Amor de Dragon Slayer
35 035- A família de Koorishiro
Notas iniciais
035- A família de Koorishiro
Cherria não esboçou nenhuma reação ao ouvir a declaração. Uma expressão de surpresa estava estampada no rosto da jovem, que ainda processava aos poucos o que lhe foi dito. Deu dois passos para trás, se esbarrando em uma das cadeiras, e caindo sentada na mesma. Sua expressão estava começando a se desfazer.
Igneel tentou ir até a filha, porém foi para pelo braço de Grandeeney, que ao invés de olhar nos olhos da filha, encarava o chão, com os olhos lacrimejando. Igneel olhou de relance para companheira, que estava a ponto de cair aos prantos mais uma vez.
—Eles são… Irmãos de sangue? – A voz de Cherria tirou ambos os Dragões de seus pensamentos. Cherria olhou lentamente de um para outro. Grandeeney confirmou com a cabeça, para em seguida ver Cherria suspirando. – Mas como eles podem ser companheiros um do outro, se existe laços sanguíneos entre eles?
—O amor é uma das coisas mais importantes com um dragão, uma vez que só é possível de acontecer uma vez na vida. – Explicou Igneel. – Quando o amor é correspondido, costuma-se deixar de lado os laços sanguíneos. A nossa definição para isso é muito diferente dos humanos, que abominam essa pratica, chamada de Incesto por eles.
Grandeeney ainda olhava para Yuno, que havia terminado sua mamadeira, e encarava a dragoa com seus olhinhos dourados. A pequena deu um sorriso para a mãe, que sorriu de volta, acariciando levemente a cabeça da jovem.
—E eles sabem disso?
Grandeeney levantou o olhar para Cherria, que, aparentemente, tinha aceitado a notícia, de alguma forma.
—Não, eu quero poder contar isso eu mesma. – Respondeu a dragoa, se sentindo um pouco melhor, após ter a impressão que Cherria parecia ter aceitado.
—Isso é o certo, mamãe. – Disse a rosada, dando um leve sorriso para sua mãe. Porém, logo o sorriso sumiu. – O homem que se diz pai do Katsu-nii mexeu nas suas memorias. Será que ele sabe disso? Pois se souber, vai usar isso a favor dele.
Igneel ficou de pé rapidamente ao ouvir isso. Deu um soco na mesa, partindo o objeto em dois, enquanto bufava. As duas olharam assustadas para o mesmo. Ele rosnou.
—Por que merda eu fui deixar você sozinha naquele dia? – Perguntou, apertando as mãos ao lado do corpo. – Eu não devia ter deixado você sozinha com aquele maldito…
—O que quer dizer, Igneel-kun? – Perguntou a dragoa confusa.
—Naquela época, eu sempre ia na mansão Draygin te visitar, já que não podíamos ficar muito tempo separados. – Comentou Igneel, com olhar para o chão. – E justo no dia em que fui te visitar, a mansão Dragneel, onde eu morava, foi atacada, e não pude ir. Quando cheguei lá, suas memorias já tinham sido mexidas. Foi quando você pegou a Wendy e fugiu. Infelizmente, não conseguiu pegar nem Katsu nem Sora nem Yumi, pois Ferdinand Draygin havia escondido eles.
Grandeeney sentiu uma forte dor de cabeça ao ouvir isso. Cherria percebendo algo, foi rápida, pegando Yuno do colo de sua mãe, antes que esta caísse de joelhos, com as mãos na cabeça, agonizando de dor. Igneel correu até a esposa.
—Gran, aconteceu alguma coisa? O QUE FOI?
—Minha memorias estão voltando… Mas dói… — Resmungou a dragoa, que suava, enquanto mantinha seus olhos fechados com força, e segurava sua cabeça com as mãos. Ela abriu os olhos, que ficaram sem brilho, e logo ela desmaiou nos braços de Igneel.
—GRANDEENEY/KAA-SAN! – Gritaram Igneel e Cherria ao mesmo tempo, enquanto Yuno começava a chorar, sentindo, talvez, que tinha algo errado com sua mãe.
…
Algumas horas depois, Igneel e Cherria estavam com Poluscka na porta da casa. A rosada mais velha deu um suspiro, e disse, de forma calma.
—Apesar de nunca ter tratado uma dragoa adulta antes, após examina-la, percebi que o selo que bloqueava suas memorias foi quebrado. Só que foi tudo muito de repente, e foi um choque para ela. Por sorte, devido à natureza magica dela, amanhã de manhã ela deve despertar se lembrando de tudo. – Explicou a rosada. – Deixem-na descansar.
Sem se despedir, com seu modo frio, a rosada foi embora, enquanto Cherria e Igneel entravam na casa. Com esforço, Cherria colocou Yuno para dormir ao lado de sua mãe. A rosada sentiu alivio, e um pouco de felicidade ao saber que sua mãe estaria bem no dia seguinte. Mesmo que sentisse curiosidade em saber o que aconteceu naquela época.
