Angel

12 Memory Part. Three - Fight.


Notas iniciais
Boa leitura amores :3

O soldado abriu os olhos lentamente, sentindo uma cama macia embaixo de si; sua visão turva, o braço ainda queimando, e sentia o peso de uma mão macia sobre sua barriga. Piscou algumas vezes tentando focar seu campo de visão, demorou um pouco. O barulho de uma lareira acesa chamou mais ainda sua atenção, piscou algumas vezes novamente e viu um vulto de cabelos brancos mexendo em sua barriga, ele sangrava muito. Tentou falar, mas foi interrompido.

–Shhhhhh. Você vai ficar bem.

Ele não reconhecia aquela voz, nem aquela pessoa a sua frente. Sentiu uma forte dor na cabeça, um pouco acima da nuca e levou a mão instintivamente para o local, mas foi impossibilitado de continuar, a dor no ombro impediu que ele movimentasse mais.

Ele respirou fundo e fechou os olhos, tentando se lembrar de qualquer coisa, tentando lembrar do porque estava ali, qual era sua missão dessa vez, mas nada vinha na sua cabeça, era um apagão, e quanto mais ele se esforçava para lembrar, mais sua cabeça doía.

Sentiu um líquido ardente entrando por sua veia, e seu corpo queimando aos poucos, gritou e se contorceu na cama macia, e depois, desmaiou.

{ ... }

{ Flashback On }

Já fazia alguns longos minutos que todos os cientistas naquela sala esperavam o soldado acordar, o barulho do monitor cardíaco era o mesmo desde que ele desmaiou, nenhum batimento cardíaco, apenas o irritante bip continuo. Lili sorriu, sabia que estava dando certo, e adorou ver a preocupação na cara de todos ali presentes.

–Você o matou, está muito encrencada com isso senhorita Lindsey Agafya Rozaliya.

–Cavaleiros, tenham paciência. –Lili respondeu sorrindo.

Após mais longos minutos de espera o monitor parou com seus bips contínuos, dando lugar ao que todos queriam ouvir, sim, o coração dele estava batendo novamente, até parecia mais forte.

O soldado puxou o ar com violência e se levantou subitamente, arrancando toda a contenção que o mantinha preso na cadeira reclinável, todos os outros soldados ali dentro apontavam suas armas para ele, ele sorriu enquanto os fitava, se sentia mais forte, como se ninguém mais pudesse com ele. O cabelo estava grudado na testa por conta do suor.

Um disparo foi ouvido, fazendo todos ali fitarem de onde veio, inclusive o soldado, que agora tinha a barriga sangrando um pouco, Lili segurava em sua mão um Revolver Winchester 44, apontando para o soldado.

–Pois é, o soro funcionou. –Ela disse fazendo todos fitarem o soldado novamente, seu ferimento já estava sumindo, a pele reconstruindo em volta do buraco causado pela bala, ele passou a mão sobre a barriga, não acreditando no que via.

–Deixem que eu levo ele. –Ela disse enquanto guardava o revolver no coldre escondido em sua coxa, embaixo da saia colada ao corpo.

Ela puxou o soldado pelo braço biônico, ele ainda olhava curioso para sua barriga, passando a mão sobre o local, procurando pelo buraco.

Quando se deu conta já estavam no quarto/cela dele. Ele a fitou com um misto de curiosidade e raiva, não podia acreditar que ela tinha atirado nele, ele confiava nela, e se aquilo não tivesse dado certo? Ele poderia estar morto agora, tudo bem que um tiro na barriga não o mataria fácil, mas, mesmo assim, ele se sentiu traído.

Estavam apenas os dois, ele olhou brevemente em volta, e com o braço biônico grudou no pescoço dela, empurrando-a até a parede, ela havia ativado seu instinto assassino.

–Porque fez aquilo? –Ele perguntou com a voz firme, porém baixa, não queria que ninguém os ouvisse.

Quando ela pensou em responder seu corpo bateu com muita força na parede, o choque da cabeça dela com a parede dura fez com que ela desconcentrasse de seus poderes, e ela ficou sufocada com a mão biônica apertando seu pescoço, procurou por ar desesperada e começou a bater no peito do soldado a sua frente.

Ele a fitava nos olhos, enfurecido. Aos poucos afrouxou um pouco a pressão que usava sobre a mão, suficiente apenas para que ela respirasse um pouco e não desmaiasse.

–Eu... precisava... –Ela tossiu baixo. –Provar para eles, que tinha... dado certo. –Ela disse pausadamente, sem desviar o olhar, planejava uma maneira de fugir.

–Você poderia ter me matado. –Ele disse com certa raiva.

–Ora, ora soldado, estou muito...decepcionada com você... Não confia mais em mim?

–Agora não. –Ele respondeu sorrindo e mordendo o próprio lábio enquanto fitava descaradamente a boca a sua frente, que estava entreaberta, ainda procurando o ar.

Os corpos não estavam tão próximos, então Lili conseguiu levantar as pernas, e chutou a barriga do soldado com força, fazendo-o solta-la e cambalear um pouco para trás, ela caiu do chão e passou a mão sobre o pescoço, puxando o resto de ar que lhe faltava. Se levantou e o fitou, ele sorria de lado, sem tirar os olhos dela, parecia empolgado com aquilo, empolgado demais, estava em posição de ataque.

–Sabe, eu até que estava gostando de você indefesa, procurando por ar, mas... Isso parece bem mais interessante. –Ele disse abrindo um largo sorriso.

