Amor Selvagem
8 Você é melhor que todos
Notas iniciais
A noticia do casamento de Lily deixou Emma devastada. Não seria possível que a loira tenha sido tão burra a tal ponto. Desde que Noel deu a noticia a loira ficou calada, fazia pressão em seu peito como se assim fosse possível acabar com toda a dor que estava sentindo. Não era certo, seu padrinho estava enganado, só existia essa razão, Lily não seria capaz de enganá-la assim.
Noel estava sem saber o que fazer diante da situação, era nítida a angustia de Emma. Nunca em toda sua convivência da loira ele a viu assim, calada, perdida. Tentou se aproximar, mas Emma ergueu o braço em um pedido mudo para que ele não se aproximasse.
— Emma, filha...
— Não padrinho. – disse ela encarando o advogado. – Isso não pode ser verdade. – concluiu ela com os olhos marejados.
Emma estava se sentindo uma estupida, nunca havia confiado tanto em uma mulher como tinha feito com Lily. Na verdade ela estava provando o sabor da rejeição que sempre causou nas outras mulheres que já teve em sua cama.
— Filha, me conta o que houve entre vocês. – pediu ele calmamente.
Depois de mais algum tempo em silencio, Emma relatou tudo o que passou com Lily. Falou de todas as promessas e entrega. O advogado estava pasmo, sabia que Emma não estava mentindo, ela nunca tinha mentido para ele, na verdade todos sabem como a capitã detesta mentiras. Só não estava acreditando que Lily foi capaz de tal ato.
— Filha, eu não estou entendendo tudo o que você me falou.
— Ela... ela me prometeu... jurou me esperar.
— Como? Se já estava comprometida com Neal antes da sua viagem?
— Não. Ele estava comprometido com sua irmã. – falou a loira segurando as lágrimas.
— Isso foi antes. Inclusive acredito que Regina entrou para o convento por decepção, por que Neal preferiu Lily ao invés de se casar com ela.
— Isso.. não pode estar certo. – falou tentando acreditar que tudo não passava de um pesadelo.
— Emma, eu conheço a família Mills a muito tempo e sei o que estou falando. – falou firme. – Lily e Neal ficaram noivos desde que ele voltou da Europa. Na verdade estou abismado com tudo isso. Nunca pensei que essa menina pudesse fazer isso. – disse Noel sentando em sua cadeira.
— E onde estão? – perguntou Emma sem prestar atenção nas palavras do padrinho.
— Talvez na fazenda. Acho que não irão sair a noite para a viagem de lua de mel. – confessou o advogado.
Emma sabia que mesmo duvidando, seu padrinho não mentiria para ela e a raiva tomou conta de seu ser. Naquela hora, ela prometeu para si que nada disso ficaria barato. Iria se lavar sua honra e precisava enfrentar Lily e Neal, que para ela só queria destruir sua felicidade. E sem dizer mais nada a loira se dirigiu para a porta.
— Emma Espera! – disse Noel indo atrás da loira. – Espera Emma, onde você vai a essa hora? – insistiu, mas a loira não queria ouvir mais nada.
Emma saiu rumo a sua casa. A raiva e o desejo de encontrar a ordinária por quem havia se apaixonado era enorme. Sabia que não teria como ir a fazenda nesse momento, mas com certeza iria lavar sua honra.
— Ruby! – Emma chegou em casa gritando por sua amiga. – Ruby!
— O que aconteceu mulher? – perguntou a morena saindo de seu quarto.
— Quero que pegue esse dinheiro e compre um cavalo. – pediu Emma, mas seu pedido saiu mais como uma ordem.
— Agora? – perguntou Ruby quando Emma lhe entregou o dinheiro.
— Agora. Preciso para hoje.
— Mas a essa hora...
— Por favor... – interrompeu a amiga. – Só o compre, eu sei que não será difícil de conseguir. – falou a loira em um tom mais baixo, amargurado.
Ruby vendo sua amiga ali em sua frente tão triste não contestou, saiu de casa em busca do tal cavalo. Na verdade ela já sabia onde iria conseguir, um seus afetos tem alguns animais e com certeza não seria difícil convencê-la a se desfazer de um.
[SQ]
Regina estava em seu quarto pronta para ir dormir quando Cora entrou e se sentou na beirada da cama.
— Mamãe? – falou Regina estranhando por Cora estar em seu quarto. Na verdade a essa hora a senhora já deveria estar dormindo.
