Amy!
8 Capitulo 8
Notas iniciais
Gente desculpa só descobri que postei capítulo repetido hoje! Sorry!
Eu andava apressada tentando sair dessa merda de cidade, não queria ficar mais nenhum minuto aqui. Parece que essas ruas não levam a lugar nenhum e só me fazem ficar mais perdida. Eu sentia as pessoas me olhando estranho por onde passava e podia ouvir os cochichos que se seguiam, é claro, me viram por dias com a turma da Filipa.
Por mais que eu tentasse eu não conseguia deixar de pensar em tudo isso. É muita loucura, não sabia que índios acreditavam em reencarnação, isso não é coisa de espirita? Até que ponto alguma coisa pode ser real afinal? Eu não sei, e não sei se quero saber. A ignorância é uma dádiva. Minha mente mandava sinais de exaustão psicológica o que de algum jeito alimentava ainda mais a raiva que eu estava sentindo, de tudo e de todos, eu ainda não conseguia acreditar em tudo isso, meus pais me mataram, conseguiram uma merda de um documento em que eu estou morta. Como isso é possível? Essa maldita frase me perseguia, como é possível eles me matarem assim? Nem sabia que era possível falsificar um atestado de óbito, eu não sei de muita coisa afinal. Inúmeras teorias invadiam a minha mente me deixando ainda mais cansada. Será que alguém morreu e acharam que sou eu? Será que ficaram com vergonha da minha fuga? Será que eles foram ameaçados pelo pai do Patrick para dar uma resposta? Será? Será? A possibilidade da vergonha é bem mais a cara deles, se eu tivesse um cartão mandaria flores de condolências para eles, mas não teria graça, não mesmo, eu queria é ver a cara deles recebendo flores com um bilhete bem íntimo. Sim isso seria legal, legal e assustador, sim, eu quero que eles vejam que alguém sabe o que eles fizeram. Mas então me ocorreu, eu sei o que eles fizeram? Não definitivamente não, eu posso estar culpando eles enquanto eles sofrem pelas minhas escolhas. Uma buzina me fez perceber que eu estava no meio da rua, rua essa que eu nem sei o nome. Grande merda vou me perder aqui, o lugar que eu mais quero sair me prende, será que Filipa fez alguma bruxaria? Uma bruxaria tipo as da Bonnie em The Vampire Diaries? Isso seria legal mas assustador, ela não fez nenhuma bruxaria de verdade perto de mim, talvez a ideia dela ser uma bruxa seja coisa desse povo supersticioso daqui e ela simplesmente se aproveite disso, ela odeia ser chamada de Filipa em público mesmo. Sim isso faz sentido talvez ela seja algum tipo de benzedeira indígena e por isso assuste tanto as pessoas o desconhecido da medo, e disso eu bem sei. A buzina soou mais uma vez, irritante o suficiente para eu virar para trás e gritar em alto e bom som. " Passa por cima idiota." O idiota em questão, fez questão de descer do carro e me abraçar apertado sem me dar a chance de falar alguma coisa ou respirar ao menos. " Sua idiota tá todo mundo te procurando pela cidade, todo mundo preocupado." Barata falava desesperado me abraçando, fui empurrando o corpo para trás até ele me olhar. " Da pra me soltar? Quero ir embora dessa cidade de merda. Todo mundo sabia que eu ia embora porra, não sei por que tanto teatro." " Teatro? Deixa de ser essa menina mimada, afinal, pelo que sabemos ela foi literalmente morta e sepultada, e é por isso que todo mundo tá preocupado com você... E também pela história da Knae." " Olha eu não acredito nisso de reencarnação, não tô nem ai de ter sido assassinada pelos meus pais a escolha de ir embora foi minha e hora ou outra iam desistir ou me esquecer, não preciso de preocupação, só preciso de um jeito de sair desse labirinto infernal." " Tira a pedra que eu te levo até a saída da cidade, se você prometer que vai me falar a verdade." Tirei e entrei no carro, ele entrou e deu partida mas sem sair me olhou. Ele esperava tranquilamente que eu explicasse tudo, desabafasse." Por que eu tive que tirar a pedra?" " Ela te protege do mal, como você está fazendo a escolha errada e de cabeça quente você se perde. Quando sair do carro põe de novo. Mas não é esse o tema da conversa." " Eu sei, por que você parece tão mais velho do que é? Isso incomoda." " Eu sou mais velho do que