Amor com amor se paga - No limite!
8 Capítulo 08
Notas iniciais
Milo desbloqueou o celular para ver as horas e apertou os olhos, sentindo uma dor de cabeça chata e a culpa lhe perturbando ainda mais. Sumiu o dia inteiro depois daquele descontrole com Camus e passar a madrugada bebendo, os filhos e o ruivo deviam estar preocupados. Mas só pensara naquela possibilidade naquele momento, quase oito da noite enquanto olhava a foto da família na proteção de tela do celular.
Passara o dia com Tethis, as voltas com o sumiço de Kanon e a investigação sobre Saga e onde ele pode ter levado o irmão. Acabaram horas na polícia com o advogado da Elíseos, Minos de Griffin e depoimentos dos pais dos gêmeos Laskaris. Agora haviam se despedido do advogado, que prometera se encontrar com ele e Camus no dia seguinte e se preparavam para ir para casa.
— Seria bom que você e o advogado falassem com Camus, ele não pode surtar de novo como da outra vez. Principalmente agora que Saga pode voltar e se fazer passar pelo Kanon, ele já tomou o lugar do irmão várias vezes. — Tethis falou entrando no carro e colocando o cinto. A ex-policial o olhou detidamente e enfim se decidiu –Vamos tomar um uísque que tal? Uma dose apenas, para relaxar.
— Seria indelicado recusar. — Milo assentiu olhando a loira sorrir ainda mais, deixando o semblante carregado dela mais suave.
Tethis sentiu-se lisonjeada pelo olhar do grego ao seu lado, já acompanhara Milo Savalas de longe quando ele frequentava a casa dos Savalas, achando-o arrebatador de diversas formas. Para ela pouco importava ele ter se relacionado com os gêmeos ou agora ser casado com Camus, sabia que ele já fora casado com uma mulher e até tivera um filho. Para Tethis Milo era uma força sensual difícil de domar e por isso era tão fascinante.
Milo se permitiria aquelas duas doses de uísque para fugir daquela realidade dura, até para criar coragem e voltar para casa e enfrentar a ira do ruivo. Não sabia como estavam na verdade, falara todas aquelas coisas, Camus dormiu longe dele durante o resto da madrugada e fora embora da casa de Aiolos deixando-o para trás. Caso conseguisse que o francês quebrasse a indiferença, iriam conversar.
***
Na Fundação Camus observava Hyoga refazer os saltos, passaram pela tarde executando os movimentos e testando a técnica de Hyoga. Ainda não tinham pensado na coreografia, Camus queria primeiro ver do que o russo ainda era capaz. Já anoitecia e Krest perdera todo o interesse pelo gelo, agora estava sentado nos bancos da área técnica mexendo no celular de Hyoga, Camus estava atento aos dois filhos e como ele conseguia isso, para Hyoga era um mistério.
— Hyoga o chefe vai trazer chocolate! — gritou Krest de repente, pulando para o ringue de sapatos mesmo. Hyoga estava em meio à um toe loop e Camus perdeu a aterrisagem perfeita dele para deslizar e ir pegar o garotinho — Ele disse que vai trazer chocolate! — balançou o celular que agora exibia a tela do aplicativo de mensagens. Camus pegou para ver e viu vários áudios enviados, provavelmente por Krest sendo respondidos por Kagaho. Isso o fez rir.
— Seu irmão vai matar você! — Hyoga se aproximava agora para pegar o celular.
— O que fez pirralho? — quando viu a tela ele revirou os olhos — Não acredito que estava mexendo nas minhas mensagens Krest!
— Ele mandou uma mensagem.
De fato, havia uma mensagem de Kagaho enviada antes dos áudios perguntando onde Hyoga estava, que ele queria ir buscá-lo. O loiro mordeu o canto interno da boca e depois suspirou, ia ser bom ver Kagaho de novo. A noite passada foi esquisita, queria desfazer a impressão de dependência que achava que causara.
Aproveitando a pausa, ele e Camus foram sentar nos bancos e o ruivo aproveitou para checar seu próprio celular.
— Nossa, seis ligações da oficina! Mas eu jurava que o Milo estava lá. — Camus imediatamente ligou de volta para depois de alguns minutos esfregar os olhos amendoados e começar a tirar os patins.
— O que foi?! — perguntou Hyoga.
