​Dominic Mackenzie estava sentado em uma cadeira de ferro forjado sob a sombra de uma videira antiga, uma mesa de carvalho entre ele e a brisa suave do final da manhã. Ele segurava uma taça de vinho tinto, observando a cor profunda do líquido contra a luz, quando ouviu os passos. Não eram passos de um príncipe; eram passos de um homem prestes a chutar uma porta.

​Michael atravessava o jardim como se estivesse marchando para uma guerra que já havia perdido.

​— Michael — a voz de Dominic soou calma, mas com aquela autoridade natural que interrompia qualquer tempestade. — Venha aqui. O vinho está no ponto e a companhia do seu pai não pode ser tão ruim quanto o que quer que esteja atormentando sua cabeça.

​Michael parou, respirou fundo e tentou suavizar a expressão, mas seus olhos azuis ainda faiscavam de frustração. Ele caminhou até o pai e sentou-se com um suspiro pesado.

​Dominic serviu uma taça para o filho, empurrando-a silenciosamente pela mesa.

​— Ela é uma rocha, pai — Michael disparou, antes mesmo de dar o primeiro gole. — Eu tentei ser gentil, tentei ser sincero, tentei ser eu mesmo. E Catarina me tratou como se eu fosse um invasor tentando saquear o castelo dela. Ela é fria, distante e... impossível.

​O Rei deu um pequeno gole em seu vinho, um sorriso de canto escondido pelas rugas de sabedoria ao redor dos olhos.

​— "Impossível" é uma palavra que homens jovens usam para mulheres que não se entregam ao primeiro sorriso — disse Dominic, sua voz grave e acolhedora. — Beba. Esse vinho levou anos para maturar e atingir esse sabor. Por que você acha que uma rainha que viu o mundo desabar aos quinze anos seria diferente?

​Michael olhou para o vinho, sentindo o peso das palavras do pai.

​— Eu sinto que ela tem medo, pai. Mas ela usa esse medo como uma lâmina.

​— Michael, olhe para mim — Dominic inclinou-se para a frente, seus cabelos prateados brilhando sob o sol. — Quando eu conheci sua mãe, eu era um rei endurecido, um homem que achava que já tinha visto tudo. Ela me chamou de velho, me desafiou, fugiu de mim e escondeu segredos que poderiam ter nos destruído. Mas ela não era uma rocha; ela era uma fortaleza protegendo um tesouro. Catarina é igual.

​O Rei fez uma pausa, observando um pássaro pousar no parapeito próximo.

​— Aquela menina não teve tempo de ser jovem. Ela teve que se tornar o próprio mar para não se afogar nele. Se você quer o coração da Rainha de Mônaco, pare de tentar conquistá-la como um príncipe de contos de fadas. Conquiste-a como um homem que está disposto a segurar o peso da coroa junto com ela, sem pedir nada em troca além da verdade.

​Michael baixou o olhar, a raiva começando a se dissipar, substituída por uma compreensão silenciosa.

​— O senhor acha que eu tenho chance?

​Dominic soltou uma risada curta e calorosa, batendo levemente no ombro do filho.

​— Você tem o meu sangue e o espírito da sua mãe. Se você desistir agora, eu vou começar a duvidar de que você é meu filho. Mas lembre-se: o gelo não se quebra com martelos, Michael. O gelo se derrete com o calor constante.

​Os dois ficaram ali por um longo tempo, saboreando o vinho em um silêncio cúmplice. Michael sentia-se revigorado pelo conselho do "Velho Leão". Ele não percebeu que, do outro lado do jardim, Luan e Maya saíam de trás do carvalho, recompondo as roupas e tentando disfarçar a respiração ofegante.

​Dominic, no entanto, viu o movimento de relance. Ele não disse nada, apenas deu mais um gole no vinho e sorriu para si mesmo. A primavera em Tara estava ficando muito mais interessante do que ele imaginara.