Notas iniciais
FINAL ON Gostaria de agradecer o carinho e a atenção de todo mundo. Vou tentar deixar a imagem que me inspirou a roupa do Cisne negro na postagem, nas notas finais temos links de referência sobre Budapeste ENJOY

Os Savalas estavam todos na cama do quarto do casal, Milo estava apoiado na cabeceira e Camus entre suas pernas com Krest enroscado em si, Hyoga ao lado com o braço de Camus a aconchegá-lo. Assistiam algo na TV, aproveitando um momento de verdadeira paz solitária depois daqueles dias conturbados. O casal só conseguira chegar em casa naquele dia e depois de horas entre a polícia e os advogados, Minos estava enlouquecido com tanto trabalho e a Elíseos tinha enfim seu tão almejado plano de aniquilar de vez os Laskaris. Deviam estar radiantes pensava Camus enquanto acariciava os cabelos dos filhos, fora o terror aqueles dias, mas tinha uma certeza absoluta de que agora enfim, estava livre de Saga Laskaris.

Milo observava o marido e tentava ler suas emoções através da fachada tranquila que ele demonstrava, mas ficava difícil de saber se ele estava mesmo bem. Apesar do modo terrível como acontecera, o ex-mecânico estava mais do que feliz em saber que Saga estava morto e em breve bem enterrado. Tenma iria para uma prisão psiquiátrica então seu filho e seu amor estavam finalmente seguros, tudo ficaria bem agora. O grego estava intrigado com a fachada serena e porque não quase satisfeita que Camus ostentava, em outros tempos ele se sentiria culpado e aterrorizado pelo que viveu e por Saga ter morrido daquele jeito e bem na sua frente. Mas agora parecia que era diferente.

— Milo, eu estou muito bem. O modo como aconteceu não me daria nem a metade do alivio e satisfação do que seria se eu o tivesse feito com as minhas próprias mãos. – o ruivo retrucara quando perguntado se ele estava bem e não queria ver o psicólogo da polícia para falar do que presenciara.

Dessa forma o francês estava desde que chegara, sua fachada indiferente só desmoronou um pouco quando viu os filhos o recebendo ansiosos e felizes por ele e Milo ter voltado são e salvo.

— Eu preciso ir, ‘tá muito bom aqui, mas eu tenho que treinar. Cristal está me esperando e a competição é daqui há duas semanas. – Hyoga saiu do abraço do pai para se levantar da cama.

— Alguma novidade do inquérito do seu caso? – Milo perguntou vendo o filho se espreguiçar, Hyoga parecia também melhor mais como ele mesmo e sem aquele ar perdido de antes.

— Boa pergunta! Assim que conseguir falar com o Kagaho vou perguntar, eu não falo com ele desde sábado, mas talvez passe na Elíseos amanhã para saber.

— Não fala com ele desde sábado? – Camus estranhou, no café da manhã antes deles viajarem eles pareciam ter se acertado.

— Ele está às voltas com o Ikki e o Shun, domingo estava com o Shun e aconteceu uma coisa com o Ikki e aí teve vocês... Enfim, o Shun me disse que o Ikki e ele saíram ontem o dia todo! Então significa que eles estão se entendendo né? Não acho certo ficar me metendo, não enquanto não estiver tudo bem. – Hyoga mordeu o lábio e deu de ombros.

— Que bom que eles estão deixando-o se aproximar. Vai ser bom pra eles, antes tarde do que nunca! – Milo falou pensativo – Eu sempre disse pra Agatha que seria bom deixar os garotos com o pai, principalmente depois que eu voltei a falar com o Aiolos e o Aiolia porque família é importante.

— Isso aí, tomara que dê tudo certo para eles. Mas e você? – Camus olhou para o enteado com carinho.

— Eu vou patinar! – o russo sorriu para os pais e então deu um beijo no irmão e saiu do quarto.

— Acha que ele está bem com tudo isso? – Milo perguntou com as sobrancelhas franzidas.

— Não está, mas ele decidiu que vai esperá-los. Vamos deixar que ele lide com isso e se acharmos que ele não consegue, vamos intervir. Ligue para o Li Ang, eu quero saber se Hyoga vai mesmo poder viajar para competir ou isso será um golpe ainda maior nele já que está se esforçando tanto para ir à Budapeste. Será tudo em vão se ele ficar impedido de viajar por causa das investigações.

— Vou ligar.

***

Shiryu estava esperando na porta do hospital da Fundação quando Ikki saiu de mais um dos plantões, estava morto por ter ficado dois dias consecutivos na emergência, mas estava precisando recuperar o tempo perdido e queria se manter ocupado. Ainda estava digerindo o dia estranho/divertido/nostálgico não sabia bem o motivo, que passara com o pai. Ele acabara o levando para Laka para pescar e aquilo o amoleceu m pouco por lembrar da sua infância quando Milo o levava a todos para a praia para brincar e pescar. Não fora como na infância claro, eles ficavam em meio aos pescadores e gente simples, naquele dia ele estava num barco de luxo com uma governanta muito simpática e ajudantes, mas Kagaho deixou tudo muito natural e em nenhum momento pareceu querer exibir sua riqueza para ele. Sabia que Ikki não se impressionaria.

— Você está muito cansado ou podemos tomar duas cervejas antes de ir para casa? – perguntou o jovem administrador do projeto Medalha de ouro – Faz tempo que a gente não sai para conversar.

— Porque você não larga o Shun! Se eu soubesse que vocês iam casar e virar siameses não tinha deixado. – resmungou Ikki de brincadeira.

— Não sou eu que sou antissocial. – o libriano riu de lado ajeitando o rabo de cavalo – Anda, vamos beber estou precisando.

— Precisando porque meu tão equilibrado Shiryu, você é o exemplo dessa turma, a pessoa equilibrada e sensata herdeiro do grande Aiolos.

— Vai tomar no cu, vai Ikki!

Foi rindo que os dois se encaminharam para o carro de Shiryu e foram para um bar ali perto, Ikki estava sem carro porque não se arriscava a dirigir quando saia dos plantões. Podia dormir no volante e era perigoso, Shun lhe alertava todo o tempo.