— Quero falar contigo meu amor. – disse Cora aflita.
— O que foi, aconteceu alguma coisa? – perguntou Regina segurando a mão da senhora.
— Estou preocupada filha... sua irmã casou hoje e terá a primeira noite com o marido e... se for verdade tudo aquilo que me disseste que ela... se entregou aquela mulher... tenho medo que Neal descubra. – falou sem jeito.
— Isso é possível? – perguntou Regina com sua ingenuidade.
— Claro meu amor... os maridos sabem dessas coisas.
— Como? – quis saber.
— Olha... agora não tenho tempo de te explicar. – disse Cora envergonhada. Para ela era difícil falar de certas intimidades com a filha. – Só quero que me digas se você falou aquilo para desfazer o compromisso de sua irmã...
— Não mamãe, tudo o que eu disse foi o que Mary me contou. – falou Regina chateada por sua mãe não acreditar em suas palavras.
— Ela pode ter mentido filha.
— Como mamãe? Se eu mesma já as vi juntas.
— Mas talvez tenham só conversado. – insistiu Cora querendo acreditar que Lily nunca seria capaz de se entregar a alguém antes do casamento.
— Talvez, mas não acredito mais em Lily e só não falei nada porque Neal não merece essa decepção.
— Deixa de pensar em Neal e pensa na nossa família. Se esse casamento acabar nossa família ficara mal falada e será ruim para você também filha, se acontecer um escândalo desse será difícil encontrar um pretendente para você.
— Quanto a isso não se preocupe, pois, não pretendo me casar. – disse Regina firme.
— Não diga isso filha. Você é uma mulher tão linda e ...
— Mamãe. – disse Regina interrompendo a fala de Cora. – Fique tranquila, Neal ama a Lily. – falou triste. – Agora... eu estou com sono. – disse Regina e Cora se retirou do quarto.
[SQ]
O dia mal começou e Emma já estava galopando rumo a fazenda. Lily teria que explicar por que de ter se casado com Neal e depois de ouvi-la ela iria falar para todos tudo o que aconteceu entre elas.
O cavalo ia rápido, Emma querendo chegar a tempo de ainda encontrá-los na fazenda. As horas do percurso parecia anos para a loira. Assim que chegou a fazenda a loira e desmontou encontrou Regina que estava vinda da capela.
— O que está fazendo aqui? – perguntou a morena assustada.
— Lily ainda está na fazenda? – perguntou parando em frente a morena.
— Como se atreve a vir aqui? – Regina estava assustada sem saber as razões de Emma para estar na fazenda.
— Como ELA se atreveu a me enganar. A dizer que iria me esperar. –falou Emma com raiva. – Sabia que ela era minha amante. – disse Emma e Regina a olhou assustada. –Sim, minha amante.
— Não é verdade.
— É sim e você sabe. E agora está casada com outro quando disse que ficaria comigo.
— Deve haver algum engano.
— Não há engano nenhum. Ela me enganou, me iludiu. Por ela eu fiz essa viagem para conseguir dinheiro e podermos ficar juntas. E sendo assim ela vai ter que cumprir sua promessa. – disse Emma indo em direção a casa, mas Regina segurou seu braço fazendo assim se encararem.
— Por favor eu te peço, te suplico, Neal não tem culpa de nada ele também é uma vitima disso tudo. – pediu Regina com medo que Emma fizesse algo de ruim com o rapaz.
— Isso não me importa!
— Por favor, o senhor Noel me disse que você é uma pessoa justa que não faz mal a inocentes.
— Aqui não tem nenhum inocente. – disse Emma olhando a morena.
— Mesmo assim, eles já saíram para a lua de mel. – mentiu para tentar fazer Emma ir embora. – E depois já estão casados... se houve algo entre você já acabou.
— Isso veremos. –falou Emma. – Quando voltam?
— não sei. Foram para a Europa... Por favor vá embora... eu prometo que darei o que você quiser. – suplicou Regina.
— O que eu quiser? – perguntou Emma se aproximando de Regina lentamente. – Tem certeza? – perguntou a loira presa nos olhos castanhos.
— Sim. – falou a morena em tom baixo.
