Amor por contrato (ACONTECEU VOCÊ E EU)
32 Capítulo 31
Notas iniciais
Amor por Contrato.
Capítulo XXXI
A loira estava em frente ao espelho enquanto borrifava um pouco do seu perfume. Olhou sua bela imagem e sorriu. Estava linda para mais um jantar com seu marido. Quando saiu do quarto, notou que seu marido falava ao telefone com alguém e parecia inquieto.
― Resolve isso Júlio, te paguei pra resolver os problemas não ficar me ligando a cada cinco minutos. ― O Ramos disse exasperado mas assim que sentiu pequenos braços envolvendo suas costas suspirou.
Pedro virou-se de frente para a mulher e sorriu, afinal nem todos dão a sorte de casar-se com um ser tão lindo quanto ela.
― Você está linda. ― Ele disse e logo depois selou os lábios da esposa que fez uma careta com a proximidade. ― O que foi babe?
― Esse seu perfume é muito... muito forte e enjoativo. ― Karina respondeu enquanto os dois se afastavam de mãos dadas até a porta do quarto.
― Mas é o mesmo que uso desde sempre. ― Argumentou achando estranha a atitude da mulher.
― Mas eu enjoei dele. ― A loira apenas deu de ombros sem dizer mais nada.
― Tudo bem, vou trocar o meu perfume caríssimo por outro mais barato. ― Resmungou por fim arrancando uma pequena risada da mulher aos seu lado.
{***}
― Você está estranha hoje. ― Pedro comentou encarando a mulher do outro lado da mesa. ― Não gosta mais do meu perfume, que era o seu favorito. Não quer comer a codorna, que você sempre me fala que ama, não pediu a sobremesa. O que há contigo Karina?
― Eu... eu não sei Pedro. Só não estou me sentindo muito bem. ― A loira murmurou triste ao notar que tudo o que o marido tinha dito era verdade. ― Deve ser alguma virose.
― Não sei não. Porque você não vai ao médico amanhã? ― Inquiriu ao levantar os olhos fitando a loira.
― Nada disso Pedro. Prometi que eu iria quando chegasse da viajem. Aguarde mais dois dias.
Pedro suspirou, mas logo assentiu.
― Tudo bem. Mas você não vai me enrolar com isso. Precisamos descobrir o que você tem.
Assim que chegaram ao hotel Pedro passou na recepção para pegar as chaves do quarto deixando Karina um pouco para trás. Desde a hora que saíram do restaurante a loira tinha a sensação de estar sendo observada e mesmo querendo esquecer ela não conseguia. Sentia um olhar queimar nas suas costas e assim virou-se para trás. Ela era alta, cabelos curtos e olhos verdes penetrantes. Apesar do capuz Karina conseguiu ver a mulher desviando do seu olhar. Um arrepio passou pela sua espinha e ela se sentiu um pouco tonta.
― Era ela (?)― Sua pergunta soou com uma afirmação e mesmo querendo ela não deixava de encarar as portas de vidro por onde a mulher havia saído.
― Vamos? Já peguei as nossas chaves. ― Karina apenas assentiu agarrando-se ao corpo do marido.
No dia seguinte, Pedro se levantou cedo e deu um beijo na testa da mulher que estava encolhida na cama. Suspirou antes de sair do quarto indo para o saguão do hotel. Hoje seria um dia cheio, mais tarde naquele mesmo dia as vendas para o Mercado Negro iriam começar e junto com elas os desafios também. O Ramos sabia que naquele ambiente, qualquer desafio que o fosse lançado ele teria que aceitar, pois a regra era clara.
― Vamos dividir grupos de apoio, a cada saída estratégica e nas entradas uma parte do nosso pessoal vai estar. Sabemos que aqui não pode haver confronto, mas temos que estar preparados para tudo. ― Gael falou enquanto todos assentiam.
