🌸Amor que Resiste ao Tempo🌸
1 Prólogo
Notas iniciais

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Naquele momento, nos localizávamos na Província de Owari, respectivamente no ano de 1554 da Era Sengoku. Viajando no tempo com o propósito de juntar as auras dos Onze Supremos, havíamos acabado de finalizar nossa primeira busca: fundir pelo MixMax minha aura com a de Oda Nobunaga, o grande estrategista militar da época.
Durante as várias semanas que passamos neste período longínquo, nos deparamos com muitos desafios e acontecimentos imprevisíveis, que fizeram com que nos disfarçássemos, conhecêssemos pessoas humildes e importantes, lutássemos contra sequestradores, treinássemos e nos esforçássemos arduamente para cumprir com nossos objetivos. E como eu estava destinado a ser o receptor da poderosa aura de Oda Nobunaga, precisei realizar um treinamento ainda mais árduo e complexo, começando de manhã e o encerrando ao anoitecer. Levei vários dias para finalmente dominar minha Armadura da Incorporação, mas felizmente consegui atingir a força suficiente para igualar minha aura à do estrategista militar.
Contando com a ajuda de Tokichiro Kinoshita, o futuro unificador do Japão, lutamos contra o Protocol Omega 0.2, e após muitos esforços e jogadas difíceis, finalmente uni minha aura com a de Nobunaga, recebendo grande velocidade e poder. Assim, juntando nossas novas forças e habilidades, conseguimos derrotar o adversário. Na mesma noite, jantamos com Nobunaga e nos despedimos, levando conosco ensinamentos que jamais poderíamos esquecer.
Agora, eu deveria me despedir de todos que conheci durante essa incrível viagem. É difícil pra mim, pois foi neste lugar que cresci um pouco mais, onde aprendi coisas novas e importantes, e onde aperfeiçoei ainda mais o meu amado futebol. Porém, precisávamos voltar ao futuro, à nossa verdadeira época. Devíamos continuar nossa busca pelas auras dos Onze Supremos.
Enquanto Tenma, Fey e o resto da equipe se despediam de nossos novos amigos, aproveitei para admirar um pouco mais aquele lugar tão bonito, naquela época tão distante. Andando pela vila em que estivemos hospedados nos últimos dias, observei as casinhas simples de madeira e palha, os moradores usando vestimentas tradicionais, e a bela natureza que me rodeava. Eu sentiria muita a falta daquele lugar. De sentir o ar puro que não existiria mais no tempo em que nasci, do céu azul mais brilhante, das plantas mais verdes, das cerejeiras mais cor-de-rosa, e também… sentiria muito a falta de Okatsu.
Ah, Okatsu... uma pessoa maravilhosa que conheci nessa era, que me acompanhou e me apoiou desde o primeiro dia em que cheguei a este local do passado. Okatsu nos ajudou desde o começo: foi ela quem nos arranjou uma cabana em que pudéssemos nos hospedar e passar a noite, nos forneceu o alimento necessário em todas as refeições, quem ensinou Tenma e os outros a dançar para o Banquete de Apreciação de Flores de Cerejeira. Ela me ajudou a recuperar as forças quando estava esgotado depois dos treinamentos, e também, foi ela quem me defendeu quando Oda Nobunaga pensou em me retirar da equipe no momento da partida contra o Protocol Omega 0.2. Para a maioria dos outros, suas ações de gentileza estavam no plano de fundo e não se mostrariam tão importantes assim, mas qualquer um que pensasse mais alto jamais poderia discordar: se não fosse por Okatsu, não teríamos conseguido realizar nossa missão sem maiores problemas.
Refletindo sobre isso, terminei meu último passeio pela vila. Agora, eu deveria voltar à Caravana Relâmpago para que retornássemos ao futuro. Mas... eu ainda não havia me despedido de Okatsu. Passei por baixo de uma bela e frondosa cerejeira, seguindo na direção do local em que a caravana se encontrava. Um sentimento de culpa começou a me invadir. Não, eu não podia deixar de me despedir dela, eu deveria voltar e procurá-la. Tinha que vê-la pelo menos mais uma única vez.
Estava prestes a dar a meia volta, quando ouvi passos fortes atrás de mim, junto ao som ofegante de alguém parando após uma grande corrida.
— Takuto-sama! – ouvi uma voz aguda me chamar.
Me virei, encontrando uma garota de cabelos castanhos escuros presos em um coque apertado. Sorrindo pra mim, ela enxugou a testa com a manga do kimono alaranjado.
— Okatsu-san? – sorri feliz ao vê-la.
Parando de ofegar, ela se endireitou e se recompôs, aproximando-se de mim.
— Takuto-sama, você está indo para a sua casa agora, não é? – perguntou com um pequeno sorriso. Pude sentir tristeza em sua voz.
Observei-a por alguns segundos, assentindo com a cabeça.