— Pois bem, perdi uma mulher. – Falou a loira deixando seus corpos a poucos centímetros de distancia. – Talvez me acalme se conseguir outra. – confessou Emma puxando o corpo de Regina de encontro ao seu. Ela estava certa que agora provaria aqueles lábios que tanto tem desejado. Regina sentiu o corpo estremecer com o contato, não sabia se por medo que Emma lhe fizesse alguma coisa ou por estar gostando de tal proximidade, porem, se afastaram quando ouviram Neal chamar o nome da loira.
— Não disse que já tinham ido? – perguntou Emma estreitando os olhos.
— Sim, sairiam cedo. – falou desconcertada.
— O senhor Noel disse que estavas viajando. – falou Neal sorrindo ao se aproximar.
— Sim, mas já estou aqui. –falou a loira friamente.
— Fico feliz que tenha vindo. Por que Don Noel não veio a meu casamento?
— Teve um compromisso.
— Certo. Quero que conheça a minha esposa. – disse Neal orgulhoso.
— Claro. – Respondeu Emma sorrindo e olhou para Regina uma ultima vez antes de seguir o rapaz.
Foram a caminho da casa principal com Neal falando sem parar. Regina temendo alguma tragédia os seguiu. Assim que entraram encontraram Cora e Lily conversando. A morena estava de costas para a porta por isso não os viu entrar.
— Lily quero que conheça uma velha amiga. –disse Neal.
Assim que Lily virou ficou em choque. Seus batimentos mudaram o ritmo, estava feliz por rever Emma, mas também apavorada sem saber os motivos da loira para estar ali. Não sabendo como agir em tal situação Lily fingiu um desmaio. Assim que caiu no chão Neal correu ao seu encontro a erguendo nos braços e indo em direção ao quarto.
Emma abriu um pequeno sorriso vitorioso e cruzou os braços olhando para Regina que tinha os olhos arregalados.
— Já conseguiu o que queria. Por que não vai embora. – pediu Regina com medo de que Neal ficasse sabendo de toda a história.
— O que queria? – Emma sorriu com deboche.
— Sim, que soubessem que você e minha irmã tiveram algo, afinal, seu desmaio significou alguma coisa, pelo menos para mim e minha mãe tenho certeza.
— E você acha que isso me deixou satisfeita? Eu nem comecei. – afirmou Emma.
— O que quer dizer? – perguntou Regina, mas Emma não respondeu porque Neal voltou a sala e foram para o escritório deixando Regina apavorada.
Assim que se viu sozinha na sala, Regina correu para o quarto da irmã. Ela tinha certeza de que uma tragédia estava por vir.
No quarto estavam Cora, Sofia e Sandra. Quando Lily percebeu a presença da irmã pediu para ficar sozinha com ela e as mulheres saíram do quarto.
— Onde está a Emma? – perguntou Lily assim que estavam sozinhas.
— Como você teve coragem de se entregar a essa mulher quando estava comprometida com Neal? – Perguntou Regina sem responder a pergunta da irmã.
— O que ela te disse? Por que está aqui? – Lily estava assustada.
— Como por que está aqui?! Veio atrás de você. Veio dizer toda a verdade a Neal e com certeza já está fazendo isso nesse exato momento.
— Por favor Regina você tem que impedi-la de falar com Neal. – pediu Lily.
— Impedi-la? – sorriu. – Você a conhece melhor que eu e sabe que não é fácil para-la quando quer alguma coisa. – disse Regina com raiva.
[SQ]
Neal estava no escritório tentando convencer Emma a aceitar o cargo de administradora da fazenda. Ele não havia desistida de ajudar a mulher a sua frente e faria de tudo para fazê-lo. Emma, por outro lado sabia que nunca iria tolerar receber ordem de Neal, mas sua intenção era passar pouco tempo naquele lugar e por isso estava ponderando sua decisão.
— Então Emma, o que me diz?
— Está bem. Aceito sua proposta. – respondeu e viu o sorriso do rapaz se alargar.
— Dom Noel teimou comigo que eu não conseguiria convencê-la. Quero ver a cara dele quando souber que eu consegui. E quando poderia começar? – o rapaz estava animado.
— Hoje mesmo. – falou a loira firme.
— Clora que você sabe que terá que morar aqui, não.
— Sim.
— Vou providenciar um quarto para você aqui em casa. Já sei até qual será, tem um quarto que possui um pequeno escritório. – falou empolgado.
— Agradeço por isso. – a loira forçou um sorriso. – Será que tem alguém que possa ir ao povoado?
— Sim. O Killian, por quê?
