Notas iniciais
Olá pessoal! Desculpas imensas pela demora para postar. Tenho tido muitos problemas, isso vem afetando minha autoestima e inspiração de uma forma que não consigo evitar. Por várias vezes pensei em deletar tudo e não postar mais, para não ter que deixar vocês ansiosos a espera de algo que talvez não viesse. Mas os raros e carinhosos reviews que recebo são um alento e por eles eu continuo. Obrigado de verdade ao leitor que dedica um minuto do seu tempo para deixar uma palavra de incentivo. Agradeço a minha amadinha Vagabond pelo enorme carinho e amizade, ela também me ajudou bastante a voltar.

— Você foi deixar o figurão em casa? Pela demora achei que tinha atravessado a cidade. – a característica acidez de Milo recepcionou Hyoga, quando este atravessou a sala indo se juntar aos pais, se fosse se trancar no quarto seria pior.

— Não exagera Milo! Que mania de tratar o Hyoga que nem adolescente, ele não tem mais quinze anos. – Camus chutou as pernas do marido que estavam estendidas sobre sua mesinha de centro, mania essa que o grego insistia em manter apenas para irritar o ruivo que sentava ao seu lado – Como foi tudo por aqui tirando o sequestro das chaves? Já falei com Krest, mas quero saber de você.

— Krest surtou quando Ikki apareceu, no resto do tempo ele foi um anjinho. – Hyoga suspirou desviando o olhar dos pais. – Cadê ele?

— No quarto. Só quer tomar banho com você, está arrependido e quer pedir desculpas. – Hyoga percebeu o olhar do padrasto sobre si, Camus fazia aquela expressão de "senhor sobre tudo" quando pegava as coisas no ar. Ou talvez Krest tenha falado algo sobre Kagaho – Krest parece aprovar seu "chefe".

— Claro que ele adora, Kagaho bajulou ele o quanto pode. – Hyoga se ergueu – Vou lá dar o banho dele, vocês podem continuar a falar de mim pelas costas.

— Deixe que eu vou lá, vocês podem fazer as pazes depois. Quero tomar um banho também. – Milo deu um beijo rápido em Camus e saiu em direção aos quartos.

— Você estava beijando o seu chefe! – Camus virou-se para o enteado assim que percebeu Milo longe o suficiente, a voz um tom mais baixo só para ter certeza de que o marido não escutaria nada.

— Cristo! – Hyoga afundou o rosto nas mãos – Não me lembre disso!

— Você disse que ele era seu chefe, Hyoga... – Camus estava estarrecido, os olhos amendoados arregalados olhando para o loiro – Como?

— Eu nem sei direito porque aconteceu, na verdade... Camus eu ‘tô tão confuso! – o loiro começou a explicar muito constrangido sobre o que vinha acontecendo entre ele e Kagaho. O francês ouvia tudo muito surpreso! Pelo pouco que se lembrava de Kagaho Li Ang Sing, o japonês não era dado a arroubos sentimentais. Surpreendeu-se bem antes, quando Krest lhe disse que vira o irmão e o “chefe” se beijando na cozinha como ele e Milo faziam às vezes, o pequeno confessara rindo.

— Krest só tinha me falado que você o beijou na cozinha e você me diz que estava atracado com ele no corredor para todos os vizinhos verem, Hyoga?!

— Não temos vizinhos, moramos na cobertura. – Hyoga semicerrou os olhos.

— Ikki viu você mesmo disse e ele agora é nosso vizinho.

— Pelo amor de deus eu nem sabia que ele estava lá! Eu nem consegui lembrar meu nome na hora, como acha que eu me lembraria de Ikki Amamiya?! O Kagaho... E-Ele é... Imprevisível!

— Deu para perceber. Nossa você está realmente balançado e eu que pensei que era por ter visto o Ikki. – Camus tinha uma expressão maliciosa no rosto – Porém, ao que parece Kagaho está mexendo de verdade com você. Quando chegamos observei você e pensei que sua perturbação era por causa de Ikki e todo o passado de vocês, mas ainda acho que não estou de todo errado.