No bar os dois pediram uma cerveja e começaram a beber comentando sobre o dia um do outro, coisas leves até a terceira cerveja e o primeiro tira-gosto do dia. A verdade é que ambos sentiam falta das conversas da amizade, passaram esses dias imersos nos problemas e agora que tudo parecia tranquilo, era bom apenas aproveitar para jogar conversa fora e a companhia um do outro.

— A gente podia reunir o pessoal na sexta. Desde que teve aquela confusão na boate que a galera não se reúne, ia ser bom. – Ikki disse quando Shiryu comentou que Hilda e Pandora haviam conseguido engravidar, a morena estava esperando o primeiro filho das duas depois de um tratamento de fertilização – Para comemorar!

— Sexta feira o Hyoga viaja para Budapeste, ele vai competir naquela modalidade amadora. A Hilda e a Pan fizeram a roupa dele, sabe que a Hilda é estilista e tudo e elas tem uma Maison juntas, então elas se ofereceram para fazer a roupa que ele vai se apresentar nessa competição. Elas também convidaram todo mundo para ir deixa-lo no aeroporto. Ninguém te contou?

— Eu ouvi algo. – falou Ikki cabisbaixo balançando o resto da cerveja no copo. Na verdade Shun lhe contara, Kagaho lhe dissera que conseguira a revogação da medida que impedia Hyoga de viajar e que o inquérito fosse encerrado como legitima defesa. Já fazia semanas do ocorrido, tudo estava sendo esclarecido a medida que o caso Saga Laskaris também estava sendo solucionado. Nesse meio tempo ele e Hyoga não se viram, o moreno evitou contado até com Camus e Milo, apesar de ter ido falar com o grego para perguntar como estava tudo. Mas ele não se sentia forte o suficiente de encarar o loiro e tratá-lo como amigo, porque não queria e também porque não sabia como estava a relação de Hyoga e Kagaho, esse era um assunto proibido entre eles.

— Você poderia ir dar essa força ao loiro. – Shiryu sugeriu fingindo desinteresse, mas atento as reações do amigo. Queria mesmo conversar com Ikki, um dos motivos era sonda a respeito de Hyoga. Ao que lhe parecia o amigo relegara o amor do loiro em prol do pai por achar que não merecia bagunçar a vida do russo de novo, contudo Shun lhe dissera que Kagaho desistira de Hyoga por Ikki.

Acontece que pelo visto, Hyoga não parecia ter sido avisado de nada e também decidira esperar os dois se resolverem. Resumindo, esse impasse nunca ia se resolver, então eles precisavam de uma ajuda de fora.

— Vou te mandar por mensagem a hora do voo dele, nós vamos estar no aeroporto de qualquer forma umas três horas antes. – Shiryu respondeu ao silêncio de Ikki.

Enquanto os amigos tomavam uma cerveja para distrair, Hyoga atravessava os portões da mansão de Kagaho com a sua moto. Estava cansado de esperar uma resposta do advogado, mesmo as informações sobre seu processo quem lhe informou tudo foi Minos de Griffon. Dissera que Kagaho estava tão ocupado que viajara e não conseguira se despedir , mas a expressão do advogado criminalista da Elíseos não conseguia disfarçar seu embaraço. A raiva tomou conta de si quando soube por Eire que Li Ang Sing estava indo normalmente.

Agora ele teria que falar de uma vez na cara dele se tivesse desistido ou algo assim, que terminassem sim, mas de forma correta e não daquela maneira inacabada. Kagaho Li Ang Sing não seria mais um Ikki Amamiya na sua vida.

Quando desceu da moto a porta da casa fora aberta e de lá saíram Constance e um segurança, Hyoga tirava o capacete.

— Onde ele está? Eu preciso falar com ele Constance, por favor me deixe entrar. – pediu a mulher que nada tinha a ver com seu problema com Kagaho.

— Querido, venha um momento comigo e vamos conversar, primeiro eu prometo que peço a ele- – começou ela a falar, mas se interrompeu ao ver a expressão do russo se alterar – Não, ele vai falar...

— ELE VAI FALAR COMIGO AGORA! Esse filho da puta! – Hyoga avançou para a porta e o segurança o barrou, Constance pediu para que ele não machucasse o loiro e seguiu-se uma confusão dos diabos. Kagaho se ergueu da cama ao ouvir o barulho, já estava deitado com Aiacos que também se ergueu e vestiu apenas o roupão por cima do corpo nu. Kagaho vestido como estava desceu, apenas com a calça moletom.

Ambos desceram as escadas para ver o tumulto no momento em que Hyoga conseguia passar pelos seguranças e Constance, Kagaho fitou-o surpreso por vê-lo ali àquela hora da noite e tarde demais lembrou-se que não estava sozinho e que estava todo esse tempo pensando num modo de conversar com Hyoga sem que pensasse que ele estava desistindo deles por causa de Ikki. Mesmo que de fato estivesse.

— Posso saber que confusão é essa? – questionou Aiacos olhando para Hyoga, o russo devolveu o olhar antes de fitar os dois e então sorrir de um modo sarcástico.

— Agora eu entendi porque parece tão ocupado Li Ang. – Hyoga lambeu os lábios, adivinhando tudo –Você podia pelo menos ter me mandado uma mensagem se não tinha coragem de terminar comigo cara a cara. Eu pensei que... Deuses! Porque eu estou me humilhando para você, é a mesma coisa de novo.

— Hyoga espera. – Kagaho desceu as escadas correndo, o russo tinha voltado para a porta e estava começando a sair da casa com o outro em seu encalço. Aiacos ainda estava na escada vendo o amante sair e Constance no meio da sala.

— Ele não queria um modo de fazer o menino descobrir que eles não iam ficar juntos?! Problema resolvido. – disse Garuda com desdém, Constance o olhou profundamente e havia reprovação em seu semblante.

— Não precisava ser assim. Espero que o senhor Li Ang o ame do mesmo modo que ama esse jovem e quem sabe ele seja completamente feliz. – a governanta disse e saiu para o interior da mansão e Aiacos apesar de demonstrar indiferença, sentiu-se incomodado demais com o que ela dissera.