parece, vai me responde." " Eu não sei o que pensar ou sentir eu tô num estado de topor que me faz sentir raiva por não saber, as teorias me irritam, por quê eu sei que não vou saber a realidade mas eu entendo que foi uma escolha minha. Eu precisava sair de casa e conhecer a vida sem nenhuma manipulação. Eu tô com raiva pela vida que eu vivi e com medo do rumo da minha vida, mas no geral eu tô bem, apenas exausta.""E quanto ao que a Filipa te disse?" " Não sei, é muita loucura para mim, eu não consigo acreditar nisso. Eu sei que algo me impelia a vir para cá, sempre quis conhecer tudo sobre esse lugar, achei que eu ia conhecer pessoas magnificas com experiências de vida incríveis, mas não foi bem isso que aconteceu eu fui humilhada e então conheci vocês e parece que tudo desandou eu me senti pior aqui do que na minha cidade, vi as pessoas me olhando torto enquanto eu estava presa a vocês. Não sou hipócrita, sei que aprendi muito sobre culturas e diferenças mas eu quero mais que isso, eu conheci o Jorge e ele me mostrou que faculdade não serve para nada quando não se conhece as pessoas, conheci Joana e descobri que a vida não precisa ser perfeita ela precisa ter momentos felizes, eu conheci o Ricardo e ele me mostrou como é bom fazer alguma coisa pela primeira vez, aqui eu descobri que existe um preconceito infernal sobre qualquer coisa que é desconhecida. E eu não quero viver esse preconceito e nem me submeter a ser alguém que eu não sou. Eu não sou Knae, vocês e a bruxa querem que eu seja mas eu não sou. Passei toda a minha vida sendo aquela pessoa que eles queriam ou precisavam que eu fosse, mas eu cansei disso, eu fugi por isso, então por favor, me deixa descobrir quem eu sou, é uma necessidade eu preciso disso. Diz para Filipa e Ivone que eu agradeço por tudo, mas eu não posso e não vou ficar aqui. Eu vou ficar bem enquanto estiver na estrada." " Eu sei disso. E apenas por isso vou te levar na saída, lê as placas e descobre o teu caminho sozinha. Você é mais forte do que parece sabia? Eu vi isso na primeira vez que te vi, com o Caio dando em cima de você, as menininhas acham ele super interessante, mas quando ele falou pra você subir pra cima da pedra com ele e você mandou ele ir a merda e levar um dicionário, eu, como todo mundo achei engraçado, mas ali eu vi que você não era só uma menininha qualquer. Você é uma mulher forte e tem que começar a se ver dessa forma. Você aguentou tudo isso que aconteceu nos últimos dias sem desabar completamente. Eu sei que a estrada é o teu lugar. Então o mínimo que posso fazer é te deixar ir e te desejar boa sorte."
Naquele sorriso terno eu me senti acolhida pela primeira vez desde que pus o pé nessa cidade. Pena ser tarde demais. Logo o carro seguiu seu rumo e o silêncio predominou até que ele parasse novamente. Eu passei por aqui quando cheguei então sei para onde ir. Sempre em frente. É engraçado como certas sentenças se encaixam perfeitamente em alguns momentos, mesmo formando cacofonias. Erros e vícios de português não me assustam mais. Talvez alguns, mas essa frase de significado amplo me cativou. Em frente e enfrente. Sempre, a decisão de seguir em frente sem olhar para trás custe o que custar nunca me pareceu tão correta quanto agora. Num suspiro tirei a mão da porta e olhei o barata, é estranho não saber o nome de quem te estende a mão. Antes que eu abrisse a boca para perguntar qualquer coisa ele me abraçou. Um abraço desajeitado e desarrumado mas que de uma forma poética se encaixou perfeitamente no momento e em meu peito. Quando me soltou simplesmente me entregou uma garrafa dágua imaginando a realidade, eu pensei em tudo menos na água, ou talvez eu não pensei em nada. " Amy, toma coidado com as tuas escolhas, você é forte mas não indestrutível. Ninguém é." " Eu sei, obrigada por tudo... Barata, me diz uma coisa qual é o teu nome?" " José Rovilsson." Eu dei uma risada quando nossos rostos espelharam uma careta, barata não parecia tão ruim agora. Agradeci mais uma vez e desci do carro, ele deu a partida e seguiu de volta para a cidade. Eu segui meu caminho também. Não me preocupei em saber ou pensar no próximo