Amor ou Obsessão/ LIVRO II: Os gêmeos de Tara
24 O Brinde do Destino
A última noite em Tara foi celebrada na intimidade da pequena sala de jantar privada, longe dos olhares da corte. Não havia criados, apenas a família Mackenzie, Luan e Catarina, reunidos em torno de uma mesa onde o vinho era bom e as risadas, pela primeira vez em anos, eram fáceis.
Luan, agora vestindo as cores reais com uma postura que misturava a humildade do cavaleiro e a autoridade do rei, observava Michael e Catarina em silêncio até que a Rainha de Mônaco pigarreou, chamando a atenção de todos.
— Rei Luan — Catarina começou, com um brilho divertido nos olhos que Michael raramente via. — Eu sei que você acaba de assumir o comando desta ilha e de seus súditos. Mas, por questões diplomáticas e... pessoais, eu gostaria de pedir seu consentimento oficial para "sequestrar" o Príncipe Michael para as minhas terras no Sul.
Luan arqueou uma sobrancelha, fingindo ponderar seriamente enquanto Maya continha o riso ao seu lado.
— Sequestrar um príncipe de Tara? — Luan perguntou, cruzando os braços. — Isso soa como um incidente internacional grave, Majestade. O que Mônaco oferece em troca de um homem que, embora saiba usar uma espada, ainda tem o péssimo hábito de reclamar do frio matinal?
— Ei! — Michael protestou, atirando um pedaço de pão no amigo, que o pegou no ar com agilidade.
— Ofereço sol constante, o que deve calar as reclamações dele — Catarina rebateu com um sorriso audaz. — E prometo que ele será tratado com a dignidade de um príncipe, ou, se ele se portar mal, como um navegador aprendiz.
Luan olhou para Michael com uma afeição profunda, a amizade de infância selada agora pelo perdão.
— Ele é todo seu, Catarina. Mas deixo um aviso: se ele começar a dar ordens demais, mande-o de volta. Nós sempre teremos uma floresta precisando de lenha por aqui.
A mesa explodiu em gargalhadas. Michael balançou a cabeça, sentindo-se finalmente leve. Foi então que Dominic, que assistia a tudo com um sorriso discreto sob os bigodes grisalhos, levantou sua taça, fazendo o silêncio retornar de forma natural.
— Michael, meu filho — disse o Velho Leão, sua voz agora suave como o vento nas colinas. — Você passou muito tempo tentando ser o que os outros esperavam. Em Mônaco, você terá a chance de descobrir quem você é quando ninguém está olhando para a sua coroa.
Ele então voltou o olhar para Catarina.
— Catarina, você buscou em Tara a força de uma rocha, mas encontrou a vulnerabilidade de uma família. O meu conselho para a jornada de vocês é simples: não governem um ao outro. Um reino se mantém com leis, mas uma união se mantém com espaços. Deixem que haja espaço entre as suas almas para que o amor possa respirar.
Ester apertou a mão de Dominic e completou:
— E nunca se esqueçam das estrelas. Elas são o único mapa que nunca muda, não importa o quão longe vocês naveguem.
Michael olhou para o pai, depois para Catarina, e ergueu sua própria taça.
— Aos reis de Tara e à rainha que me salvou de mim mesmo. Que o mar seja calmo e a companhia, eterna.
O som das taças de cristal se encontrando selou o destino. Naquela noite, sob o teto de Tara, o passado foi finalmente deixado para trás. O Príncipe e a Rainha estavam prontos para o Sul, enquanto o Cavaleiro e a Princesa estavam prontos para o Norte. E o Velho Leão, ao lado de sua Druida, finalmente fechou os olhos para um sono sem preocupações, sabendo que todos os seus filhotes haviam encontrado o caminho de casa — mesmo que a casa de alguns fosse agora em outro horizonte.
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