Amor Selvagem
9 Novos sentimentos
Notas iniciais
Emma acordou cedo como sempre e já estava com Neal no escritório resolvendo algumas pendencias da fazenda. Estavam concentrados na tarefa e só pararam quando Belle foi avisar que o dejejum estava servido.
Eles seguiram para a sala de jantar e encontraram Lily que já estava comendo sem nem ao menos esperar o esposo e Regina que também havia acabado de chegar, nem tinha sentado ainda. Assim que ela percebeu que Emma estava com Neal, a morena prendeu a respiração, sentia medo de que Emma fizesse algo que entregasse seus sentimentos na frente de Neal.
— Meu amor. – disse Neal. – Finalmente irei te apresentar a Emma. – disse ele após deixar um selinho nos lábios de Lily. – Emma, essa é minha esposa, Lily Mills. – apresentou o rapaz e Regina os encarava assustada.
— Muito prazer senhora. – disse Emma beijando a mão de Lily.
— Igualmente. – respondeu Lily sem fitar Emma.
A loira foi para o outro lado da mesa para ficar perto de Regina. Puxou a cadeira para ela sentar, em seguida pôs o guardanapo em seu colo e finalmente sentou-se.
— Emma, em relação a sua amiga. – disse Neal se referindo a Ruby. – pode pedir que arrumem a casa do antigo administrador para ela ficar.
— Obrigada Neal, providenciarei isso. – respondeu Emma.
— Faça isso, mas quero que você dê total atenção a reforma da escola de Regina. – pediu Neal.
— Você tem uma escola? – perguntou Emma sorrindo docemente para Regina.
— Sim. – foi Neal quem respondeu. – Ela me pediu para reformar, pois, não quer que os filhos dos empregados cresçam sem saber ler e escrever. – completou o rapaz.
— É um gesto muito nobre de sua parte. – Falou Emma sincera.
A cada minuto Emma descobria mais coisas sobre Regina e ficava cada vez mais encantada com a bondade e doçura da garota. Era notório que a diferença entre as irmãs era gigantesca.
— E quais são os problemas que tem a escola? – perguntou a loira fitando os olhos castanhos que estavam presos aos seus.
— É... tem que trocar o teto, pintá-la, recuperar algumas carteiras. – dizia Regina perdida sem perceber nos olhos verdes da loira.
Essa interação toda estava deixando Lily irritada e morrendo de ciúmes.
— E quem vai ensinar as crianças? – perguntou Emma.
— Eu. – falou Regina em um tom baixo envergonhada por estar tão perto de Emma.
— Mas será por pouco tempo. – interrompeu Neal que não havia percebido ainda os olhas entre elas. – Regina quer nos abandonar. – disse enquanto se servia.
— Mas por quê? Vai voltar para convento? – perguntou Emma incomodada por talvez não poder olhar para a morena todos os dias.
— Bem... não sei ainda... – começou a falar, mas foi interrompida por uma irritada Lily.
— Minha irmã é uma mulher muito indecisa. Primeiro arrumou uma confusão querendo a todo custo entrar para o convento. Depois desistiu da ideia. – disse Lily não conseguindo esconder a irritação. – Você tem que se decidir na vida mulher ou não fará nada que lhe sirva. – falou grossa.
— Provavelmente Regina quer pensar bem antes de decidir. É perigoso tomar decisões precipitadas para que depois não pague as consequências. – Disse Emma encarando Lily para que ela entendesse que a loira estava falando sobre si.
— Bem, de todo modo esse é um assunto pessoal que só diz respeito a Regina. – Disse Neal não gostando da forma que a esposa falou com a irmã.
— Se você quiser quando terminarmos aqui podemos ir ver a escola. – falou Emma sorrindo para Regina.
— Tudo bem. – respondeu Regina também sorrindo.
A refeição transcorreu bem, mesmo que por muitas vezes Lily se mexesse na cadeira incomodada com toda atenção que Emma estava dando a sua irmã, a servindo e sempre perguntando se queria mais alguma coisa.