Lá fora, Hyoga praticamente corria até a sua moto disposto a sair de lá e afogar sua humilhação em casa. Esperou realmente que Kagaho fizesse diferente, que eles conversassem! “Porra, ele me pediu uma chance, ele disse que estava disposto a tentar e que lhe amava!” pensava amargo, para agora ele estar se divertindo com Aiacos depois de ignorá-lo por dias.

— Espera Hyoga, vamos conversar. – Kagaho o alcançou antes dele subir na moto.

— Vai se foder Kagaho! Quer saber, seja feliz. – Hyoga tentou se desvencilhar, mas Kagaho o segurou pelos dois pulsos para que não se afastassem – Você podia ter pelo menos a decência de ter dito! Pelo menos isso o Ikki fez diferente de você, porque o resto foi a mesma merda!

— Eu não... – Kagaho mordeu o lábio, vendo que até naquele momento Hyoga não conseguiu deixar de compará-los. Era o certo o que estava fazendo, mesmo que doesse. Era Ikki que o russo amava e o pediatra também amava aquele russo, por isso tinha que deixá-lo livre para ser feliz – Você vai entender um dia, não agora que está magoado e também porque não era assim que eu queria que acabasse. Mas você vai entender um dia e se puder me perdoar.

Puxou o russo pela nuca e então sem conseguir se segurar mais tomou os lábios dele nos seus, em um beijo cheio de sentimento e com um “quê” de despedida, pelo menos para Hyoga pareceu assim. Era um beijo e Hyoga sentiu seu corpo corresponder à ele, porque sabia que Kagaho mexia consigo e que por estar magoado e decepcionado daquele jeito era de se pensar que já nutrisse algo pelo advogado.

— Você merece ser feliz com alguém que ame realmente. – disse quando aparteou o beijo – Seja feliz.

Parecia até piada! Hyoga se sentiu tão revoltado que sem pensar muito desferiu um soco em Kagaho, por impulso e simplesmente porque não sabia o que fazer. Ele estava libertando-o? Então Kagaho queria justificar aquela traição como se fosse algo para o bem dele, Hyoga? Kagaho não revidou, apenas levou a mão ao queixo e desviou o olhar enquanto o russo subia na moto e partia a toda. Agora era aguentar as consequências da sua decisão, era tarde para voltar atrás e pensou de novo no filho e em como eles pareciam estar pouco a pouco quebrando as barreiras que anos de ressentimento deixaram. Faltava pouco agora para que Ikki fosse feliz e era nisso que precisava pensar.

***

Tethis atravessou as portas junto com os agentes carcerários, o branco em todo lugar a incomodava, mas ela tentava pensar que aquilo não era um hospital penitenciário. Com sorte, Kanon seria dali para uma clínica, por ironia a mesma em que Saga esteve por anos. No fim a guarda-costas concluiu que toda a família Laskaris era um asilo de loucos.

Kanon esperava por ela numa das enfermarias, ele fora designado para lá por conta dos muitos machucados e pelo nível de surto depois que fora separado do irmão. O gêmeo mais novo da poderosa família de advogados da Grécia acabara sucumbindo a loucura depois de meses enclausurado e torturado pelo irmão gêmeo, fora um duro golpe.

— Bom dia Kan, como você está hoje? – a jovem loira sentou ao lado do paciente na cama e recebeu um sorriso e os olhos esmeralda do grego lhe fitaram por debaixo das pálpebras semicerradas, ele estava fortemente sedado então encontrava-se em um estado de letargia – Sua mãe pediu para avisar que conseguiu falar com Radamanthys, para ele ver o seu caso. Ela disse que vai convencê-lo a defender você no tribunal.

— Duvido... – Kanon balançou a cabeça – Ele me odeia. Foi por minha causa que ele teve setenta por cento do corpo queimados, a casa destruída. – disse com a voz rouca e um tanto lenta – Diga para que ela o deixe em paz, ele está feliz agora com uma família e seu trabalho.

— Talvez ele a enxote da Elíseos então, mas em toda a Grécia, não há um advogado que quer se associar ao nome Laskaris. – Tethis acariciou a mão morena, entrelaçando os dedos dele nos seus – Mas eu falei com Kagaho Li Ang Sing, aquele demônio! Ele me indicou um defensor público muito bom, já falei com ele e talvez pegue seu caso. Vai ficar tudo bem, você o matou em legitima defesa e todo mundo viu.

— Eu tinha que salvar Camus ou ele o mataria. – Kanon respirou fundo e pareceu fechar os olhos, mas Tethis achou a frase ambígua. Não sabia se Kanon queria dizer que Saga mataria Camus ou ao contrário.

— Eu vi nos olhos de Camus que ele estava disposto a matar nós dois quando tivesse a oportunidade... – continuou Kanon ainda de olhos fechados – Não podia deixa-lo se transformar num assassino, logo aquele ruivo tão integro e leal.

— Milo mataria Saga, Camus talvez. – a loira deu de ombros lembrando do ex-mecânico e Kanon abriu mais os olhos para fita-la melhor.

— Você se apaixonou por Milo não foi? Aquele mecânico é alguém que lhe viraria a cabeça. – o rosto do grego tinha uma expressão maliciosa – Milo pode ser um poço de teimosia, ter suas falhas de fidelidade e geralmente as tem quando se sente em dúvida de algo. Porém, eu nunca duvidei de que ele amasse Camus, como você mesmo disse, ele mataria Saga se pudesse. Para proteger Camus e os filhos ele o faria e ninguém poderá separá-lo disso, nem você minha cara sereia. – Kanon acariciou o dorso da mão da mulher que sorriu para ele aparentando indiferença, mas seu olhar estava cintilante pelas lagrimas.