Até mesmo no café da manhã as resoluções não paravam. Viver nesse meio era assim, sempre agir com tudo calculado e pensado.
― Eu já chequei tudo o que o Pedro mandou. ― Tawki afirmou. ― Fui olhar como andavam os testes para a nossa arma e fui ver também quem observava os estandes, nenhum sinal do Lobão ou qualquer outro.
Todos o olharam desconfiados.
― Tem certeza? ― Pedro questionou vendo Tawiki revirar os olhos.
― Não vão confiar em mim agora? ― Perguntou debochado fazendo Wallace, que estava na outra ponta da mesa rir.
― Não é óbvio? ― Inquiriu sorrindo de lado.
― Ele está certo Pedro. ― Duca falou chamando a atenção dos demais. ― Fiz uma revista ontem e hoje mais cedo, até agora nenhum sinal dele.
― Talvez seja porque ele não tem mais o que vender, afinal roubamos o projeto dele. ― Alan disse gabando-se e todos riram, menos Pedro.
― Pode até ser, mas com aquele cara precisamos sempre estar com os dois olhos abertos.
{***}
Karina havia acordado tarde naquele dia, perdeu o café, mas sabia que dali a poucas horas seria o grande dia de venda do mercado negro e para isso precisava estar disposta e preparada. Foi até o spa do hotel e tomou um banho de algas e logo depois massagem. Por fim uma limpeza de pele e foi também ao salão, apenas para hidratar e escovar seus cabelos loiras que já batiam um pouco abaixo do ombro. Quando saiu do salão já passava das três. Seguiu lenta até o elevador. Enquanto as portas de metal se fechavam sentiu uma tontura e colocou as mãos na parede. A loira respirou fundo e quando abriu os olhos novamente só enxergou a escuridão.
As portas do elevador se abriram novamente e três homens carregaram a loira caída subindo para o quarto andar do hotel. As câmeras do elevador, magicamente, ou não tanto se escureceram e por esse motivo ninguém sabia o que se passava ali dentro, também o único segurança que estava na sala das câmeras dormia e não percebia o que acontecia ali. O homens carregaram Karina pelo corredor e entraram no quarto cento e vinte deixando a loira deitada em cima da cama.
A mais velha encarava a garota de maneira intensa. Seus olhos verdes fitavam a mulher jovem deitada na sua cama de maneira curiosa. Via como a loira respirava tranquila, parecia que apenas sonhava, se não tivesse visto pelas câmeras nunca ia imaginar que aquela mulher deitada na cama tinha acabado de desmaiar.
― Senhora, trouxe o que me pediu. As frutas e o sanduíche e também o suco de abacaxi com hortelã. ― O homem vestido de preto não pediu licença ao entrar recebendo o olhar duro da mulher.
― Ok Sebastian, deixe ai em cima e suma da minha frente. Nunca mais ouse entrar sem bater. ― Disse seca e fria.
A mulher se aproximou da mais nova quando viu a mesma se agitar em cima da cama. Aproximou a passos lentos e fitou melhor o rosto que a minutos estava sereno e agora parecia estar sentindo dor, ou algo do tipo. Ela levantou a mão na intenção de alisar os fios loiras da garota mas segundos depois se deparou com os pequenos olhos azuis, agora abertos fitando-a de volta. Uma mistura de medo, ansiedade e curiosidade se apossou de Karina quando viu aquela mulher na sua frente.
― Q-quem é você? ― A loira mais jovem perguntou, mesmo que no seu íntimo a resposta já havia sido dada. Sua mãe idiota, esta é Ana. Seu subconsciente falou.
― Eu sei que você sabe quem sou Karina. ― A maneira cortante de minutos atrás se deu a uma voz doce e paciente.
Karina pulou da cama, na intenção de sair dali, mas um fisgada fez com que a mesma caísse sentada mais uma vez. Ana se aproximou da filha tentando segurar no seu braço, mas a mais jovem apenas se afastou.
