​O retorno da família Mackenzie ao Palácio de Tara não foi marcado por trombetas, mas por um sentimento de profunda reparação. As portas do Grande Salão abriram-se e, desta vez, o calor parecia emanar das próprias paredes. No centro da mesa, um banquete farto esperava por eles, mas a atmosfera era de uma solenidade serena. Michael, vestindo uma túnica simples, ocupava a cabeceira, mas seus olhos não buscavam o poder; buscavam a paz.

​Ao final da refeição, Michael levantou-se. Ele olhou para cada rosto ao redor daquela mesa: a sabedoria de seus pais, a força de Luan, a doçura resiliente de Maya e a esperança nos olhos de Catarina.

​— Tara precisa de um rei que governe com o coração leve e a alma plena — Michael começou, sua voz ecoando com uma clareza que o palácio não ouvia há muito tempo. — Eu conheci a escuridão daquela coroa quando ela é usada para esconder a dor. E por isso, diante de todos vocês, eu anuncio minha abdicação.

​Um suspiro coletivo percorreu o salão, mas Michael continuou, olhando diretamente para a irmã e para o cavaleiro que sempre a protegeu.

​— Luan e Maya, vocês provaram que o amor e a lealdade são as maiores forças deste reino. Vocês serão os próximos soberanos de Tara. Luan, seu sangue de Suffolk e seu espírito de guerreiro trarão o equilíbrio necessário. Maya, você tem a alma da nossa mãe e a coragem do nosso pai.

​Michael retirou a coroa que estava sobre a mesa e a colocou entre os dois. Dominic e Ester trocaram um olhar cúmplice e confirmaram com a cabeça. Eles sabiam que aquele era o desfecho correto para a saga que começara em um boticário na floresta.

​— Nós não os deixaremos sozinhos — disse Dominic, sua voz grave e acolhedora voltando a preencher o espaço. — Eu e Ester permaneceremos como Rei Pai e Rainha Mãe. Seremos a sombra que os protege e o conselho que os guia, mas o tempo do nosso rugido solitário acabou. O futuro agora pertence a vocês.

​Michael sentiu um peso imenso ser retirado de seus ombros. Ele voltava a ser o Príncipe Michael, o homem que poderia amar sem o medo de manchar um trono. Ele caminhou até Catarina e estendeu a mão.

​— E quanto a mim... — ele disse com um meio sorriso — pretendo descobrir o que a vida oferece a um príncipe que prefere as estrelas ao ouro.

​Maya abraçou o irmão, as lágrimas de alegria lavando as últimas manchas de tristeza do passado. Sob o teto de Tara, o ciclo de dor se fechava para dar lugar a um reinado de união. O Velho Leão finalmente podia descansar, sabendo que sua linhagem de alma era mais forte do que qualquer linhagem de sangue.