​A neve caía suavemente, cobrindo a trilha da floresta com um manto branco que parecia purificar o caminho. Michael caminhava ao lado de Catarina, mas não havia mais a pompa real em seus passos. Ele vestia roupas simples, sem brasões ou ouro, e seus olhos, antes nublados pelo ódio, agora refletiam apenas o temor do julgamento daqueles que ele amava.

​Ao chegarem à clareira, o som do machado de Dominic parou abruptamente. Ester saiu à porta da cabana, limpando as mãos no avental, e o tempo pareceu congelar. Maya e Luan apareceram logo atrás, a tensão subindo como o vapor da respiração no ar gélido.

​Michael não esperou por uma saudação. Ele caminhou até o centro do espaço, parando diante de sua mãe. Sem dizer uma palavra de justificativa, ele desabou. Seus joelhos atingiram a terra úmida e fria, e ele baixou a cabeça, entregando sua vulnerabilidade ao solo da floresta.

​— Perdão... — a voz de Michael saiu como um sopro quebrado. — Mãe, por favor... eu me perdi na escuridão. Eu não sou aquele homem que os expulsou. Eu não quero ser aquele rei.

​Ester, cujo coração nunca deixara de pulsar pelo filho apesar da dor, não hesitou. Ela se inclinou e envolveu o rosto de Michael com suas mãos quentes e calejadas pelas ervas, puxando-o para um abraço que cheirava a terra e lar. Dominic, observando a cena de longe, soltou uma respiração longa e pesada, um alívio que parecia tirar dez anos de suas costas. Ele cruzou o olhar com Catarina e, em um silêncio eloquente, inclinou a cabeça, agradecendo-a por ter resgatado a alma de seu herdeiro.

​Maya foi a próxima. Ela correu até o irmão, ajoelhando-se na neve e apertando-o em um abraço soluçante, perdoando-o sem precisar de explicações. Dominic aproximou-se e colocou sua mão imensa sobre as costas dos dois filhos, unindo a família novamente sob o céu de inverno.

​No entanto, um pouco afastado, Luan permanecia imóvel. Seus braços estavam cruzados e seu rosto era uma máscara de seriedade. Ele vira Maya chorar noites inteiras por causa da tirania de Michael; ele vira o Rei ameaçar a paz que tanto custara a conquistar. Quando Michael se levantou e caminhou até ele, o silêncio foi absoluto.

​Michael parou diante do cavaleiro e estendeu a mão, não como um soberano, mas como um irmão que errou gravemente. Luan hesitou por um longo tempo, os olhos fixos nos de Michael, medindo a sinceridade daquele arrependimento. Por fim, o rapaz apertou a mão de Michael e o puxou para um abraço breve, porém firme — o reconhecimento de que a lealdade de um Suffolk era difícil de ganhar, mas capaz de perdoar.

​Dentro da cabana simples, o banquete que se seguiu não tinha taças de ouro ou músicos da corte. Eles se sentaram ao redor de uma mesa de madeira bruta, compartilhando pão fresco, ensopado de caça e o calor de uma lareira que realmente aquecia.

​Catarina observava a cena de um canto, com uma caneca de chá entre as mãos e um sorriso discreto nos lábios. Ela vira o Michael carrasco e o Michael príncipe, mas ali, rindo de uma piada velha de Dominic e pedindo mais pão para a irmã, ela finalmente via o verdadeiro Michael. A "rocha" de Mônaco sentiu que sua missão estava cumprida: o Leão de Tara tinha sua alcateia de volta.