Ao fim da refeição Emma acompanhou Regina até a casa onde funcionaria a escola. Pela primeira vez elas conversavam descontraidamente sempre com sorrisos nos lábios. Ao chegarem ao local a loira percebeu que o lugar realmente precisava de reparos. O teto faltava algumas partes, as paredes estavam muito danificadas e só uma pintura não seria suficiente.
Enquanto a loira guardava em sua memoria o que deveria ser feito Regina estava separando as carteiras que poderiam ser aproveitadas.
Emma parou os olhos na morena e sorriu ao ver a felicidade que Regina demonstrava por estar reformando a escola.
— Você é uma pessoa muito bondosa Regina. – disse Emma.
— Obrigada. – respondeu sem graça.
— Se existissem mais pessoas como você os pobres estariam em melhor condição.
— Eu acho muito injusto que pessoas como eles que trabalham tanto não tenham as mesmas oportunidades de crescer pessoal e socialmente como os que nascem em berço de ouro.
— Concordo com você. – disse Emma se aproximando da morena. – Mas sabemos que isso está bem longe de acontecer, não é mesmo?
— Pode ser, mas se ficarmos de braços cruzados nada irá ... mudar. – falou nervosa percebendo o quão próximo de Emma ela estava.
— Você está certa. –disse Emma.
Por alguns segundos as duas ficaram se encarando. Não sabiam porque, mas seus corpos estavam reagindo de tal forma a essa proximidade que as duas ficaram sem graça. Mesmo assim, ninguém ousou a desfazer o contato visual.
— Acho melhor continuarmos. – disse Regina com a respiração falha quebrando o clima do local.
Sem receber resposta da loira, Regina voltou a separar as carteiras. Emma sorriu de canto e começou a ajuda-la, mas sempre a olhando.
— O que essa garota está fazendo comigo? – Perguntou a loira em pensamento.
Passaram alguns minutos em silencio. Regina tirando as carteiras que ela julgava ser reaproveitável e Emma levando as não iriam servir para um canto da sala.
— Ai. – resmungou Regina chamando a atenção da loira que foi imediatamente em sua direção.
— O que foi? – perguntou a loira preocupada.
— Nada. – disse Regina fechando a mão esquerda.
— Como nada? – perguntou Emma percebendo que a morena tinha algo em sua mão. — Por favor, Regina o que aconteceu com sua mão?
— Nada, foi só uma farpa.
— Deixa eu ver. – pediu Emma estendendo a mão.
— Não precisa. – falou Regina envergonhada.
— Por favor, eu só quero ajudar. – insistiu Emma e a morena não se moveu. – Me dá sua mão. – insistiu a loira. Vendo que Emma não desistiria Regina pôs sua sobre a Emma.
— Viu, não foi nada de mais. – disse a morena sem graça.
— Como não? Temos que tirar isso daí ou irá infeccionar. – Disse Emma pegando um pequeno punhal assustando a morena. – Calma, eu não vou machuca-la. – sorriu pela reação de Regina.
Delicadamente Emma com a ponta do punhal começou a tarefa de tentar retirar o pequeno fragmento de madeira. Toda vez que a lâmina tocava a farpa Regina soltava um gemido de dor. Até que depois de alguns tentativas a loira conseguiu retirar por completo. Em um gesto automático a loira levou a mão de Regina até os lábios e depositou um beijo no local machucado e lá ficou gravando em sua menta a macies e o cheiro adocicado que a morena possuía.
Ao sentir o toque delicado dos lábios da loira contra sua pele, Regina fechou os olhos e começou a respirar lentamente para que a loira não percebesse tal alteração em seu corpo e quase deixou escapar um gemido de frustração quando sentiu os lábios da loira abandonar sua mão.
— Agora você sobreviverá. – brincou Emma ainda segurando a mão da morena que gargalhou, talvez por conta do nervosismo ou porque ela se sentia feliz por ter sido tratada com tanto carinho e cuidado.
Emma ficou impressionada ao ouvir tal gargalhada, ela decidiu naquele momento que esse seria o som que ela queria ouvir para sempre. Regina ficou envergonhada pela forma como estava sendo fitada e tentou puxar a mão, mas Emma segurou forte.
