​Maya não esperou por uma resposta técnica ou uma desculpa de cavaleiro. Ela se aproximou de Luan, forçando-o a recuar até que suas costas encontrassem o tronco rugoso e antigo de um carvalho centenário, longe da vista de quem passava pelo jardim principal. A névoa da manhã os envolvia, criando uma barreira natural contra o resto do mundo.

​— Você fala tanto de ordens, Luan — Maya sussurrou, a voz carregada de uma audácia que fazia o sangue dele ferver. — Mas seus olhos nunca obedeceram ao Rei. Eles só obedecem a mim.

​Luan tentou manter a compostura, mas a respiração estava curta. A proximidade de Maya era inebriante; ele sentia o calor da pele dela e o perfume que misturava a sofisticação da corte com a liberdade da floresta.

​— Maya... você sabe que isso é perigoso — ele murmurou, a mão hesitando entre afastá-la ou puxá-la para mais perto. — Eu sou um Suffolk. Minha mãe quase destruiu a sua. Eu deveria ser seu escudo, não sua tentação.

​— Minha mãe perdoou a sua, Luan. E eu não sou uma rainha de gelo como Catarina — ela rebateu, encurtando o último centímetro de distância. — Eu sou a filha do Leão. E eu quero saber se o meu cavaleiro é homem o suficiente para reivindicar o que ele deseja há anos.

​O desafio foi o estopim. Luan, que passara metade da vida contendo cada impulso em nome da honra e da gratidão, finalmente quebrou. Suas mãos, firmes e calejadas pelo treino com a espada, envolveram o rosto de Maya com uma possessividade que a fez arfar.

​O beijo não foi calmo ou cortês. Foi uma explosão de anos de desejo reprimido, quente e urgente. Luan a pressionou contra a árvore, e Maya entrelaçou os dedos nos cabelos curtos dele, puxando-o para si como se quisesse fundir suas almas. Era um beijo que carregava o peso da proibição e a euforia da descoberta.

​Luan desceu os beijos pelo pescoço de Maya, fazendo-a soltar um gemido baixo que ele abafou com os próprios lábios logo em seguida. Ali, escondidos pela sombra do carvalho, eles não eram a Princesa de Tara e o filho da Duquesa; eram apenas dois jovens consumidos por uma paixão que nenhum decreto real poderia conter.

​— Você não faz ideia do quanto eu esperei por isso — Luan sussurrou contra a pele dela, sua voz rouca de desejo. — Eu morreria por você, Maya. Mas viver amando você em segredo estava me matando.

​Maya sorriu entre os beijos, o coração batendo no mesmo ritmo frenético que o dele.

— Então não morra, meu cavaleiro. Apenas viva para me amar.

​Eles ficaram ali, perdidos um no outro, sem perceber que, do alto de uma das janelas da torre, uma figura observava a cena. Não era o Rei, nem a Rainha. Era Mellysa.

​A Duquesa observava o filho e a sobrinha com uma expressão indecifrável. Ela devia sua vida a Ester, mas ver o filho se perder nos braços da princesa de uma linhagem que ela tanto tentara combater trazia fantasmas antigos de volta.

​Enquanto isso, Michael voltava para o castelo com os punhos cerrados, a imagem da frieza de Catarina gravada em sua mente. Ele não sabia que, enquanto ele enfrentava uma rocha, sua irmã acabara de encontrar o fogo.