Angel
9 Memory Part. One
Notas iniciais

{ FlashBack On }
O Soldado estava trancado em sua cela, como sempre ficava quando não tinha nenhuma missão. Sentado no chão, na parte mais escura da cela, e encarado a parede, com sua mente longe dali, mas ao mesmo tempo sem nada em pensamento, a única coisa que o incomodava era a fome que sentia, sempre que passava por algum procedimento para ser reprogramado ele ficava com fome. Respirou fundo e fitou brevemente a entrada da cela, os soldados que o vigiavam não estavam ali, ele arqueou as sobrancelhas, curioso, e então percebeu uma mulher de cabelos brancos abrindo a cela, mas assim que a porta novamente se fechou, os soldados voltaram a aparecer e ele voltou a fitar a parede.
–Parece cansado Soldado. –A voz doce praticamente obrigou-o a olha-la.
Uma mulher tão linda e atraente, e ao mesmo tempo tão diferente. Ele ficou pensando se ela era uma “criação” assim como ele achava que também era.
Ele permaneceu em silêncio, não gostava de conversar. Ela tirou uma sacola da mochila que carregava nas costas e entregou a ele, que demorou alguns segundos antes de ter certeza se deveria realmente pegar. A fitou nos olhos e ela sorriu, os olhos eram de um azul tão claro, que por um segundo ele pensou se ela era cega, os lábios eram tão chamativos, talvez fosse culpa do batom vermelho que ela usava, que parecia os deixar mais carnudos, os dentes perfeitamente alinhados, e grandes, ele foi obrigado a sorrir quando fitou o sorriso dela, a mulher se impressionou, e se sentou de frente para ele.
–Que bom saber que você não é tão frio como dizem. –Ela cochichou sorrindo.
Ele abaixou a cabeça e abriu a sacolinha, logo o cheiro de comida invadiu suas narinas, e ele se empolgou, sorriu novamente, aquele cheiro era tão familiar. Comeu com certa pressa, e ela apenas ficou o observando.
–Bom Soldado, meu nome é Lili, eu vou, cuidar de você por um tempo, existem algumas coisas que só eu posso fazer por você, e como eu devia um favor para a HIDRA. –Ela não pareceu tão empolgada, mas depois de conhecer o soldado ficou até mais disposta.
–Qual seu nome? –Ele perguntou em russo, ela arrepiou assim que ouviu a sonoridade de sua voz com todo aquele sotaque.
–Lili. –Ela respondeu enquanto via mais um sorriso se esboçando no rosto dele.
–Lili... Gostei do seu nome. –Ele disse novamente em russo.
Ela apenas sorriu, e um dos guardas a chamou, Lili levantou-se imediatamente e saiu, sem dizer mais nada.
Lili era neta de um dos cientistas da HIDRA, um dos melhores, ela estava indo para o mesmo caminho, havia criado um soro de cura que a HIDRA descobriu, e eles acabaram forjando um ataque, fazendo alguns de seus homens a salvar, e em troca pediram que ela entrasse para a HIDRA.
Lili não teve outra escolha, eles haviam “salvado” a vida dela, e ela sabia que não poderia negar nada a HIDRA.
E então fora designada a cuidar do Soldado Invernal, já que o mesmo matou seu ultimo cuidador “sem querer”, eles imaginaram que talvez uma figura feminina ajudasse o soldado a se acalmar um pouco.
Mas não era só isso, era pelo fato de Lili não ser normal, quando criança ela quase morreu, sua mãe havia sido morta por ter traído a HIDRA, e o seu avô insistiu em lutar pela vida do pequeno feto que ainda estava crescendo dentro do ventre. Ele roubou o corpo da mãe de Lili, e usando alguns de seus experimentos ele conseguiu fazer Lili continuar a crescer e se desenvolver dentro da mãe morta.
E então ela nasceu assim, não era humana, nem de longe, ela se curava de qualquer coisa, tinha cabelos tão brancos quanto a pele, olhos azuis claros, e tinha uma força que era capaz de levantar um carro com facilidade.
E agora, ela estava dividindo laboratório com o avô, reparando os últimos detalhes do soro de cura antes de usa-lo.
Lili fez apenas uma exigência quando aceitou entrar para a HIDRA, pediu para que ela pudesse pelo menos ter mais tempo com o soldado, poder conquistar a confiança dele, pois assim talvez as coisas funcionassem de um jeito melhor, e é claro, ela queria o acompanhar em algumas missões, ela gostou da ideia de matar algumas pessoas, ela tinha um lado obscuro dentro de si que ansiava por isso.
{ ... }
Ela já estava cuidando do soldado á um bom tempo, faltava pouco para que o soro fosse injetado, já estava quase perfeitamente pronto. Lili entrou na cela do soldado, que agora estava diferente, ela havia feito algumas exigências, para que aquilo se transformasse num lugar mais confortável e com mais privacidade para o mesmo, ela não gostava do fato de tratarem-no como um animal. Foi fácil demais persuadi-los, e logo eles tinham mais privacidade até mesmo para conversar.
Assim que ela entrou na cela, o avistou deitado em uma cama que haviam colocado ali dentro, ele parecia dormir num sono um tanto quanto profundo, estava cansado de sua última missão, ficou quase duas noites inteiras sem dormir. Ele parecia tão angelical dormindo, tão doce, tão gentil. Lili respirou fundo, ela sabia de toda história dele, sabia quem ele fora, e o quanto ele era bom, e o pior era saber que ela nunca poderia contar a verdade para ele, por mais que ela quisesse, não queria ele a odiando. Ela se sentou ao lado dele e o fitou por alguns segundos, passou a mão sobre a cicatriz em volta do braço biônico, deslizou os dedos lentamente pelo corpo dele, passou os dedos sobre sua barriga, contornando os músculos, o corpo dele respondia com arrepios. Ela respirou fundo e se assustou quando fitou o rosto do soldado, ele estava com os olhos abertos, e a fitando, tentou esboçar um sorriso, mas estava tão cansado, quase não conseguia ficar com os olhos abertos. Ele a puxou com delicadeza, obrigando-a a se deitar do seu lado, ela apoiou a cabeça em seu peito e timidamente o abraçou, aspirando o cheiro da pele dele, tão doce. Nem se importou com o quanto o braço biônico em baixo de si a incomodava, apenas permaneceu ali, sentindo a respiração pesada dele invadir sua testa.
Lili era o mais próximo de família que ele tinha agora, era a única em que ele confiava, a única que ele queria proteger e cuidar.
{ Flashback Off}
Angel estava fazendo seu tour pela casa, o Soldado permaneceu encostado na parede, fitando o nada, agora estava preso nas poucas lembranças que tinha de Lili, tentando focar como ela realmente era, mas ele não conseguia sucesso ao tentar focar o rosto dela, tudo que ele via era a imagem dela no corpo de Angel. Respirou fundo e ouviu alguém o chamando.
–Bucky, você precisa ver isso. –Ele revirou os olhos.
–Eu nem tenho certeza se esse é meu verdadeiro nome. –Ele disse rindo e caminhando até onde vinha à voz dela.
Quando ele chegou no andar de cima, local onde nem ele mesmo chegou a ir todo esse tempo que ficou ali, avistou Angel ajoelhada perto de um enorme baú, olhando curiosa tudo o que havia ali dentro.
–Mas o que... –Ele apressou os passos, curioso.
{ ... }
"Cansado de ver e não ter sentimento
E é assim que você me faz lembrar
É assim que você me faz lembrar
De quem eu realmente sou
É assim que você me faz lembrar
De quem eu realmente sou..."
–Nickelback, How You Remind Me.
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