Notas iniciais
Olá a todos! Sei que demorou eras, mil perdões desde já. É que o processo é lento e dificil as vezes, mas prometo que apesar de demorar os capítulos vão sair ♥ Queria agradecer quem deixa um review e manda inbox surtando pela fic! Meu carinho imenso as pessoas que ainda me dão forças para continuar no mais ENJOY

— A dor é um meio de intensificar o prazer, não é a tortura que trará o prazer. São os métodos que intensificam as sensações.

Kagaho passou a fita no rosto alvo, a seda passou suavemente pela pele macia causando cocegas em Hyoga.

— Feche os olhos. – sussurrou Kagaho em voz rouca.

O loiro sentiu a fita de seda cobrir suas pálpebras assim que as fechou, a expectativa e o receio o deixavam inquieto, mas prometera confiar em Kagaho e na promessa de que não se machucaria.

— Deite-se na cama. – e assim o russo o fez com Kagaho fitando o corpo do jovem amante se esticar languidamente na cama larga, o russo apenas com a camisa social clara que fora a única peça que Li Ang pedira para Hyoga não tirar.

Era uma visão romântica e ao mesmo tempo erótica ver as pernas longas e esbeltas com pelos tão claros e finos que quase os tornavam invisíveis, em seguida o quadril estreito e o abdômen maciço de músculos trabalhados, porém não tão proeminentes, num conjunto harmonioso. Já pudera ver e se deleitar com a bunda empinada e redonda, macia ao mesmo tempo firme ao toque.

Kagaho tirara a gravata e o terno, dobrando as mangas até os cotovelos e estava sem sapatos, era uma regra não ter seu corpo tocado por nenhum dos seus submissos. Só ele podia tocar ali e estava salivando só em ter a visão do jovem advogado a sua mercê, como desejava há meses. Acreditava que no momento em que o vira junto aos colegas estagiários na apresentação do inicio do ano já o imaginou amarrado e amordaçado em seu quarto de jogos.

Pegou os pulsos de Hyoga e os amarrou com uma gravata acima da cabeça do loiro, que só se perguntou no que tinha na cabeça para concordar com aquilo.

— Se entregue... Você vai gostar. – murmurou o japonês junto aos lábios de coração do russo, sentindo a respiração acelerada dele e se deliciando com isso, estava na hora do seu banquete.

As mãos moldaram as costelas que se movimentavam acompanhando a respiração de Hyoga, o corpo alvo se arqueou ao sentir o toque firme e ao mesmo tempo suave em si, ao sentir o calor dos lábios carnudos do advogado sênior em seus mamilos que ele sugava delicadamente. Eram deliciosamente torturantes aqueles toques, fazia um longo tempo que não se sentia ávido assim.

Um gemido lânguido encheu o quarto quando Kagaho deixou as mãos segurarem os quadris do loiro e a boca desceu em uma trilha molhada pelo tronco desnudo, até o falo rosado que recebeu a boca de Li Ang Sing por inteiro. Sem poder ver e tocar, Hyoga sentia o prazer se espalhar pelo seu corpo junto com as caricias de Kagaho e não conseguia mais refrear os gemidos. Queria tocá-lo também, sentir a rigidez dos músculos que percebia sob os ternos caros do advogado sênior.

— Ka-Kagaho... Me solta! – pediu sôfrego.

— Não.

O japonês deixou que os dedos enredassem pelos fios dourados da nuca de Hyoga puxando-os com força, fazendo o loiro arquejar. Tomou a boca arfante num beijo faminto colocando seu corpo sobre o do russo que estranhou Kagaho ainda estar vestido, mas a voragem sobre a sua boca o impedia de questionar o amante sobre isso. Hyoga decidiu tentar trazer os braços para frente numa tentativa de tocar no moreno, mas Li Ang com uma das mãos apenas segurou os pulsos amarrados e os manteve sobre a cabeça do russo.