Enquanto Tethis e Kanon conversavam sobre amores não correspondidos, Camus e toda sua família desembarcavam em Budapeste para acompanhar Hyoga em sua competição de patinação para amadores. Decidiram ir junto com o loiro também como uma mudança de ares e uma espécie de férias em família, o russo adorou saber que teria o apoio da família ali. Quanto aos Argenkland, estariam torcendo via streaming da Grécia. Os amigos vieram ao aeroporto dar força ao loiro e se despedir, agora que tudo parecia em paz, eles também comemoravam a volta por cima de Hyoga. Mesmo que ele ainda tivesse seus problemas amorosos, o foco do russo era a competição e após isso já tinha aceitado o convite de Aiolos de trabalhar no departamento jurídico da Fundação ajudando as famílias que não podiam pagar um auxilio jurídico. O russo achou por bem que seus dotes de advogado seriam usados para a filantropia, era algo que ele faria também, mas como médico quando planejou na adolescência.

Por agora, queria apenas encarnar seu Cisne Negro pela primeira e última vez, como se marcasse um fim de ciclo.

Como viera com a família, acabara ficando em um hotel e separado de cristal que viera para ficar na casa de amigos. Escolheram o Zenit Budapeste Palace por ser melhor localizado e perto do rio Danúbio e perto do centro onde tudo acontece, depois da competição Milo queria conhecer a noite e aproveitariam para namorar. Hyoga já tinha decidido voltar par ao hotel e descansar e se concentrar para a competição no dia seguinte, aproveitaria para ficar de olho em Krest. Então enquanto os pais desciam para jantar e conhecer a noite, Hyoga estava no quarto de hotel olhando para a sua roupa da competição e roendo os cantos de cutícula sentindo-se ansioso.

— Meu deus, não vou ter coragem de usar isso. – murmurou sentando-se no chão e abraçando os joelhos.

— Mas é uma roupa bonita Oga! Eu posso usar a máscara? – Krest pegou a máscara da caixa já tentando colocar, Hyoga correu em tirar ela do irmão. Era desenhada e cravejada de cristais, escura com penas ornamentando nas pontas que torneavam os olhos, ela era magnifica como toda a roupa um macacão negro transparente nos lados que ia desde a barra da calça até as axilas, nas costas havia um bordado com pedraria que imitava o contorno de asas. Era muito sensual e ele sentia-se inseguro para usar!

“A máscara vai ajudar você a se desinibir” dissera Hilda confiante, ela e Pandora tinham ficado eufóricas quando ele pedira ajuda delas para fazer a roupa. O resultado ficara lindo, ele mesmo não teria pensando em algo melhor e estava feliz com o presente, por isso que agora não podia desapontá-las. Pensou deslizando os dedos pela pedraria e as penas mais uma vez, pensando se conseguiria encarnar o cisne sedutor para os jurados.

— ‘Tá tocando! – Krest começou a quicar pelo quarto e foi quando Hyoga percebeu que seu celular tocava e ao pegar ergueu a sobrancelha ao ver o nome de quem ligava.

Ainda hesitou antes de apertar o “atender” porque Kagaho Li Ang Sing era a última pessoa que queria falar naquele momento, mas sua intuição lhe disse que deveria atender e decidiu confiar nela.

“Que bom que atendeu?”, era uma pergunta interessante em se tratando e Li Ang Sing, mas Hyoga apenas se dignou a ficar em silêncio e deixar ele prosseguir com seja lá o que quisesse falar. “Eu liguei para desejar boa sorte, eu vi que a competição vai passar via streaming e Shun pediu permissão para usar minha sala de TV, então parece que vai trazer uns amigos para ver aqui.”

— Isso é muito bom, que você e Shun estejam se dando bem a esse ponto. – disse Hyoga em voz neutra.

“Você ainda está magoado comigo?” havia ansiedade no tom de voz do outro que Hyoga achou engraçado.

— Eu fiquei magoado com você na hora Kagaho, atualmente estou decepcionado. Você poderia ter me contado, mas pensando nas suas palavras, foi pelo meu bem. Agora é seguir em frente.

“Ou voltar um pouco para trás, você poderia pensar nisso.”

— Você está bêbado, não está? Porque só pode estar bêbado para não falar coisa com coisa, vai se tornar aqueles ex-namorados inconformados que ficam passando vergonha via telefone quando estão bêbados? – Hyoga debochou, até sorrindo e ao que parecia Kagaho estava rindo também o que lhe dava quase certeza de que sua teoria de que ele estava bêbado estava certa.

“Não, prometo que essa será minha ultima recaída. Com sorte meu belo cisne, você vai enfeitiçar o príncipe de Anete com a sua apresentação e logo esquecerá de mim.” Agora o tom de Kagaho era melancólico e Hyoga estranhou isso, aquelas palavras todas eram sem sentido e ele queria desligar. “Queria ter visto você dançar para mim do modo como dançou para Ikki, ele me contou sobre como naquele dia ele percebeu que você não era mais o garoto frágil e traumatizado que ele pensou que conhecia. Que você tinha se tornado um homem e que se apaixonou por você novamente naquele dia, como se fosse a primeira vez”

— E você decidiu abrir mão da gente por causa disso? Por causa do Ikki? – Hyoga perguntou.

“Foi por você. Por saber que você nunca me amaria como o ama.” Um longo silencio se seguiu sem que ele ou Kagaho falasse alguma coisa, os sentimentos de Hyoga revirados por Kagaho estar lhe dizendo aquelas coisas. Logo ele, afirmando que ele amava Ikki e que estava disposto a esquecer tudo e voltar para os braços do moreno. Era uma prova de amor? Kagaho estava abrindo mão dele pelo filho sim, mas também estava lhe dando a oportunidade de tentar ser feliz outra vez com o homem que amava.

“Aproveite sua chance. Boa sorte amanhã meu cisne.”

Hyoga pensou que a última frase de Kagaho era sobre voltar e tentar reconquistar Ikki, ele tentaria novamente ter a conversa que não conseguira com o moreno e isso ele estava resoluto. Contudo, acabou descobrindo que talvez tivessem aquela conversa mais cedo do que ele pensava.

Quando chegou no local da competição havia muitas pessoas, ele se juntou a Cristal e ambos foram para seus ringues competir para chegar as primeiras colocações. Primeiro apresentariam suas composições básicas para os juízes e dentre os trinta competidores, apenas dez seguiriam para a grande final. Não foi difícil para os dois ficarem entre os dez e Hyoga ainda nem usara a coreografia do Cisne Negro, essa ele guardaria para a final. Enquanto Milo e Krest estavam nas arquibancadas, Camus o acompanhava como staff.

