Amor Selvagem
21 Recomeço
Notas iniciais
Regina estava com o rosto banhado de lágrimas e segurava a carta com as mãos trêmulas. Cada palavra escrita ali retratava o que ela queria de Emma. Ela sabia que e loira a amava, do jeito dela, mas existia amor. Porém, além de amor tinha que ter confiança, cumplicidade e respeito e isso Emma não havia demonstrado em suas atitudes. Ainda era difícil para ela se lembrar das cenas de sua loira usando Lily para provoca-la. Ela pedia aos céus que sua amada demonstrasse que queria construir uma vida a seu lado, queria um sinal de Emma para poder acreditar nisso, e essa carta acendeu as esperanças da morena, Emma realmente queria viver a seu lado e como ela não estava aguentando ficar longe de sua amada resolveu enxugou as lágrimas e respirando fundo foi fazer sua higiene matinal. Pôs uma roupa e foi ao encontro de Emma. Ela sabia que sua esposa não iria trabalhar sem que conversassem.
Ela passou na cozinha e pediu a Belle para pôr o café da manhã. Em seguida foi a biblioteca onde Emma dormira durante essas noites. Entrou lentamente e encontrou a loira adormecida abraçada ao travesseiro, ela tinha um semblante cansado, com olheiras e o rosto inchado o que demonstrava que havia chorado durante a noite.
Com o semblante triste por tudo o que estava acontecendo, Regina sentou-se na beirada do sofá e assim que o fez, Emma acordou assustada.
— Regina? – perguntou a loira desorientada.
Ambas ficaram se encarando por alguns segundos até que Regina tomou coragem e respirando fundo começou a falar.
— Eu te perdoarei, apesar do meu orgulho. Te perdoarei, por que não tenho escolha... não estou aguentando ficar nos lugares onde sempre te encontrava... longe dos gestos e palavras que você sempre destinava a mim quando estávamos juntas. – falava e viu os olhos de Emma se inundar. – Eu perdoo você por que eu te amo, porque... eu preciso de você e preciso respirar fora dessa inquietude que há em meu peito. Por que sinto falta de suas mãos em mim, dos carinhos, dos beijos e... eu preciso ... não me sentir tão frágil como estou agora. – continuou e escutou um soluço vindo da loira. – Então me diga Emma se serei para você o que és para mim. Me diga... – parou por alguns segundos para segurar as lágrimas que queriam escapar. – Me faça acreditar que eu sou sua força, sua vida, seu amor. Mas faça isso de verdade, sem dúvidas, sem ciúmes ou desconfianças. Eu preciso acreditar que sou a pessoa que te completa, que te satisfaz, assim como você é para mim. – Emma tentou falar, mas a morena continuou. – Por que eu te amo e não suportarei suas desconfianças, não me permitirei ser humilhada novamente, não aceitarei ser ultrajada da forma que fui pela minha esposa, a mulher que amo e disse que me amava, por que quem ama não faz o que você fez. Como eu disse, você só terá uma chance para provar o seu amor, para respeitar e acreditar em meus sentimentos.
— Amor... – tentou mais uma vez Emma, porém , Regina não deixou que continuasse.
— E eu só conseguirei fazer isso se você começar a confiar em mim, não me acusar a cada intriga que fizerem contra nós, a cada obstáculo que surgir. Então, eu vim aqui, sem muros ou barreiras para dizer a minha esposa, a mulher que eu quero passar o resto dos meus dias, a mulher que amo incondicionalmente, que estou disposta a por uma pedra em cima de tudo o que aconteceu e aproveitar cada momento a partir de agora, como você pôs em sua carta. Mas tudo só dependerá de você. – Concluiu Regina e sentiu Emma lhe abraçar forte e se entregar ao pranto.
Emma chorava feito uma criança abraçada ao corpo da morena. Chora pela culpa, pela vergonha de tudo o que fez ou pensou fazer para atingir a morena, mas suas lágrimas também eram de felicidade. Regina lhe daria uma chance e estava ali a envolvendo com os braços macios. Estava ali para começar uma vida juntas, sem inseguranças, desconfianças ou medos.
Sem conseguir ficar sem o beijo da amada, Emma se afastou de Regina pondo as mãos nas laterais do rosto da morena e apaixonadamente tomou seus lábios. Ambas estavam matando a saudade, saboreando cada pedacinho de seus lábios.
Elas passaram um bom tempo entre beijos e muitas caricias. Já não tinha mais lágrimas de tristezas.
— Te peço perdão mais uma vez meu amor. – disse Emma ao fim do beijo. – Eu sei o quanto te machuquei e devotarei a minha vida, a partir de hoje, a fazê-la feliz. Te honrarei, te respeitarei e principalmente, confiarei de olhos fechados em você, mesmo que os fatos ou palavras queiram me dizer o contrario. Por que eu te amo, amo mais que a mim. – disse Emma acariciando o rosto da morena. – E farei o possível para nunca mais te machucar e assim ficar sempre a seu lado.