Apartou o beijo e prendeu Hyoga nas barras metálicas na cabeceira da cama, antes o deixando de bruços novamente. Alisou as nádegas roliças até afundar o rosto no vão entre elas fazendo Hyoga quase urrar de prazer. “Vou enlouquecer!”, pensou o russo sentindo a língua de Kagaho lhe invadir, enrijecida para simular o falo dele que o penetraria em seguida. Primeiro o japonês provaria da entrada rosada, para iniciar a preparação.

Kagaho introduziu o primeiro dedo lambuzado de lubrificante no mesmo momento em que a outra mão desceu certeira em uma das nádegas, causando um barulho alto e uma ardência significativa, dessa vez Hyoga gritou de surpresa e de dor também. E assim se seguiu os movimentos dos dedos de uma mão que iam e vinham dentro do corpo do russo e a outra que descia implacável, em tapas vigorosos, Hyoga começou a contar, mas então as mãos foram trocadas e ele começou a sentir a dor novamente só que do outro lado e ainda nem diminuíra a dor da nádega esquerda. “E para o meu azar ele ainda é ambidestro!”, Hyoga apertou os olhos por baixo da faixa de seda.

Kagaho colocou a camisinha e se lubrificou, cerrando os dentes ao penetrar o corpo abaixo de si, Hyoga então sentiu a pulsação do membro rijo e grosso tocar-lhe a próstata em meio à névoa de dor e prazer. Isso lhe fez quase urrar, afundando o rosto no travesseiro como podia já que tinha as mãos presas na cabeceira. Kagaho tinha o queixo trincado, as mãos grandes seguravam os quadris do russo no lugar apertando a carne magoada para começar a se mover indo e vindo dentro de Hyoga.

Levou a mão ao membro duro e gotejante do loiro massageando a extensão com força, Hyoga se contorceu gritando mais como uma forma de extravasar aquele estranho prazer permeado de desconforto e acabou se desfazendo na mão de Kagaho sem conseguir se segurar mais.

Mantendo os quadris de Hyoga erguidos, Kagaho começou a movimentar-se com movimentos rápidos e intensos e impulsionando os quadris que se chocavam com as nádegas do loiro. O moreno inclinou o corpo e começou a beijar as costas de Hyoga, arrastando os dentes na costa do amante. Savalas ainda estava em meio ao primeiro orgasmo, desnorteado demais embora já começasse a ser levado pelo prazer novamente.

Em um último movimento Kagaho urrou, se derramando dentro do corpo cálido e puxando os cabelos de Hyoga que também chegou ao ápice mais uma vez quase chorando. Nunca tivera experiência tão intensa e devastadora como aquela, nunca experimentara prazer tão grande!

Devagar agora, Kagaho se afastou de Hyoga tirando a camisinha e se dirigindo ao banheiro para jogá-la fora, em seguida voltou para desamarrar os pulsos do russo. Soltou-lhe os pulsos e tirou-lhe a venda, acariciando o rosto corado do amante ainda ofegante.

— Você acabou comigo. Disse que não ia me machucar... – murmurou o loiro sem quase conseguir manter os olhos abertos. Estava exausto.

— Você gostou, admita. – Kagaho fitara-o quase em adoração, estava maravilhado por finalmente ter aquele homem que tanto desejara em sua cama e descobri-lo como o parceiro ideal para a sua vida. Começava a limpar o russo usando uma toalha úmida que trouxera consigo do banheiro – Descanse agora, quando acordar terá uma boa refeição e um banho relaxante a sua espera. Vou mandar buscar a sua moto no escritório.

— Como vou sentar nela idiota?! – resmungou o russo já se acomodando na cama com os olhos cerrados. Kagaho permaneceu ainda ali acariciando os cabelos do russo e velando seu sono, sentindo vontade de tê-lo de novo, mas se contendo. A próxima vez que o tivesse, seria no quarto de jogos.

