Amor ou Obsessão/ LIVRO II: Os gêmeos de Tara
23 O Convite do Mar
O sol de primavera banhava Tara em um esplendor que parecia refletir a alma renovada do reino. A cerimônia de coroação e o casamento de Maya e Luan haviam sido o evento mais grandioso da década; as flores silvestres da floresta de Ester misturavam-se às sedas reais, e o riso do povo ecoou até tarde da noite. Dominic e Ester assistiram a tudo de seus tronos de honra, finalmente em paz, vendo Tara ser entregue a mãos jovens e cheias de esperança.
Na manhã seguinte, o silêncio pós-festa trazia uma suave melancolia. Michael encontrou Catarina na varanda leste, observando o horizonte onde as colinas verdes da Irlanda encontravam o azul do mar. As carruagens de Mônaco já estavam sendo carregadas no pátio abaixo.
— Você está partindo — disse Michael, aproximando-se silenciosamente. Ele não usava mais jóias; apenas a túnica azul-marinho que o tornava mais parecido com o homem que Catarina conhecera sob as estrelas do que com o rei que ele tentara ser.
Catarina virou-se, o vento bagunçando levemente seus cabelos. Seus olhos, antes comparados a pedras frias, agora tinham o calor de uma manhã de sol.
— Meu dever em Tara acabou, Michael. Devolvi o irmão à Maya e o filho ao Dominic. Mônaco agora reclama minha presença. O Mediterrâneo é muito diferente das brumas da sua ilha.
Michael assentiu, sentindo um aperto familiar no peito, mas desta vez não era a angústia da solidão, era o medo da perda.
— O que será de um príncipe sem trono em um castelo cheio de memórias? — ele perguntou, tentando soar leve, embora sua voz falhasse.
Catarina deu um passo em sua direção, diminuindo a distância entre eles. Ela estendeu a mão e, pela primeira vez, não foi para desafiá-lo, mas para convidá-lo.
— Mônaco é um reino de luz, de falésias brancas e águas tão claras que se pode ver o fundo. Mas é, também, um lugar onde a política pode ser tão solitária quanto o topo de uma montanha. Eu aprendi muito com sua família, Michael. Aprendi que a força de um governante vem de quem caminha ao seu lado.
Ela fez uma pausa, os olhos fixos nos dele, sustentando o olhar com a coragem que lhe era peculiar.
— Não quero que você seja um príncipe em meu castelo. Quero que você seja o homem que me mostrou que as estrelas são as mesmas em qualquer lugar do mundo. Venha comigo. Deixe que Tara cresça sob o olhar de seus pais e o reinado de sua irmã. Venha descobrir o que o sul tem a oferecer a um coração que finalmente aprendeu a perdoar a si mesmo.
Michael olhou para a mão dela e depois para o pátio, onde Dominic e Ester se despediam de alguns nobres. Ele viu o pai rir, livre do peso da coroa, e a mãe colhendo flores para o boticário. Ele percebeu que seu lugar ali estava cumprido. Sua redenção estava completa, e um novo horizonte o chamava.
Ele sorriu — um sorriso aberto, sincero e cheio de vida — e segurou a mão de Catarina, entrelaçando seus dedos com firmeza.
— Dizem que o mar de Mônaco cura qualquer ferida — ele disse suavemente. — Acho que estou pronto para testar essa lenda. Se você me aceitar como um viajante em busca de um novo destino, eu irei.
— Aceito-o como muito mais do que um viajante — Catarina respondeu, aproximando o rosto do dele. — Aceito-o como meu par.
E ali, sob o céu da Irlanda, com o cheiro da terra e a promessa do mar, eles selaram o acordo com um beijo que não falava de coroas ou tronos, mas de uma liberdade que ambos haviam acabado de conquistar.
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