Ficaram por mais um tempo distribuindo caricias e juras de amor agora com sorrisos sinceros nos lábios.
Emma seria a partir daquele momento a esposa perfeita que Regina merece. Ela faria de sua morena a pessoa mais feliz e amada da terra.
— Agora vamos tomar nosso café da manhã. Já pedi a Belle para por a mesa. – disse Regina levantando.
— Ei. – chamou Emma puxando a morena pela mão a fazendo sentar em seu colo. – Eu te amo. – Disse e capturou mais uma vez os lábios da amada.
Elas tomaram o café da manhã feliz como a muito não haviam feito. Emma sempre querendo agradar a esposa e ao invés de ser servida pela esposa, foi a própria Emma que serviu o prato de Regina e o seu, sempre perguntando se Regina queria mais alguma coisa.
Ao fim da refeição, Emma foi trabalhar mesmo não querendo, mas Regina a convenceu a ir, pois, não poderia deixar tudo nas mãos de Ruby para não sobrecarrega-la.
Assim que Emma se foi, Regina chamou todos os empregados até a cozinha. Mary a olhava com desdém, mas Regina não se importou com isso.
— Bem, chamei vocês aqui por que quero designar seus afazeres. – disse Regina.
— Eu não sou empregada aqui. – disse Mary ríspida e Regina a olhou séria.
— Como eu ia dizendo. – olhou para os três que estavam de pé. – Belle ficará encarregada da cozinha e me ajudará com a casa. Pedro, ficará encarregado de limpar o pátio e com os afazeres mais pesados. Henry, será meu auxiliar, irá me acompanhar quando precisar sair e levará os recados quando for preciso. – falou sorrindo para o rapaz. – E você. – disse para Mary. – venha comigo. – disse seguiu para a sala.
Mary revirou os olhos e mesmo a contra gosto seguiu Regina que a esperava na sala. Regina estava sentada no sofá e encarou Mary assim que a garota parou a sua frente.
— Vai me mandar embora? – perguntou Mary encarando Regina.
— Não. O que quero te pedir é que seja mais amável. Não tinha porque você fazer aquela grosseria quando minha mãe esteve aqui. – disse Regina calma.
— Então, já foi contar para a Emma?
— Não. Falamos sobre você, mas a respeito de outras coisas.
— Que coisas?
— Sobre seu futuro. Me escute Mary, Emma tem muito afeto por você...
— Sim, mas se casou com você e nunca vou perdoa-la por isso. – rebateu Mary interrompendo a fala de Regina que teve que respirar fundo para não ser grossa com a garota.
— Eu tinha intenção de falar com você pacificamente, mas vejo que não será possível. – disse Regina respirando fundo. – E como Emma encarregou a mim a decisão de que você fique ou vá....
— Então, por que não me mando embora logo? – disse a garota irritada. Como Emma deixou a decisão de sua permanência nas mãos de Regina?
— Eu vou te dar uma oportunidade, pois, Minha esposa a vê como uma irmã... – enfatizou a as palavras. – Se você se portar bem, se for educada e não fizer mais grosserias a mim e nem aos convidados dessa casa e se for todos os dias a escola das freiras, você poderá ficar.
— E se eu não quiser? – perguntou Mary com raiva.
— Terá que ir embora. – falou Regina ficando de pé. – Pense nisso.
Mary nada respondeu, encarou Regina com raiva e saiu para a cozinha pisando duro.
[SQ]
Pedro aproveitou que Belle lhe pediu para comprar algumas coisas que estavam faltando e foi a prisão falar com o capitão. Assim que chegou encontrou Espinola sentando em sua cadeira.
— Já comecei a trabalhar na casa da Emma. – disse o rapaz se aproximando.
— E o que tem para mim?
— Nada, faz pouco tempo e não vejo muito a senhora Emma.
— O que mais? – quis saber Espinola.
— Há duas moças trabalhando lá. Na verdade uma que parece ser amiga da senhora Emma e também chegou um rapaz que é como um acompanhante de dona Regina.
— Essa moça, a amiga, deve saber muito dos negócios de Emma. Preciso que fique amigo dela. – disse o capitão se ajeitando na cadeira.
— Farei o possível, mas ela me parece muito arrogante.
— Fique esperto, esse assunto é urgente. – disse Espinola.
— Capitão, será que posso falar com meu irmão? – perguntou o rapaz e o capitão permitiu chamando um dos guardas para acompanha-lo.
[SQ]
Após o almoço, Emma decidiu que não iria trabalhar e convidou Regina para dar um passeio na cidade. As das caminhavam de mãos dadas com lindos sorrisos. Emma a todo instante era cumprimentada pelos moradores do povoado o que deixava Regina feliz. Ela sabia que sua loira era respeitada pelos mais pobres e percebia que não era só respeito que havia ali. As pessoas gostavam de Emma.
— Ei garoto. – chamou Emma quando viu um menino passar com algumas flores. – Quanto custa a rosa?
— Uma moeda capitã. – disse o rapazinho sorrindo.
