Amor por contrato (ACONTECEU VOCÊ E EU)
28 Capítulo 27
Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS INICIAIS! LEIAM AS NOTAS INICIAIS! LEIAM AS NOTAS INICIAIS!
Capítulo XXVII
― Pingo nos i's
No dia seguinte Karina levantou primeiro que o marido que dormia tranquilamente. Depois que tomou o banho rápido desceu para preparar seu café da manhã. Maria, a empregada que haviam contratado através de Bete, já estava na cozinha e logo Karina sentiu o cheiro forte de café.
― Bom dia dona Karina! ― A mulher baixinha murmurou contente.
― Bom dia Maria, o cheirinho do café está ótimo. ― Maria afirmou com a cabeça e ofereceu um xícara a Karina que logo tratou de se sentar.
― O senhor Pedro ainda não levantou? Fiz um bolo de carimã que ele tanto adora...
― Estou aqui querida Maria! ― Pedro entrou na cozinha vestindo apenas uma bermuda e sem camisa com os cabelos levemente bagunçados. ― Bom dia amor. ― Deu um selinho na mulher que retribuiu sorridente.
Durante o café Maria observava a cumplicidade do casal que ria e sorria juntos de algumas piadas, logo Karina anunciou que sairia para fotografar um álbum, a garota já começava a receber propostas interessantes para a sua área de fotógrafa. Pedro por sua vez ficou de visitar um depósito de drogas e depois receber um carregamento da Argentina.
{...}
Pedro estava sentado em sua cadeira esperando a ligação de Geraldo, o dono do carregamento que viria da Argentina. A droga viria de avião que pousaria no pequeno aeroporto no norte do Rio. A cocaína extraída na Argentina era a melhor do mundo e ele venderia ela nas boates da Espanha, da Bélgica e até mesmo no Rio e em São Paulo.
― Senhor Pedro, temos uma ligação do senhor Gael. Ele parecia irritado. ― Um dos capangas disse ao entrar na pequena sala do galpão.
“Droga!” murmurou antes de atender ao telefone.
― Me diga que a Karina não se encontrou ontem com aquele cara Pedro! ― Foi a primeira coisa que o rapaz ouviu ao atender o telefone.
― Gael, eu... eu...
― Eu não acredito Pedro. Que espécie de moleque você é? Eu te pedi, foi a única coisa que te pedi. Implorei para que cuidasse dela mas você sempre mete os pés pelas mãos...
― Gael, creio que você conhece a filha que tem. Ela não desistiu até conseguir o que queria mas está tudo sob controle ela estava com dois seguranças e já desistiu de me ajudar. O plano com ele não deu certo. ― Pedro murmurou enquanto passava a mão livre pelo cabelo bagunçando seu topete bem alinhado.
― Só não a deixe se envolver, Karina é tudo o que tenho.
― Eu sei, mas fique tranquilo, está tudo certo agora.
Mal sabia ele...
{...}
Longe dali Karina estava com seus equipamentos, pronta para uma nova sessão. A cliente que ela iria fotografar ainda não havia chegado. Ela preparava o tripé com a câmera profissional e o mako refletor de cor branca, tudo próximo a uma árvore. Enquanto estava ali seus pensamentos se perdiam. Pensava em como Pedro ficaria chateado se descobrisse que dali a algumas horas ela se encontraria com seu ex. Afastou esses pensamentos assim que viu sua cliente chegando. Era uma mulher alta e bonita. Cabelos louros caídos nos ombros levemente ondulados. Vestia um vestido verde soltinho nas pernas mas a cintura levemente apertada. Karina pode perceber a protuberância em sua barriga e logo sentiu um aperto no peito.
― Olá Karina, sou Eliza. Fiquei feliz em saber que você estava disponível para fazer meu álbum. Já estamos no quinto mês. ― A loira passou a mão e sua barriga mostrando a Karina o quanto seu bebe estava grande ali dentro. Karina não pode fazer nada então sorriu um tanto sem graça.
― Então... Vamos começar? ― Perguntou desviando sua atenção da barriga da mulher.
Enfim, ainda com o coração levemente apertado Karina começou sua sessão. As vezes que Eliza colocava as mãos na barriga mostrando a todos que passavam o quanto estava feliz por estar vivendo aquele momento fez com que Karina tivesse uma pontada de inveja.
“Será que nunca poderei viver isso?” se perguntou.
