Amor ou Obsessão/ LIVRO II: Os gêmeos de Tara
7 Onde as Estrelas não Mentem
Catarina hesitou, os dedos ainda roçando o pergaminho áspero do mapa. Por um instante, a Rainha de Mônaco lutou contra a menina que ainda vivia dentro dela — aquela que amava o vento no rosto e o som do silêncio. O peso da coroa era real, mas o peso da solidão estava se tornando insuportável.
— Se eu for... — ela disse, finalmente levantando o olhar para Michael — é como Catarina. A Rainha ficará aqui, guardando estes mapas.
Michael sorriu, um sorriso que não era de triunfo, mas de puro alívio.
— Ela será bem-vinda quando voltar. Mas, por enquanto, Catarina é quem eu quero levar comigo.
Eles subiram por uma escada em espiral estreita, oculta atrás de uma tapeçaria que narrava as antigas lendas celtas. O ar ficava mais frio à medida que subiam, mas a presença de Michael, caminhando logo à frente dela, parecia irradiar um calor reconfortante. Quando finalmente atravessaram a pequena porta de madeira no topo da torre mais alta, o céu da Irlanda se abriu sobre eles.
Não havia nuvens. O firmamento era um oceano de escuridão cravejado de diamantes infinitos. Catarina soltou um suspiro baixo, a mão indo involuntariamente ao peito.
— Em Mônaco, as estrelas parecem mais próximas do mar — ela sussurrou, aproximando-se do parapeito de pedra. — Aqui, parece que podemos tocá-las se estendermos as mãos.
— Meu pai diz que as estrelas são os olhos daqueles que vieram antes de nós, vigiando se estamos honrando o solo que pisamos — Michael disse, parando ao lado dela, mas mantendo uma distância respeitosa. — Eu gosto de vir aqui quando sinto que o castelo está ficando pequeno demais para os meus pensamentos.
Catarina olhou para ele de perfil. A luz do luar acentuava os traços fortes de Michael, e os cabelos castanhos longos dele balançavam suavemente com a brisa noturna.
— Você disse que não é um Mackenzie por sangue. Mas você fala como se as pedras deste lugar lhe pertencessem.
— Porque elas pertencem — ele respondeu com serenidade. — Não por direito de nascimento, mas por escolha. Dominic me escolheu como filho quando eu não era nada além do fruto de uma dor da minha mãe. Ele me deu um nome, mas Ester, minha mãe, me deu a alma. Ela me ensinou que o sangue é apenas um rio, mas o caráter é a montanha que guia o curso dele.
Catarina baixou a guarda. Pela primeira vez em anos, ela não sentiu necessidade de medir suas palavras.
— Eu sinto que estou sempre fingindo, Michael. Finjo que não tenho medo quando os conselheiros me olham como se eu fosse uma criança. Finjo que não sinto falta do cheiro do café da manhã da minha mãe. Às vezes, eu esqueço quem é a Catarina de verdade de tanto usar a máscara da Rainha.
— A Catarina de verdade está aqui agora — Michael disse, virando-se para ela e, com uma coragem que faria o Velho Leão orgulhoso, pegou a mão dela. — E ela é muito mais impressionante do que qualquer título.
Catarina não puxou a mão. Seus dedos frios se entrelaçaram nos dele. O gelo que a envolvia começou a rachar, derretido não por um martelo, mas pela paciência e pelo calor constante daquele homem que entendia o que era ser moldado pela vida.
— Você é um homem perigoso, Michael Mackenzie — ela sussurrou, um meio sorriso surgindo em seus lábios. — Você faz o dever parecer um fardo leve.
Enquanto eles compartilhavam aquele momento de vulnerabilidade sob o céu infinito, o silêncio da noite foi quebrado por um grito abafado vindo dos jardins abaixo.
Maya e Luan, que acreditavam estar seguros nas sombras, haviam sido interceptados. Não por Mellysa, mas por um grupo de guardas da comitiva de Mônaco que faziam a ronda noturna. O segredo da princesa estava a um passo de se tornar um escândalo internacional.
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