― Porque estou aqui? O que vai fazer comigo? ― A jovem inquiriu, tentando mascarar seu medo na voz.
― Oh, não seja ridícula. Não farei nada com você. É minha filha Karina.
― Não sou sua filha. ― A cortou ríspida, ficando de pé mais uma vez, mas agora não se sentia tonta, a ira se apossava do seu interior.
Como ela pode dizer que sou sua filha? Se perguntava com raiva.
― Eu sou sua mãe, querendo você ou não. E eu não te sequestrei, se é isso que pensa. ― A mais jovem a olhou confusa franzindo a testa e crispando os lábios. Karina não estava gostando de estar no mesmo ambiente que ela. ― Você desmaiou no elevador e eu pedi que a trouxessem para cá. Certamente você não comeu nada hoje e pedi que pegassem algo no restaurante. ― Apontou para a bandeja em cima da cômoda. ― Tem frutas, sanduíches e suco. ― Karina apenas negou, não queria nada que viesse daquela mulher.
― Não estou com fome, se me der licença. ― Tentou mais uma vez passar pela sua mãe mas o ronco alto do seu estômago a entregou.
Ana riu de lado e negou com a cabeça.
― Sirva-se Karina. Eu prometo que depois você vai sair e nada vai lhe acontecer. ― O tom duro e mandão que a mulher usou fez com que Karina bufasse revirando os olhos.
Sentou na cama novamente e pegou o morango na vasilha de vidro. Começou a comer e o gosto doce da fruta a fez respira extasiada. Pegou o sanduíche e na primeira bocada gemeu satisfeita pela delicia que invadia a sua boca, escutou o som de uma risada e virou-se pra mulher que a encarava risonha. Karina serrou os olhos a encarando sem nenhum pingo de humor. A mulher loira que percebeu a hostilidade deu de ombros e entrou no banheiro fechando a porta atrás de si. Depois disso Karina voltou a comer sem se lembrar que estava no quarto da sua, talvez, maior inimiga, da sua própria mãe.
Quando estava satisfeita, e quase nada na bandeja a garota se levantou passando a mãos no cabelo que havia sido arrumado e se dirigiu a porta do banheiro. Pensou em bater e avisar a mulher que já estava de saída, mas pensou melhor. Não devo satisfação a ela. Disse para si mesma antes de fazer o caminho contrário até a porta do quarto. Saiu do cômodo indo até a sala, a grande sala por sinal e notou que o apartamento desse hotel era exatamente igual ao que estava hospedada. Suspirou olhando pelo lugar vazio e caminhou até a porta, mas antes de sair sentiu mãos grossas e ásperas pegando em seu cotovelo. Assim que virou-se viu um homem negro e alto de terno a olhando curioso.
― Me solte. ― A loira disse tentando puxar seus braços e livrar-se daquele homem.
― A senhora não deu autorização para que saísse. ― Karina o olhou de maneira irritada e tentou mais uma vez se soltar.
― Horas seu bastardo, me deixe ir. Sua “senhora” pode mandar em você, mas não em mim.
― Estou apenas cumprindo o meu trabalho.
― Carlos, solte-a! ― A voz irritadiça de Ana soou no ambiente e antes que o homem pudesse solta-la Karina sorriu vitoriosa. ― Karina, porque não falou comigo antes de sair?
― Talvez, porque eu não lhe deva satisfação da minha vida e também porque tenho a liberdade de ir e vir para onde eu quiser. ― Foi seca nas palavras cruzando os braços logo depois.
Ana riu do jeito que a garota falava, era exatamente igual a ela quando mais jovem, mas resolveu não falar o que pensa naquele momento.
― Temos muito o que conversar Karina. Eu tenho muito a lhe explicar e...
― Eu não quero conversar com você. ― Karina a cortou. ―Não preciso das suas desculpas eu...
