​O porto de Tara nunca estivera tão movimentado. O som das correntes das âncoras batendo contra o casco de navios estrangeiros anunciava a chegada da comitiva mais esperada do ano: a Rainha Catarina de Mônaco. O Reino de Mônaco, embora pequeno em extensão, era a joia comercial do Mediterrâneo, e a aliança com a Irlanda era vital para a estabilidade de ambos os tronos.

​Dominic e Ester, agora os pilares de uma dinastia consolidada, aguardavam no pátio principal com Michael e Maya ao seu lado. O vento frio da Irlanda soprava, agitando os estandartes dourados, enquanto a carruagem real de Mônaco, adornada com detalhes em prata e madrepérola, cruzava os portões do castelo.

​Quando a porta da carruagem se abriu, um silêncio respeitoso se abateu sobre a recepção. Catarina desceu com a graça de quem nascera para carregar o peso do mundo sem nunca vergar a coluna.

​Aos dezessete anos, Catarina possuía uma beleza etérea. Seus cabelos loiros pareciam fios de ouro sob o sol pálido, e seus olhos azuis eram profundos, mas guardavam uma sombra de melancolia que Ester reconheceu imediatamente. Aquela não era uma jovem comum; era uma soberana que fora forjada no fogo da tragédia.

​— Majestades — Catarina iniciou, fazendo uma reverência perfeita perante Dominic e Ester. Sua voz era doce, mas carregava a firmeza de quem governa. — É uma honra finalmente pisar em Tara.

​— A honra é nossa, Rainha Catarina — Dominic respondeu, inclinando a cabeça com o respeito que se dá a um igual. — Lamentamos que sua vinda tenha sido precedida por anos tão difíceis.

​A história de Catarina era sussurrada em todas as cortes da Europa. Aos quinze anos, ela perdera os pais em um naufrágio devastador durante uma tempestade no Mediterrâneo. Sendo filha única, ela fora coroada em meio ao luto, assumindo a responsabilidade de um reino cercado de predadores políticos antes mesmo de terminar sua juventude.

​Michael deu um passo à frente para cumprimentá-la. O Príncipe de Tara, com seus cabelos castanhos longos e olhar sereno, sentiu um solavanco no peito ao encontrar os olhos de Catarina. Ele vira retratos, mas nada o preparara para a aura de força e vulnerabilidade que a Rainha emanava.

​— Sou Michael, Príncipe Herdeiro — ele disse, pegando a mão enluvada dela e depositando um beijo casto. — Espero que Tara possa oferecer o conforto que Mônaco lhe tirou.

​Catarina deu um sorriso contido, o primeiro sinal de suavidade em seu rosto.

— O conforto é um luxo que aprendi a dispensar, Príncipe Michael. Mas a hospitalidade da Irlanda é famosa até no Sul.

​Enquanto a comitiva se instalava, o banquete de boas-vindas foi organizado. Maya observava tudo de longe, notando como Luan, que estava em posição de guarda, não conseguia tirar os olhos de sua própria direção, enquanto o irmão, Michael, parecia hipnotizado pela jovem rainha estrangeira.

​— Ela é como um cisne — sussurrou Maya para Luan, quando ele passou por ela para verificar a segurança. — Mas parece que Michael está prestes a mergulhar em águas muito profundas.

​Luan olhou para Catarina e depois para Michael, mas seu olhar voltou rapidamente para Maya, como sempre.

— Reis e rainhas raramente escolhem por onde mergulham, Princesa. Às vezes, o destino simplesmente nos empurra.

​Dominic, observando o filho e a jovem Catarina conversarem no topo do salão, sorriu para Ester. O tabuleiro estava montado. Dois reinos, duas tragédias passadas e uma nova geração tentando encontrar o equilíbrio entre o dever e o coração.

​— Ela é forte — Ester comentou com o marido. — Mas é uma força solitária. Michael vai precisar de mais do que diplomacia para alcançá-la.

​— Michael tem o sangue seu e o meu, Ester — Dominic respondeu, segurando a mão da esposa. — Ele saberá quando ser o porto seguro e quando ser a tempestade.