— Um dos elevadores hidráulicos deu problema e derrubou um carro, dois assistentes se machucaram lá. A Seika tá sozinha lá porque seu pai nem deu as caras hoje na oficina esse... — Camus mordeu a língua para não chamar um palavrão — Ela já resolveu parte da situação, mas o dono do carro exige falar com a gente. Ele está possesso!
— E você também, deixa que eu vou lá.
— Não, volte para casa com Krest e eu vou lá sozinho. — Camus se arrumava rápido, quando encontrasse Milo Savalas ia tirar o escalpo daquele grego — Vamos logo!
— Vocês já vão?! — entravam na area de treino nesse momento Shun e Ikki, o ex-ginasta estava indo para lá depois do fim do expediente na administração do projeto e encontrou o irmão no caminho. Já tinha combinado de voltar com os Savalas, ia levá-los de carro.
— Aconteceu um problema na oficina e preciso ir lá. Você pode ir para casa com Shun, Hyoga! Eu vou para a oficina de táxi.
— Então podemos fazer melhor. Vamos para a oficina, eu levo você lá Camus e o Hyoga vai com o Ikki porque ele tá de moto. — Shun resolveu, batendo as mãos de forma animada — A gente leva o Krest.
— Mas eu quero chocolate! O chefe disse que ia trazer chocolate. — Krest estava inconformado.
— Caramba é mesmo, o Kagaho está vindo! — Hyoga estalou a língua, lembrando do "pseudo namorado".
— Melhor irmos, eu compro chocolate para você no caminho Krest. — Camus pegou o filho e as coisas que trouxeram — Você vai ficar e esperar o Kagaho, Hyoga?
— Melhor, ele já deve estar à caminho daqui. — Shun e Ikki já trocavam olhares maliciosos e o russo revirou os olhos para aquilo. À primeira piadinha sobre Kagaho que saísse dali ele iria ameaçá-los com as lâminas de patins.
— Então melhor eu esperar o seu figurão com você, não é bom que fique sozinho com Saga à solta por aí. — Ikki disse já jogando sua bolsa sobre o banco — Quando ele chegar, eu vou embora.
Camus achou a ideia maravilhosa e Hyoga pensou que ele também era um traidor. Não acreditava que teria aquele momento de constrangimento, nem sabia como Kagaho reagiria ao ver Ikki ali, mesmo que não tivessem nada sério. O advogado sabia de seu passado com Ikki e seus sentimentos não superados por ele, duvidava que seria um bom encontro. Mas agora não tinha remédio! Seu padrastro se fora com Shun e Ikki estava acomodando-se nas cadeiras da área técnica.
— Quer dizer que seu namorado está vindo buscá-lo? — Ikki comentou tentando disfarçar a hilariedade, mas o sorriso de lado era cínico e Hyoga estreitou os olhos para ele. Ambos sentados na cadeira dos técnicos, Hyoga tirava os patins.
— Ele não é meu namorado. Kagaho Liang Sing não namora e eu também, dá um trabalho dos diabos! — por estar prestando atenção nos pés marcados pelos patins, Hyoga não viu a expressão de Amamiya endurecer a menção do nome, até o brilho nos seus olhos pareceu diminuir.
— O seu namorado é Kagaho Liang Sing? Aquele advogado dono da Elíseos? — perguntou Ikki tentando manter a voz neutra.
— Sim, ele é um dos donos, tem mais quatro sócios. — Hyoga se ergueu — Já ouviu falar dele? O conhece?
— O conheço, infelizmente. – as palavras de Ikki tinham tanto amargor que Hyoga ficou se perguntando o que Kagaho e ele haviam passado para o moreno ter tanta raiva dele, não lembrava de Ikki ter mencionado Kagaho em algum momento da vida deles juntos. Como eles se conheciam?
— Você quer ver a coreografia que escolhi para competir na competição amadora Ikki? — perguntou de repente, querendo afastar aquele clima estranho entre eles. Fossem lá os problemas entre Ikki e Kagaho, ele veria isso depois.
— Qual coreografia escolheu? — Ikki perguntou casualmente.
— O Cisne Negro.
O queixo de Ikki caiu e Hyoga sorriu vendo que o moreno estava surpreso por isso, só mostrava que podia ainda surpreender Ikki. A coreografia lhe fora dada de presente por Camus, na epoca que participava das classificatórias para as olimpíadas. Na época ele tinha quinze anos e foi um pandemônio quando Camus apresentou a coreografia, na epoca para Milo e para Ikki, o ex-mecanico ficou deslumbrado ao ver o marido executá-la. Contudo ao saber que o filho, seu lindo anjinho de quinze anos a apresentaria nas classificatórias ele teve uma síncope. Ikki Amamiya também surtou e acabou que Hyoga só desistiu da coreografia porque também não se sentia seguro de fazê-la. Quando Camus a fez ela pareceu poderosa, sensual e intimidante e Hyoga achava que nunca conseguiria chegar nesse nível.