***

— E então como está sendo voltar para casa nii-san? – Shun perguntou enquanto servia saquê a ele e ao marido, no jantar em sua casa que preparara aquela noite. Era rotina agora ter Ikki em casa para jantar desde que este se instalou em Atenas de vez. O Amamiya mais velho morava no andar debaixo e passava as noites em que não estava de plantão sozinho, porque Esmeralda estava na universidade. A cunhada de Shun estava começando seu mestrado em história antiga enquanto o Ikki fazia sua residência no hospital da Fundação Kido.

O acordo tácito entre os dois era que esperariam que Esmeralda concluísse o mestrado e ele a residência para que pudessem viajar de novo, a moça não via hora de isso acontecer e Ikki esperava convencê-la a ficar já que nunca se sentira tão bem quanto agora.

— Está sendo confuso e revigorante. Eu nunca deveria ter saído de Atenas, mas foi bom viajar e conhecer o mundo. – Ikki pescou um pouco de sua comida com os hashi.

— Esses quatro anos longe de nós foram bons?

— Foi e não foi Shun. – o Amamiya mais velho deu de ombros – Serão boas lembranças e eu acabei precisando desse tempo longe para conhecer as coisas e saber realmente o que eu queria da vida.

— É curioso que você tenha tomado o caminho que Hyoga sempre disse que tomaria. – Shiryu comentou de passagem – Ele vivia falando que viajaria pelo mundo como patinador profissional até se aposentar e depois ficaria da Fundação, se tornaria pediatra e trabalharia no hospital. Nessa época ele gostava de outras crianças além de Krest.

— E agora ele é advogado de grandes corporações, realmente não entendo porque ele desistiu da patinação e de ser pediatra...

— Da patinação você sabe por que, não se faça de inocente! – Shun regougou sem pena, não era porque Ikki era seu irmão amado que o deixaria se safar tão fácil – Vocês dois tinham planos de deixar o projeto Medalha de Ouro para casarem, ele só não esperava que os seus planos, caro irmão, não fossem com ele. – Shun mexeu no cabelo castanho, agora mais curto e repicado lhe dando um ar mais moderno – O Hyoga achou um rumo totalmente novo para ele, muita gente não concordou, mas eu o prefiro assim a época em que ele parecia ter perdido tudo... Foi muito duro para ele ver todos em volta casando e construindo seus sonhos como a gente costumava conversar enquanto ele parecia não ter nada.

— Ele ainda patina? – perguntou Ikki amuado, sabia que em algum momento levaria aquela bronca, até tinha demorado um pouco. A verdade é que apesar de apoiá-lo em tudo, Shun também não o perdoara por quebrar o coração do melhor amigo. Se ele nem se perdoava, como o irmão e Hyoga o fariam?

— Às vezes. É bem raro agora porque ele vive para o trabalho e quase não tem tempo nem para as nossas reuniões. – Shiryu respondeu servindo mais comida para Shun, sabia que tinha que guiar a conversa até que os irmãos deixassem a birra de lado. Eram assim desde criança e a idade e vida adulta não mudariam isso. Shun era sempre muito franco e Ikki teimoso – Hyoga costuma ajudar nos eventos do projeto Medalha de Ouro, indiretamente cada um participa ainda do projeto. Acho que só eu e Shun estamos ativamente no Medalha, ele coordena o projeto e eu administro os fundos monetários.

— Eu vi algumas competições de gelo enquanto estive fora, fui à olimpíada de inverno acompanhar a patinação artística e tenho certeza que Hyoga poderia colocar vários dos atletas que vi lá no limbo se continuasse a patinar. – Ikki desviou o olhar do cunhado e mirou um ponto inexistente – Sinto falta de vê-lo patinar.

— Vocês ainda não se viram desde que voltou? – Shun retornou à conversa

— Bem. Eu o encontrei outro dia no maior amasso com um cara no corredor do elevador da cobertura, o cara parecia um predador de garotinhos, mas vá lá! Não acho que ele seja uma boa pessoa para o Hyoga, ele parece ter o triplo da idade do russo! Sinceramente, duvido que o Milo concorde com isso ciumento do jeito que ele é. – Ikki fez uma careta de desagrado, rever a cena em seu pensamento era uma experiência ruim.