― E quem disse que eu quero me desculpar? ― Ana fez exatamente igual a filha. Cruzou os braços frente ao corpo e se aproximou da loira mais jovem. ― Eu tenho que te dizer coisas que lhe interessam. O que tenho a te dizer é para o seu bem e do seu noivo.
― Marido. ― A loira falou fazendo com que Ana revira-se os olhos.
― Que seja. Amanhã esteja aqui, por volta das dez.
― Amanhã eu vou embora logo cedo. ― Tentou argumentar, apesar de ter se interessado pelo que a mais velha disse ainda assim não confiava e nem queria estar perto dela.
― Dê seu jeito, sei que consegue enrolar seu marido. A escolha é sua, você sabe que tenho coisas interessantes a dizer.
― Não sei de nada. ― Respondeu indo em direção a porta e saiu logo em seguida.
― Te espero as dez! ― A ouviu dizer antes de bater à porta e sair pelo corredor.
{***}
Quando Karina chegou ao quarto encontrou seu marido sentado na cama. Estava arrumado de forma elegante com camisa branca gola polo, blazer preto, calça jeens e sapato mocassim cor azul marinho. O topete perfeitamente arrumado e um perfume diferente exalando.
― Perfume novo? ― A loira perguntou chamando a atenção do marido que a olhou sorridente.
― Você enjoou do seu favorito. Agora é Paco Rabane, espero que não enjoe porque esse foi caro. ― Karina riu e cheiro o pescoço do marido plantando um simples selinho no mesmo local.
Pedro se arrepiou com o toque e segurou a cintura da loira imprensando os corpos ainda mais.
― Não provoca amor.
― Não estou. ― Se afastou e foi até o banheiro. ― Vou tomar um banho rápido.
― Seja rápida mesmo. Estou aguardando na sala.
Karina tomou um banho rápido e saiu do banheiro apenas de calcinha. Vestiu o cropped bege de decote nas costas e a saia vermelha de couro. Olhava para a mala e procurava o sapato ideal. Achou um com estampa de onça e o calçou. Fez uma maquiagem simples, marcando bem o olho e na boca colocou um batom vermelho. Por fim, colocou o maxi colar, o brinco e o bracelete prata. Jogou o cabelo pro lado e sorriu olhando no espelho. O sorriso de antes se dissipou dos lábios ao lembrar do encontro com a mãe e do possível, quase certo encontro de amanhã.
Ficava se perguntando se realmente valeria a pena ir a seu encontro no dia seguinte, mas ela mencionou o seu marido e aquilo com certeza era motivo suficiente para fazer com que ela fosse. Suspirou e pegou a bolsa em cima da cama antes de sair do quarto.
O terreno afastado estava lotado. Vários estande bem localizados e pessoas transitando. Pareciam ser pessoas normais, quem visse de longe imaginava que aquilo era uma simples feira, ninguém poderia dizer que naquele lugar existia vários homens e mulheres poderosos, muitos procurados pela cia, interpool e muitas outras agências internacionais. Pedro e Karina caminhavam de mãos dadas ao lado dos pais e aliados. Foram para perto do estande e sentaram na mesa, observando cada um que por ali passava.
― Pedro, me explica esse negócio de desafio. ― Pediu Karina olhando para o marido.
Desde que chegaram, os garotos comentavam sobre os famosos desafios e aquilo a intrigara.
― Faz parte das regras K. ― Explicou. ― Como existe a regra de não poder haver morte no ressinto, também há a regra que diz que se você for desafiado é obrigado a aceitar e sempre que isso acontece alguma aposta é feita. ― A loira deu de ombros como se não se importasse.
As horas iam se passando e a arma com sensor de distância, peso e duração que Pedro havia criado fazia cada vez mais sucesso. Existia duas versões da arma, a não letal que servia apenas para imobilizar e fazer com que a vítima perdesse os sentidos e também a letal. Que tinha capacidade de com apenas um tiro explodir uma pessoa em pedaços.