— Só mais uma coisa. – disse Emma tirando um lenço do bolso e enrolando a mão da morena. – Ficará melhor protegido assim. – Disse e Regina abiu um largo sorriso.
— Você deveria sorrir assim sempre. – disse a loira encantada.
— Assim você me deixa sem graça. – Falou Regina puxando a mão lentamente.
— Por quê? Só estou falando a verdade. – declarou Emma e Regina sentiu o rosto esquentar.
— Acho melhor voltarmos. – falou Regina envergonhada.
As duas voltaram para a casa grande em uma conversa animada com muitas risadas e vários elogios de Emma para Regina. A loira deixou Regina na sala e foi em direção a cozinha resolver a situação de moradia para Ruby.
Regina estava indo para seu quarto e tinha um sorriso nos lábios enquanto passava a mão sobre o lenço que Emma pôs em sua mão machucada. Estava começando a mudar sua visão sobre Emma Swan, ela era uma boa pessoa com um coração nobre e estava demonstrando ser uma pessoa carinhosa diferente do que todos diziam. Ela é tirada de seus devaneios por uma mão que a puxa com certa violência.
— O que foi agora Lily? – perguntou ela encarando a irmã.
— Resolveu o problema da escola?
— Sim.
—E desfrutaste da companhia de Emma? – falou com desdém.
— Não que seja de sua conta, mas o que conversamos foi apenas referente aos reparos da escola.
— Não me diga? – perguntou sarcástica. – Está dizendo isso para não admitir que já está gostando dela.
— Acha que sou como você?
— Deixa eu te dizer uma coisa. – se aproximou de Regina. – Se isso for verdade fará papel de ridícula como fez em relação a Neal. – Falou e Regina ergueu o queixo para encara-la. – Se não entendeu, lhe direi mais uma vez. – falou a mais nova chegando bem próximo ao rosto de Regina. – Ninguém jamais olharia para você depois de ter sido meu. – Disse Lily sorrindo e Regina se segurou para não deixar que ela percebesse como essa frase a incomodou.
— Então assume que Emma foi sua? – disse depois de respirar fundo.
— Sim. – falou vitoriosa. – E agora? Irá dizer a meu marido para que os dois briguem e um dos dois seja morto?
— Emma tem razão quando diz que você é falsa, hipócrita e sem vergonha. – diz e solta uma risada descontente. – E apesar de tudo isso ainda pretende fugir com você. – falou com um tom triste.
— Para você ver como ela me ama. – disse com um sorriso vitorioso.
— Não sei como pode ficar tão orgulhosa com isso. Mas te digo uma coisa Lily... para fugir com Emma só por cima de meu cadáver. – diz e vai saindo, mas a mais nova a segura mais uma vez.
— Nada me daria mais prazer. – falou sorrindo. Sem saber por que Regina enfureceu-se de tal modo que foi caminhando em direção a irmã.
— Ouça bem. Você quis o Neal, agora fique com ele. – disse encarando a irmã que por um momento temeu a reação de Regina. – Por que se você tentar qualquer coisa com a Emma sou capaz de tudo... até toma-la de você. – falou e saiu de perto de Lily pisando duro, deixando a menor sorrindo com desprezo.
[SQ]
Emma chega a cozinha a procura de Killian. Assim que o encontra vai falar com ele.
— Quero que arrumem a casa do antigo administrador para minha ajudante, Ruby Lucas. – Fala séria.
— Com ordem de quem? – pergunta o rapaz irritado por ter que obedecer a Emma.
— Ordens minhas. Por quê? – pergunta erguendo o queixo desafiando o capataz.
Antes de Killian falar alguma coisa Ruby entra as pressas a procura de Emma.
— Acabei de ver nossos amigos na fazenda. – fala tomando o fôlego, pois veio correndo.
— Onde? – quis saber a loira.
— Estavam vindo das plantações, algemados junto com os demais trabalhadores.
