Amor ou Obsessão/ LIVRO II: Os gêmeos de Tara
12 O Sangue Amargo
O salão, que horas antes transbordava alegria, foi subitamente invadido por uma sombra fria. Um homem de vestes gastas e olhos gananciosos, chamado Silas, atravessou as portas sem permissão. Diante da corte atônita, ele lançou um pergaminho manchado sobre a mesa real — uma prova incontestável de sua ligação com Ester antes dela fugir para a floresta.
— O trono de Tara está sentado sobre a minha semente — Silas bradou, com um sorriso torto. — Eu não quero o reino, quero apenas o preço pelo "presente" que dei a vocês. Uma fortuna em ouro, e eu desaparecerei como um fantasma.
O silêncio que se seguiu foi sufocante. Michael, que até então exibia o brilho da esperança, sentiu o mundo ruir. O segredo que ele sempre carregou com dignidade fora transformado em mercadoria barata diante da mulher que ele amava.
A transformação foi instantânea. O olhar sereno de Michael tornou-se cortante como o aço frio. Ele levantou-se lentamente, e a aura que emanava dele não era a do "Leão Protetor" de Dominic, mas a de um carrasco implacável.
— Você fala de sangue? — Michael rosnou, sua voz vibrando com um ódio que ninguém conhecia. — Você abandonou sua semente na lama e agora vem colher os frutos do ouro de Tara?
— Michael, acalme-se... — Ester tentou intervir, com o rosto banhado em lágrimas de vergonha e medo.
— CALADA! — Michael gritou, e o som foi como um estalo de chicote. Ester recuou, chocada. Até Dominic tentou se levantar, mas a dor no peito o forçou a sentar-se novamente.
Catarina observava a cena, o horror crescendo em seu peito. O homem vulnerável que ela conhecera nas estrelas desaparecera, dando lugar a um monstro de fúria. Ela tentou tocar o braço dele, mas Michael a afastou com um gesto brusco.
— Guardas! — Michael ordenou, apontando para Silas. — Levem este verme para a praça. Não haverá julgamento para quem tenta extorquir a coroa. Ele será enforcado ao amanhecer.
— Michael, por favor! — Maya gritou, segurando o braço do irmão, tremendo. — Ele é um miserável, mas matá-lo assim... isso não é o que o papai ensinou!
Michael virou-se para a irmã, o rosto desfigurado pela raiva.
— O "papai" não é mais o Rei! EU SOU O REI! — Ele rugiu, e o poder em sua voz fez Maya se esconder atrás de Luan. — Nada e ninguém fará com que eu mude de ideia. Tara verá o que acontece com quem ousa manchar o meu nome.
Ao amanhecer, a praça estava deserta, exceto pela guarda real e pela família, obrigada a assistir. Silas implorava por misericórdia, mas Michael permanecia imóvel no palanque, com os braços cruzados, observando cada detalhe da execução com um prazer sombrio. Quando o corpo de Silas pendeu sem vida, Michael nem sequer piscou.
Ele virou-se para Catarina, esperando encontrar aprovação por sua "força", mas encontrou apenas repulsa.
— Você é um estranho para mim, Michael — ela sussurrou, as lágrimas congelando em seu rosto. — Eu fugi de Mônaco para escapar de tiranos, não para me casar com um.
Catarina deu as costas e caminhou em direção às suas carruagens, ordenando a partida imediata da comitiva de Mônaco.
Dominic e Ester observavam o filho do alto da varanda. O Velho Leão tinha os olhos cheios de tristeza, percebendo que, ao salvar a vida de Michael, talvez tivesse dado vida a um soberano que governaria pelo medo, e não pelo amor. Tara não era mais um refúgio; era uma gaiola de ferro sob o comando de um rei ferido.
Fale com o autor