O que não era o caso agora.
Agora ele era um homem adulto consciente do próprio corpo e sensualidade, ele sabia que podia seduzir. Ele não tinha então Kagaho Liang Sing? O homem nunca escondeu que era louco por ele, mesmo que fosse apenas tesão. Isso era mais do que suficiente para massagear seu ego, mesmo que ele não fosse tão grande assim por conta dos próprios medos.
— Quer ver? Vamos para a sala de balé, vai ser melhor dançar lá. — convidou já se levantando e pegando suas coisas. Não sabia bem onde estava com a cabeça para fazer aquele convite à Ikki, mas de qualquer forma eram amigos e Kagaho não era seu namorado.
— Você lembra da última vez o que aconteceu com a gente numa sala de balé? — Ikki quase evitou a pergunta, mas acabou por fazê-la porque afinal estavam sozinhos ali e o clima de familiariedade e nostalgia envolvia ambos sem que conseguissem evitar.
— Lembro! E justamente eu estava mostrando O Cisne negro para você. — Hyoga riu e sentiu seu corpo fremir com a lembrança daquele dia.
Haviam transado loucamente no estúdio de balé que Camus fizera para ele na cobertura, correndo o risco de Camus e Milo chegarem e os encontrar. Eles quase os pegaram, mas conseguiram disfarçar e aquilo os divertiu por dias..., Mas agora, trazer essa lembrança à tona só fez Hyoga sofrer e Ikki mergulhar num silêncio constrangido, culpado.
— Tem certeza que quer ver de novo? — perguntou Hyoga abrindo a sala de balé, ainda na escuridão, apenas as luzes do pátio atravessavam as janelas e refletiam nos espelhos.
— Se você conseguir me mostrar. – era para ser um desafio, mas soou como um pedido ansioso como se Ikki soubesse o quanto aquele momento seria difícil para ambos.
Hesitaram por um momento na porta aberta até que Ikki assentiu e ambos entraram. Em silêncio Hyoga foi para o canto ajustar o som e se preparar, jogando a mochila e os patins no canto, pegando as sapatilhas para calçar. Ikki foi sentar perto dos espelhos frontais, no chão mesmo a espera do loiro.
— Agora você acha que consegue executar os passos? — perguntou para quebrar o silêncio – Se sente confiante o bastante para ser o Cisne sedutor de príncipes?
— Bem, digamos que alguém que tem o melhor advogado de Atenas aos seus pés deve ser capaz de encarnar o cisne sedutor. – piscou maroto para Ikki, o que fez o moreno rir e então a musica começou.
De certa forma ter Ikki ali atestando que finalmente ele deixou o menino sonhador e imaturo para trás era reconfortante. Não que agora isso fosse importar, Ikki estava casado com Esmeralda agora e aparentemente superou o namoro deles... Mas Hyoga ainda queria saber, ele precisava que Ikki finalmente deixasse a adolescência deles para trás.
O que Hyoga não sabia era que Ikki retornara para sua velha vida e esperava mesmo encontrar o jovem sonhador e impetuoso que conhecera. Ikki Amamiya havia voltado para encontrar aquela parte nostálgica da sua vida que sentia falta e Hyoga era uma delas, era-lhe dificil dissociar a imagem fragil que criara do russo para com o Hyoga de agora. Ikki não estava preparado para o "novo Hyoga", aquele homem autossuficiente e forte, frio até. Que era consciente da sedução que provocava mesmo não querendo ela. Toda a promessa de beleza da adolescência se concretizara no corpo de músculos firmes e no rosto delineado de malares salientes, os olhos azuis como o mar da Grécia. Ele estava mais alto agora, não poderia mais ser chamado de "pequeno". Isso só acentuava a curvatura esguia, mas sem ser doentia. Tão belo quanto um cisne.
" Não posso acreditar que está com ele, de todas as pessoas..." pensava vendo-o deslizar daquela forma sinuosa pelo estúdio agora iluminado e com a música ecoando pelas paredes. "Porque eu te vejo agora, porque não vi realmente antes? Você o ama? Por favor diga que não, eu não vou suportar!" Gritava intimamente e os olhos percorriam o corpo de Hyoga como se Ikki estivesse desesperado por tocá-lo. Era o encanto do Cisne.