— Sua nota foi muito boa nos elementos artísticos, mas eu conheço três dos seis juízes e sei que já foram campeões olímpicos, eles estão avaliando também os elementos técnicos. – disse Camus ajudando-o a se trocar, Hyoga vestia a roupa do Cisne Negro e seria o último a se apresentar.

— Não se preocupe, eu tenho quatro quádruplos nesse programa, não é possível que eu não vá impressioná-los. – Hyoga respirou fundo e olhou as arquibancadas para procurar o irmão e o pai – Krest deve estar muito entediado.

— Pelo contrário, ele ficou bem animado de ver e quer uma roupa igual do competidor número dez. – Camus fechava o zíper da roupa do enteado – Pelo modelo que ele escolheu, deve ser influência do Milo porque não é possível... Onde está Cristal?

— Ele disse que se arrumaria lá atrás, vai usar uma roupa que é cheia de cristais Swarovsk! A rainha de gelo é o tema da apresentação, eu nem sabia que ele era rico assim.

— O que o Cristal faz na Fundação é filantropia Hyoga, ele não precisa do salário de professor a família dele é muito rica e eu não sei porque ele nunca foi um atleta profissional. – Camus pegou a máscara para ajudar Hyoga a coloca-la – Talvez porque ele apesar do dinheiro, não seja tão talentoso, ao contrário de você que tem um talento natural.

— Como você! – o mais jovem sorriu e Camus enrusbeceu, tocado pelo elogio. Já fazia tanto tempo e mesmo assim ficava envaidecido por saber que Hyoga o admirava como patinador.

— Não fale essas coisas assim, sem que e- – Camus franziu o cenho e então ficou boquiaberto ao ver quem se sentava perto de Milo, eles tinham conseguido lugares excelentes e ficavam bem perto da entrada dos atletas no ringue – Vamos colocar a máscara, é a sua vez daqui a pouco!

— O que foi?! O que você viu?

— Não olhe agora, mas Ikki Amamiya está sentado ao lado do seu pai. – Camus disse entusiasmado enquanto o ajudava a colocar a máscara, Hyoga tentou virar, mas Camus não deixou – Não olhe! Deixe para olhar para ele quando estiver entrando no ringue, é só virar-se para Milo e Krest, ele está ao lado dos dois.

— Meu deus, o Ikki aqui! Mas que diabos! – Hyoga sentiu o coração dele bater mais rápido, num misto de euforia e ansiedade por saber que ele estava ali. Como e para que, não sabia dizer! Mas que seja ele estava lá e queria vê-lo certo? Então que visse.

Ele ia dar o seu melhor e dançar para Ikki de novo. Anete que fosse para o limbo, ele seria o Cisne negro.

Da arquibancada Milo olhou de soslaio para o moreno que sentava ao seu lado e depois suspirou.

— Meu consolo de tudo isso é que pelo menos o Hyoga vai morar no andar de baixo, eu ainda tenho a minha Glock então qualquer coisa...

— Não se preocupe Milo, dessa vez você não vai precisar usar sua Glock. – Ikki disse olhando o loiro, mas estava ainda meio sem jeito de falar com ele – E olha, agora eu tenho um pai e ele é advogado. Você já pode parar de ficar me ameaçando!

— Pronto! Esse moleque vai se achar porque agora tem pai rico e advogado, eu ‘tô arrumado mesmo com esse genro. – Milo pegou Krest no colo olhando para o menino – Ei você, seja uma garota ou um garoto, por favor, dê menos trabalho que o Hyoga!

— Eu quero usar um vestido pai, igual ao do moço que patinou! – disse o menino rindo, os olhinhos verdes brilhantes de expectativa.

— Sinceramente, olha filhos... Pra mim já deu! – e a cara de lamento de Milo fez Ikki gargalhar, o grego colocou o filho de volta na cadeira e se virou para o mais jovem observando-o como ele parecia mais calmo e mais aberto também. Ele havia crescido e amadurecido, Ikki era um garoto que ele vira crescer também e amava como um filho – Faça meu anjinho feliz Ikki e seja feliz também, finalmente!

— Eu prometo Milo, eu vou cuidar do Hyoga pela vida inteira! Não vai se arrepender de me dar uma chance, nem você nem ele.

Milo sorriu, entregando uma cerveja ao jovem médico e ambos fizeram um brinde e então a voz do apresentador ecoou pelo ginásio e os fez prestar atenção no ultimo patinador da noite que se apresentava. A melodia da opera O Cisne negro começou a tocar silenciando a todos enquanto o patinador russo se entregava na apresentação.

***

Hyoga depois de receber sua medalha simbólica e seu prêmio de primeiro lugar e seu cheque, comemorou com os pais e o irmão, Ikki o abraçou e felicitou, mas pediu que eles tivessem uma conversa a sós no hotel em que ele estava hospedado. Era muito tarde, contudo esperava o russo por volta das 23hs no loby do hotel para subirem e conversarem já que não poderia ficar muito, apenas até a manhã seguinte por causa dos plantões na Fundação. Conforme a conversa, se ajeitariam depois que o loiro voltasse das férias com os pais em Budapeste.

Dessa forma, agora estava Hyoga entrando no saguão do Hotel Gresham Palace Budapest se perguntando se aquela viagem não tinha dedo de Kagaho Li Ang Sing ali, conhecia Ikki o suficiente para saber que se ele viesse por conta própria, ia encontra-lo num hostel. A alma do Amamiya era de mochileiro, não de executivo que fica num hotel cinco estrelas! Por isso Camus insistira para que ele vestisse um blazer e a calça de linho clara, agradeceria ao padrasto depois.