Igneel se sentou em uma cadeira, e olhou para a mesa, destruída no chão.
—Será que o Natsu vai se importar de comprar outra mesa? – Perguntou ele, de forma distraída.
—Não acho que ele ligue muito para esse tipo de coisa Tou-san – Disse Cherria, dando um sorriso para baixo, ao ver seu pai naquele estado. – A Kaa-san vai ficar bem.
—É, pelo menos o maldito selo não vai mais ser um problema. – Disse dando um sorriso de lado.
—Sabe, Tou-san, quero te perguntar algo. – Disse Cherria. – O senhor tinha dito que os dragões só se apaixonam uma vez na vida – Igneel confirmou. – Eu tive minha ligação verdadeira com o Katsu-nii, porém ele é o companheiro da Mavis-nee. Sendo assim, o que vai acontecer comigo?
Igneel suspirou, pois já imaginava isso. Sempre desconfiou disso, pois ela sempre foi próxima de Katsu.
—Entendo. Isso não terá problema, pois você aceitou o relacionamento dele com a Mavis –chan. – Explicou o Igneel. – Raramente acontece isso, porém, quando acontece, se o dragão que não foi correspondido aceitar o relacionamento do outro, ele consegue se apaixonar de novo. Porém, nunca consegue se esquecer o primeiro amor. Claro que isso é um pequeno tabu dos dragões, mas que raramente é quebrado. Como você aceitou o relacionamento de Mavis e Katsu, está tudo bem.
Cherria correu e abraçou o pai, suspirando aliviada. Tinha medo, pois estava longe do homem que tinha sua ligação verdadeira. Porém agora ao saber disso, ficou mais tranquila.
—Katsu… Você não pode morrer de forma alguma. Se você morrer, além da Mavis morrer junto, a Cherria com certeza vai ter o mesmo fim… — Pensou Igneel.
…
Num local distante dali, onde o gelo, a neve e frio predominavam, um moreno estava, sem camisa, treinando seus ataques em uma rocha, a poucos metros de distância de si próprio. Se concentrou, inflando as bochechas, e mirando na rocha:
—Yukiryuu no Houko! (Rugido do dragão da neve!) — Uma massa de gelo foi em direção da pedra, que, ao ser atingida, foi destruída em pedaços, numa pequena nuvem de poeira, vinda de seus próprios fragmentos.
Gray deu um sorriso disfarçado, olhando para o resultado de seu golpe. Poucos metros atrás dele, um grande dragão branco observava o treino do jovem em silencio. O jovem também tentou imaginar como Juvia estava se saindo. Ela havia partido no dia anterior, e ele estava um tanto curioso para saber como ela estaria em seu treino.
—Seu rugido tem melhorado a cada dia, Gray. – Comentou Koorishiro. Mesmo estando feliz, não demonstrava seu sentimento. E Gray sabendo disso, já ficava contente ao ouvir um elogio.
—Obrigado por reconhecer minha força, Tou-san. – Como outros dragões, Gray havia reconhecido Koorishiro como seu pai. O dragão deu um pequeno suspirou ao ser chamado de “pai”. Gray, percebeu isso, e resolveu perguntar. – Aconteceu algo, Tou-san?
—Está na hora de contar outra parte da vida deste dragão, meu filho. – Disse Koorishiro, se levantando. – Vamos até a caverna. La podemos conversar melhor.
Gray assentiu, e saiu andando atrás de seu pai, que andava até a caverna, em que residia. Ambos entraram dentro da mesma, e Koorishiro se deitou ao fundo, com Gray se sentando, olhando para o dragão.
—Eu tenho uma companheira e uma filha. Sua mãe, e irmã mais nova. – Disse o dragão branco. Isso surpreendeu Gray, que preferiu não comentar, e esperar seu pai terminar de contar sua história. – Um dia, estávamos em nossa casa, em outro lugar, um pouco mais distante daqui. Naquele tempo, vivíamos em paz, sem tormento algum. Infelizmente nossa vida não durou muito.
“O céu estava num estranho tom carmesim, o que deixava Koorishiro em alerta, olhando para o céu. O dragão deixou isso um pouco de lado, e entrou dentro de sua casa, usando sua forma humana. Pouco depois de fechar a porta, uma garotinha, com idade entre três e quatro anos, pulou em seu pai.
—TOU-SAN! – Disse ela abraçando o mesmo com força.
—Yukiko-chan! Deixe seu pai entrar em casa primeiro! – Exclamou uma mulher, de cabelos extremamente brancos, mais claros que os de Grandeeney. O dragão sorriu.
—Não se preocupe, Yuki (significa felicidade – neve. Ou também é utilizado como apelidos para nomes que comecem com “Yuki”) É só uma criança. – Disse o dragão sorridente.