Ás quatro e meia a loira já havia terminado o seu trabalho e saiu do parque prometo entregar o álbum em exatos cinco dias. Eliza por sua vez agradeceu a Karina e saiu do parque, acompanhada de uma mulher morena que segurava a bolsa da mulher.
Karina começou a arrumar as coisas e levá-las para o carro quando sentiu seu celular vibrar no bolso de trás. Era uma mensagem de Cobra.
“Tudo certo não é? Estou ansioso, tenho muito a dizer.”
A loira inspirou fundo e vendo que não teria como voltar atrás entrou no carro ligando-o em seguida. Se tinha algo a descobrir, hoje seria o dia.
{...}
Pedro já estava voltando do aeroporto do norte, no carro ele estava sozinho mas logo atrás estava sendo seguido por Duca, Wallace e Marcos. Os quatro combinaram de se encontrar no galpão depois de ter conferido o carregamento de cocaína.
Quando chegaram ao local se reuniram na grande sala.
― Bom, o preço foi bom já que o material foi de qualidade. Quero que vocês, Wallace, Duca levem as pequenas partes divididas para as boates do centro do Rio. Vou pedir para Marcos e Lucas para levarem as partes de São Paulo. ― Pedro disse enquanto ligava o pequeno mack book.
― E o resto do carregamento para a Espanha, a Bélgica, Rússia... ― Foi a vez de de Wallace questionar.
― Disso eu mesmo cuidarei. Farei uma pequena viajem para esse lugares e vou aproveitar para dar uma checada em geral. ― Afirmou por fim e depois que todos saíram começou a ligar para a mulher para chama-la para um jantar. Infelizmente não conseguiu efetuar a ligação.
Bufou e levantou da cadeira saindo da sala logo em seguida. Se despediu dos que considerava amigos e saiu dali em direção a sua casa. Só queria ter uma noite de amor com a mulher e logo depois descansar pois a semana de viagens seria cheia.
{...}
Assim que Karina estacionou em frente ao pub percebeu que o dia começava a ir embora. Logo ela teria que ir para casa. Ainda se sentia nervosa e um arrepiou seguiu-se por sua espinha fazendo com que sua tensão aumentasse.
― Fica calma, é só uma conversa. ― Disse em voz alta antes de sair do carro.
Atravessou a rua pouco movimentada e adentrou o lugar que estava vazio pela hora. Antes de procurar Cobra, varreu o local com os olhos e percebeu não ser nada diferente. Era um barzinho normal, com pessoas normais, bebidas normais. Nada de diferente. Logo viu o moreno acenando para ela e sorriu seguindo o caminho.
Alguns homens que ali estavam a olhavam com puro desejo fazendo com que a loira se sentisse enojada. Logo Karina apertou os passos para se sentar a mesa junto a Cobra.
― Fico feliz que tenha vindo. ― Ele disse com um sorriso contente nos lábios.
― Também fico feliz, apesar de estar nervosa devo admitir. ― Riu nervosa enquanto ajeitava a bolsa em seu colo.
― Não fique, te contarei tudo. ― Logo uma garçonete com cara de prostituta veio trazer dois chopes e enquanto colocava os copos na mesa fez questão de se esfregar no moreno.
― Ela nem disfarça. ― Karina comentou fazendo Cobra rir.
De inicio Karina estava realmente nervosa. Não sabia onde colocar as mãos, não sabia o que dizer. Se sentia insegura de estar ali com ele mas tudo que eles viveram, apesar de ter acabado de forma tão triste não desfez o laço de amizade que criaram desde o começo logo trazendo para aquele ambiente um clima mais leve.
― Ta Cobra, é legal lembrar o passado e dar boas risadas mas você sabe porque eu vim aqui e quero respostas. ― O tom sério que a loira usou fez com que o rapaz engolisse em seco, percebendo que não teria mais como escapar.