— Por gentileza, estou aqui para ver Ikki Amamiya. – disse em inglês para a recepcionista e ela muito atenciosa e sorridente lhe entregou uma chave extra e lhe indicou o andar do quarto do moreno, Hyoga arregalou os olhos e respirando fundo foi para o elevador. Ele e Ikki sozinhos em um quarto de hotel, que ele descobriu ser em um dos últimos andares, não sabia o que poderia sair dali. Da última vez que ficaram sozinhos eles transaram., só esperava que dessa fez fosse um tanto menos dramático e acabasse de forma diferente.

Quando chegou na porta do quarto hesitou um pouco até passar o cartão para entrar, era muita confiança do Amamiya lhe dar um cartão de acompanhante para o seu quarto de hotel.

— Bem-vindo. – Ikki Amamiya se virou para a porta assim que ouviu o click da fechadura e em seguida a figura do loiro passar por ela, Hyoga sentiu o coração dar um solavanco e depois bater frenético ao olhar o moreno de alto a baixo.

Ikki vestia uma calça de linho escura com riscas de giz e sapatos sociais coisa que Hyoga nunca tinha visto o ex-namorado usar, a blusa era azul índigo da cor dos seus olhos e as mangas compridas estavam puxadas nos antebraços. “Puta merda, ele está incrível e gostoso, eu vou ter um AVC aqui!” pensou o russo engolindo algumas vezes para tentar se acalmar. Era acostumado a ver o Amamiya jovial, médico, desleixado e bad boy. Aquela faceta do seu moreno era-lhe completamente nova e estranha.

— O-oi! – murmurou o loiro chegando perto, Ikki estava próximo à uma mesa junto a janela que tinha uma vista maravilhosa da cidade e só quando conseguiu tirar os olhos do outro, foi que Hyoga percebeu que na mesa havia uma pequena ceia e uma garrafa de vinho em um balde de gelo.

— Eu tomei a liberdade de pedir uma ceia e vinho, sei que você provavelmente já jantou, mas se ficar com fome daqui a pouco ou mais tarde. – disse Amamiya deixando seu vinho na mesa e ficando bem próximo de Hyoga.

— Pra falar a verdade eu não consegui comer nada até agora de ansiedade. – foi sincero o mais jovem e seu sorriso era tenso – Eu estava antes por causa da competição e agora por que você está aqui e quer conversar.

— Está ansioso com o que eu possa dizer? – Ikki arqueou a sobrancelha e Hyoga notou que era a mesma expressão de malicia que Kagaho tinha as vezes. “Seu idiota olha como eles são idênticos, como você nunca notou?” – Tem algo especifico que quer escutar?

— Que você sabe que eu não fiz de proposito, que sabe que eu sou tapado demais para nunca ter ligado vocês dois!?

Ikki fitou Hyoga por um minuto inteiro até que pegando uma nova taça, a encheu de vinho junto com a sua e a entregou ao loiro levando-o em seguida para a sacada do quarto e Hyoga soltou um “uau!” involuntário.

— Sério Ikki que você escolheu esse hotel? Só a passagem em cima da hora e as reservas devem ter ficado uma fortuna, eu fico imaginando o quanto custou isso e lembrando que a gente juntava os trocados para comprar subways para comer na praia depois de matar aula na Fundação. – o loiro riu e olhou o moreno – Não parece você, sério!

— Mas não fui eu, quer dizer não fui eu em parte! Digamos que foi mais incentivo de Shun e do Kagaho – ele se interrompeu ao falar o nome do pai e fitou o loiro desconcertado – Os dois insistiram para que eu viesse conversar com você aqui em Budapeste quando eu já tinha decidido esperar você chegar e conversar com você lá em Atenas. – Ikki se aproximou mais tomando o vinho e Hyoga fez o mesmo tomando um grande gole porque aquela situação o deixava ansioso e também desconfortável – Ia chamar você para a praia e comer subways enquanto pedia para você me perdoar de novo e voltar para mim porque eu te amo.

Era apenas os olhos azuis de céu muito arregalados enquanto o vinho descia todo da taça pela garganta do loiro, ele ia tomar só um gole ouvindo Ikki falar só que ao ouvir o que o moreno dizia decidiu que precisaria da garrafa inteira talvez. Ikki tomou mais do seu vinho e deixou a taça na amurada pegando a taça vazia de Hyoga e deixando-a ao lado da sua, para segurar a mão do russo na sua acariciando os nós dos dedos com carinho.

— Parece loucura não é, que depois de todo esse tempo e inda e vindas, de eu não conseguir olhar na sua cara desde que nós transamos na sala de balé eu venha aqui para te dizer tudo isso. – Ikki ergueu a mão e acariciou o rosto alvo do seu loiro – Eu estava negando desde o começo o que era muito obvio, mas eu tinha dificuldades de me comprometer e aceitar que eu podia amar você... Eu casei, viajei para muito longe porque sentia que era isso que eu devia fazer, mas eu acabei enganando a mim mesmo. Eu te amo, hoje eu tenha absoluta certeza disso como não tinha há quatro anos atrás porque tudo que eu sentia era dúvida, medo e ressentimento. Agora que eu consegui resolver a mim mesmo eu vi que eu te amo de verdade.

— Por que você foi embora Ikki? – Hyoga perguntou a voz vacilando, sentia o bolo na garganta por estar ouvindo aquelas coisas, parecia que tinha sofrido por nada.

— Eu precisava me encontrar! E você também, admita. Apesar de tudo você seguiu por um caminho que ninguém te impôs, você mesmo quis. Se tornou advogado, coisa que ninguém esperava e tornou a patinação o seu hobby como sempre imaginou porque você nunca quis ser um atleta de competição você sempre quis patinar. Milo e Aiolos sempre diziam que você tinha que patinar porque tinha talento, porque sua mãe seria uma patinadora internacional se não tivesse morrido e toda a história e você aceitava porque queria fazer os outros felizes! Você queria casar comigo e construir uma família porque eu sempre disse que era isso que faria, porque queria ser diferente do meu pai. – Ikki se afastou um pouco do russo respirando fundo, tinha pensado bastante no que queria falar para ele e por isso iria até o fim, depois aguentasse as consequências – Quando eu vi que você estava desistindo da sua vida por mim eu fiquei com muito medo, porque na época eu não tinha certeza do que era um relacionamento e um casamento então eu fiquei perdido, foi então que a Esmeralda apareceu e eu vi nela uma chance de mudar tudo.