Assim que Ruby terminou de relatar o ocorrido as duas saíram apressadas. Foram para onde a morena havia visto Tomy e os demais, mas já não estavam lá. Então começaram a procurar por toda a propriedade e passaram parte da tarde na busca, mas parecia que eles haviam sidos engolidos pela terra.
Emma pediu para Ruby continuar procurando enquanto iria falar com Neal. No caminho encontrou Regina irritada.
— Como você foi capaz de tanta maldade? – perguntou ela em frente a Emma.
— O que eu fiz agora?
— Pensei que você era uma boa pessoa, mas me enganei redondamente. – continuou e Emma franziu o cenho sem entender do que a morena falava. – Como teve coragem de expulsar idosos de suas casas só porque não produzem mais?
— Ei. – falou sem paciência. – Eu não sei do está falando!
— Não! Então venha ver com os próprios olhos sobre o que estou falando. – disse ela puxando Emma pela mão.
A morena levou Emma para a casa dos avós de Mag, a garotinha que sempre ficava perto da morena enquanto essa lia histórias para as crianças. Regina havia ido chamar a garotinha para mais uma tarde de contos de fada quando encontrou os senhores arrumando suas coisas e quando ela perguntou o por que disso tudo os senhores falaram que a nova administradora havia mandado os que não trabalhavam mais abandonar a fazenda.
Emma que já estava furiosa por não ter encontrado os amigos entrou empurrando a porta com certa violência assustando as pessoas que ali estavam.
— Não se assustem. Essa é Emma Swan, a nova administradora. – disse Regina entrando depois da loira.
— Eu não dei nenhuma ordem para que saíssem. Quem disse isso? – perguntou Emma.
— Foi o Killian. – Respondeu o senhor.
— Ele disse que foi eu quem deu a ordem? – Perguntou Emma pondo a mão na cintura.
— Não, mas... achamos que foi a senhora porque é a nova administradora. – Confessou e a loira aproximou lentamente e pôs uma mão no ombro do idoso.
— A quanto tempo vocês vivem aqui? – perguntou com a voz mais amena.
— Desde que o antigo patrão era vivo.
— Os outros que foram mandados embora também são daquela época? – perguntou ela já sabendo de quem veio a ordem, “dona Sofia”.
— Sim, todos.
— Killian já não tem autoridade para mandar ninguém embora.
— Talvez a ordem veio da dona Sofia ou do senhor Neal. – falou a senhora.
— Eu vou ver isso. – Disse Emma sorrindo. – Mas por enquanto ninguém vai embora da fazenda. – Falou a loira e apertou levemente o ombro o senhor. – Satisfeita? – perguntou ela para Regina que estava envergonhada por ter acusado a loira e em seguida saiu da casa.
Regina correu atrás de Emma que mesmo com a morena chamando seu nome não parou. Emma andava rápido, estava chateada com Regina por tê-la acusado indevidamente. Percebendo que Emma não pararia, Regina aumentou a velocidade ainda chamando pela loira, quando Emma enfim resolveu parar virou para a morena a tempo de segurá-la depois que esta tropeçou em uma pedra.
— Você está bem? – perguntou Emma abraçada ao corpo de Regina que nada respondeu perdida nos verdes olhos de Swan.
E ali, envolvida naquele abraço a loira já não tinha nenhum resquício de mágoa ou raiva da morena, na verdade a única coisa que ela sentia naquele momento era uma vontade gigantesca de beijá-la e assim o fez. Encostou seus lábios lentamente nos de Regina e sentiu uma explosão em seu peito. Não era um beijo propriamente dito, afinal, foi só um encostar de lábios, mas foi o suficiente para que seus pulmões não desempenhassem bem sua função e seu coração errar as batidas.
Regina estava assustada, nunca em sua vida havia beijado alguém. Seu corpo não estava diferente do de Emma, parecia que suas pernas tinham sumido e seu coração fosse sair do peito.
Antes de Emma aprofundar o beijo, Regina a empurrou e saiu correndo como nunca fez em direção a seu quarto deixando Emma totalmente desorientada para traz.
— É impressão minha ou a Lily não te interessa mais? – Disse Ruby chegando atrás de Emma fazendo a loira pular com o susto.