"Não pare de olhar para mim, Ikki. " Hyoga pensou em meio ao movimento de lado, as mãos fluindo para o lado como asas se erguendo para envolver o príncipe de Odete. Ele sentia que era o próprio cisne negro enredando o príncipe da mocinha em seu encanto. A culpa estava lá, mas por hoje deixou que apenas seu ego lhe levasse, por aquela noite não queria saber de mais nada!
E então estendeu a mão para Ikki, num mudo convite de rendição, era o final da apresentação e ele estenderia o convite aos jurados. Mas só havia ele e o moreno ali! O convite era para o único homem que quis ter por toda a vida, quatro anos de distância não mudaram isso. Agora ele o sabia.
Tudo que Ikki fez foi se levantar e em dois passos estava em frente a Hyoga, tão próximos e arfantes como se estivessem corrido quilômetros. Hyoga acabara de dançar por 30 minutos, Ikki tinha escalado a montanha que eram seus sentimentos confusos. Não souberam se foi Hyoga que o envolveu com os braços primeiro ou foi Ikki que o puxou, mas a sincronia perfeita os fez se entregar à um beijo intenso, ávido onde as línguas se encontraram rapidamente comungando o sabor um do outro. O beijo que queriam compartilhar há muito tempo.
"PORRA!!" Ikki pensou, apertando os quadris estreitos de Hyoga junto a si, enquanto vasculhava a boca de coração do outro sem trégua. O desejo queimava entre eles até mais forte do que antes.
"Caia no limbo", pensava Hyoga deixando que as mãos enveredassem pelas roupas do pediatra, sentindo os músculos firmes e a pele quente de Ikki e quase chorando de emoção por isso estar acontecendo. Hyoga não conseguia parar de pensar que estava jogando um ano e meio de renúncias e sofrimento, para o limbo ao cair nos braços de Ikki na primeira oportunidade. "Mas veja isso! ", seus olhos cintilaram pelas lagrimas contidas ao fitar o teto, Ikki abandonara sua boca para descer os labios pelo pescoço e eles estavam se livrando das roupas. "Ele me quer, como sempre foi."
Se afastaram, para Ikki retirar a camisa, Hyoga já tinha a blusa de malha erguida e as calças abaixadas. Antes que Ikki se arrependesse ele levou o moreno até a parede frontal de espelhos, tirando as próprias calças e abrindo as calças de Ikki enquanto se ajoelhava à sua frente. Foi olhando nos olhos índigos embargados de desejo que o russo tirou o membro inchado e teso das roupas e colocou a cabeça na boca, devagar deixando que os lábios deslizassem sobre a glande inchada.
— CARALHO! — Ikki fechou os olhos e bateu a cabeça na parede de espelhos, se apoiando um pouco na barra de aço que servia de apoio para os bailarinos. Hyoga envolveu o que pode com a boca, abrigando o pau do moreno na cavidade aveludada e pressionando a língua, para começar a sugar. Levaria Ikki a loucura para que ele só pensasse neles ali naquele momento. Tudo que aconteceria apartir daquele momento seria consequência do desejo, não importava se estavam prestes a ser pegos. Ele queria que Ikki sentisse novamente! Queria que por pelo menos aquela noite, aquele homem fosse seu.
O Amamiya se afundou um pouco na boca do loiro antes de segurá-lo pela nuca e estocar devagar, sabia que ele aguentava. Antes eles faziam isso e Hyoga foi ficando cada vez melhor, agora parecia que ele se tornara um especialista. Em nenhum momento o russo deixou de olhá-lo e aquilo o enlouquecia. Mais um pouco e estava acabado.
Por isso ele o afastou e em seguida ergueu Hyoga para trocarem um beijo lascivo, o russo lambeu os lábios carnudos do moreno antes que Ikki trocasse de lugar com ele. Hyoga se apoiou com os braços na parede de espelhos e sentiu Ikki colar o corpo dele nas suas costas, as mãos grandes do moreno manipulando com perícia o membro já duro e gotejante do russo, enquanto Ikki mordia sua orelha. Os gemidos de Hyoga saindo baixinho a medida que os movimentos de vai e vem da mão grande se intensificavam. A outra mão de Ikki deslizou pelas nádegas brancas, espalmando-as para então inserir o dedo médio na entrada rosada e Hyoga se retesou, Ikki aumentou os movimentos de vai e vem e retirou o dedo. Chupando dois dedos, umidecendo-os bastante, ele os inseriu de novo e dessa vez Hyoga gemeu alto ao sentir a leve ardência da invasão. De certa forma aquilo também era prazeroso, talvez fosse a expectativa pelo que estava por vir.