— Estou perturbado sim com o fato de que Ikki está vivendo sua linda vida perfeita um andar abaixo do meu e que posso ter em breve que conviver com sua linda esposa, seus lindos filhos e tudo mais... – Hyoga abraçou as pernas, parecendo um garotinho perdido – Por que eu não consigo deixá-lo ir?

— Por que você não dá outra chance a si mesmo, porque não quer. – Camus ergueu-se para sentar no braço da poltrona onde estava Hyoga – Pense Hyoga, com calma no que quer fazer. Quem sabe Kagaho pode lhe ajudar nisso, em se desprender de Ikki! Não que você vá morrer de amores por ele ou que vocês ficarão juntos e casados eternamente. – o ruivo revirou os olhos – Mas ele está interessado em você e conseguiu mexer com você, mesmo você se fechando como sempre faz. Pelo pouco que o conheço, ouvi dizer que Li Ang Sing não é dado a relacionamentos devastadores, contudo, você também não parece pronto para um relacionamento ainda. Quem sabe não seria a hora de conversar com um psicólogo sobre isso? Ou com Ikki mesmo, dizer essas coisas que estão entaladas aí dentro?

— Não acho que ajudaria de alguma forma. – Hyoga deu de ombros se desvencilhando de Camus. “Teimoso igual ao pai!” pensou o ruivo contrafeito, há meses que tentava convencer Hyoga de que precisava conversar sobre todos aqueles sentimentos inconfessáveis, que isso o ajudaria a deixar aquela mágoa.

— Então continue aí se afogando em autopiedade e sofrendo toda vez que ver Ikki e Esmeralda juntos, porque você querendo ou não, eles são casados agora. – Camus decidiu que estava na hora de ser duro com Hyoga, a fase da compreensão já passara e muito! – Você é um adulto agora, aja como um! Chega de ficar chorando pelos cantos como um ex-namorado largado, já se passaram quatro anos!

— Você é muito didático Camus. – Hyoga entortou os lábios em um esgar irônico, mas visivelmente incomodado com as palavras de Camus. Ainda lhe era muito importante à opinião do padrasto e ver que de alguma forma ele estava desapontado consigo lhe deixava triste e ainda pior.

Camus saiu da sala indo em direção aos quartos para ver como Milo e Krest estavam no banheiro. O grego era particularmente manipulável em se tratando das vontades de Krest, o menininho conseguia tudo que queria de Milo e assim como com Hyoga, era Camus que tinha que lidar com a parte rígida da educação dos filhos.

O barulho de água era muito, eles estavam provavelmente na banheira e isso significava o banheiro alagado e Krest resfriado no dia seguinte. Bem, Hyoga pensava, era melhor que brigassem agora pela banheira do que mais tarde por causa do que Camus tinha a contar a ele.

***

No dia seguinte foi difícil para Milo acordar e tentar agir normalmente, como se não tivesse descoberto na noite anterior que um maníaco estava perseguindo sua família. Não conseguia apenas seguir a vida e deixar isso nas mãos dos advogados e policiais.

No domingo foram à delegacia dar queixa do perseguidor, para que Hyoga desse prosseguimento a medida restritiva. Foi uma longa conversa a que tiveram na noite de sábado, conversa essa em que Camus confessou o que estava lhe atormentando há algum tempo. Acabaram discutindo porque Milo jogou longe a bela mesinha de centro de Camus, discutiram pelo fato do francês estar escondendo as coisas dele.

Milo queria o escalpo de Saga Laskaris e ia conseguir.

As coisas se acalmaram bem mais tarde, com o sexo de reconciliação que fez com que Milo andasse engraçado no dia seguinte. Foi um pouco árduo fazer com que Camus tirasse a cara de poucos amigos depois de ver que o vidro da mesinha não poderia ser salvo, se partira em mil pedaços e o francês passou uma hora explicando que a peça era feita a mão de tal século passado e que não poderia ser consertada e sim “restaurada”, que custaria uma fortuna!

Quase Milo fora dormir no quarto de hospede, só não o fez porque Camus também estava nervoso por conta da história do perseguidor. Quando o grego saiu do banho, encontrou Camus sentado na cama olhando a janela com uma expressão tão pesada que lhe fez emudecer e o ruivo não o repeliu quando Milo sentou ao lado dele com o roupão molhado, o abraçando.