— Quer me matar do coração mulher! – disse Emma pondo a mão no peito.
— Não respondeu minha pergunta. – insistiu Ruby.
— Que pergunta? – perguntou a loira voltando a olhar na direção para onde Regina correu.
— Você não está mais interessada na Lily?
— Ruby, desde que eu soube o que aquela desgraçada fez ela morreu para mim. – afirmou Emma olhando para a amiga.
— E o que você está fazendo aqui ainda?
— Eu... – voltou a olhar para o nada. – Vou fazer aquela infeliz pagar por ter me feito de idiota. – falou com raiva.
[SQ]
— Eu entendo sua simpatia para com ela por conta das memorias de infância e da promessa que fizeste a teu pai. – dizia Gold que estava com Neal no escritório. – Mas ela não é uma mulher confiável. Não podes confiar sua fazenda a uma pessoa que todos sabem que é uma ladra, contrabandista. – Concluiu o advogado.
— Pode ser que Emma tenha cometido algo ilegal, mas nunca me trairia. – afirmou Neal.
— Porque tem tanta certeza?
— Não sei... eu sinto.
— Se quer ajuda-la tudo bem, mas faça isso longe de sua casa. – insistiu Gold.
— Por quê?
— Posso te falar como amigo?
— Já está fazendo, não? – perguntou Neal abandonando os documentos em cima da mesa.
— Se você a mandar embora vai afastar de mim uma rival que pode ser muito irritante.
— Rival? – perguntou confuso.
— Falo de Regina, você sabe que gosto dela e minhas intenções são sérias.
— Regina? Não estou entendendo aonde quer chegar Gold.
— Todo mundo sabe que Emma Swan é uma conquistadora e gosta de mulheres tanto quanto nós, até se veste como um homem. – falou Gold com certo desprezo.
— Bem, Regina é uma mulher muito bonita e sei bem sobre as preferencias de Emma, mas sei também que Regina é uma mulher descente e muito religiosa, tenho certeza que ela nunca se envolveria com alguém da classe social de Emma e principalmente com uma mulher. – afirmou Neal com toda certeza.
— Não seja ingênuo caro amigo. Você sabe que “casamentos” de pessoas do mesmo sexo já é uma realidade, conheci alguns no tempo em vivi na capital e tenho certeza que você também enquanto esteve na Europa onde é mais comum.
— Sim eu sei, mais Regina foi criada longe dessa realidade.
— Não sei se é bem assim. Hoje mesmo as vi conversando muito animadas. E sabemos que quando surgem os sentimentos a classe, o nome ou preconceitos não são capazes de impedir nada.
— Regina não seria capaz disso.
— Não podemos afirmar com certeza. Emma tem muita lábia e de acordo com o que falam ela sabe tudo sobre mulheres e Regina é uma mulher muito ingênua que acabou de sofrer uma decepção amorosa e essas meu amigo são as que se apaixonam com mais facilidade. – concluiu Gold deixando Neal pensativo.
[SQ]
Emma estava em seu escritório falando com Noel que acabara de chegar, quando Killian entra no cômodo irritado.
— Eu havia dado ordens para algumas pessoas saírem da fazenda e quando fui verificar se já tinham ido me disseram que você permitiu que eles ficassem. – disse o rapaz.
— Sim, eu dei a ordem para que ficassem.
— Mas eu havia falado outra coisa. – falou alterando a voz e Emma ficou de pé intimidando o capataz.
— A mando de quem? De Neal? Tudo bem vou falar com ele. – disse e foi em direção a porta.
— Não! – disse Killian rápido. – Foi...dona Sofia.
— Falarei com ela. – dito isso Emma saiu em direção ao quarto de Sofia.
Após bater a porta entrou assim que lhe foi permitido.
— Quero falar com a senhora. – disse Emma e Sofia nada respondeu. – Ou prefere que eu fale com seu filho?
— Não. O que você quer? – perguntou ela impressionada com a semelhança de Emma com seu finado esposo isso sempre a incomodava.