— Peraí, maior amasso? Com quem?! E o Hyoga lá sabe o que é isso?! Faz anos que esse russo não... – Shun arregalou os olhos verdes ao lembrar-se que Hyoga estava “fugindo” do seu Chefe na Elíseos – Não acredito!

— Que foi?! Sabe de quem Ikki está falando? – perguntou Shiryu fitando o marido que agora tinha uma expressão maliciosa no rosto de anjo.

— Preciso dar um telefonema. – o japonesinho saiu correndo da mesa deixando os outros dois sem entender nada.

— Será que ele sabe quem é o cara, Shiryu?

— Ah Ikki, se tem alguém que sabe dessa história é o Shun. Ele e o Hyoga são grudados, o Shun sabe tudo da vida desse loiro. – Shiryu estalou a língua e fitou o cunhado com atenção, Ikki não aprecia muito feliz de ter visto Hyoga com outra pessoa – Independente de quem seja, tomara que dê certo agora porque o loiro passou todo esse tempo praticamente sozinho então ele precisa de alguém pra curar o coração partido.

— O cara que eu vi com ele parecia ser um aproveitador, Shiryu! – retrucou Ikki de modo ríspido – Ele só quer uma coisa com o Hyoga, depois ele vai cair fora!

— Melhor você esconder esse ciúme todo aí, Esmeralda pode achar que você quer relembrar os velhos tempos.

Ikki fechou ainda mais a cara e tentou retrucar que estava apenas tentando zelar pela integridade de Hyoga, mas tudo que recebeu foi uma gargalhada de deboche do cunhado. A desculpa de Ikki não convenceria nem Krest!

Em casa Hyoga tentava se acomodar da melhor forma na cama. Chegara não fazia muito tempo e estava sozinho, Camus e Milo estavam na casa de Aiolos para um jantar em família que propositalmente faltara, mas não ia conseguir ficar na casa do tio e precisava descansar mais um pouco para aparentar estar bem pelo menos aos pais.

— Seu filho da puta. – murmurou para o quarto vazio, se colocando de bruços na cama.

Acordara na cama de Kagaho com o sol se pondo e uma bandeja ao seu lado com frutas, sucos e uma bela omelete. Um banquete para seu estomago faminto e recém-acordado, mas antes uma banheira com sais estava lhe esperando e Kagaho o abraçou e aos beijos o levou até lá. Tanto carinho e cuidado que Hyoga nunca imaginou vir do frio advogado Kagaho Li Ang Sing. Recebera até uma pomada para passar nas marcas em suas nádegas que ganhavam um tom mais maduro de vermelho.

“Vão ficar arroxeadas, você tem a pele clara demais.” Kagaho dissera entre um beijo e um resmungo de Hyoga, ao mesmo tempo em que passava a pomada.

— Quero ver como vou sentar para ler seus laudos técnicos, grande advogado sênior. – Hyoga mordeu o lábio rindo de si mesmo se achando estúpido e ao mesmo tempo satisfeito como há muito tempo não sentia.

Arqueou a sobrancelha ao ver o celular brilhar a imagem de Shun, seu amigo deveria estar jantando com o marido e Ikki.

— Aconteceu alguma coisa? – perguntou assim que apertou o “atender”

— Aconteceu você se agarrando pelos corredores dando espetáculo com o chefe e nem me conta nada! Quem diria que na Elíseos você ia começar a fazer um “extra”.

— Cristo essa história está se espalhando! – Hyoga esfregou o rosto, com sorte só Shiryu e Shun sabiam disso e porque Ikki dera com a língua nos dentes – Não é bem assim...

