Notas iniciais
Gente, o que esse capítulo tem de lento, o próximo terá de louco... então esse aqui é só para dar uma relaxadinha... Título: catorze em sueco e se pronuncia "fiurtón". Liz:http://36.media.tumblr.com/7b4b69c39ba6c194e1354f7d4a33ef90/tumblr_mvp6kjChAi1rrkr2xo4_500.jpg

Depois de aquele bolo delicioso ter trago a mim sonolência, e Liz ter declarado perda total da sanidade, fomos dormir. Arrumamos um colchão ao lado da minha cama e sem hesitar, Liz deitou sobre a estrutura macia.

Quando o escuro se tornou, inesperadamente, meu inimigo, eu escutei o farfalhar dos cobertores, anunciando a inquietação de Liz.

─ Maya, você está acordada? ─ sussurrou.

─ Sim.

─ Eu realmente senti ciúmes daquela garota de nome esquisito ─ disse Liz, fazendo-me arregalar os olhos. Felizmente, o breu ajudou-me, disfarçando o espanto.

─ Cara, eu já sabia disso ─ eu falei.

─ Mas eu, sei lá, eu só tenho você ─ disse Liz, como se tivesse sob o efeito de algum entorpecente. Culpei, automaticamente, o chocolate.

─ Você tem sua mãe, minha mãe, todos estão aqui para te apoiar ─ consegui falar.

─ Não seja idiota, Maya. Você acha que minha mãe ainda estaria ao meu lado a partir do momento que eu dissesse “eu sou lésbica”.

─ Ah, então por isto eu seria a única?

─ Sim, você é a única pessoa que me amaria mais como gay.

─ Você sim que é uma idiota. ─ Gargalhei. ─ Agora, boa noite. Eu estou com muito sono.

Fora uma ilusão a partir do momento em que eu constatei sono. Veio a mim uma lembrança, e, particularmente, a sensação de surgir uma lembrança era semelhante a de querer uma bela noite de sono.

Minha reminiscência iniciou-se com a primeira garota por quem eu me apaixonei. Uma menina magrela, como eu, mas alta e com um cabelo totalmente repicado. As pessoas costumavam achar que ela tinha inclinações homossexuais por não usar maquiagem, por andar com garotos, por causa do estilo másculo. E eu também achava. Achava que ela poderia ser meu refúgio, algo que comprovaria como minha escolha fora a melhor.

Então eu a conheci. Uma menina gentil e tímida resume bem seu estado de personalidade. Então a gente começou a se aproximar bastante, como amigas, até que logo eu já a abraçava sempre e trocávamos beijos na bochecha, como se tivéssemos nascido grudadas.

Mas o tempo passou, ela conheceu garotos e eu senti ciúmes. Eu deveria falar isto a ela, mas ao mesmo tempo vinha o medo... o medo de perder seus abraços cotidianos. E em um suspiro enchi meu peito de coragem, caminhei pesadamente até aquela garota dos cabelos curtos e repicados. Olhei aos seus olhos castanhos e seu cabelo louro. Mordi o lábio, mas consegui dizer que eu gostava dela.

Seria perfeito até aí. Como os filmes europeus, em que o final é abstrato e reflexivo, mas não: tinha que continuar... E continuou. Eu vi o franzir de suas sobrancelhas, eu senti a tensão tangível, a raiva, confusão e senti, acima de tudo, meu medo.

─ Foi mal, Maya, mas para mim isto não é normal.

Para ela isto não era normal e nunca seria. Isto se provou com o fim da nossa amizade, com um namoro envolvendo ela e um amigo meu. Com meu coração partido por uma menina, pela primeira vez.

─ Isto não é normal?

Então eu senti um toque partindo da minha testa, logo depois pro meu ombro. Um beijo estalado na bochecha, e meu desespero foi-se gradativamente, transformado em coragem para abrir os olhos: eu vi Liz me esperando acordar.

─ Você fala dormindo ─ comentou Liz.

Eu lembrei do meu sonho, em formato de lembrança e pude ter um pouco de medo. Será que o comentei inconscientemente no meu sonho?

─ O que eu falei? ─ perguntei, quase que rugindo devido a voz recém-despertada.

─ blábláblá, alguma coisa, não é normal e sei lá mais o que ─ disse. ─ Depois você se virou para lá e para cá e disse que acha que blábláblá e nada mais compreensível. Mas me diga aí, com o que você sonhou?

─ Com nada, eu não me lembro. ─ Cobri minha cabeça com o travesseiro.

─ Vai, Maya ─ implorou Liz. ─ Conte para mim.

─ Não ─ soou minha voz, abafada pelo travesseiro.

─ Por favorzinho ─ pediu. ─ Vá, vá, vá.

A ignorei, fui ao banheiro, liguei o chuveiro e torci para que a água levasse aquelas lembranças ridículas.

***

─ Leia direito estas regras, por favor.

─ Eu estou lendo ─ queixou-se Liz.

─ Então a viagem é só daqui a... ─ Tentei contar.

─ Dois meses, na época de férias. ─ Liz penteava o cabelo.

─ Olhe com atenção!

─ Já olhei, Maya ─ disse Liz. ─ Você poderia se acalmar, fazendo o favor?

─ Eu não posso Liz, não posso...

A garota dos cachos semicerrou os olhos.

─ Isto tem a ver com seu sonho de hoje, Maya? ─ perguntou friamente.

─ Quer saber, Liz? ─ falei já impaciente. ─ Tem a ver sim, tem tudo a ver. Agora eu só quero descansar um pouco tentar esquecer essa merda de pesadelo que eu tive hoje.

─ E por que você não me conta, talvez eu possa ajudar.

─ Contar a você não será uma boa estratégia pra esquecer tudo, tá? ─ comentei. ─ Só continue a ler, vá.

─ Tudo bem, Senhorita Estresse. ─ Liz acariciou meu cabelo liso, fazendo-me fechar os olhos apreciando o ato.

─ Eu disse que te amava ─ falei abaixando o tom de voz. ─ Por que você não disse que me amava também.

─Porque eu não quis ─ falou Liz. ─ Afirmar algo não é tão importante quando você demonstra por meio de ações.

─ Ações? ─ Eu balancei a cabeça negativamente. ─ Você tem cada ideia.

─ Você que tem cada ideia ─ afirmou Liz. ─ Como eu vou acreditar que você me ama se nem um sonho você quer dividir comigo.

─ Tudo bem, eu conto. Mas não é nada demais─ Repousei a cabeça em seu colo. ─ Eu só me lembrei da primeira pessoa por quem me apaixonei e... e as coisas ficaram estranhas hoje.

─ Você a viu recentemente? ─ perguntou Liz. ─ Os sonhos são como reflexões, ter visto ela pode ter influenciado na sua noite.

─ Não ─ respondi. ─ Eu não a vi fisicamente.

─ Como assim?

─ Eu a vi em você, Liz. ─ Cobri meus olhos com as mãos.

─ Ela fez algum mal a você que eu também fiz? ─ Liz pareceu preocupada.

─ Não, pelo contrário. ─ Abri um sorriso de canto. ─ Eu só tenho medo que depois, sei lá, tudo dê errado.

─ Não vai acabar errado ─ garantiu Liz.

─ Por quê?

─ Porque eu também te amo.

Notas finais
Eu peço para que os leitores fantasmas deem uma aparecidinha, nem que seja só para dizer "oi", mas eu queria agradecer a todos que estão acompanhando e não posso fazê-lo se a maioria dos leitores são sumidos. Então tchau...