Amor ou Obsessão/ LIVRO II: Os gêmeos de Tara
21 O Retorno do Filho Pródigo
A neve caía suavemente, cobrindo a trilha da floresta com um manto branco que parecia purificar o caminho. Michael caminhava ao lado de Catarina, mas não havia mais a pompa real em seus passos. Ele vestia roupas simples, sem brasões ou ouro, e seus olhos, antes nublados pelo ódio, agora refletiam apenas o temor do julgamento daqueles que ele amava.
Ao chegarem à clareira, o som do machado de Dominic parou abruptamente. Ester saiu à porta da cabana, limpando as mãos no avental, e o tempo pareceu congelar. Maya e Luan apareceram logo atrás, a tensão subindo como o vapor da respiração no ar gélido.
Michael não esperou por uma saudação. Ele caminhou até o centro do espaço, parando diante de sua mãe. Sem dizer uma palavra de justificativa, ele desabou. Seus joelhos atingiram a terra úmida e fria, e ele baixou a cabeça, entregando sua vulnerabilidade ao solo da floresta.
— Perdão... — a voz de Michael saiu como um sopro quebrado. — Mãe, por favor... eu me perdi na escuridão. Eu não sou aquele homem que os expulsou. Eu não quero ser aquele rei.
Ester, cujo coração nunca deixara de pulsar pelo filho apesar da dor, não hesitou. Ela se inclinou e envolveu o rosto de Michael com suas mãos quentes e calejadas pelas ervas, puxando-o para um abraço que cheirava a terra e lar. Dominic, observando a cena de longe, soltou uma respiração longa e pesada, um alívio que parecia tirar dez anos de suas costas. Ele cruzou o olhar com Catarina e, em um silêncio eloquente, inclinou a cabeça, agradecendo-a por ter resgatado a alma de seu herdeiro.
Maya foi a próxima. Ela correu até o irmão, ajoelhando-se na neve e apertando-o em um abraço soluçante, perdoando-o sem precisar de explicações. Dominic aproximou-se e colocou sua mão imensa sobre as costas dos dois filhos, unindo a família novamente sob o céu de inverno.
No entanto, um pouco afastado, Luan permanecia imóvel. Seus braços estavam cruzados e seu rosto era uma máscara de seriedade. Ele vira Maya chorar noites inteiras por causa da tirania de Michael; ele vira o Rei ameaçar a paz que tanto custara a conquistar. Quando Michael se levantou e caminhou até ele, o silêncio foi absoluto.
Michael parou diante do cavaleiro e estendeu a mão, não como um soberano, mas como um irmão que errou gravemente. Luan hesitou por um longo tempo, os olhos fixos nos de Michael, medindo a sinceridade daquele arrependimento. Por fim, o rapaz apertou a mão de Michael e o puxou para um abraço breve, porém firme — o reconhecimento de que a lealdade de um Suffolk era difícil de ganhar, mas capaz de perdoar.
Dentro da cabana simples, o banquete que se seguiu não tinha taças de ouro ou músicos da corte. Eles se sentaram ao redor de uma mesa de madeira bruta, compartilhando pão fresco, ensopado de caça e o calor de uma lareira que realmente aquecia.
Catarina observava a cena de um canto, com uma caneca de chá entre as mãos e um sorriso discreto nos lábios. Ela vira o Michael carrasco e o Michael príncipe, mas ali, rindo de uma piada velha de Dominic e pedindo mais pão para a irmã, ela finalmente via o verdadeiro Michael. A "rocha" de Mônaco sentiu que sua missão estava cumprida: o Leão de Tara tinha sua alcateia de volta.
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