— Ah é? Não era você que morria de medo do Kagaho, o que foi que mudou? – a risadinha irônica de Shun era demais para a vergonha de Hyoga, queria se estapear.

— Longa história. Vai precisar vir aqui se quiser saber, não estou em condições de sair da cama agora.

— Você não quer vir só porque o Ikki tá aqui. Deixa de ser estúpido Hyoga!

— É SÉRIO! – o russo revirou os olhos se ajeitando na cama e fazendo uma careta – Eu nem consigo me mexer direito, você quer saber dos detalhes, vai ter que vir aqui!

— Por que não consegue se mexer? Não me vai dizer que estava pegando “aquela surra” que merece?

— Bem por aí...

— HYOGA! Eu ‘tô indo aí. – Shun nem esperou ele desligar para encerrar a ligação.

***

Na manhã do dia seguinte, Kagaho se reunira com os seus outros sócios em sua sala para conversarem. Tinha decidido algo no dia anterior, e estava tratando dela naquele momento.

— Você devia ter conversado com ele primeiro, o garoto vai achar que está descartando ele. – Radamanthys de Wyvern disse em um tom neutro, na verdade esperando que Hyoga surtasse assim que soubesse. Convivera com o garoto por uns meses para saber exatamente como ele reagiria ao novo decreto de Kagaho.

— Vou conversar com ele assim que chegar. De qualquer forma seria antiético se ele permanecesse meu assistente da forma como estamos, poderiam acusá-lo de favorecimento e eu não quero isso.

— Mas vai parecer exatamente isso quando todos souberem. – Aiacos de Garuda retrucou irônico, não conhecia muito do russo a quem o seu ex-amante estava “brincando” – Ele vai sofrer maus bocados de qualquer forma e ainda é um garotinho.

— Tudo que me interessa é o caso do pai dele! Não arruíne nossa única chance de colocar Saga Laskaris dentro de um sanatório para sempre. – Minos de Griffon riu deliciado – Eu já estou preparando o texto da medida restritiva, além da entrada do processo e quase consigo ver o sorriso cínico de Kanon sumir.

— Não entendi o porquê de deixar o caso na mão da criminal e não na vara de família com o Radamanthys. – Aiacos tomou a palavra – Pensei que aqui seria uma questão de proteção à família.

— De fato é, contudo Saga já passou do limite do terror psicológico. Ainda não houve crime. – o loiro inglês juntou os dedos em torre sobre os lábios finos, os olhos dourados estavam fixos em um ponto qualquer através da janela atrás de Kagaho – Saga está além da sanidade, o que ele não conseguiu no passado está disposto a conseguir com o ruivo, que parece mais suscetível inclusive. Laskaris teve todo esse tempo para fomentar a loucura.

Todos fitaram o amigo sentindo o mau agouro nas palavras de Wyvern. Ele tinha conhecimento de causa sobre o que falava, havia sido uma das vitimas da fixação de Saga Laskaris pelo irmão gêmeo e a estranha relação deles. Há treze anos os quatros homens daquela sala eram os jovens amigos de faculdade dos gêmeos Laskaris, chegaram até a conhecer Camus quando este entrou no convívio de Kanon. Nessa época Radamanthys já tinha quase perdido a vida em um acidente do qual fora vítima. Obra de Saga.

Aiacos quase matara Kanon por achar que ele era o responsável pelo incêndio à casa de Radamanthys, o loiro teve queimaduras pelo corpo e quase morrera asfixiado. Na época eram jovens advogados recém-formados e começavam a sociedade na Elíseos. Não haviam nascido em berço de ouro, eram estrangeiros vivendo em Atenas, Aiacos e Kagaho primos órfãos resgatados do tráfico humano ainda crianças e passaram a vida em um abrigo até a maioridade. Radamanthys e Minos também estrangeiros se juntariam a eles na época da faculdade, eram mais que amigos, eram irmãos. A Grécia seu lar agora.