— Tenho que pegar minhas coisas, afinal, só vim com essas roupas.
A conversa prosseguia quando Sofia entra no escritório e fica em choque ao ver Emma ali. Não era possível como essa mulher se parecia com seu esposo. Só poderia ser uma brincadeira de mau gosto do destino.
— Essa é a Emma, mamãe. Vejo que se lembra dela. – disse o rapaz vendo sua mãe parada no escritório.
— O que você faz aqui? – pergunta Sofia entre dentes.
— Emma, você poderia me deixar falar com minha mãe? – pediu Neal já sabendo que Sofia não ficaria calada sem distratar a loira.
— Claro. Com licença. – disse a loira levantando e indo em direção a porta. – A senhora não mudou nada. –afirmou Emma ao passar por Sofia.
— O que ela veio fazer aqui? – perguntou Sofia assim que Emma deixou o local.
— Mamãe, não sei porque tens tanta raiva de Emma.
— Porque é uma ladra, uma assassina e todo mundo sabe.
— O mundo se engana a respeito de Emma, deixe-me provar o contrário, dar uma oportunidade...
— Não! – interrompeu Sofia. – Quero que ela vá embora imediatamente. – ordenou.
— Sinto muito, pois acabo de nomeá-la administradora da fazenda. – falou Neal autoritário.
— Administradora? Isso é loucura... ficou louco por acaso? – Sofia não estava acreditando no que Neal fez.
— Don Noel disse que ela é uma mulher instruída, foi ele mesmo que a ensinou.
— Queres que nos roube, que acabe com nossa fazenda?
— Mamãe. JÁ CHEGA! – gritou Neal. – Desculpe, mas a senhora me tira do sério as vezes. – disse ele respirando fundo. – E tem mais, só estou cumprindo o ultimo desejo de meu pai.
— Não me venha com isso de novo? Não quero ter que olhar para ela dia após dia. – falou alterando a voz.
— Me dê uma razão para isso. Só uma e talvez eu peça que ela vá embora.
Sofia nada disse. Não queria e não podia deixar que Neal saiba que ele e Emma são irmãos seria muita humilhação dizer a todos que seu marido tinha uma filha bastarda. Sabendo que não tinha como fazer seu filho mudar de ideia ela saiu do escritório batendo a porta.
[SQ]
Regina estava em seu quarto rezando para que nenhuma tragédia acontecesse. Sabia que Emma não desistiria fácil e tinha medo da reação de Neal ao saber de toda a história. Era capaz de se matarem por conta da idiota da irmã. É tirada de suas orações com Zelena que acabara de chegar para visitá-la.
— É verdade que sua irmã desmaiou? – perguntou a ruiva assim que entrou.
— Zel. – disse Regina sorrindo. – Quando chegou?
— Há algumas horas. Estava com Gold, estávamos caminhando pela fazenda. Ele é um homem bem instruído sabe de tantas coisas. – falou sorrindo sem perceber que a amiga não prestava atenção em nada que falava.
— Sim. – respondeu a morena sem saber ao certo sobre o que a amiga falava.
— Ei. – disse Zelena se sentando ao lado de Regina assim que percebeu que a morena não estava bem. – O que aconteceu? – perguntou preocupada segurando a mão de Regina.
— Emma está aqui. – falou assustada.
— Aqui? Mas... para que? – foi pega de surpresa.
Zelena já sabia de toda a história e como Regina agora estava temendo que algo de ruim acontecesse.
— Como para que, Zel. Veio atrás de Lily e nesse momento está com Neal no escritório, talvez já estejam se matando.
— Calma, se realmente isso estivesse acontecendo já estávamos ouvindo os gritos não? – disse a ruiva tentando acalmar Regina.
— É... você tem razão, mas Emma está com raiva e não tiro a razão dela. A culpa é da Lily que prometeu espera-la para ficarem juntas e o que a minha irmã fez? Casou-se com outro decretando uma guerra que nem quero pensar em quando vai começar.
[SQ]
Depois de ter saído do escritório, Emma foi caminhar pela fazenda. Não sabia como, mas acabaria com esse casamento e levaria Lily com ela. Sabia que gostava da garota, mas não a perdoaria por tê-la enganado e quando estivessem longe iria fazer Lily sofrer por tal ato.
Estava passando pelo portal de entrada quando um coche parou. Segundo depois Noel saiu apressado.