— Mas você casou com ela! Qual a diferença porra? – Hyoga pegou sua taça e voltou para dentro do quarto para enchê-la. Seria a noite do desabafo, então Ikki que se preparasse.

— Nós precisamos oficializar porque ficava mais fácil explicar porque viajávamos juntos ou quando ela precisasse ir nas áreas de conflito em que eu trabalhava no médico sem fronteiras. – Ikki voltou para dentro também – E a minha relação com a Esme sempre foi muito diferente da relação que nós tínhamos, eu não vou ficar comparando vocês dois agora, de que adianta?!

— Você está falando igual ao seu pai sobre “o que é melhor para mim” – Hyoga riu irônico apontando para Ikki com a mão que estava a taça – Kagaho veio com uma história parecida agora sobre ele abrir mão do que a gente tinha por que ele acredita que eu e você podemos ter uma nova chance. Nenhum dos dois leva em consideração no que eu penso! Ninguém perguntou de repente se eu estou feliz com todos esses arranjos, se na verdade eu não queria continuar com ele do jeito que a gente estava! Você nunca me confrontou sobre eu estar fazendo a coisa certa sobre largar a patinação, ser pediatra e tudo mais. Por que você não me disse Ikki que estava assustado? Que não queria naquele momento que a nossa relação ficasse séria daquela maneira e eu ia entender, mas não você meteu os pés pelas mãos e fugiu com a primeira vagabunda que encontrou. Igualzinho como Kagaho fez agora só porque ele quer fazer as pazes com você, não tem nada ver com a porra dos meus sentimentos!

— Eu não sei quanto ao Kagaho... – Ikki abriu as mãos em um gesto derrota – Mas eu não tive maturidade na época para perceber essas coisas e disso você pode me culpar, eu devia ter ficado e tentado achar uma solução para nós dois como você me pediu para fazer. É por isso que eu estou aqui te pedindo, por favor me perdoa e me dá uma segunda chance! Eu te amo demais, mas se você quiser voltar para o Kagaho... – Amamiya mordeu o lábio pensando nessa possibilidade e sentindo-se morrer por dentro, mas se Hyoga quisesse ele abriria mão do russo para que ele ficasse com o pai. Hyoga merecia ser feliz agora e ele nada tinha que interferir nas decisões dele, mesmo que ficasse dilacerado.

Hyoga tomou todo o vinho da taça outra vez e então chegou bem perto de Ikki, tão perto que podia sentir a respiração entrecortada do outro rapaz no seu rosto. Erguendo a mão e levando-a até a nuca deste, trouxe a boca de Ikki para perto da sua tomando os lábios carnudos dele nos seus e sugando-os para lamber o inferior antes de aprofundar o beijo impondo passagem com a língua. Ikki o trouxe para mais perto pela cintura colando mais os corpos sugando a língua do loiro que deixou os dedos se enveredarem pelos fios negros revoltos do outro e continuava a devastar a boca do Amamiya mais velho minando a resistência dele e incendiando os corpos.

— Me prometa que nunca mais vai me deixar, que vai me dizer quando estiver se sentindo sem rumo e começar a pensar em ir embora. Ikki me prometa que eu não vou passar por tudo aquilo de novo! – o russo afundou o rosto no peito largo escondendo as lágrimas que sentiu escorrerem pelo seu rosto – Eu amo você, mas não quero que fique comigo por pena ou porque seu pai decidiu que seria assim.

— Eu quero me casar com você! Quero que você seja meu pra todo sempre e eu te amo! – Ikki ergueu o rosto de Hyoga fitando a face alva que tanto amava – Naquele dia na sala de balé eu me senti inteiro, quando estava com você daquela forma e quatro anos longe não mudaram isso. Eu juro, eu nunca mais vou te deixar.

Voltaram a se beijar, Hyoga largou a taça no chão para que suas mãos agarrassem os ombros de Ikki que o segurou junto a si outra vez em meio ao beijo. Era um beijo de conciliação, restaurador dos sentimentos confessados entre os dois e o reinicio deles, começariam do zero com um sentimento completamente novo porque eram pessoas novas. Não eram meninos, eram homens agora conscientes do que queriam um do outro.

De costas Ikki levou Hyoga até a cama onde caíram em meio a risadas e beijos, as roupas logo encontraram outro destino que não os corpos só restando nos corpos a pele e o fremir da excitação que atingia seu nível máximo entre os dois. Ikki se ergueu, apoiando-se nos joelhos e fitou o corpo abaixo de si, Hyoga era uma confusão erótica de pele ardente e expressão excitada com os fios loiros apontando para todos os lados, a boca de coração estava inchada dos beijos e ele ainda não estava farto dela. Era o começo apenas.

— Aaaahh! – Hyoga gemeu alto quando o moreno abaixou a cabeça e com a língua circundou um dos mamilos intumescidos, fazendo o corpo alvo se arrepiar.

— Algumas coisas nunca mudam, você nunca é silencioso. – disse o pediatra de forma sacana e em seguida fez uma trilha de beijos e lambidas sobre o abdômen do russo até chegar no falo que já estava ereto. Ikki levou a mão até as bolas massageando devagar enquanto com os lábios encobria a glande inchada e Hyoga xingou em russo.

Ikki levou o falo até o fundo da garganta e voltou, sugando e deixando que a língua deslizasse pelo lado devagar porque sabia o quanto era bom, a vantagem de fazer sexo com outro homem era essa de saber o que dava prazer e sem receios. Não que com Esme ele não experimentasse muitas coisas também, contudo agora poderia dar vazão à uma certa liberdade que não tinha com a jovem pesquisadora.

— Vem aqui Ikki, me deixa chupar você também. – choramingou Hyoga que se contorcia sob a habilidade do moreno em lhe chupar.