― Tudo bem Ka. ― Respirou fundo e deu um gole em sua cerveja. ― Bem, eu sou sobrinho do Lobão. Meus pais morreram em um acidente de carro no interior de Minas, na época eu tinha apenas oito anos. Fui criados por meus avós até os dezoito. Naquela época meu contato com Lobão era mínimo. Ele não ia nas festas de fim de ano, ou no meu aniversário mas sempre me mandava presentes. Enfim, quando terminei o ensino médio eu queria muito começar a faculdade de engenharia mecânica mas não consegui vaga na federal então em um dia normal, naquele verão o Lobão apareceu lá. Eu lembrava dele, lembrava pouco mas ele pareceu gostar muito de mim e papo vai papo vem ele me chamou pra vir morar no Rio. Ele disse que eu teria casa, comida e que pagaria meus estudos. ― Pela segunda vez desde que passou a falar Cobra suspirou fundo. ― Imagina Karina? Você não tendo nada, morando em um interiorzinho fodido com no máximo cinco mil habitantes. Imagina, simplesmente você ter a chance de realizar o seu sonho? Claro que eu aceitei. Na hora fiz minhas malas e me despedi dos velhos e pegamos o avião no mesmo dia. Quando cheguei aqui comecei a organizar tudo. Achei a faculdade, comprei os livros e logo ele me deu um carro. Porra eu nunca tive um carro cara eu fiquei muito feliz. Ele me parecia um cara ótimo. Me ajudou em tudo até que um dia, estávamos em uma festa e ele me mostrou você. ― Nessa hora Cobra sorriu amargo fazendo Karina arregalar seu olhos azuis. Logo a lembrança daquela noite abateu na garota.
Era mais uma noite de gala em que o pai da Karina insistiu para que ela fosse. A sorte é que a sua melhor amiga poderia acompanha-la. Karina estava em frente ao grande espelho do seu quarto. Ela se olhava atentamente para ver se estava tudo certo. Seu vestido preto e branco era colado até a cintura e ele ia até um pouco acima do joelho dando uma leve rodada. Nos pés um salto vermelho deixava um pouco mais elegante. Sua maquiagem era leve e combinava perfeitamente com o cabelo trançado para o lado. Enquanto ainda se olhava a porta do quarto foi aberta pelo pai.
― Pronta querida? Já vamos! ― A loira apenas assentiu e logo saíram da mansão.
― Naquela noite ele me pediu para que eu me aproximasse daquela linda garota de olhos azuis. O Lobão me fez um pedido. Ele me pediu para que eu me aproximasse de você e conquistasse o seu coração.
Karina já estava entediada. Mesmo Jade estando ao seu lado, tentando a divertir o ambiente e a música não ajudava muito.
― Ka, não olha agora mas vem um super gato em nossa direção. ― Jade cantarolou a ultima parte ajeitando a o cabelo caído nos ombros.
A loira não se virou para ver de quem se tratava mas logo sentiu um perfume amadeirado ao seu lado.
― Boa noite meninas. Prazer me chamo Ricardo Cobreloa. ― Na hora que Karina se virou e deu de cara com aqueles olhos negros sentiu sua pele esquentar. Ela não sabia o que estaria por vir mas seu subconsciente já lhe dava sinais.
― Então quer dizer que o nosso namoro foi só uma tentativa de se aproximar de mim? ― Karina estava indignada e mesmo não querendo sentiu seus olhos arderem.
― No começo sim Ka, no começo a nossa aproximação aconteceu apenas por que o Lobão insistiu. Mas o tempo foi passando e a medida em que eu te conhecia melhor acabei me apaixonando de verdade. Lembra naquele dia no parque? O dia que te pedi em namoro...
Karina e Cobra estavam no parque aquela tarde. O Garoto havia buscado a loira no colégio e depois de um sorvete e muito carinho eles sentaram em baixo de uma árvore.
― Sabe hoje o dia foi muito legal. Eu adorei passar a tarde contigo. ― Karina disse enquanto sentia os carinhos do moreno em seus cabelos.
― A gente pode ter vários dias como esse loira, basta você dizer que me quer.
― Co-como assim? ― Ela abriu os olhos e encarou o rosto do moreno que se aproximava cada vez mais do seu rosto.
― Você aceita ser minha? Aceita ser minha loira? Quer namorar comigo ka? ― Naquele dia Karina se sentiu a menina mais feliz do mundo
― Só que depois de um tempo as coisas se complicaram com o Lobão. Ele insistia para que eu te perguntasse coisas que eu acho que nem você saberia as respostas. Era algo que creio que você sabe. Sobre o seu pai, a máfia e tudo que envolve mas sempre que eu dizia que você não tinha nada a ver e ele... ele começou a ficar louco. Ele... ele queria que eu te seguisse e um monte de loucuras. Eu fiquei com medo. Ele me ameaçava. Ameaçava machucar você e eu fiquei sem saída...
― Não tô te entendendo Cobra... ― Karina cortou o moreno que já sentia seus olhos arderem.
― Foi tudo armado. O beijo com a Jade, você ter visto. Tudo eu armei. Armei aquilo para que você terminasse comigo e se afastasse mas o plano saiu melhor do que o planejado por além de tudo você foi embora do país.