— Eu sabia que estaria aqui. O que fez? O que falou para Neal? – perguntou temendo ouvir a resposta.
— Nada.
— Nada? Quer dizer que não falou para Neal que... que...
— Que se casou com minha amante? – concluiu a frase que o padrinho não conseguia terminar. – Não, eu não disse.
— Não repita isso aqui. – pediu o advogado.
— Por quê? Agora é errado dizer a verdade? – perguntou com deboche.
— Não me venha com deboche. Você não sabe o que passei para chegar aqui. Tive que alugar um coche.
— Sinto muito.
— Não seja irônica. E porque ainda não foi embora? Não conseguiu falar com Neal ainda?
— Sim, falei com ele e agora sou a nova administradora da fazenda.
— O que? Como assim? – perguntou Noel pasmo.
— Não sei porque dessa sua estranheza, afinal, deveria ser dona disso aqui ou pelo menos dona da metade.
— Já chega Emma.
— O senhor deveria ter visto a cara de espanto de dona Sofia. – sorriu. – Parecia ter visto um fantasma.
— Claro. Você é idêntica a seu pai.
— Ótimo. Assim todo mundo fica sabendo da verdade.
— Chega, filha. – pediu o advogado cansado de toda essa história. – Porque você aceitou a ajuda de Neal justo agora que não precisa? Por que agora que é uma mulher rica?
— Eu gosto da fazenda.
— Ok. Mas agora você irá voltar comigo para o povoado. – ordenou Noel e foi em direção ao coche, mas parou de andar com Neal o chamando.
— É bom vê-lo Don Noel. – disse Neal parando a seu lado.
— Oi Neal. – sorriu para o rapaz.
— A Emma já lhe falou que agora é a nova administradora da fazenda? – perguntou ele convencido.
— Sim.
— Eu disse ao senhor que a convenceria. Vamos entrar? – Pediu e os três foram para a casa grande.
Passaram a tarde conversando, Neal sempre deixando claro o quanto considera Emma uma amiga, na verde segundo ele a primeira amiga que teve. No final da tarde vieram chamar Emma para conhecer seu quarto e dizer que suas coisas já estavam lá.
A loira pediu licença e seguiu a criada. Assim que ficou sozinha andou pelo cômodo o reconhecendo. Era um bom quarto, tinha um saleta onde tinha realmente um escritório com uma escrivaninha, uma poltrona próximo a janela e alguns armários. No canto esquerdo havia uma porta onde ficava outro ambiente com uma cama larga, dois criados mudo, um guarda-roupa e outra porta que dava acesso ao banheiro. Tudo muito luxuoso para Emma que nunca teve nada assim.
A loira depois de ver tudo resolveu tomar um banho, pois em algumas horas seria servido o jantar. Quando estava desabotoando a camisa ouviu passos em seu escritório e foi ver quem era. Assim que chegou na ante sala Lily veio em sua direção.
— Se aproxime e eu mato você. – disse Emma com raiva e a morena parou.
— Emma...
— O que quer aqui? – perguntou sem deixar a morena falar.
— Falar com você.
— Falar o que? Que está feliz com um marido rico, que agora é dona de uma fazenda e pode comprar joias e roupas chiques?
— Não Emma. Eu fiquei muito triste porque soube que iria ficar anos na cadeia e tive casar porque minha mãe me obrigou, pois estamos arruinadas sem dinheiro. – falou com os olhos úmidos.
— Por favor chega de mentiras. – disse Emma sentando-se.
— Eu juro...
— NÃO JURE NADA! – gritou assustando Lily. – Você é pior do que se pode imaginar... vagabunda, hipócrita...
— Não vou permitir que me destrate em minha casa. – falou Lily com raiva.
— Ah não! E vai fazer o que?
— Vou gritar e serei eu a dizer toda a verdade.
— Tudo bem, grite! Chame todos da casa aqui e quando seu marido for tirar satisfação terei o prazer em mata-lo. – disse Emma levantando e se aproximando da morena.
— Está bem. Mas eu sei que no fundo ainda me amas assim como eu te amo. – falou Lily chorando.
— Está muito enganada. O que eu sentia por você acabou, morreu no momento em que te vi naquela sala falando toda feliz com sua mãe. – falou Emma entredentes.
— É mentira. Você me ama. Eu entendo que estás magoada...
— VOCÊ NÃO ENTENDE NADA! Sai do meu quarto. – ordenou a loira.
