Amor e crime
3 Capitulo 3
Era tarde, o sol já sumia em meio as arvores do fim da rua, eu sentado no capo do meu carro olhava pro céu e pensava nela, cabelos ondulados até a cintura, um rosto fino e delicado, um corpo ainda virando o de uma mulher, acendendo um cigarro, me peguei lembrando a primeira vez que a tinha visto, ele vinha bem provável da escola, tava frio ela segurava a bolsa do lado direito com força, parecia estar com presa, olhou rapidamente na minha direção, nem deve ter me percebido, se percebeu ignorou, com certeza ignorou, eu me ignoraria – risos – quanto mais uma garota de família.Nesse momento uma garota se aproxima de Omero e diz:“seu pai quer te ver. ’’ – é sempre assim, quando eu estou tranqüilo aparece algo pra fazer. Eu vou de encontro com meu pai, às vezes acho estranho ele e eu não morar na mesma casa, ai lembro que ele disse que seria melhor assim, pois nossa família tem que crescer individualmente, mas nos momentos que ele precisa, ele se esquece disso. A casa dele é enorme, uma garagem pra 20 carros não pode ser em uma casa pequena, nós não moramos em um bairro grande, nem muito mesmo muito estruturado, me pergunto como a policia ou o estado nunca tomou providências sobre isso, meu pai não paga impostos, a não ser quando ele paga propina, que ele carinhosamente apelidou de imposto.Passando pelo saguão da casa, eu sempre olho pras escadas e lembro que lá do alto meus tios me pegavam no colo e falavam, “isso tudo será seu um dia, nunca deixe essa família cair”, eu era muito novo e nunca entendia o que eles falavam, mas com o tempo percebi que eles apenas queriam que eu crescesse e fosse mais um traficante de armas, drogas e outras coisa como todos na família, eu queria que eles fossem tios normais e desejassem que eu fosse um medico ou um advogado sei lá. Quando chego diante do meu pai sempre me sinto estranho, é como se estivesse na frente de um deus, todos temiam e obedeciam meu pai, a todo momento, sempre tinha algo que ele não gostava e queria que fosse diferente, igual minha primeira namorada, ele implicou pelo fato dela ser loira, todos na família tinham cabelos negros, então logo eu tinha que namorar uma garota morena, ele era paranóico, tanto que logo foi falando:“todos estão falando que você vive no mundo da lua de uns dias pra cá, você sabe que isso é ruim para os negócios da família, você não deve ser um alucinado ou um desses jovens que ficam sonhando o tempo todo, você tem um futuro, um compromisso com nossa família, você tem o dever de sempre estar centrado nos passos que ira trilhar para me deixar orgulhoso.” – nesse momento eu só conseguia pensar em como meu pai só pensava em negócios, família, e bla bla bla, nunca seria o que eu queria? Nunca seria o meu futuro realmente? Nessas horas queria ter coragem para trilhar os meus desejos, independente do que minha família, ou melhor meu pai queria, pois eu sentia que tudo aquilo não era a vida que eu queria, mesmo tendo vivido nesse mundo desde pequeno e isso parecer tão normal as vezes, eu sinto que isso é o que meu pai deseja, como se ele ver eu crescendo nesse mundo pudesse manter tudo no controle como sempre fez e eu fosse um casulo para seus ideais, e manter a sua chama viva por mais uma geração. Isso sempre me deixava desmotivado. Nessa eu pensei em falar o que eu sentia para o meu pai, mais as palavras que saíram foi:“não entendo porque falam essas coisas para o senhor, eu estou tratando dos negócios como sempre, é até bom falarmos disso, pois eu quero um pouco mais de dinheiro pra negócios pessoais.” – ele apenas me fitou e disse:“que tipos de negócios?”“são pessoais papa, me desculpe, mas por enquanto não posso falar.”“tudo bem, mas não foi apenas pra conversa que eu te chamei aqui – ele pega uma foto e entrega para Omero – sua irmã está vindo para cá, eu quero que você pessoalmente vá buscá-la, não quero que nenhuma família rival toque nela, você sabe muito bem que ela é frágil.”Eu queria rir assim que meu pai falou da minha irmã, ela ser frágil? Eu iria buscar ela no reformatório, ela tinha sido pressa umas mil vezes, e só tinha 18 anos, da ultima vez ela foi pressa por bater em dois policiais quando eles acharam ela com porte de maconha, ele ainda achava ela frágil, eu tinha medo dela, mesmo tendo o dobro do peso dela, ela sempre ganhava de mim na guerra de travesseiros quando éramos mais crianças.“tudo bem papa, irei buscar ela imediatamente.”“traga-me ela em segurança, nada de desvios!”“claro, se ela não quiser assaltar um banco antes de vir para o jantar.” – nossa ir buscar minha irmã me anima tanto, que fico com sono, ela é uma garota legal, mas exagera as vezes, perdi as contas de quantas vezes tirei ela de problemas, ou em quantos supostos “namorados” eu tive que ter aquela conversa de família, não sei se ela gosta ou tem a sorte de só arrumar homem que não presta.
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