destino eu ia deixa a vida me levar para o lugar que eu precisava estar. Não permiti que assuntos enchessem minha cabeça, eu não queria pensar em nada. Me permiti enlouquecer por um tempo, fones no ouvido gritando comigo, e o corpo balançando fora do compasso da música, anos de balé para errar um compasso? Graças a Deus sim. A perfeição é chata e incomoda sou Feliz em poder errar, a dádiva da nossa geração sendo jogada fora, tantas coisas que eu poderia errar e me arrepender e eu escolho simplesmente errar o ritmo enquanto os detonautas erravam a música que eu conheço bem, não o erro é meu e me trás um orgulho incrível uma vontade enorme de gritar mais alto ainda, gritar até ficar sem voz, é bom sentir a barriga doendo por não saber rir da maneira certa, é bom perder o ar varias vezes durante a vida por não saber respirar, mas melhor que tudo isso é poder cantar em alto e bom som as músicas que você ama, mesmo errando a letra e completamente fora do ritmo. É a maior sensação de foda-se o mundo que existe. Se eu pudesse dar um concelho a todas as nações seria esse: Parem de guerras e discussões, esqueçam impostos e boletos e pelo menos uma vez por mês nesse momento cante alto e fora do ritmo a música que você ama, de Rock a funk, de xote a MPB, simplesmente cante e esqueça o mundo. Eu estava feliz, apesar do calor maçante e sufocante das duas da tarde e o cansaço que tomava conta do meu corpo a cada passo, eu estava completamente feliz, eu estava na estrada afinal, apenas curtindo a vibe de cada passo, eu precisava disso para realmente não pensar em nada sério. Eu não fazia a menor ideia de qual caminho eu estava seguindo real e metaforicamente, mas ainda assim uma felicidade desconhecida me tomava a estrada e eu havíamos nos tornado grandes amigas em tão pouco tempo que me surpreendia essa proximidade. Ela me leva a pessoas e eu trago historias para ela, uma linda e justa troca, porquê os relacionamentos reais não podem ser assim? Uma troca maior do que a troca de saliva? Essa eterna troca de experiências e histórias não existe em um relacionamento, a rotina cansativa de 'eu te amos' dita da boca pra fora de mensagens de 'bom dia' que já nem tem significado, a eterna obrigação de fingir que penso em você quando acordo. Talvez eu seja uma anormal mas a única coisa que eu penso quando acordo é em voltar para cama, como alguém pode se dizer capaz de pensar em alguém assim que acorda. Antes de dormir sim, esse é justo, a mente é uma criança brincalhona, sempre fica mais ativa antes de dormir, e então nesse momento pensa até em cálculos físicos apenas para não te deixar dormir. Aceito de bom grado um 'pensei em você a noite toda', me parece bem mais real, nem que a pessoa tenha dormido 5 minutos depois de deitar, se enquanto estava acordada pensou já me vale como uma noite. Eu e Patrick éramos assim, eu te amos e bom dias rotineiros mas para mim perderam o significado com o tempo, o desejo pela mensagem, a curiosidade gigantesca em saber se ia vir. Tudo isso quando deixou de ser surpresa deixou de ser real. Entre assimilações e constatações deixei o cansaço me tomar e me sentei na beira da estrada. Eu não sabia onde estava e nem para onde eu estava indo. O cansaço, a sede, a fome e o maldito gosto salgado do suor em minha boca me dava nojo de mim, e tudo que eu via pela frente era uma interminável reta que me deixava ainda mais cansada, eu tô andando a 6 horas e parece que essa estrada não vai acabar nunca, não vai me levar a lugar algum também. O meu medo é a chuva, ela sempre chega do nada no verão e as nuvens vindo do norte indicavam que ela ia chegar logo, um alívio para esse calor, sim claro, mas ela vai vir forte. Eu sempre gostei de chuva, fugi várias vezes durante a noite para tomar banho de chuva, e me sentir limpa por dentro, limpar as marcas ruins do dia a dia. Não vou ter um enorme banheiro com água quente caindo sobre mim, nada de roupas quentes e muito menos uma cama quente e confortável cheia de cobertas dessa vez, a chuva vai vir me maltratar. Viver em uma incógnita é assim, uma escalada de pontos positivos que em algum momento vão se tornar negativos. Essa