​O porto de Mônaco fervilhava sob um sol de ouro puro, um contraste vibrante com os tons de cinza e esmeralda da Irlanda. Cinco anos haviam se passado desde que as carruagens deixaram Tara, e o tempo fora generoso com a linhagem Mackenzie.

​No convés do navio real, Luan e Maya observavam a aproximação das falésias brancas. Luan, agora com a barba mais cerrada e o olhar de um rei que trouxera prosperidade ao Norte, mantinha o braço protetor ao redor da cintura de Maya. Ela, por sua vez, carregava no colo uma pequena menina de olhos curiosos e cabelos rebeldes — a pequena Ester, nomeada em honra à avó.

​Ao lado deles, Dominic e Ester permaneciam imóveis, absorvendo a brisa quente do Mediterrâneo. O Velho Leão, embora com os cabelos totalmente brancos, mantinha a postura ereta, enquanto Ester sorria ao sentir o cheiro de jasmim e sal que emanava daquelas terras.

​O Reencontro no Palácio Grimaldi

​A recepção no palácio foi um espetáculo de cores e luzes. Quando as portas do salão se abriram, Michael e Catarina caminharam ao encontro da família.

​Michael não era mais o jovem atormentado ou o rei carrasco. O sol do sul bronzeou sua pele, e o peso da coroa fora substituído por uma serenidade profunda. Ao seu lado, Catarina exalava a autoridade de uma soberana que finalmente encontrara a paz em seu próprio lar.

​— Vejam só se não é o "sequestrado" — brincou Luan, quebrando o protocolo com um abraço esmagador no amigo. — Parece que o sol de Mônaco realmente lhe fez bem, Michael. Você quase parece um homem honesto agora.

​Michael riu, retribuindo o abraço com a mesma força.

— E você, Luan, parece que finalmente aprendeu a usar uma coroa sem que ela caia sobre os olhos.

​A pequena Ester esticou os braços para Michael, que a pegou com uma ternura que fez os olhos de Dominic brilharem. O Príncipe de Mônaco beijou a testa da sobrinha e olhou para o pai.

​— Bem-vindos ao meu novo lar — disse Michael, a voz firme e emocionada. — Espero que o Sul seja tão acolhedor para vocês quanto o Norte foi para mim.

​O Banquete Pré-Nupcial

​Naquela noite, o banquete foi servido em um terraço debruçado sobre o mar. Catarina, sentada entre Ester e Maya, ouvia atentamente as histórias sobre como Tara florescera sob o novo reinado.

​— Michael mudou Mônaco — confidenciou Catarina para Ester. — Ele trouxe uma justiça que não conhecíamos aqui. Ele governa ao meu lado, não como um súdito, mas como a bússola que me impede de ser fria demais.

​Dominic, observando o filho rir com Luan enquanto bebiam o vinho doce da região, levantou-se para o brinde final.

​— Cinco anos atrás, o destino nos separou para que pudéssemos nos encontrar novamente de forma mais plena — começou o Rei Pai. — Michael, você partiu em busca de si mesmo e encontrou um império e um amor. Luan e Maya, vocês ficaram para proteger nossas raízes e criaram frutos magníficos.

​Ele olhou para Catarina, sua voz amolecendo.

— E você, minha filha de alma, abriu as portas do seu mundo para um homem quebrado. Amanhã, diante do altar, não estaremos apenas unindo dois reinos, mas celebrando o triunfo do perdão sobre o ódio.

​— Ao amor que atravessa mares! — proclamou Dominic, erguendo a taça de cristal.

​— Aos Mackenzie! — todos responderam em uníssono, o som das taças se encontrando harmonizando-se com o som das ondas batendo suavemente nas rochas abaixo.