— E se for o Saga? – murmurou o francês olhando para a parede em vidro do chão ao teto, o corpo trêmulo – Ele é sádico Milo, se ele conseguir pegar um dos nossos filhos eu nem sei...

— Shiu... – Milo apertou o marido em seus braços, beijando o pescoço alvo – Vai ficar tudo bem amor. Vou cuidar da nossa família! Você vai ficar bem.

Contudo, Camus não estava bem, era visível que o ruivo estava uma pilha de nervos e a fúria de Milo se revolvia como lava dentro dele. Todavia não adiantaria enfurecer-se, era hora de usar a cabeça e pensar no que fazer para se livrar de Saga uma vez por todas. Não ia esperar processo nenhum! Sabia o quanto a família Laskaris era rica e influente, se quisessem sairiam ilesos daquela situação. Momentos como aqueles pediam medidas drásticas, então decidiu agir pelos seus próprios meios.

Então na segunda-feira ainda pela manhã seguiu direto para o centro da cidade e não para a oficina, ligou cedo para lá deixando Seika na supervisão até que Camus chegasse lá. Era hora de fazer certa visita a alguém!

***

Kanon observou Milo atravessar o pátio da Mansão da sua família e todo o mecânico emanava uma atitude perigosa. Há anos que não via Milo e principalmente Camus, evitava-o a todo custo mesmo que permanecesse atento a tudo na vida dos dois. Era-lhe primordial saber que seu grande amor estava finalmente feliz.

— Mantenha o porco do seu irmão bem trancafiado no raio de hospital que ele tiver! Porque se eu pegar esse filho da puta por aí, ele é um homem morto! – cuspiu Milo assim que chegou à frente de Kanon, na biblioteca arejada e elegante onde o advogado se encontrava – Onde ele está Kanon?!

— No Canadá! Eu disse isso a você!

— Não está! Ele voltou e está atormentando o Camus, ameaçando meus filhos e se eu pegar o Saga perto de alguém da minha família eu não respondo por mim. Tem certeza que ele está no hospital Kanon?! – a essa altura Milo já tinha Kanon bem preso entre ele e uma das estantes altas da biblioteca, as mãos torcendo o colarinho do outro e o olhar um brilho assassino.

— Tenho... Ele tem de estar. – balbuciou Kanon visivelmente confuso, o medo de estar errado já o fazendo recuar. Não poderia ser! Saga tinha que estar tentando se curar.

Milo o largou e pegou o celular destravando-o abrindo a janela de mensagens que Camus havia passado a ele no dia anterior, o celular do ruivo havia ficado na polícia para perícia. O grego sugeriu fazer um backup no seu próprio celular para o caso de precisarem. Jogou o celular em Kanon que começou a passar as mensagens empalidecendo à medida que a lia.

— É óbvio que Saga está na Grécia e está louco! Voltou para atormentar Camus e está conseguindo. – Milo havia recuperado a calma, agora tinha as mãos nos bolsos porque ainda queria torcer o pescoço de alguém – Já imaginava que você não sabia de nada, então vim deixar um recado. Ache o seu irmão antes de mim se ainda o quer vivo.

Da mesma forma intempestiva que entrou, Milo saiu da casa dos Laskaris. O gêmeo mais novo passou a mão nos cabelos negros de modo angustiado ao perceber que Saga se tornara aquilo que Kanon tanto temera.

Precisava chamar o irmão porque não duvidava das palavras de Milo, o mecânico mataria para manter a família segura.

***

Na Elíseos, Kagaho chegava ao seu escritório um tanto exausto por conta da audiência, mas satisfeito por mais uma vitória. A outra parte iria recorrer, mas tinha um trunfo e tanto para esse momento então aquele caso já estava praticamente encerrado.

— Eire querida, onde estão meus assistentes? – perguntou a secretária.

— Alone pediu para avisar que antecipou o almoço e retornar as quatorze horas, Hyoga está na copiadora – informou a loira sem tirar seus olhos do monitor em que escrevia um relatório. A moça observou pela visão periférica Kagaho abrir a porta da sala e jogar a pasta lá dentro para em seguida ganhar o corredor em direção à copiadora.