— Temos que agilizar a medida, ele está ameaçando a família toda e não duvido que Saga use um dos filhos para atingir Camus. – Aiacos quebrou o silencio pesado que se criou na atmosfera do escritório.

Batidas tímidas na porta seguraram a resposta que Kagaho ia dar à fala do amigo. Com um “entre” mais formal, ele autorizou que o visitante adentrasse o escritório.

Hyoga puxou a gravata um pouco, com um nó de desconforto que se criou de repente em sua garganta ao ver que Kagaho não estava sozinho. Era intimidante em sua opinião quando os quatro se reuniam daquela maneira. Já tivera a oportunidade de trabalhar com Radamanthys, Minos e Aiacos só conhecia de renome e vista. Aiacos Garuda era o advogado de patrimônio da Elíseos, também era advogado de causas internacionais. Os olhos azuis profundos tinham um brilho sarcástico e cruel às vezes, parecia-se um pouco com Kagaho embora os cabelos fossem longos e Aiacos fosse um tanto mais jovem.

Minos de Griffon era o advogado criminalista, geralmente contratado para averiguação do ministério publico e consultoria na vara criminal. Minos não defendia criminoso, ele o colocava na cadeia! O Norueguês de traços delicados e olhar cinzento que o diferenciava ainda mais do que os cabelos brancos e longos, era temido no meio jurídico e desde que entrara para a advocacia construía uma fama de vencedor. Radamanthys de Wyvern Hyoga conhecia bem, fora através dele que viera para a Elíseos, o inglês de olhos de mel e cabelo loiro espetado dava aulas de direito na universidade em que o russo se formou.

Então os quatro estavam ali lhe fitando, cada um com uma expressão que variava entre curiosidade e intimidação enquanto Hyoga se perguntava o porque de não ter perguntado à Eire se Li Ang Sing estava sozinho.

— Savalas! Que bom que já chegou, precisava falar-lhe e já que está aqui vou logo adiantar algumas mudanças que ocorreram. Repentinas é verdade, mas acredito que seriam inevitáveis no futuro. – Kagaho usava seu habitual tom de coleguismo e isso de certa forma deixou Hyoga satisfeito. Não sabia bem como se tratariam no trabalho depois do dia anterior – Sente-se.

— Estou bem em pé. – não evitou que o sarcasmo transparecesse, o que não esperava eram os sorrisos que os seus superiores deram, evidência mais que clara de que eles sabiam o motivo da ironia. Kagaho ainda ostentava um ar prepotente muito senhor de si por saber-se a causa do seu desconforto. Hyoga teve vontade de se estapear.

— Tomei a liberdade de realocar você. – Kagaho nem conseguia disfarçar a presunção ao sorrir para ele, o olhar triunfante e predatório. O russo pensou que se jogasse da janela poderia morrer de ataque cardíaco antes de bater no chão, eram vinte andares então a morte era uma garantia – Você vai ficar na área criminal com Griffon , como segundo advogado. Acredito que tem total competência para o cargo e Pandora virá ser minha segunda assistente com Thanatos.

— Mas...

— Kagaho elogiou muito você e Radamanthys também, então já estou curioso sobre o que você pode fazer rapaz. – falou Minos de forma amena.

— Mas eu disse que não trabalharia na área criminal. – Hyoga retrucou com os olhos em Kagaho, a fúria começava a embolar o seu estomago. Se tornar segundo advogado poucos meses em que era assistente de Kagaho Li Ang Sing? Seria a nova “cadelinha de Kagaho” pelas conversas nos corredores. Já ouvira uma porção delas para saber que seria a primeira coisa que lhe chamariam se aceitasse – Eu fui bem especifico na minha entrevista.

— Hyoga, é uma boa oportunidade. Quem começa como segundo advogado de um grande escritório recém-formado? – Kagaho manteve o tom tranquilo, mas o olhar se estreitou para o russo, que o encarava de volta de modo petulante. – Você vai t...