Ela deu um sorriso, ao ver ele pegando a garotinha no colo, para a felicidade desta.
—Tou-san, amanhã o senhor vai me ensinar a voar, como o senhor e a mamãe? – Perguntou ela sorrindo para o pai.
—Sim, minha querida, vou sim. – Disse Koorishiro sorrindo.
Nesse momento, um tremor pode ser ouvido, e logo as paredes da casa foram destruídas por estacas de gelo roxo, quase negro. O dragão abraçou sua filha com força, e correu para fora da casa, junto com sua mulher. Quando olharam viram um homem, moreno e com uma armadura, escrito Zero Absolute no peito. O homem ao ver a família, deu um sorriso sínico.
—Uma família de demônios lixos. – Disse ele. – Eu, como Demon Slayer, vou mata-los, para limpar este mundo.
Koorishiro deu Yukiko para sua mulher, e ficou à frente destas, com os braços abertos.
—Acho que está enganado, pois aqui não tem demônio algum – Rosnou Koorishiro, mandando intenção assassina ao homem, que ao sentir a magia vindo dos três, sorriu.
—Entendo, dragões… Será que se eu… — Disse ele dando um sorriso torto.
—Se eu voltar de mãos abanando, não poderei cumprir meu objetivo dentro daquele lugar… Talvez, se eu levar as duas femêas, possa pensar num plano. – Pensou o homem, olhando para a família de dragões.
De repente, várias estacas de gelo roxo prenderam Koorishiro na parede de sua casa, enquanto o homem jogava uma lacrima nas duas Dragoas, mãe e filha. As duas foram sugadas para dentro da lacrima. Koorishiro se soltou com fúria, e correu para pegar o objeto, porém o homem surgiu ali antes dele, e colocou o pé em cima a lacrima.
—Se tentar me atacar, eu quebro a lacrima e você nunca mais verá sua família. – Disse ele.
—O que quer de mim, bastardo? – Vociferou Koorishiro, dando um rugido, virando um dragão branco. As garras do dragão saltaram para fora, ficando afiadas, a ponto de destruir qualquer coisa na frente do dragão. O homem sorriu.
—Meu nome é Silver. – Disse pegando a lacrima do chão, e com um pequeno redemoinho de neve e gelo sumiu. Sua voz ainda pode ser ouvida, dizendo. – Eu entrarei em contato com você. Não tente me achar, senão eles vão acabar com sua família.
Após isso, Koorishiro rugiu para céu. Pela primeira vez em sua vida, chorava. Ele prometeu vingança aos que levaram sua esperança e felicidade.
Gray ouviu a história em silencio, vendo a dor que seu pai sentia, enquanto contava a mesma para o jovem. O dragão, após uma curta pausa, retomou a fala.
—Pouco tempo depois, esse tal Silver me enviou uma carta, dizendo que minha mulher e minha filha estavam na Tártaros, sendo mantidas lá. Ele me explicou que pretende destruir os demônios residentes lá, e por isso, matem minha família a salvo, em um esconderijo próximo daquele lugar. Contou que fez isso por que o chefe da guilda, o Rei do Submundo disse que queria que fossemos mortos, pois poderíamos estragar o plano dele. Ele levou alguma prova que estávamos mesmo mortos, e por isso o tal rei parou de nos perseguir. Porém ele não pode tirar as duas de lá, pois se fossem pegas seriam mortas.
—E como o senhor tem certeza que estão vivas, Tou-san? – Perguntou Gray, querendo ir até a guilda mencionada por seu pai. O dragão suspirou, e disse:
—Se Yuki e Yukiko estivessem, de fato mortas, eu não estaria mais vivo aqui. – Explicou Koorishiro, olhando para a leve nevasca que se formava lá fora. – Ele também disse, em uma última carta, que me enviou a poucos dias, que logo eu poderei resgata-las. E eu sei que estão vivas, pois me mandou uma foto delas. Minha filha está com sua idade, Gray… Ele me disse que ela espera um dia poder voltar a sua vida normal, para que eu pudesse ensina-la a voar…
O coração de Gray estava despedaçado ao ouvir isso. Ele sentiu raiva da Tártaros, de um jeito que nunca sentiu raiva de algo antes. Apertou os punhos com força, e olhou para seu pai.
—Tou-san, quando Natsu e os outros retornarem da casa de Katsu, nós vamos até a Tártaros, e vamos acabar com eles, para trazer minha imouto e minha Kaa-san para casa. – Disse Gray. – A Fairy Tail vai nos ajudar. Conhecendo a Mavis, e o velhote, eles não vão deixar isso de lado. Com certeza vão nos ajudar, Tou-san.
Koorishiro se surpreendeu com que Gray disse. Mas logo deu um sorriso, de forma que nunca mais tinha conseguido fazer.
—Agora sei porque ama tanto os humanos, Igneel. Realmente, ele me deu esperanças.
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