— Por favor Emma, eu preciso te explicar....
— Não quero nenhuma explicação. – disse interrompendo Lily. – A única forma de eu te perdoe e me fazer esquecer tudo... é você fugir comigo. – disse a loira se aproximando de Lily.
Enquanto Lily estava no quarto de Emma, Regina a estava procurando a pedido de Cora que julgava um perigo Lily estar fora do quarto depois de passar mal. Regina já havia andado por muitos lugares e não encontrou nenhum sinal da irmã. Quando estava voltando para casa avistou Emma e parou bruscamente.
— Por que está com medo? Ainda não falei nada. – disse a loira parando de frente para Regina. – Sei que todos estão se perguntando por que ainda não disse a verdade a Neal.
— Lhe agradeço por seu silencio.
— Não agradeça nada. – disse Emma calmamente analisando o rosto da morena.
— Eu acho que não foi certo você ter aceitado o cargo de administradora da fazenda.
— Por que não? – estava curiosa.
— Por prudência. – disse Regina olhando Emma nos olhos. – Lily está muito arrependida do que te fez e...
— Eu realmente não sei se você é muito ingênua ou ... uma mentirosa igual a sua irmã. – disse Emma com um sorriso fraco. – Sua irmã é uma vagabunda e vagabundas igual a ela não se arrependem. Além do mais foi ela que me procurou, ficavam rondando minha casa me observando... agora me diga quem pode resistir a uma mulher que se joga sobre você como ela fez? E não só conseguiu o que queria, mas também me deixou louca como uma idiota, tanto que arrisquei minha vida nessa viagem e sabe porque? – mais um sorriso de frustração. – Para que eu pudesse lhe dar uma vida boa, honesta com todas esses idiotices que sua gente quer ... família, conveniência, um nome importante e fiz tudo isso porque ela disse que me queria, que me aguardaria voltar para podermos casar e quando eu consigo tudo e volto acreditando naquela ... meretriz a encontro casada vivendo tudo o que prometeu viver... comigo.
— Eu entendo, mas para que revelar tudo agora para Neal? Eles já estão casados. Por favor seja generosa e não destrua a vida de Neal que não tem nada com essa história. – suplicou.
— Generosa. – sorriu e olhou para os lados e não descontar sua raiva em Regina que percebe-se que não sabia de nada. – Só as pessoas feliz podem se dar ao luxo de ser generosa e eu... eu estou a ponto de me transformar em um demônio com o que estou sentindo. – falou a loira e saiu dali jurando que Lily iria pagar por tudo.
[SQ]
Assim que o jantar ficou pronto Cora foi chamar Sofia para a refeição, mas esta se recusou em dividir o mesmo ambiente que Emma. Vendo que sua prima não cederia Cora voltou para sala de jantar onde todos os outros já estavam saboreando a comida.
— Em todo o pais há uma grande desigualdade e a população já está farta. – disse Noel dando continuidade ao assunto da mesa.
— Don Noel, sempre foi assim e sempre será. Existe pessoas ricas e pessoas na miséria é a lei da vida. – disse Gold.
— Você diz isso porque sempre teve tudo. Se tivesse que lutar todos os dias contra a fome e a miséria com certeza não estaria assim tão conformado. – responde o advogado encarando o rapaz.
— Dou graças a deus por não fazer parte dessa realidade, mas acho que nessa vida todos tem o que merecem. – falou Gold recebendo olhares de reprovação de Regina e Emma. – O que você acha Emma?
— Nada. – respondeu entredentes.
— Não lhe agrada expressar sua opinião? – insistiu Gold.
— Com pessoas que só falam por falar? – encarou Gold. – Não. – Disse e se retirou da mesa.
— Que grosseria abandonar a mesa em meio a refeição. – disse Lily.
— A culpa é sua Neal por forçar-nos a compartilhar a mesa com uma pessoa tão rustica como Emma. – continuou Gold.
— Desculpa por dizer isso Gold. Mas você foi o primeiro a ofendê-la. – Falou Regina que não estava gostando das afirmações de Gold.
— Filha. – disse Cora para que ela não falasse mais nada.
— É verdade mamãe. Não se pode dizer a alguém que viveu na pobreza e luta com todas as forças para sobrevier, que tem o que merece. – falou ela encarando Gold.
— Filha, por favor. – insistiu Cora.
— Não Cora, deixe que ela expresse sua opinião. – pediu Gold. – Então você acha que Emma merece mais do que tem?
