Morar em apartamento tem suas vantagens, eu moro no 7° andar do meu prédio e fico olhando todos os dias pela janela, faz pouco tempo, mas percebi que dá pra ver a casa dele daqui, num é nitidamente, mas até a forma do seu corpo eu consigo ver, notei que ele sai todos os dias no mesmo horário e volta exatamente no mesmo horário, o trabalho dele deve ser bom, pois ele fica apenas uma hora fora de casa, nunca vi mais ninguém na casa dele, até ontem, ele saiu fora de horário, e chegou três horas depois, assim que ele desceu do carro meu coração palpitou, era como se ele estivesse bem próximo a mim, mas meu coração parou, logo após ele descer, uma garota desceu do carro com uma bolsa de certa forma grande, será que era a namorada dele? Ele é lindo, certamente era a namorada dele, ou será uma amiga? Mas nunca tinha visto ninguém ir a casa dele, por que uma amiga iria assim, meio da semana, ainda mais com uma bolsa que parecia de viagem, esses pensamentos me levaram a um aperto enorme no peito, eu queria pular da janela pra ele me notar e do nada apareceu uma garota na frente de tudo, o pior é que tudo parecia piorar, pois chegando a hora que eu ia pra janela meu irmão percebendo que eu não largava a almofada no sofá, disse rindo:“ué, não vai ver seu amor hoje não?” – como ele sabe? que eu fico olhando pra casa “dele”, minha única reação foi tacar a almofada no idiota do meu irmão e gritar:“cala a boca idiota, tem mais nada pra fazer alem de encher o meu saco não!” – eu sou muito burro, quem disfarça gritando cala a boca idiota? E ainda corri para o meu quarto, droga, meu o que ta acontecendo comigo, meu irmão fala poucas palavras pra mim e eu já estou aqui, deitada na minha cama esmurrando o colchão como se ele fosse a maior desgraça da minha vida e chorando como se eu fosse uma criança, o ruim é que dói, dói como uma facada e eu não sei fazer parar, minha mente quer apenas explodir, nada disso tem sentido pra mim, ele é apenas um garoto que eu vi um dia, que apenas com o olhar fez meu coração acelerar, que me fez achar que o mundo iria parar e com todo o desconcerto da minha mente me fez delirar e me apaixonar. Eu quero apenas parar, e sentir tudo isso eternamente, sou uma louca, por me afogar em lagrimas e ao mesmo tempo, parar e sorrir, apenas me pergunto se isso é amar.Percebi que as coisas estavam ficando ruins quando meu irmão entrou no quarto e sentou na minha cama, ele ficou me olhando por um tempo e falou:“o que acontece com você? Sempre esteve sorrindo, até mesmo ficava na janela olhando para o ‘nada’ feito uma bobinha, e agora assim do nada entra no quarto e começa a chorar, você nunca foi assim mana, o que está acontecendo?” – esse era o momento que eu nunca esperei chegar, meu irmão mais velho preocupado comigo, eu estava mais acostumada com o fato dele ficar me xingando, ou então me deixando nervosa. Isso só servia pra deixar minha cabeça mais confusa do que já estava. Mas mesmo assim eu tinha que falar pra alguém:“eu não sei Di, minha cabeça está estranha, meu peito palpita a todo momento, e as vezes eu me pego rindo, assim do nada. Será que estou ficando louca?” – ele riu, mas não foi a risada que eu estava acostumada a ver, aquela risada de idiota que ele usava quando eu me dava mal, estava mais parecendo que ele estava sem jeito, sem saber o que disser, mas mesmo assim ele tentou falar algo:“bem, não sei o que te disser, mas isso é normal, acontece com todo mundo. Um dia você está andando como se nada fizesse diferença e um segundo depois o mundo só tem um significado. É maninha você está apaixonada, pensei que esse dia nunca fosse chegar. É quem eu penso que é?” – eu não sabia se devia respondê-lo ou se ficava quieta, ele não esperou e continuo falando:“se for quem eu penso, até por que na direção que você olha só teria como ser ele. Sua concorrência é grande, e ele é meio complicado de se lidar, ele tem dinheiro é boa pinta e de certa forma popular, mas só tem tudo isso por um motivo, que talvez não seja tão agradável pra você.” — eu não pensei na hora e perguntei:“qual o motivo?” – como fui burra.“a família dele é perigosa, eles são marginais, o pai dele é o chefão do trafico, ele vem de uma geração de traficantes, eles traficam de tudo, armas, drogas, o que você precisar, eu fiquei sabendo disso pelos meninos do time, parece que o Omero não gosta que vejam ele dessa forma, nunca entendi o motivo disso, ele parece ser um cara bom, de certa forma ele até é, mas a família dele não presta.” – então o nome dele é Omero, nossa que diferente. – “maninha, ele fala com você, ou é daquelas paixões a distancia, que você viu ele na rua e se apaixonou?” — eu tava pasma com o que meu irmão me disse, eu não conseguia acreditar, aquele garoto por quem eu me apaixonara era um bandido:“ele uma vez perguntou se eu era a sua irmã, foi na primeira vez que eu vi ele, ele não parece ser o que você fala. Você tem certeza? Tem certeza que ele é má pessoa?” – nesse momento meu irmão me olhou nos olhos e disse:“se ele é má pessoa eu não sei, mas eu posso afirma que a família dele é encrenca.” – nossa, minha cabeça ficou pior do que já estava, o que fazer? Eu me deitei novamente e pedi para o meu irmão:“não fale nada para o pai ou para a mãe, não deixe nem ao menos o Vitor ficar sabendo, deixe isso só para nós dois. Eu vou tentar dormi um pouco.” – eu olhei para ele e só o vi acenando com a cabeça afirmando tudo, espremi a almofado contra meu rosto e cai no sono.