Amor ou Obsessão/ LIVRO II: Os gêmeos de Tara
4 O Fogo sob a Penumbra
Maya não esperou por uma resposta técnica ou uma desculpa de cavaleiro. Ela se aproximou de Luan, forçando-o a recuar até que suas costas encontrassem o tronco rugoso e antigo de um carvalho centenário, longe da vista de quem passava pelo jardim principal. A névoa da manhã os envolvia, criando uma barreira natural contra o resto do mundo.
— Você fala tanto de ordens, Luan — Maya sussurrou, a voz carregada de uma audácia que fazia o sangue dele ferver. — Mas seus olhos nunca obedeceram ao Rei. Eles só obedecem a mim.
Luan tentou manter a compostura, mas a respiração estava curta. A proximidade de Maya era inebriante; ele sentia o calor da pele dela e o perfume que misturava a sofisticação da corte com a liberdade da floresta.
— Maya... você sabe que isso é perigoso — ele murmurou, a mão hesitando entre afastá-la ou puxá-la para mais perto. — Eu sou um Suffolk. Minha mãe quase destruiu a sua. Eu deveria ser seu escudo, não sua tentação.
— Minha mãe perdoou a sua, Luan. E eu não sou uma rainha de gelo como Catarina — ela rebateu, encurtando o último centímetro de distância. — Eu sou a filha do Leão. E eu quero saber se o meu cavaleiro é homem o suficiente para reivindicar o que ele deseja há anos.
O desafio foi o estopim. Luan, que passara metade da vida contendo cada impulso em nome da honra e da gratidão, finalmente quebrou. Suas mãos, firmes e calejadas pelo treino com a espada, envolveram o rosto de Maya com uma possessividade que a fez arfar.
O beijo não foi calmo ou cortês. Foi uma explosão de anos de desejo reprimido, quente e urgente. Luan a pressionou contra a árvore, e Maya entrelaçou os dedos nos cabelos curtos dele, puxando-o para si como se quisesse fundir suas almas. Era um beijo que carregava o peso da proibição e a euforia da descoberta.
Luan desceu os beijos pelo pescoço de Maya, fazendo-a soltar um gemido baixo que ele abafou com os próprios lábios logo em seguida. Ali, escondidos pela sombra do carvalho, eles não eram a Princesa de Tara e o filho da Duquesa; eram apenas dois jovens consumidos por uma paixão que nenhum decreto real poderia conter.
— Você não faz ideia do quanto eu esperei por isso — Luan sussurrou contra a pele dela, sua voz rouca de desejo. — Eu morreria por você, Maya. Mas viver amando você em segredo estava me matando.
Maya sorriu entre os beijos, o coração batendo no mesmo ritmo frenético que o dele.
— Então não morra, meu cavaleiro. Apenas viva para me amar.
Eles ficaram ali, perdidos um no outro, sem perceber que, do alto de uma das janelas da torre, uma figura observava a cena. Não era o Rei, nem a Rainha. Era Mellysa.
A Duquesa observava o filho e a sobrinha com uma expressão indecifrável. Ela devia sua vida a Ester, mas ver o filho se perder nos braços da princesa de uma linhagem que ela tanto tentara combater trazia fantasmas antigos de volta.
Enquanto isso, Michael voltava para o castelo com os punhos cerrados, a imagem da frieza de Catarina gravada em sua mente. Ele não sabia que, enquanto ele enfrentava uma rocha, sua irmã acabara de encontrar o fogo.
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