​O sol nasceu sobre Tara com uma luz dourada que parecia abençoar cada pedra do castelo. O pátio principal estava decorado com as cores da Irlanda e de Mônaco, mas o que realmente chamava a atenção era o Trono de Carvalho que fora levado para o centro do jardim. Dominic, ainda pálido mas com o olhar fixo e orgulhoso, estava sentado lá, envolto em peles grossas, tendo Ester ao seu lado, com a mão firmemente entrelaçada na dele.

​A cerimónia começou em silêncio absoluto. Michael, vestindo a armadura cerimonial e o manto azul-escuro, caminhou até o centro. Catarina, a Rainha de Mônaco, observava da primeira fila, o seu rosto de "rocha" finalmente mostrando sinais de uma admiração profunda.

​Dominic levantou-se lentamente, apoiando-se no braço de Ester. Michael ajoelhou-se diante do pai.

​— Michael Mackenzie — a voz de Dominic ecoou pelo jardim, recuperada pelo milagre de Mellysa. — Tu não carregas o meu sangue, mas carregas a minha honra. Eu entrego-te a coroa de Tara, não como um fardo, mas como um juramento de que a justiça e o amor guiarão este povo.

​Dominic colocou a coroa sobre a cabeça de Michael. O povo rugiu em aclamação: "Vida longa ao Rei Michael!".

​Mas o novo rei não se levantou imediatamente. Ele olhou para o pai e depois para a irmã.

— Majestade — disse Michael, dirigindo-se a Dominic —, um rei não deve começar o seu reinado com segredos ou corações partidos.

​Michael fez um sinal para Maya e Luan. Os dois aproximaram-se, caminhando lado a lado. Luan estava com a sua farda de guarda, mas os seus olhos não estavam no chão; estavam fixos no homem que ele agora chamava de sogro.

​— Diante de todo o povo e debaixo do céu da Irlanda — declarou Michael, levantando-se e segurando a mão de Maya e a de Luan —, eu anuncio o noivado da Princesa Maya Mackenzie com o Cavaleiro Luan de Suffolk. Que a união deles apague as sombras do passado e prove que em Tara, o amor é a lei suprema.

​Mellysa, que observava de perto, soltou um suspiro trêmulo. Ver o seu filho ser aceito publicamente como o par da princesa, com a benção do Rei que ela tanto tentara destruir, era a sua redenção final. Ela inclinou a cabeça para Ester, um gesto de respeito que selava a paz definitiva entre as duas linhagens.

​Maya abraçou o pai com cuidado, sussurrando um "Obrigada" que só ele ouviu. Luan ajoelhou-se perante Dominic, que lhe colocou a mão no ombro.

​— Cuida dela, Luan — disse Dominic com um tom sério, mas com um brilho cúmplice nos olhos. — Caso contrário, descobrirei que aquela raiz da tua mãe tem um antídoto para a minha velhice só para te perseguir.

​A risada geral que se seguiu quebrou qualquer tensão restante. No meio da celebração, Michael aproximou-se de Catarina.

​— Um rei recém-coroado e um noivado anunciado — disse ele, oferecendo-lhe o braço. — Parece um bom dia para Mônaco considerar uma aliança permanente, não acha, Majestade?

​Catarina olhou para a alegria genuína de Maya e Luan, e depois para o casal idoso, Dominic e Ester, que ainda se olhavam como se fossem os únicos no mundo. Ela sorriu — um sorriso real, que iluminou o seu rosto como o sol de Mônaco.

​— Talvez — respondeu ela, aceitando o braço dele. — Mas terá de me convidar para dançar primeiro, Rei Michael.

​A música começou a tocar, e enquanto os novos e velhos casais se moviam pelo jardim, Tara celebrava não apenas a sobrevivência de um leão, mas o florescer de uma nova linhagem que, embora unida por diferentes sangues, batia num só coração.