Angel
8 Lili?
Notas iniciais

O soldado dormiu com aquilo na cabeça, curioso por saber como Angel se transformava, em como tudo aquilo funcionava para ela.
{ ... }
{ FlashBack On}
Angel corria o mais rápido que conseguia, com medo de que aquele homem que matou seus pais estivesse a seguindo, pronto para mata-la também. Apesar de estar completamente cega de um olho ela conseguia perceber bem para onde estava indo. Foi quando ela bateu num corpo que andava distraído pela floresta, ambas caíram no chão, assustada ela fitou a mulher caída no chão, parecia estar fugindo de alguma coisa também.
–Você está bem? -Angel perguntou a mulher que a fitou com os olhos arregalados.
–Eu estou, mas você, está sangrando. -A mulher disse enquanto se levantava fitando Angel.
–Eu estou bem, qual seu nome? -Angel perguntou, olhando ao redor da floresta, preocupada.
–Lili. Alguns soldados invadiram minha casa, eles levaram as mulheres e mataram os homens, eu consegui fugir. -Ela disse se levantando, também olhando para trás preocupada.
–Acho melhor procurarmos um lugar, precisamos nos esconder. -Angel disse enquanto puxava Lili pelo braço.
–Tudo bem eu conheço um lugar que dá pra se esconder. -Lili puxou Angel pelo braço, e as duas saíram correndo juntas pela gigantesca floresta de árvores.
Elas estavam correndo á um bom tempo, para Angel pareciam horas, foi quando avistaram uma casinha, bem arrumada, parecia não ter ninguém lá. Lili tirou a chave de debaixo de um tapete e abriu a porta, entrando e puxando Angel consigo.
–Que lugar é esse? -Angel perguntou com medo.
–Meu pai construiu para distrair os soldados, nós ficamos muito tempo escondidos, e quando achamos que tudo havia passado, eles nos pegaram de surpresa.
Lili pegou um pano úmido e limpou o machucado da garota, aquilo estava realmente muito feio. Ela preparou um chá e entregou para Angel.
–Tome isso, vai ajudar a ficar mais calma, um tio médico deve chegar aqui a qualquer momento, e ele vai cuidar de você. -Lili disse sorrindo.
Angel tomou o chá e respirou fundo, mas havia um ponto de interrogação em sua cabeça.
–Eu achei que você havia dito que pegaram todos os homens e mulheres da sua família.
Lili sorriu a fitando, e encostou na parede, observando atenta a garota. A xícara caiu no chão e Angel sentiu uma tontura a invadindo.
–Hum, acho que você me pegou agora. -Lili sorriu e Angel apagou.
{ Flashback Off }
O poder que Angel guardava dentro de si era maior do que ela poderia imaginar, na verdade, Angel não tinha consciência desse poder, ela ainda não tinha o experimentado, já Lili, sabia muito bem usar o seu poder, Lili era a outra dentro de Angel, aquela que aparecia de vez em quando, e deixava Angel presa dentro de um sonho. Angel não sabia que Lili estava dentro dela, apenas achava que quando a força a invadia ela ficava adormecida.
É claro que ás vezes Angel ficava com meio poder, nessas horas ela ainda se lembrava, a consciência dela ainda lutava para ocupar o espaço, mas quando Lili finalmente chegava, tudo era um breu para Angel.
Já era manhã quando Lili despertou, deixando Angel presa na lembrança do encontro de ambas, na floresta, fugindo dos soldados. Ela demorou um pouco para focar a visão, estava muito claro, tinha ficado muito tempo presa no interior de Angel, ainda tentava descobrir como a outra conseguiu fazer aquilo. Respirou fundo e só então percebeu um corpo masculino abaixo de si, um braço quente a apoiava, e outro gelado a segurava com um pouco de força, ela observou atenta o braço biônico, então o soldado havia voltado, seu coração acelerou e ela sorriu, o fitando atenta, será que ele se lembraria dela?
Ela percebeu que estava nua, e com o corpo bem machucado, inclinou-se um pouco, conseguindo afrouxar o braço do soldado que dormia feito uma pedra e o fitou, ele estava semi nu, ela arqueou as sobrancelhas e ficou o fitando boquiaberta por alguns segundos.
"-Mas que diabos vocês fizeram noite passada?" -Ela pensou o fitando com uma feição de raiva.
Ficou fitando o rosto do soldado por alguns segundos, tão bonito e doce dormindo, ela deslizou seu dedo indicador sobre o lábio dele, tão perfeitamente desenhado, se recordou das inúmeras vezes em que ficava o observando dormir, sempre tão lindo. Lili não resistiu aquela tentação e o beijou, deslizando a língua lentamente por sobre os lábios dele, continuava ainda tão doce.
O braço biônico foi parar direto no pescoço dela, e ela sorriu separando os lábios e o fitando nos olhos.
–Bom dia soldado. -Ela disse sorrindo, nem se importava com o fato de estar sendo enforcada, na verdade, estava com tanta força que mal podia sentir, metade dos ferimentos no corpo já haviam sumido.
–Quem é você? -Ele perguntou curioso, aquela não poderia ser a Angel, poderia?
O cabelo dela tampava a cicatriz, e mesmo que as feições fossem idênticas a de Angel ele ficou na duvida, principalmente pelo fato dos machucados terem sumido, ele não sabia com o que estava lidando, continuou segurando a garota pelo pescoço.
Lili passou uma perna de cada lado da cintura dele, deixando os rostos perto o suficiente para que a respiração de um tocasse o rosto do outro.