é a lógica, nunca saber o resultado final até terminar. Sentada na beira da estrada eu sentia o vento forte dos carros que passavam cada vez mais rápido por mim. Eu poderia pedir carona, e ir para qualquer lugar, fugir da chuva e me manter quente, mas a voz de Jorge em meu subconsciente, me alertava insistentemente do quanto a estrada é perigosa e enlouquece os homens. Eu não sei qual deles já enlouqueceu. Um trovão soou forte me assustando, a chuva se aproximava com rapidez, porém fraca o suficiente para eu sentir um espaço de tempo grande entre um pingo e outro. Tirei o moletom da minha cintura e empelotei da melhor forma para caber na bolsa que eu levava, eu não contei com a chuva quando sai. Em pouco tempo a chuva foi ficando forte o suficiente para me obrigar a levantar, a chuva tocava meu rosto refrescando, ergui o rosto e deixei a chuva me molhar. Esfreguei o rosto com uma vontade doida de tirar os resquícios de suor, e por fim abri a boca tentando capturar os grossos pingos de chuva e matar um pouco de sede. Um clarão rompeu o céu me assustando, mas não tanto quanto o som ensurdecedor que o seguiu. Meus pés pensaram sozinhos quando começaram a correr, cada vez que os relâmpagos apareceriam eu sentia meu coração parar, a chuva sempre foi assim tão assustadora? Cada vez mais forte e rápida com cada vez mais relâmpagos e trovões, mas o medo me paralisou no momento em que um raio caiu majestoso em uma árvore que estava a alguns metros a frente. Pânico, essa era a palavra exata para descrever o que eu estava sentindo, meu coração batia rápido enquanto meus pés se fincavam cada vez mais fortes no chão, eu mal conseguia respirar, eu nunca vi um raio caindo assim tão perto, isso é assustador. Uma vontade incontrolável de chorar me atingiu, onde está a chuva que eu tanto amo? Um carro partiu rápido jogando ainda mais água em mim, mas serviu para me tirar do transe, observei as árvores perdidas ao longo da estrada, preciso fugir delas, são poucas mas ainda assim atraem os raios. Apertei o passo, precisava fugir dessa chuva. Entre o pânico e o desespero eu passei a acreditar que fiz uma péssima escolha, talvez, apenas talvez a bruxa tenha razão. Uma buzina me assustou mais que a chuva, ela estava próxima, e fazia uma sequência de sons estranhos depois do barulho inicial, quem é doido de colocar uma buzina assim? Olhei para trás e mesmo com o tempo embaçado pela chuva eu notei que tinha uma combi cinza? Azul? Não sei, buzinando freneticamente e piscando as luzes, no segundo seguinte deu seta e veio encostando do meu lado. No susto dei alguns passos para trás e pensei seriamente em sair correndo, mas eu estava enxarcada e pesada pela chuva e tenho certeza que é uma péssima ideia. Assim que a combi que só então notei ser azul claro parou e um cara estranho de cabelo comprido abaixou a janela do motorista e me sorriu dizendo.
" Vamos sair da chuva estrela? Sobe ai na morena que você vai com a gente." Eu o olhei assustada sem entender direito o que estava acontecendo, e nem do que esse doido estava falando. Mesmo com a chuva eu conseguia sentir o cheiro da maconha que eu sei que não vinha de mim, um cara estranho, em uma combi, cheirando maconha e falando esquesito. Esse cara pode até não ser um cara ruim, mas tenho certeza que ele é pirado, quem em sã consciência dá carona para um estranho? Uma garota que eu até então não tinha notado jogou a cabeça para frente rindo de alguma coisa e gritou. " Entra logo moça, a morena sempre tem lugar para mais um, aproveita que essa chuva não vai passar tão cedo." Então eu entendi, morena é a combi azul e eu estava ganhando uma carona. Com a rapidez que me era possível dei a volta na combi e antes que eu pensasse em abrir a porta um rapaz moreno abriu e me se deu espaço. Dei de ombros e entrei, o que de tão ruim poderia acontecer com esse bando de doidos? Sete pessoas dividindo uma van e a maconha não podem ser pessoas ruins, afinal pensaram em mim e em me tirar da chuva.
Notas finais
Oi gente! Vou postar mais um a noite por que... Bom pra ficar como tava na minha cabeça as postagens! Enfim, como vão vocês?
Fale com o autor