— Muitas coisas. – respondeu Emma se aproximando.
— Não lhe basta o que meu filho já te deu? – Perguntou com raiva. – Não acha que ele já está te tratando melhor do que merece?
— A senhora acha? – perguntou com deboche.
— Apenas Noel tinha tantas considerações e isso por ser advogado do meu marido.
— Sei que não sou advogada, mas a senhora sabe muito bem que sou a primogênita de seu falecido esposo. – falou e Sofia fechou a cara.
— Como se atreve? – basicamente gritou.
— Senhora por favor! Deixe de ser hipócrita. – falou Emma no mesmo tom que Sofia. – Se não sabia antes, o que duvido muito. – parou próximo a mulher. – Agora tem certeza, já que dizem que sou a cópia de meu pai. Por que David Nolan foi meu pai e não pense me sinto orgulhosa por ser filha de um homem que seduzia mulheres inocentes.
— A mulher a quem se refere não era exatamente inocente.
— Melhor deixar esse assunto de lado se não quer me ver realmente irritada. – falou Emma séria. — Além do mais não vim falar com você sobre o passado.
— Então o que quer aqui?
— Que não me contrarie e corte as asas de seu capataz antes que eu perca a paciência.
— Quem você pensa que é para falar comigo assim?
— A nova administradora da fazenda e foi seu filho quem escolheu. E fique grata por ter vindo falar com você e não com Neal, por que, o que iria dizer a ele para explicar ter mandado aquelas pessoas embora da fazenda? Que eles foram embora por saber que sou idêntico a meu pai? – falou e Sofia não conseguia dizer nada. – Além do mais, não tem porque punir essa pobre gente por um erro de David.
— Escute bem. Você não é nada aqui para dar ordens!
— Tem razão. Sou apenas a filha bastarda do grande David Nolan. – falou sussurrando bem próximo a Sofia. – É só falarmos para Neal e o assunto está encerrado. – sorriu. – Bem já que estamos entendidas já vou indo, tenho muitos assuntos para resolver. – Concluiu e saiu do quarto de Sofia com um sorriso de canto.
— Como é parecida ao David, essa infeliz. – falou com raiva. – A forma de se portar, a voz e principalmente o jeito autoritário. Mas que inferno!
Assim que Emma saiu Sofia pediu para que chamassem Killian e estavam conversando no quarto da patroa.
— Quero que vá falar com aqueles miseráveis e diga para não falarem nada sobre a semelhança dessa bastarda com meu marido. – ordenou a mulher. – Ameace, assuste se for preciso, mas não falem nenhuma palavra sequer sobre a nova administradora.
— Não vamos mais manda-los embora? – Killian estava surpreso.
— Não. E em relação a ela, seja respeitoso e acate suas ordens.
— O que aconteceu patroa? Ele a ameaçou? Sabe que é filha do patrão?
— Sim.
— E o que aconteceria se o senhor Neal descobrisse? Ele a tem como a uma irmã.
— Meu filho é nobre e de bom coração, com certeza iria reconhecer essa bastarda e isso eu não vou aceitar, prefiro morrer a ver a filha de uma vadia mandando em minha casa.
— Se a senhora quiser eu conheço algumas pessoas que adorariam acabar com a vida dessa infeliz. – disse Killian animado.
— Deixa-me primeiro tentar convencê-la a ir embora.
— Convencê-la senhora? – perguntou o capataz insatisfeito.
— Eu sei o que estou fazendo. Agora vá. – ordenou Sofia e Killian apenas baixou a cabeça e se retirou do quarto.
[SQ]
Emma seguiu para o escritório de Neal, precisava falar com ele sobre os presos. Assim que chegou encontrou Regina conversando com ele. A loira fechou o semblante quando percebeu que eles sorriam de algo.
— Preciso falar com você. –disse Emma sem olhar para Regina.
— Eu já vou para vocês conversarem melhor. – falou Regina e saiu do escritório, não antes de sorrir para Emma quando passou a seu lado e esse gesto fez o semblante de Emma iluminar novamente.