— Vem pra cima. – ordenou em voz rouca e deitou-se na cama com Hyoga se posicionando sobre ele, mas de ponta cabeça para o sessenta e nove funcionar. Com a mão o russo começou com movimentos de vai e vem no pênis em riste antes de abocanhá-lo formando um estojo com a boca até onde pode porque o moreno era grande! Ikki soltou um grunhido em meio ao oral que fazia no russo e a vibração do som em seu pênis era mais um incentivo par aa excitação de Hyoga.

— Porra que gostoso! – Hyoga quase chorou quando sentiu Ikki lamber a entrada ao se esticar mais um pouco, uma das vantagens/desvantagens de ser menor que o moreno era que ele conseguia alcançar vários pontos do seu corpo e esse era um dos momentos que a diferença de altura fazia seu papel. Bastava Ikki se esticar e se inclinar um pouco e lá estava ele lhe penetrando com a língua, preparando-o para o que estava por vir

— Chega Hyoga, eu quero gozar dentro de você. – Ikki disse dando uma palmada na bunda alva e mudando as posições não sem antes pegar o lubrificante que escondera debaixo do travesseiro.

— Filho da mãe convencido! – Hyoga gargalhou vendo o outro se acomodar entre suas pernas e derramar lubrificante em si mesmo, espalhando-o com movimentos de vai e vem. Ikki Amamiya nu era sempre uma visão deliciosa de músculos rijos sob a pele bronzeada o pescoço grosso e o rosto agressivo e belo mesmo assim agora com aquela expressão de excitação, o falo grande com as veias saltadas lhe dava agua na boca.

— Por via das dúvidas é sempre bom estar preparado. – Ikki se inclinou e depositou um beijo nos lábios de Hyoga, os dedos foram para a entrada apertada e começaram a preparação com a ajuda do lubrificante – Mas você sabe, é impossível de controlar quando a gente se vê!

— É, tem razão. – Hyoga lambeu os lábios de Amamiya sorrindo em seguida, as unhas correram pelas costas largas que agora tinham uma camada fina de suor – Eu já esperava que a gente acabasse aqui em algum momento, mas eu pensei que seria depois de nos estapearmos.

— Você anda meio masoquista hein loiro? Vou anotar para a próxima e arrumar um jeito, – Ikki retirou os dedos e posicionou o falo para começar a penetração, Hyoga se mexeu sentindo a cabeça do pau de Ikky na sua entrada – De te dar umas palmadas! – e empurrou-se para frente entrando no corpo do outro e Hyoga gemeu alto – Silencio loiro! Estamos num quarto de hotel.

— Que se foda! – retrucou Hyoga sentindo-o Ikki lhe abrindo a cada empurrão, era dolorido mesmo com a preparação e o lubrificante, mas sabia que ia ficar melhor.

Ikki riu e se retirou, entrando lentamente mais uma vez pela entrada apertada começando aos poucos a acelerar os movimentos e não demorou muito para que não fosse só Hyoga que gemesse alto. Logo Ikki nem se preocupava que eles estavam em um quarto de hotel e nem se precisavam se preocupar com isso, os quartos ao lado do quarto do japonês estavam vazios. Os gemidos dos dois se misturavam e ecoavam pelo quarto quando não se perdiam entre os beijos que trocavam, as estocadas ganhando força e ritmo e o ápice se aproximando, só o que importando para ambos era o prazer em estar finalmente nos braços um do outro.

Ikki se apoiou com os joelhos na cama e segurando as pernas de Hyoga juntas sobre um dos ombros, começou a estocar rápido sentindo o canal apertá-lo e o loiro puxar os lençóis ele estava perto do ápice também. Então acelerou ainda mais as estocadas e viu Hyoga revirar os olhos e arquear o pescoço vendo os jatos de sêmen saindo do membro do russo, só essa visão e o aperto enlouquecedor em volta de si foi o bastante para que ele preenchesse o interior do russo com seu gozo. Ambos os corpos tremiam pelo orgasmo intenso que tiveram.

O moreno se retirou de dentro de Hyoga e deixou-se desabar ao lado dele na cama larga, o russo se virou um pouco sentindo o gozo escorrer entre as pernas e isso lhe rendeu uma careta. Puxando a franja molhada de suor para trás fitou o moreno que agora tinha os olhos quase fechados naturalmente, eram apenas um risco.

— Estou exausto, assim que meu corpo esfriar ou amanhã de manhã eu não vou poder me mexer, tenho certeza.

— Muito esforço para um dia só? O que está acontecendo com você? – o moreno riu trazendo-o Hyoga para se aconchegar em seu peito.

— Eu sou um velhinho de sessenta anos em um corpo jovem pequeno padawan, fique sabendo disso.

— Você ficou nerd igual ao Shun! Bem que o Shiryu me avisou. – Ikki fez uma careta estranha e Hyoga gargalhou porque lembrou das implicâncias que os três tinham por Ikki nunca saber as referências das piadas nerds que ele e Shun trocavam.

— Vai se arrepender agora?

— Não tem mais volta loiro, agora você aceitou casar comigo, não pode se arrepender! – Ikki se levantou e num jogo de corpo deitou Hyoga na cama ficando por cima e prendendo o russo pelos braços que já ria de novo, parecia tão feliz e era assim que Ikki queria que ele ficasse.

— Quem disse que eu vou casar com você?! Eu vou fazer meu mestrado primeiro, depois eu vou patinar uma olimpíada e aí se sobrar tempo eu caso com você. – Hyoga disse presunçoso e Ikki observou aquela expressão atrevida e também confiante – Estou falando a verdade Ikki Amamiya, eu sou um homem de projetos pessoais agora.

— Assim espero. – o moreno afirmou beijando o loiro com carinho e amor. Fossem se casar ou não ele estaria lá, para sempre esperando por aquele loiro difícil que era todo seu mundo. Tinha agora finalmente tudo que sempre quis e não sabia. Tinha uma família, com seu pai por perto agora e Shun, tinha seu amor e tinha os amigos que também considerava sua família. Tudo estava devidamente no lugar agora.

Notas finais
Links https://www.booking.com/hotel/hu/four-seasons-gresham-palace-budapest.html?aid=859337 http://lalarebelo.com/budapeste/ CRÉDITOS DA IMAGEM https://vyndicare.deviantart.com/art/Black-Swan-445325531
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