos de um lugar seguro, tem um helicóptero, provavelmente deles, sobrevoando por aqui.
Lili respirou fundo, e com toda sua força apoiou mais o corpo do soldado, apressando os passos, ela sabia de um lugar.
{ ... }
"O ciclo se repetiu
Enquanto explosões estouravam no céu
Tudo aquilo de que eu precisava
Era a única coisa que eu não conseguia encontrar..."
Linkin Park, Burn It Down.
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