Segurando os dois pulsos de Hyoga com uma só mão na parede, Ikki continuou a prepará-lo enquanto esfregava a ereção generosa no corpo do outro, ambos já ofegavam e gemiam enlouquecidos de prazer. Nada havia da brincadeira doce e afobada da adolescência, só havia lascívia e outro sentimento que ambos não conseguiam definir.
E nenhum dos dois pensava que Kagaho estava prestes a chegar.
— Ah Ikki, puta merda que gostoso! — Hyoga se inclinou mais com Ikki segurando seu quadril enquanto começava a penetrá-lo, o moreno mordia o lábio e as mãos apertavam a carne branca dos quadris com força, provavelmente deixaria marcas. Mais marcas, pois mesmo em meio a névoa do prazer ele conseguia distinguir algumas marcas no corpo do loiro, nas costas, nos pulsos que Hyoga apoiava nos espelhos.
"Ele está machucando você?", constatou e ficou furioso com esse pensamento, começando a arremeter forte e rápido e Hyoga gritou cerrando os punhos e jogando a cabeça para trás. Ikki havia acertado sua próstata e ele viu estrelas. O moreno levou as mãos aos mamilos sensíveis apertando-os entre os dedos e então sussurrou no ouvido de Hyoga.
— Você gosta da dor? Ou você deixa ele te bater porque acha que não é bom o bastante para ele? Hã?! — Ikki deixou a língua traçar o caminho do pescoço até o ombro de Hyoga, deixando um chupão na curvatura — Porque deixa ele te bater?! Vamos me diga?!
— Não... E-eu... AAAH! Porra Ikki! — Hyoga não conseguia atinar nada, não conseguia processar o ciúme e a raiva nas perguntas de Ikki com ele tocando insistentemente sua próstata, com estocadas curtas e rápidas, precisas ou reboladas gostosas que eram seguidas de movimentos lentos. O russo quase não conseguia se manter em pé!
Ikki se retirou de dentro de Hyoga, virando-o de frente e fazendo-o abrir os olhos surpreso pela interrupção. O rosto do moreno estava retorcido pela raiva, Hyoga engoliu em seco e baixou o olhar, sentindo a culpa e a vergonha lhe inundarem.
— Me ama Ikki, só por hoje... Me ama. — murmurou baixinho se aconchegando no peito largo do moreno sentindo ainda mais humilhação por estar implorando aquilo para Ikki — E esquece que eu sou assim.
Ikki tomou os lábios de Hyoga em um beijo de novo e sentando, trouxe o loiro para o seu colo fazendo-o se encaixar no falo em riste. Hyoga foi descendo sentindo o moreno preenchê-lo o que o fez gemer de novo, os olhares se encontraram e havia raiva no olhar de Ikki, mas também havia arrependimento e amor.
Hyoga começou a cavalgá-lo, apoiando os joelhos no chão e as mãos nos ombros largos com Ikki ajudando-o a se movimentar. Agora o moreno podia ver melhor a expressão de prazer do amante, os olhos apertados e a boca entre aberta em busca de ar. Os gemidos desenfreados ecoando pela sala junto com os seus...
"Você ficou melhor ainda, não foi? É por isso que ele é louco por você!" Ikki elevou os quadris estocando profundamente até que Hyoga se retesou e arquejou, cravando as unhas nos ombros do moreno e este segurou Hyoga no lugar enquanto ambos gozavam abundantemente.
Por fim Hyoga se deixou cair sobre Ikki que deixou o seu peso sobre o chão e a parede de espelhos, sem forças para mais nada além.
Deus eles tinham acabado de transar na sala de balé! Ambos pensaram se olhando em surpresa e também constrangimento até que uma voz chamando o nome de Hyoga os fez se erguer rapidamente assustados.
— Puta que pariu! — Hyoga xingou baixinho catando as roupas e as vestindo apressado, Ikki fazia isso também, mas de forma mais lenta como se não se importasse com o fato de que Kagaho estava prestes a entrar ali — Esqueci completamente dele!