Hyoga havia fugido a manhã inteira. O russo chegou ao fórum atrasado e com isso não conseguiu conversar com ele direito, antes da audiência terminar, Hyoga voltou ao escritório alegando precisar “agilizar” a documentação do processo de Camus Chevalier. Agora já contava como certo encontrá-lo na sua sala na mesa reservada aos assistentes, não na copiadora! Precisava logo colocar as rédeas naquele pequeno rebelde, não admitiria que ele escapasse.

No setor da copiadora, Hyoga conversava com o pai francês ao telefone.

— Ele disse que precisou falar com um fornecedor pessoalmente não disse? Ele vai che... Calma Camus! – Hyoga revirou os olhos e apertou mais botões na máquina, levaria os laudos que estudaria para casa. Estava preocupado com Camus e Krest – Como passou a manhã? Krest ainda teve febre?

— Acha que ele pode piorar da febre? Não seria melhor levá-lo no pediatra? – estalou a língua segurando a nuca e movendo o pescoço para estalar os ossos. Estava tenso e cansado, precisava ir pra casa e dormir – Prometo que tomo cuidado pai!

Kagaho entrou na pequena sala assim que percebeu que ele desligava o celular, se posicionando perto da copiadora e de Hyoga.

— Seu irmão está doente? – perguntou quando o russo se dignou a olhá-lo.

— Talvez, acordou febril e manhoso. No domingo não estava muito bem também.

— Você está muito ocupado com a copiadora ainda ou podemos sair para almoçar? – lançou Kagaho com ironia.

— Não estou com fome.

— Porque está me evitando Savalas? Achei que não era covarde! – Kagaho estreitou os olhos puxados, mas Hyoga ainda podia ver o profundo azul das pupilas. Ele tinha traços tão marcantes, mas a pele amorenada e o porte grande não deixavam dúvidas de que ele fosse mestiço. Como Ikki, o russo pensou consigo – Eu ainda quero continuar nossa conversa de sábado, pensei ter dito isso a você.

— Disse? Que conversa? – "Meu deus pareço um retardado! Sério o que esse cara viu em mim?".

— Tudo isso é por causa do moleque? Ele é tão importante assim? – a ironia se tornou deboche no tom do advogado sênior.

— Na verdade a culpa é apenas sua! Porque não me deixa em paz?! Será que eu vou ter que montar um Power point de como essa é uma péssima ideia? Se você só quer uma transa, vá procurar outra pessoa menos complicada! Eu não sou bom nisso, ainda gosto do meu ‘ex e sou um desastre com relacionamentos! Uma tremenda encrenca vai por mim.

— Comovente a sua autopiedade. – Kagaho ficou mais perto, Hyoga sentia-se afetado com a presença dele. Lembrar-se do beijo no sábado não ajudou também a manter o autocontrole – Vamos almoçar. Eu estou faminto.

Os olhos de Kagaho diziam muito e Hyoga sabia que ele não falava apenas sobre a comida. "estou perdido!" choramingou em pensamento, mesmo que seu corpo estremecesse só com a lembrança do beijo que trocaram.

Levaram menos de cinco minutos para voltarem à sala, pegando suas respectivas pastas e saindo em direção ao elevador. Eire ergueu os olhos do computador e mordeu o lábio, a malícia estava nos olhos azuis. Radamanthys e Minos que aguardavam Kagaho junto à mesa da secretária observaram o sócio passar com o assistente e lhe dar passagem no elevador antes de entrar e apertar o botão. Ele tinha um semblante misterioso, notou Griffon antes da porta se fechar e isso significava que ele estava à caça de novo.

— Presa nova? – cochichou Minos para o inglês.

— É o que parece. – Wyvern disse olhando o elevador agora fechado e pensando que pelo pouco que vira do russo na época em que ele estagiava no seu setor, o amigo não conseguiria dobrá-lo tão fácil como costumava fazer com seus outros amantes.

***

Se alguém lhe dissesse que estaria assim há quatro anos, ele teria gargalhando e chamado essa pessoa de louca. Nunca se imaginaria em um restaurante caro como aquele, almoçando com o advogado de corporações mais influente de Atenas. Ainda mais conversando com ele sobre bobagens ou filmes sci-fi que eram seu pequeno hobby secreto.