Cobra naquele dia tinha ligado para Jade e pediu para que a garota o encontrasse na porta da sua casa. Assim que a garota desceu vestindo suas roupas curtas e costumeiras ele não deixou de notar. Ela era realmente linda e tinha um corpo ainda melhor. Ele pediu que a morena entrasse no carro e ela com seu sorrisinho cínico nos lábios apenas confirmou.
― A tempos tenho vontade de fazer uma coisa e creio que essa seja a hora. ― Ele disse olhando nos olhos da garota que já se inclinava sobre ele.
― Então faça. ― Ela praticamente pediu e sem esperar muito Cobra a tomou pelos lábios em um beijo urgente.
Enquanto eles se beijavam Cobra abriu um pouco os olhos e viu quando Karina saia dali correndo. Seu coração naquele momento se partiu mas já estava feito e era para o bem dela.
― Naquele dia a Jade te procurou e depois que ela ficou sabendo que você não queria falar com ela eu já imaginei o motivo, fingi não saber e não contei a ela mas quando se passaram três dias eu já estava louco pra falar com você. Me desculpar mas quando bati no seu portão me deram aquela notícia que me destruiu. O tempo foi passando e eu e Jade nos envolvemos. Nada sério mas como meu padrinho, Heidguer, tem meio que um relacionamento com a Lucrécia avançamos até essa fase. Não sei como chegamos a esse ponto mas fazer o que? Não posso voltar atrás...
― Meu Deus eu... ― Karina não sabia o que dizer. Se sentia perdida como se tudo que ela acreditasse até o momento tivesse desabado. ― Eu realmente não sei o que dizer.
― Eu queria que você pudesse me perdoar Ka. Não queria te fazer sofrer mas naquele momento até eu me sentia perdido. ― Cobra aproximou sua mão da mão da loira e apertou com força. Karina sorriu confortante para o rapaz e assentiu com a cabeça.
― Tudo bem Cobra, aquilo ficou no passado para mim e hoje eu realmente posso dizer que sou feliz. Mas você está com Lobão nessas coisas que ele...
Cobra afirmou triste dando um sorriso amargo.
― Eu trabalho em algumas coisas para ele sim. Faço bombas e armas, aliás minhas armas vendem bem. ― Cobra deu um sorriso triste fazendo com que Karina se sentisse ainda pior do que já estava. ― Eu realmente não queria, mas nessa altura do campeonato eu já não tinha mais nada a perder então passei a ajuda-lo.
Karina apenas confirmou com a cabeça e murmurou um “Eu entendo” sorrindo confortante para o ex.
― Cobra, por mais que as coisas não tenham acontecido como planejado eu sei que você merece ser feliz. A Jade, apesar de não ser a melhor mulher do mundo demonstra que gosta muito de você. Dê valor a isso e se você não está feliz em fazer parte disso que o seu tio faz simplesmente saia. Você merece a felicidade Cobra, não deixe de correr atrás dela.
― Eu tô bem Ka, mas eu vim aqui hoje pra te pedir pra ter cuidado. O Lobão está com muita raiva do seu pai e do seu marido. Tenho medo que ele faça algo contra você. ― Karina afirmou com a cabeça e sorriu para o agora amigo.
― Cobra, eu também quero te fazer uma pergunta. Quem é a mulher da foto? ― Essa era a duvida que corroía a garota desde o dia que viu a maldita foto.
― O nome dela é Ana mas se você quiser saber mais creio que as respostas certas só o seu pai pode te responder. ― Quando Cobra disse isso um grande ponto de interrogação surgiu em sua mente.
“Quem é Ana? E por seu pai a conhecia?” ficando com esses pensamento não percebeu quando o moreno levantou e deu um beijo na sua testa.
― Eu já vou indo mas se cuida ta legal? Se precisar você tem meu número.
E assim ele saiu do bar deixando a loira ainda muito confusa.
{...}
Karina atravessou a sala de casa sentindo sua cabeça ferver. No momento ela só queria um banho e o carinho do seu marido. Quando chegou ao quarto deixou a bolsa no closet e pegou a toalha entrando no banheiro.
A loira tomou um longo banho relaxante mas mesmo assim as questões em sua mente ainda não tinham ido embora. Quando saiu do banheiro tomou um susto ao ver que seu marido estava sentado na cama encarando-a com uma cara não muito boa.
― Onde você estava Karina? ― A voz grossa e ríspida do marido soou fazendo a garota se arrepiar dos pés a cabeça.
Fale com o autor