–Oras, já se esqueceu de mim soldado, tão rápido assim? -Ela fez biquinho enquanto tirava o cabelo que caía sobre a cicatriz e o colocava atrás da orelha, ele assustou e a soltou na hora.
–Angel? -Ele perguntou com uma expressão assustada, ela riu.
–Não, por fora sim, por dentro não. Nós duas dividimos o mesmo corpo, Angel está presa em uma lembrança agora.
–O que? -Ele perguntou sem entender, por um segundo achou que estava ficando louco, aquilo sim era muito insano.
–Vejo que ela não te contou muita coisa não é? -Lili perguntou enquanto deslizava a mão pelo abdome do mesmo, o corpo dele respondeu com um arrepio.
Ela sorriu o fitando nos olhos, ele segurou a mão dela, repreendendo-a com o olhar, ele não tinha reação, não sabia o que fazer, mas Lili insistiu, estava adorando o provocar, ela rebolou lentamente no colo do mesmo, ele fechou os olhos e respirou fundo.
–Para com isso. -Pediu ainda de olhos fechados.
–Nem isso fez você lembrar de mim? Ora, ora soldado, estou muito decepcionada com você. -Aquela frase o fez a fitar com um misto de curiosidade.
Não, aquilo não podia ser verdade, podia? Ele a fitou nos olhos, procurando por onde acreditar naquela loucura, será mesmo que era a Lili? Os olhos, tão perfeitamente iguais aos dela, azuis tão claros que qualquer um que visse acharia que ela era cega, o cabelo estava mais branco, ele geralmente era mais sujo que isso, ele riu com o pensamento e acariciou o rosto dela.
–Lili? -Ele perguntou sorrindo de lado.
–Pensei que já havia se esquecido. -Ela sorriu e atacou os lábios dele, um beijo que ele correspondeu com muito desejo, mas logo foi interrompido, ele tinha tantas perguntas.
–Como você? Porque fugiu? -Ele perguntou a fitando, ela respirou fundo.
–Eu traí a HIDRA, eles iriam me matar, aproveitei sua deixa, e peguei a garota, eu precisava de um corpo novo, uma identidade nova, segundo nosso cientista maluco ela iria morrer e o corpo seria todo meu, mas, não deu muito certo, aconteceu alguma mutação e, agora estamos assim, uma hora ela consegue total controle e aparece, outrora eu consigo vir para a realidade. -Ela respirou fundo acariciando o rosto dele, ele beijou a mão dela.
–Mas ela sabe sobre você, ela... -Ele não conseguia formular a pergunta.
–Não, a última coisa que ela se lembra com clareza é sobre me achar na floresta e tentar me ajudar, depois disso, e antes disso, nós apagamos a memória dela, e ela nunca sabe de nada que eu faço, quando estou assumindo controle do corpo dela.
–O que você fez esse tempo todo?
–Estava te procurando soldado, desesperadamente, foi difícil manipular coisas na cabeça dela para que ela te procurasse, ficasse atenta e... -Ela pausou e ficou olhando para o nada por um tempo.
Foi quando num impulso Angel estava de volta, assustada e respirando ofegante, seu estomago embrulhou de novo, e ela respirou fundo. Fitou o soldado á sua frente com os olhos arregalados. Ele segurava uma das mãos dela perto do rosto, e a outra mão dela estava sobre a cueca dele. Ela corou e se levantou correndo.
–Ah meu Deus, eu acho que, eu me transformei de novo. Eu não sei o que eu te disse ou o que eu fiz, mas, acredite não era eu, me desculpa... -Ela disse de forma rápida enquanto vestia a grande blusa de moletom com certa pressa.
Ele respirou fundo, e passou as mãos sobre o rosto, será que aquilo era mesmo verdade, como aquilo podia ter acontecido, ele se levantou e começou a se vestir. Angel estava parada na porta da casa, observando a chuva que ainda caía forte, com o olhar assustado, ela tinha ficado presa naquela maldita lembrança de quando estava fugindo de algo que não sabia o que era, só sabia que queria mata-la.
–O que eu te disse? -Ela perguntou baixo quando ele parou do seu lado, encostando-se na parede.
–Nada Angel, você só resolveu cuidar de mim, me mostrar que carinhos não é algo tão assustador. -Ele disse forçando um sorriso.
–Você é um péssimo mentiroso. -Ela disse o fitando brevemente.
–Me desculpe por qualquer coisa que eu tenha feito. -Ela corou.
–Não tudo bem, eu até que gostei de você, transformada. -Ele disse sorrindo, infelizmente isso era algo que só ele e Lili entenderiam.
–Idiota...-Ela deu um soco de leve na barriga dele. -Quer dizer que não gosta de mim assim? -Ela perguntou mostrando a língua logo em seguida, ele gargalhou, Angel adorou a sonoridade daquela gargalhada, foi tão pura, para um cara tão frio como ele.
–Eu não quis dizer isso. Só acho que vai ser meio difícil escolher de qual Angel eu vou gostar mais... -Ele brincou fazendo-a rir.
–Acho que nós estamos presos nessa maldita casa, e eu estou faminta. -Ela disse enquanto deu meia volta e resolveu fazer um tour pela casa abandonada.
"Quero esconder a verdade
Quero abrigar você
Mas com a fera dentro
Não há onde nos escondermos...
Quando você sentir o meu calor
Olhe nos meu olhos
É onde meus demônios se escondem
É onde meus demônios se escondem
Não se aproxime muito
É escuro aqui dentro
É onde meus demônios se escondem
É onde meus demônios se escondem..." -Demons, Imagine Dragons.
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