— Eu não quero. – interrompeu Hyoga sem se preocupar em ser delicado e a frase soando impregnada de arrogância. Kagaho crispou os punhos sobre o apoio da poltrona. É verdade que ainda não haviam conversado, mas ele explicaria tudo assim que ficassem a sós então Hyoga não precisava ser petulante na frente dos seus sócios. Achava que o loiro compreenderia que não poderiam mais trabalhar juntos, não do modo como estavam agora.

— Se viesse trabalhar comigo poderia acompanhar de perto o caso do seu pai. – Minos interveio apaziguador, mas já via na postura do jovem advogado que seu amigo havia feito uma escolha errada. Hyoga Savalas não era um submisso como os outros – Não é isso que deseja?

— Eu poderia fazer isso mesmo estando na área de grandes corporações. – respondeu Hyoga – Não posso trabalhar na área criminalista, já expliquei meus motivos ao senhor Wyvern. Eu agradeço a oferta, mas de fato não posso aceitar. – finalizou respirando fundo. Sentia-se humilhado e usado, por estar exposto daquela maneira e por Kagaho achar que pode decidir sua vida como bem quiser. Mesmo que seus traumas não o impedissem de aceitar a oferta de Minos, não trabalharia para a área criminal porque tinha objetivos específicos de trabalhar para ganhar muito dinheiro e depois viver por conta própria. SEUS PLANOS, não de Kagaho Li Ang Sing! Mal tiveram uma noite e ele já achava que poderia mandar em si? Estava muito enganado.

— Na verdade... – Kagaho se ergueu devagar, apertando os lábios e controlando-se para manter o controle – Isso não está em discussão, eu só estava comunicando você sobre a mudança.

Kagaho odiava ser contrariado. Era uma das coisas que não conseguia controlar, pois todos costumavam fazer tudo que ele queria sem pestanejar, era temido por isso. Talvez só os sócios e amigos de infância o enfrentassem e isso em raras ocasiões. Seus subordinados? Jamais pensariam em dizer-lhe não.

— Certo. – Hyoga começou a tirar o crachá, os outros quatro o olharam boquiabertos. Até Radamanthys que já esperava a resistência do russo não esperava que ele fosse de fato enfrentar Kagaho, não depois de ter passado à tarde com ele como Li Ang Sing se gabou desde que chegara naquela manhã.

O russo deixou o crachá sobre a mesa de Li Ang Sing e depois de um aceno de cabeça deixou a sala do advogado sênior sem olhar para trás. Passou pela mesa de Eire se despedindo da moça e praticamente correndo para o elevador, outro dia viria a Elíseos para se demitir, se ficasse talvez desse um jeito de jogar Kagaho pela janela.

— Belo submisso senhor Li Ang – comentou Aiacos rindo de lado – Bem feito! Eu gostei imensamente do moleque e olha que eu pensei que era mais uma das suas cadelinhas submissas. – Garuda se levantou e bateu no ombro do primo, saindo também da sala. Estava se sentindo vingado de certa forma porque Kagaho tinha nem que fosse uma vez ter o gosto do próprio veneno.

— Mas que diabos! O que ele pensa que está fazendo?!

— A pergunta é o que VOCÊ, pensa que faz meu caro idiota. – Wyvern se ergueu com Minos – Era essa a sua presa doce e indefesa? Ela acaba de fugir Li Ang!

— Vai colocar nossa única chance de deter os Laskaris a perder só por causa de um rabo apertado! Eu fico impressionado com a sua burrice Kagaho.

— Deixe esse garoto em paz Kagaho! Você só quer se divertir então procure outra pessoa. – Radamanthys ainda aconselhou antes de fechar a porta. Kagaho ainda teve vontade de impedir que Hyoga se fosse, chegou até a pegar o telefone para ligar para a portaria e impedi-lo de sair, mas achou que era demais. Não ia se rebaixar a tanto, mas agora tinha um desejo insano de punir Hyoga! E ia dar um jeito de conseguir.