Neal que tinha a atenção nos dois começou a achar que Gold tinha razão em suas palavras.
— Sente-se Emma. – pediu Neal.
— Obrigada.
— Regina é uma mulher muito bonita, não? – perguntou ele avaliando Emma.
— Sim, é linda e tem muitas outras qualidades além de sua beleza. – afirmou Emma sem entender onde Neal queria chegar.
— Você acha?
— Você não? – encarou o rapaz. – Claro, suponho que não mais que sua esposa.
— Lily é uma mulher única. Não tem o caráter doce de Regina, é mais voluntariosa, caprichosa talvez, mas é um encanto. – afirmou Neal e Emma apenas concordou com a cabeça.
— Todas as pessoas apaixonadas falam assim de suas companheiras.
— Com certeza. E você, nunca se apaixonou?
— Para mim as mulheres são todas traiçoeiras, interesseiras.
— Estou vendo que teve uma experiência ruim.
— Sim, a pior. Mas garanto que nunca cairei novamente. – afirmou a loira.
— Bem, o que queria falar comigo? – perguntou mudando de assunto.
— Como conseguem os prisioneiros que trabalham na fazenda?
— Gold que cuida disso para mim. Por quê?
— Por que dois deles são meus amigos e gostaria de ver a documentação.
— Bem, vou pedir que o chamem aqui. – disse Neal se referindo ao amigo.
— Enquanto isso vou chamar meu padrinho que chegou a pouco. – Dito isso Emma foi atrás de Noel.
Assim que o encontrou voltou para o escritório e Gold já estava com Neal analisando os papeis.
— Está faltando documentação. – disse Neal assim que terminou de ver os papeis.
— Que documentação? – perguntou Gold se fazendo de inocente. – Não estão ai os crimes, as penas?
— Sim, mas falo dos dados do julgamento. – disse Neal encarando o amigo.
— Não foram enviados? – perguntou com falsa irritação. E Emma olhou para Noel sem acreditar na reação de Gold. – mas esses empregados do governo são uns irresponsáveis.
— Posso ver? – perguntou Noel.
Neal entregou os documentos ao advogado e este constatou que realmente faltava tais papeis.
— Bem, tenho que voltar ao povoado ainda hoje e posso averiguar isso. – Disse Noel e Neal concordou.
Assim que foi tudo resolvido, Neal a pedido de Emma permitiu que seus amigos fossem soltos, mas até que fosse tudo esclarecido eles não poderiam sair da fazendo.
Emma e Ruby foram ao local onde os presos eram mantidos enquanto não estavam trabalhando e ficaram muito felizes ao reencontrar os amigos. Ficou decidido que eles ficariam na casa do administrador com Ruby, já que era maior. Assim que tomaram um banho e se alimentaram foram conversar com Emma.
— E a Mary. Onde ela está? – perguntou Tomy.
— Mary? –perguntou Emma. – Está no convento não? – perguntou e os amigos se olharam preocupados. – Ora, me digam o que está acontecendo aqui. – ordenou a capitã.
— É... Mary fugiu do convento na noite em que fomos presos e também foi levada pelos guardas. – Falou Torto o outro amigo da loira que estava na prisão.
— Como assim, foi levada pelos guardas? – perguntou Emma exaltada. – E onde ela está?
— Eu não sei. – disse Tomy. – Achamos que ela estava aqui na fazendo tendo outras obrigações já que é mulher.
— Aqui ela não está! Mas que droga! – bradou Emma.
— Calma Emma, vamos encontra-la. – disse Ruby. – Eu irei ao povoado e falarei com Don Noel.
Assim que ficou sozinha, Emma foi tomar uma banho para relaxar. Ela não queria pensar no que havia acontecido a Mary, ela sabia muito bem o que acontece com uma mulher jovem como Mary nas mãos dos desgraçados dos guardas. Ficou tempo suficiente no banho para se recuperar e poder ir jantar com os residentes da fazenda. A princípio a presença de Lily a incomodava, principalmente quando Neal ficava todo meloso para com ela. Mas isso estava diminuindo, talvez por conta da decepção que desgraçada lhe causou. Por outro lado, a presença de Regina lhe alegrava cada vez mais e ao pensar na morena um sorriso surgiu em seus lábios.