— Não a conheço o suficiente para afirmar nada. Mas tenho certeza que existem muitos que tem tudo sem merecer. Com licença. – Concluiu seu pensamento e se retirou da mesa.
Emma que parou assim que ouviu Regina começar a falar estava com um sorriso nos lábios depois de ouvir tudo o que a morena havia falado e com esse sorriso ela seguiu para seu quarto e assim que entrou seu sorriso se alargou, pois, Ruby a estava aguardando.
— Ruby! O que faz aqui? – abraçou a amiga.
— Vim trazer suas coisas. Agora eu que pergunto, o que você faz aqui?
— Senta. – disse Emma sentando-se ao lado da amiga. – Lily acabou de casar com Neal e ele e eu somos filhos do mesmo pai. – falou e viu sua amiga abrir a boca sem acreditar no que estava ouvindo.
[SQ]
Assim que acordou Regina ajudou Zelena a arrumar suas coisas já que a ruiva voltaria para o povoado. Depois de tudo pronto Regina foi com sua amiga até o coche trocaram algumas palavras e a ruiva se foi. Quando a morena entrou em casa deu de cara com Emma.
— Por que você ainda está aqui? Por favor vá embora e não volte mais. – pediu Regina.
— Você não sabe falar outra coisa? É sempre vá embora, vá embora, já estou cansada de ouvir sempre a mesma coisa. –disse Emma pondo as mãos na cintura.
— Você não vê que essa situação já está passando dos limites? Aceite o que aconteceu e vá embora!
— Eu irei, mas não vou sozinha. – confessou Emma.
— O que quer dizer?
— Quando eu for embora levarei sua irmã comigo.
— Ficou louca!
— Ela me quer, do jeito dela, mas me quer. Não será tão difícil convencê-la. – disse com total certeza.
— Você não pode fazer isso!
— Quem vai me impedir? Você? Neal? – sorriu com deboche.
— Não é justo que destroce a vida e a honra de um homem, há um deus no céu e ele não permitirá...
— Por favor! – interrompeu Emma. – Não seja infantil. Me diga uma coisa. Você não faz isso por sua irmã... É por Neal, não é? – perguntou e viu Regina mudar, seus olhos umedeceram e os lábios ficaram trêmulos anunciando que estava prestes a chorar. – Agora dou razão ao meu padrinho quando diz que você entrou para o convento por decepção, por que foi trocada por ela. – disse Emma não para machuca-la e sim por ter certeza naquele momento que a morena a sua frente sofre por um idiota. – Como é possível que defenda tanto a felicidade de um homem que a trocou por outra? – perguntou e Regina saiu correndo dali podendo finalmente deixar as lágrimas caírem.
Assim que Regina saiu, Emma se arrependeu de suas palavras. O pouco tempo que conviveu com Regina pode perceber que ela é uma mulher de caráter, doce, bondosa a tal ponto de se sacrificar para que a pessoa que ama seja feliz. Totalmente diferente da irmã que é uma cobra. Os poucos segundos que ficou ali decidiu procurar por Regina e assim o fez. Saiu por todos os lugares da fazenda tentando encontrar a morena e a encontrou sentada a sombra de uma árvore. Estava triste, cabisbaixa e seu rosto possuía marcas deixadas por lágrimas. A loira sentiu seu peito apertar com tal visão e se aproximou lentamente. Assim que Regina percebeu a loira próxima de si levantou-se para ir embora, mas teve seu braço seguro por Emma.
— O que quer agora? Humilhar-me mais? – perguntou Regina soltando-se do agarre da loira.
— Quero... me desculpar pelo que falei a pouco. Sei que já percebeu que... não é fácil para mim pensar antes de falar. – disse se aproximando da morena que baixou os olhos. – Mas... também quero dizer que... se você tivesse sido prometida a mim... só sendo cega, surda ou louca para te deixar por outra. – confessou. – principalmente por alguém tão baixa como sua irmã. – Levou a mão ao queijo de Regina e a fez olhá-la nos olhos. – Então, por favor, não sofra por quem não te merece. Você é muito melhor que todos, não permita que te humilhem, que te afrontem. – sorriu docemente para a morena. – Nunca esqueça isso, por favor. – deslizou o polegar pelo rosto da morena e após alguns segundos que se perdeu novamente naqueles doces olhos castanhos saiu dali sem olhar para trás.
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