— Bom pelo menos para alguma coisa essa loucura serviu... Cristo olha que... — retrucou o moreno de forma rude — Será que agora você pode se tocar e acreditar que não precisa sofrer para ficar com alguém? Por que deixa ele te torturar? Você não precisa disso!
— Não vamos começar essa conversa! Quem está casado aqui? Não sou eu que estou arrependido de ter deixado tudo para trás. — espetou Hyoga, já todo vestido e indo em direção a porta com as suas coisas — Ele não está me torturando caramba! – Hyoga virou para Ikki, o semblante do moreno era fechado, mas ele conseguia ver que ele estava envergonhado e arrependido – Não mais que essa sua cara de arrependimento!
Sem esperar a resposta dele, Hyoga colocou a mochila no ombro com seus patins dentro e saiu da sala, estava de sapatilhas ainda, mas seria o jeito. Tentou se arrumar o melhor possível para que Kagaho não desconfiasse de nada, não valia a pena deixá-lo saber.
— Ah você está aí! — disse o advogado quando o viu sair da sala de balé, já estava na metade da grande área que englobava o ringue de patinação e a área dos técnicos — Já estava pensando que você tinha ido embora, mas na portaria tinham me dito que você ainda não havia saído.
— Eu estava na sala de balé. — Hyoga usou seu melhor sorriso, Kagaho já próximo tentou trazê-lo para junto de si, mas o russo o afastou – Eu tô fedendo! Tô treinando desde às quatro da tarde.
— Você está mesmo! — Kagaho o olhou detidamente e então o puxou para perto, afundando o nariz na curva do pescoço de Hyoga antes de se afastar e o encarar com um olhar quase homicida – Fedendo a sexo! Eu consigo sentir o cheiro de porra em você à quilômetros! Estava treinando ou fodendo desde às quatro?!
Hyoga engoliu em seco pensando rapido no que dizer, mas não encontrando nada bom o suficiente para negar. Abriu a boca para falar, mas a fechou porque não era bom em mentiras. Fora ingenuidade achar que Kagaho não notaria!
— Com quem você estava? — apesar da ira evidente no olhar dele, Kagaho falava baixo e talvez isso fosse o mais assustador de tudo — É o seu novo treinador? E então você como um puto não conseguiu ficar perto dele sem se oferecer?!
— Não fale assim de mim! E me solta, nós nem temos nada sério para você ficar desse jeito. — Hyoga tentou se desvencilhar, Kagaho mantinha-o perto porque segurava ele pelo pulso.
— Porque eu ia querer algo sério com você? Você é um puto! E toda aquela conversa de trauma, de insegurança…TUDO MENTIRA! — Kagaho largou Hyoga, quase o empurrando para longe de si. Estava tão furioso que não se reconhecia! Ele nem acreditava que estava passando por aquela situação, quando imaginou ficar correndo atrás de um cara da maneira que fazia com Hyoga.
— Não é mentira! Você não sabe de nada, nunca passou por nada parecido. Quer saber? Vai se foder, eu não preciso dar satisfações a você! Você não é meu dono. —gritou Hyoga se aproximando de Kagaho, sentindo-se humilhado por ele estar falando aquelas coisas dele. Mesmo que ele tivesse se deixado levar pelo momento e por Ikki, ainda sim não era um puto!
Mergulhado em sua indignação, Hyoga não foi rápido o bastante para perceber e desviar, então apenas sentiu sua visão falhar e o punho de Kagaho o atingir. Uma vez e então outra, com o advogado segurando-o pelo colarinho preparando o terceiro golpe quando um vulto se jogou sobre ele.
Hyoga caiu no chão aturdido por ter sido socado e chocado por ver que Ikki tinha derrubado Kagaho e estava prestes a socá-lo também. Mais surpresa causava, a aparente paralisia de Liang Sing.
A raiva de Kagaho fora toda substituída pelo choque. Não acreditava no que seus olhos viam! Parecia como se olhar num espelho, mesmo que houvesse a pequena diferença das leves linhas de expressão em seu rosto, na cicatriz que ia da sobrancelha até o início do nariz no rosto furioso acima de si. Mas não havia como negar a semelhança e nem o seu coração acelerado e comprimido agora no peito. Fazia tanto tempo que não o via! Para encontrá-lo assim?!
— EU VOU MATAR VOCÊ SE ENCOSTAR NELE DE NOVO OUVIU?! — Ikki o ergueu pelo colarinho, estava gritando e havia tanto ódio em seu olhar — Você nunca mais vai encostar nele de novo!
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