Não sei quem sou. Sei que estava dormindo, mas meus olhos estão abertos? Sinto que estou piscando, mas ainda não consigo ver nada. Levantei um dos meus braços para tentar encontrar algo, sinto um material frio e liso ao toque, sim era vidro. Enquanto desço meu braço sobre o vidro sinto que está quebrado e começo a procurar outra parte que me ajude a levantar esse globo e logo ao lado encontro uma parte de metal, e fazendo força levanto a tampa.

Eu estava dormindo nessa cápsula. Enquanto olhava ao meu redor para me acostumar com a luz que vinha de algum ponto, vi que o lugar tinha várias outras cápsulas como a minha, mas todas estavam quebradas, como se algo tivesse as destruído, mas ainda não sei quem sou.

Levantei da minha redoma e enquanto a olhava notei uma escrita ao lado da parte de vidro. "Android 001, Nêmesis" E em letras maiores e de outra cor "Defeituosa", não sei o motivo, mas li em voz alta, e a voz percorreu a sala como vento e seguiu adiante. A voz era diferente e familiar, como algo a muito esquecido.

É possível ouvir algo fora deste lugar, mas aqui, nesse pequeno quarto, sinto que posso fazer o que quiser. Meus passos ecoam pelo lugar, minhas pegadas ficam jogadas nos anos de poeira que cobrem o cômodo.

O tempo que estava parado, agora voltou a andar, mas se era defeituosa, porque não fui destruída? Sou uma android, mas não tenho nada em minha memória, só tenho o que acabei de ler. Meu nome é tudo que me resta, esse lugar é minha casa, e espero que ela não seja pertubada novamente... Espera, eu disse novamente? M-Mas como? Não tenho memórias, deveria ser impossível saber de algo, mas como sei que esse lugar já foi perturbado?

Me lembro de um rosto, um garoto, olhos e cabelos vermelhos. Mas seu nome... não me lembro, só me veio o rosto, nada mais. "Espero um dia, voltar a encontrá-lo, meu amado...." O que foi isso? Uma memória, tenho certeza, mas quem era ele? Não consigo lembrar seu nome.

"Jovem garoto de cabelos de fogo, espero te encontrar novamente, mas sei que muito tempo já passou, e não envelheci nada. Espero um dia te encontrar, mas ainda não posso sair daqui, sei que algo grande me aguarda..." dirigindo essas palavras ao céu, novamente me lembro dele. O meu amado, mesmo não podendo estar juntos, sei que meu coração lhe pertence.

Enquanto estava perdida nos meus pensamentos um leve som chega aos meus ouvidos, um som de passos. Alguém se aproxima. Mas esse lugar está sem vida a anos, a poeira demonstra isso. Mas por quanto tempo? Esse é o problema, eu não sei. O som chega cada vez mais perto, mas algo o acompanha, um som mais seco, madeira? Não algo mais pesado, metal, sim, o som de metal batendo no piso, mas o que seria... e outro par de passos, mais lentos e demorados, como o de um idoso. Melhor me esconder, e corro novamente para minha cápsula, mas claro, minhas pegadas estavam por todo o lugar, mas não me preocupei com isso. Preciso me esconder.