— Não vamos mais nos ver? – perguntou calmamente, porém, com um pequeno vestígio de angústia.
— Eu não sou uma pessoa dessa época. – respondi, admirando as flores da grande cerejeira que se elevava acima de nós.
— Eu sei. – ela concordou. Olhando para suas próprias mãos, soltou um longo suspiro. – Eu sabia que meus sentimentos não o alcançariam…
Surpreso ao ouvir sua confissão, a fitei. Seu rosto tranquilo trazia um sorriso, mas a tristeza transparecia em seu olhar gentil. Sentindo um grande aperto em meu peito, percebi minha culpa aumentar.
— Me desculpe... – respondi baixo, sem saber mais o que dizer.
Ficamos calados por alguns minutos, ouvindo o silêncio e admirando as belas pétalas cor-de-rosa que caiam suavemente ao nosso redor. Olhando novamente para o lado, vi que Okatsu trazia um pequeno embrulho em suas mãos.
Ela se aproximou um pouco mais, estendendo o que segurava. Observando os tecidos que embrulhavam o que parecia ser uma pequena caixa, reconheci que provavelmente seria mais um daqueles deliciosos lanches que ela sempre preparava para mim depois dos treinos.
— Por favor, aceite! – ela sorriu um tanto envergonhada, depositando o presente em minhas mãos.
Recebendo o embrulho, passei os dedos sobre o pano macio. Novamente, eu não soube o que dizer. Olhando para a estrada de terra à minha frente, lembrei de que naquele momento Tenma e os outros já estariam me esperando na caravana, talvez se perguntando do porquê de minha demora.
— Então... Estou indo. – sorri mais uma vez para Okatsu, curvando-me em agradecimento e me preparando para partir.
— Eu também! – a ouvi exclamar hesitante, parando de andar no mesmo segundo. Encarando-a novamente, pude notar uma expressão de indecisão em seu rosto, sendo mudada por nova tristeza assim que nossas visões se encontraram.
Baixando um pouco o olhar, ela sorriu. — Não é nada... – disse baixinho, os olhos brilhando de modo encantador.
Ficando de frente para ela, olhei dentro de seus belos olhos castanhos escuros. – Okatsu... Eu prometo, prometo que voltarei. – ao dizer isso, não pude deixar de sorrir. — Não perderei pessoas importantes como você.
Os olhos de Okatsu brilharam ainda mais, de forma gentil e delicada. Colocando as mãos no coração, ela assentiu. – Certo. – respondeu, aumentando seu sorriso com esperança E dessa vez, pude ver finalmente um vestígio de alegria voltar a preencher os belos olhos que se fixavam nos meus.
Minutos depois, seguimos até a caravana, onde meus companheiros de equipe me aguardavam. Subindo relutante no automóvel, lancei um último olhar à Okatsu, que me observava ao lado de seu irmão e nossos novos amigos. Focando melhor em seu rosto, pude notar que pequenas lágrimas escorriam de seus olhos, o que me fez sentir um grande aperto no coração. Eu realmente não queria deixá-la, não queria mesmo. E toda a vez que pensava nisso ou olhava para seu rosto, mais me sentia culpado, conseguindo notar uma forte melancolia se apoderar de mim. Mas eu precisava fazer aquele sacrifício, mesmo que não quisesse. Eu precisava voltar e salvar a história do futebol.
Dentro do Buraco de Verme, enquanto retornávamos ao futuro, observei o presente que Okatsu me dera. Desamarrando o tecido cor-de-rosa, deparei-me com uma bela caixa de madeira violeta, decorada por pequenas flores estampadas na tampa. Fitei os desenhos brevemente, analisando seus pequenos detalhes pintados à mão. Em seguida, abri o presente, e quase não pude acreditar no que vi.
Naquela pequena caixa estava um pouco do maravilhoso tofu branco que só Okatsu sabia fazer. Aquele mesmo tofu que ela havia preparado em nossas refeições e que havia me trazido tantas vezes depois dos treinos.
Imediatamente, relembrei aquele primeiro dia em que ela me trouxera um pouco daquele tofu, junto a alguns bolinhos de arroz branco. Após um rigoroso treino, havíamos nos sentado na grama e conversado, enquanto eu comia o lanche que ela havia me preparado com tanto carinho.
"Está sentindo dor?” Lembro-me de tê-la ouvido perguntar.
“Não, na verdade não é isso...”
“Quando isso acontecer, faça o que direi.” Ela pronunciara, esboçando seu sorriso gentil. “Bom... Comer um bolinho de arroz branco fará seu coração ficar branco e puro, assim você se sentirá bem.”
Lembrando essas doces palavras, senti meus olhos transbordarem, fazendo com que várias lágrimas rolassem pelo meu rosto. – Okatsu... – murmurei, sentindo uma grande tristeza me preencher.
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