Emma vestiu-se e foi para sua mesa analisar alguns documentos quando alguém bate a porta. Assim que ela dá permissão para entrarem seu semblante fica sério ao ver que era Lily.
— O que faz aqui? –disse Emma seca.
— Eu esperava uma recepção mais calorosa. – diz a morena.
— Fique ai e diga logo o que quer. – ordena Emma.
— Quero falar com você. – disse Lily parada onde Emma mandou.
— Estou ouvindo.
— Está gostando dela? – pergunta receosa de ouvir uma resposta afirmativa.
— A quem se refere?
— Não se faça de desentendida.
— Sua irmã é uma linda mulher. – fala e percebe ódio nos olhos de Lily. – Qualquer pessoa poderia facilmente se apaixonar por ela.
— Você não ousaria tal coisa.
— Não disse eu seria uma dessas pessoas. – falou Emma e antes de Lily falar mais alguma coisa escuta-se batidas na porta.
— Será que é o Tomy? – pergunta Lily assustada. – Não quero que me vejam aqui.
— Vá para o quarto. – disse Emma e morena obedeceu. – Pode entrar.
— Com licença. – pede Regina. – A Lily está aqui? – pergunta analisando o cômodo.
— Não.
— Estão esperando para o jantar e eu já procurei em todo lugar. – disse Regina não acreditando em Emma.
— Mas aqui ela não está.
— É o que eu quero ver. – disse a morena indo em direção ao quarto de Emma, mas ela segura seu braço.
— Por favor, acredite em mim. – pede Emma mansamente bem próximo ao corpo de Regina. – precisamos conversar. – pede Emma quase que em um sussurro deslizando a mão no rosto da morena que automaticamente fecha os olhos.
Mesmo sabendo que Lily está no cômodo ao lado a loira não se contém e põe a mão na cintura de Regina dando um leve aperto no local e sente a morena ficar trêmula.
— Por favor, não. – sussurra Regina quando percebe que a respiração da loira está próximo a seu rosto.
— Então, me faça o favor de não vir a meu quarto enquanto eu estiver sozinha. – pede Emma soltando a morena que sai correndo.
Assim que escuta a porta do escritório bater, Lily sai do quarto da loira.
— O que essa intrometida queria? – perguntou Lily irritada.
— Estão te procurando. – respondeu Emma ainda olhando para porta.
— Por que você falou com ela daquele jeito todo informal?
— Eu sou livre para fazer o que quiser. – disse Emma irritada olhando-a nos olhos. – Agora saia do quarto e não volte mais aqui. Ou eu direi a Neal tudo o que já deveria ter dito. – disse a loira e Lily saiu bufando do cômodo.
Emma esperou a respiração normalizar e também seguiu para a sala de refeição. Todos já estavam se servindo, sendo assim, ela se acomodou na única cadeira vazia e essa ficava de frente para Regina. Todos conversavam animadamente enquanto a loira estava calada.
—Como eu pude me enganar tanto com você? – pensava Emma olhando para Lily. – Eu deveria ter me dado conta de quão falsa e calculista você é.
— E quando a você. – pensou olhando para Regina. – Será que é essa pessoa doce, verdadeira e bondosa como vem demonstrado? Eu poderia ter te conhecido antes e talvez te pouparia tanto sofrimento, minha doce Regina. – pensou e como se a morena tivesse ouvido as palavras de Emma ergueu os olhos e a encarou.
Ficaram alguns segundos presas uma no olhar da outra até que Regina olhou para seu prato quebrando tal conexão e Emma se sentiu um sentimento de abandono com tal gesto, mas esse gesto, essa quebra, esse abandono não durou muito, pois, a morena também sentia uma vontade enorme de olhar para a loira e ao fazê-lo percebeu que Emma ainda estava lhe fitando de uma forma tão amável e doce que fez surgir um pequeno sorriso nos lábios de Regina aquecendo o coração sofrido da loira a sua frente.
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