Karina observava tudo preocupada, tinha medo que Ana aparecesse por ali, mas quanto mais o tempo passava mais ela tinha certeza que aquilo não aconteceria.
― Pedro, vou pegar uma bebida. ― Disse Karina ao se levantar da mesa.
― Sozinha? ― Ele perguntou erguendo a sobrancelha.
― É logo ali amor, você nem vai sentir minha falta. ― Ela selou os lábios do castanho e se afastou até o bar.
O bartender perguntou o que a loira ia querer e a mesma pediu um suco de morango. Karina ficou à espera do suco quando sentiu a presença de alguém do seu lado. Virou o rosto e notou um homem, que aparentava não ter mais que trinta e cinco anos de idade. Pele clara, cabelos longos e negros barba feita e olhos verdes. Estava vestido de maneira elegante e sorriu para loira que sorriu de lado olhando para frente mais uma vez.
― Posso te oferecer uma bebida mia bela? ― A loira logo percebeu que o homem não era brasileiro.
O sotaque puxado e a cantada barata quase a fez rir, pois se lembrava bem como os italianos se intitulavam os maiores conquistadores.
― Não mi signore, já pedi. ― Ela respondeu puxando o sotaque fajuto, mas feito durante alguns anos que estudou a língua.
― Parla italiano mia bela? ― Perguntou aproximando-se um pouco mais.
Karina o olhou irritada, não gostando da proximidade muito menos do apelidinho. Se afastou um pouco e o encarou séria.
― Sí, parlo. Ma io non voglio parlare com te. ― Disse ríspida quando a bebida chegou.
Pegou o copo com o suco de morango e tentou se afastar, mas foi impedida de sair pelo homem que segurava seu braço e a encarava raivoso.
― Io non so cho sta parlando ragazza. ― Ele disse com os lábios crispados e puxou a loira mais para si. ― Quando eu comer essa bocetinha apertada, com certeza te ensinarei buone maniere.
― Horas seu... ― Sem saber o que dizer Karina jogou o liquido do seu copo no rosto do homem que a olhou gélido.
― Cagna. ― O mais velho levantou a mão para dar um tapa no rosto de pêssego da loira que se encolheu imaginando a dor.
Karina fechou os olhos esperando o tapa mas o que ouviu foi o som de um murro.
― Mai osato parlare cosi ala mia donna Veneratto. ― Pedro disse aproximando o rosto do homem que respirava ao limpar o canto da boca que sangrava. ― Esqueço dos nosso negócios e acabo com você aqui mesmo.
Pedro puxou a mão da mulher e saiu do lugar.
― Ti sfido! ― Ouviu o homem gritar e olhou para traz. ― Te desafio a uma corrida, se for capaz é claro.
Pedro riu revirando os olhos.
― Qual suas condições? ― Pedro perguntou impaciente.
― Se vinco, quero per tutta la notte a sua donna. ― Todo o salão ficou em silêncio a espera de uma resposta.
A garganta de Karina travou ao imaginar ela e o italiano sozinhos a noite. A loira apertou a mão do marido, mostrando quão indignada estava com aquilo e Pedro apenas sorriu.
― E se eu ganhar... ― O Ramos riu debochado e se aproximou do homem. ― Quero que passe il suo impero para o meu nome. ― Dito isso deu as costas e saiu dali.
Precisava preparar seu carro para a grande corrida.
― Não acredito que você aceitou isso Pedro. ― Karina murmurou indignada. ― Eu não acredito que me apostou.
Deu as costas para o marido e começou a se afastar.
― Fable, não faça assim. ― Alcançou a mulher e puxou a mão da mesma fazendo-a encarar nos seus olhos castanhos. ― Você sabe das regras, eu não poderia negar.
― Mas e se você perder? ― Perguntou triste, segurando as lágrimas.
― Eu nunca perco.
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