Ela sorriu de volta e quando percebeu um braço biônico vindo em sua direção , com raiva, com força, ela desviou com graça, e num movimento rápido parou atrás do soldado. Puxou os dois braços dele para trás, contendo-o, e deixou seus lábios chegarem perto do ouvido dele.

–Isso era pra ser uma briga ou uma dança? –Ela sussurrou, fazendo o soldado se arrepiar com seu hálito quente, ele sorriu abaixando a cabeça por alguns segundos.

O braço biônico grudou em um dos pulsos dela, puxando-a para o lado, fazendo-a rodar e cambalear, e depois a puxou de volta, contra seu corpo, fazendo-a cair sobre o braço direito. Ele inclinou um pouco o corpo, como se realmente estivessem numa dança, e chegou seu rosto perto do dela.

–Depende, prefiro uma briga, mas se a dama quiser uma dança... –Ele disse sorrindo e logo a soltou no chão, fazendo com que ela novamente batesse a cabeça com força, ela gemeu baixo de dor.

O soldado foi pronto para acertar um soco nela, mas ela rolou para o lado, e o soco acertou o chão, quebrando o cimento embaixo de ambos. Ele riu e antes de se levantar ela estava sobre suas costas, as pernas entrelaçadas em sua cintura, as mãos em volta do pescoço, enforcando-o. Ele levantou com facilidade, Lili era quase do seu tamanho, mas ainda sim desengonçada para enforcar alguém. Ela apertou mais, e o ar começou a lhe faltar, ele andou para trás até chegar na parede, mas apenas seu corpo bateu na mesma, Lili foi mais rápida e pulou para frente, passando por cima da cabeça dele e pousando no chão levemente. Ela tirou o pequeno salto que usava e o jaleco branco. Respirou fundo e amarrou os cabelos num rabo de cavalo frouxo, ele apenas a observava atento, analisando-a.

–Okay soldado, você quer brincar... Vamos brincar. –Ela disse sorrindo enquanto corria até ele.

Quando ela levantou a perna para chuta-lo ele chegou para o lado, fazendo-a chutar o nada, e a envolveu com o braço biônico, jogando-a para o chão.

–Você é muito lenta. –Ele disse enquanto observava-a bater novamente a cabeça com força.

Dessa vez Lili ficou tonta, ela apertou os olhos sentindo a cabeça doer, e se virou de bruços, tentando rastejar até o sapato, queria joga-lo bem no meio da fuça do soldado que ria da mesma. Foi quando ela sentiu dois joelhos envolta do seu quadril, ela sorriu e pensou em se virar, acertando um chute que com certeza o faria chorar, mas ele era muito mais rápido que ela, antes que ela conseguisse se virar a mão biônica grudou no cabelo branco, puxando-o para trás, ela gemeu de dor. Dessa vez era os lábios dele que estavam perto do ouvido dela, arrepiando a pele da mesma.

–Continua tão lenta como uma lesma. Deveria pensar menos e agir mais. A propósito, se eu tivesse uma faca agora, com certeza eu te ensinaria a atirar em mim. –Ele novamente sussurrou enquanto passada o dedo sobre o pescoço quente dela.

–Quer uma emprestada? –Ela perguntou em deboche, fazendo-o rir.

–Já havia me esquecido de um detalhe. –Ele sussurrou enquanto sua mão direita descia pela lateral no corpo dela, lentamente, os cabelos ainda presos na mão biônica.

A mão dele chegou até a coxa, e subiu lentamente a saia, os dedos entrando em atrito com a pele macia, arrepiando-a, ela fechou os olhos e respirou fundo. Ele então chegou onde queria, o coldre. Puxou a arma e sorriu, e colocou a mesma sobre a têmpora dela, apertando a arma naquele local, ela riu.

–Por um segundo achei que estava me seduzindo soldado. –Ela disse num tom travesso, ele riu, o dedo grudado no gatilho, a vontade de apertar era grande.

–Você não morre fácil, isso só faria seu cérebro explodir, se reconstruir, e você voltaria sem memória. –Ele sussurrou enquanto lentamente soltava o cabelo dela, a arma agora estava na nuca da mesma, continuavam na mesma posição.

–Sim, eu testei o soro em mim antes, e é exatamente isso que aconteceria. Por isso atirei em você, eu tinha certeza. –Ela disse enquanto se virava com rapidez e o fitava nos olhos, ele sorriu e colocou a arma sobre a barriga dela, na mesma altura do tiro que havia levado.

Ele puxou o jaleco dela e enrolou em volta da arma, assim o barulho seria abafado e atirou. Lili engoliu em seco, e o fitou. O sangue escorreu, manchando o jaleco, os dois não desviaram o olhar.

–Estou decepcionada novamente soldado, você não acredita em mim. –Ela disse enquanto tomava a arma da mão dele. O ferimento já havia sumido.

–Sou daqueles que só acredita vendo. –Ele sorriu deslizando sua mão pela barriga dela.

Num movimento rápido ela o empurrou, dessa vez quem caiu no chão foi ele, ela passou uma perna de cada lado da sua cintura e sentou em seu colo, um sorriso perverso no rosto, ele tentou se soltar dela, sair do lugar, mas não conseguiu.

–Lenta como uma lesma, mas tão forte quanto você. –Ela sorriu e então atacou os lábios dele.

{Flashback Off }

{ ... }

"Manchadas e confusas a verdade e as mentiras

Então eu não sei o que é verdade e o que não é

Sempre confundindo os pensamentos em minha cabeça

Portanto eu não posso mais confiar em mim

Estou morrendo novamente..."

–Evanescence, Going Under.

Notas finais
Eu sei que vocês não gostam da Lili, mas logo ela some tá? kkkkkk'