A conversa fluía suave e divertida, Kagaho conseguia fazê-lo contar sobre tudo, sobre seu cotidiano e a época em que sonhou ser patinador olímpico. O outro o ouvia atento e Hyoga se perguntava o que tinha de tão interessante em sua vida para aquele homem tão instigante!

No entanto, havia algo e Kagaho deixava claro seu interesse, fosse no olhar faminto que derramava sobre Hyoga ou pela atenção e cuidado que lhe dispensava. Depois do domingo tenso que tivera, a segunda estava sendo uma grata surpresa para o russo.

Estava na hora de deixar Ikki Amamiya finalmente ir, pensou olhando o homem à sua frente. Kagaho não podia ser o novo homem da sua vida, mas poderia ser aquele que lhe traria a autoestima de volta.

— Preciso voltar para o escritório, tenho muitos processos para ler.

— Não precisa voltar necessariamente. – Kagaho abriu o caderno da conta e deixou algumas notas – Ainda temos muito a conversar.

— Tenho a impressão de que tudo que menos quer agora é conversar Li Ang Sing. – Hyoga riu de lado arrumando os cabelos com os dedos.

— Ah sinto muito, esqueço que você é casto e puro. – Kagaho era a personificação do deboche. Hyoga odiava e ao mesmo tempo achava atraente aquele lado do advogado de corporações.

— Casto e puro! Capaz mesmo, porque faz eras que não vou para cama com ninguém. Na verdade só tive um cara na vida e ele ainda foi meu primeiro namorado! Daí você pode concluir o quanto sou "experiente". – soltou Hyoga porque não tinha mesmo nada a esconder e se mesmo assim Kagaho continuasse a flertar com ele depois de conhecer sua história, então era porque estava genuinamente interessado.

Kagaho gargalhou, não conseguia ficar sério quando Hyoga falava aquelas coisas assim tão naturalmente.

— Vo-Você... – o japonês tomou um gole do vinho – As coisas que diz...

— É tudo verdade!

— Por isso acho surpreendente! Você se autodeprecia demais, não consigo entender porque vive sozinho e isolado assim. Você é atraente... Os deuses sabem o que eu faço para me controlar na Elíseos desde que você chegou, para não te agarrar na minha sala! E você me diz que nunca teve sequer outro cara além daquele seu ex? – Kagaho balançou a cabeça – Não, chega de ficar se autodepreciando e vamos para a minha casa tirar esse atraso, tenho um dever moral sobre isso agora.

— Você é muito convencido! Quem disse que eu quero transar com você?

— Não quer? – lançou Kagaho, que se ergueu abotoando o terno e estendeu a mão para Hyoga, num claro convite. Convite porque ele poderia muito bem recusar (de novo) e Li Ang Sing deixaria de insistir, mas agora era tudo ou nada. Hyoga olhou o japonês e em seguida a mão estendida, ponderando sobre o que implicaria na sua vida se aceitasse passar uma ou duas noites com Kagaho. Seu emprego e reputação estavam em jogo, apesar de que não era uma donzela indefesa e nem um joguete nas mãos do outro. Se fosse, ia com a plena consciência que teriam um momento de prazer e só.

Por fim, Hyoga se ergueu sem pegar na mão do japonês que apenas riu de lado e com um gesto o chamou para saírem do restaurante. Ele era orgulhoso, pensou o advogado sênior, fato que adoraria colocar em xeque!

— Eu vou ter que voltar no escritório para pegar a minha moto. — disse Hyoga antes de afivelar o cinto, já no carro de Kagaho.

— Vou mandar alguém levá-la p para a sua casa, não se preocupe que eu o deixarei em casa. Duvido que consiga sentar nela depois que acabarmos mais tarde... – e o sorriso feroz e lascivo com que Kagaho disse isso causou um frio na barriga de expectativa em Hyoga.

Seu interesse pelo jovem assistente parecia repentino e em excesso até para ele, Kagaho. Agora estava ali com uma nova presa depois de um longo período sozinho, um divórcio difícil e um término de relacionamento conturbado com Aiacos seu primo. Só tinha casos fugazes de uma noite ou duas, mas Hyoga parecia diferente então iria testá-lo aquela tarde. Caso ele se encaixasse em seu estilo de vida peculiar, faria de tudo para mantê-lo junto a si e não estragar as coisas.