— Eu quero uma. – pediu Emma pegando a moeda no bolso.
O menino todo feliz entregou a rosa a loira e saiu assim que recebeu o pagamento. Emma virou para Regina e lhe ofereceu a flor. A morena abriu um lindo sorriso.
— É linda Emma. Obrigada. – disse Regina sentindo o cheiro da rosa.
— Não se iguala a sua beleza, mas chega perto. – Falou Emma apaixonada.
— Boba. – respondeu Regina envergonhada pelo elogio.
— O que acha de comprarmos alguns vestidos? O clima está muito quente e esses que você usa esquenta muito. – disse Emma segurando a mão da esposa e indo em direção as barracas espalhadas pelo vilarejo.
Andaram por algumas tendas procurando os vestidos e comprando os que agradavam a morena. Mesmo sendo vestidos simples, Regina não se importava, na verdade estava adorando fazer esse tipo de coisa com a loira.
Após as compras elas resolveram tomar um suco e comer alguma coisa. Emma comprou os lanches e sentaram em um banco na praça.
Estavam se preparando para comer quando uma bolinha de pelos se aproximou de Regina e pôs as patinhas em suas pernas.
— Oi bebê, está perdido é? – perguntou Regina pondo seu lanche a seu lado e pegando o cachorrinho nos braços. – Onde está seu dono? – perguntou Regina olhando em volta, mas teve sua atenção tomada por lambidas no rosto.
A morena sorria enquanto o filhote lhe dava carinho em forma de lambias. Emma ficou encantada com a cena em sua frente.
— Amor, solta ele. O dono deve estar o procurando. – disse Emma pondo a mão no bichinho, mas tirou logo assim que o cachorro latiu para ela.
— Ele não quer sair. – brincou a morena.
— Ei pulguento. Essa morena é minha. – disse Emma fazendo um bico o que fez Regina gargalhar.
— Ele é só um bebê, amor. – disse Regina ainda sorrindo.
— Mas é um bebê muito atrevido. – brincou Emma.
Ficaram brincando com o bichinho até que um garotinho se aproximou acanhado parando em frente as duas mulheres.
— Desculpe moça, ele atrapalhou vocês? – perguntou o menino.
— Não meu anjo. Ele estava só nos conhecendo. – disse Regina amável. – Ele é seu? – perguntou e o garoto afirmou.
Regina deu um beijo no cãozinho e o entregou ao dono.
— Desculpe, Jack é muito enxerido. – disse o menino fazendo carinho no seu filhote.
— Ele é lindo. Tome mais cuidado come ele para que não se perca. – disse Regina e o menino assentiu e saiu com Jack abanando o rabinho enquanto latia e olhava para ela. Emma feito uma criança ciumenta abraçou a morena e fez uma careta para o cãozinho tirando uma gargalhada da morena.
Regina estava tão feliz que aquelas cenas de dias atrás não povoava mais sua mente. Ela só conseguia sorrir e sentir o amor em tudo o que Emma fazia. De repente ela percebe que Emma a estava olhando com um sorriso travesso.
— O que foi? – perguntou a morena desconfiada.
— Sua boca está suja. – disse Emma e quando Regina foi passar a mão, Emma a segurou. – Deixa que faço isso.
Ao invés da loira usar a mão para limpar o local ela aproximou o rosto do de Regina e suavemente passou seus lábios tirando toda a sujeira existente. Regina ao sentir o contato fechou os olhos e sentiu seu corpo estremecer e sem perceber moveu o rosto para dar inicio a um beijo cheio de carinho. Elas se beijavam sem se importar com os pessoas que existiam ali. Beijavam-se entregues, felizes, apaixonadas.
— Procurem um quarto, por favor! – disse Ruby que gargalhou quando Emma soltou Regina bruscamente e pulou para o lado ofegante.
— PORRA RUBY! – gritou Emma. – Quer me matar do coração? – perguntou Emma se recuperando do susto.
Ruby não conseguiu responder porque estava quase caindo de tanto sorrir. Regina também estava sorrindo, ela adorava ver como sua loira ficava a vontade quando estava com Ruby.
— Vejo que fizeram as pazes. – disse Ruby assim que conseguiu controlar as risadas.
— Sim, mas acho que Emma já deve ter lhe dito isso. – respondeu Regina sorrindo.
— Claro, ela não fala de outra coisa. Já está enchendo o saco, é Regina pra lá, amor pra cá. Não sei mais o que fazer. – Falou Ruby tirando onda com a amiga.
— Ruby! Menos. – pediu Emma irritada e Regina sorria pelo desconcerto da amada.
— Diz que é mentira? – perguntou Ruby desafiando a loira que apenas a olhou seria. – Inclusive Regina, eu iria te pedir para dar mais um gelo na Emma para ver se ela volta ao normal.... – Ruby não terminou de falar, pois saiu correndo assim que vir Emma levantar e vir em sua direção.
— Eu vou te pegar loba fedorenta! – falava Emma correndo atrás da amiga que gargalhava.
Regina estava muito feliz por tudo o que estava acontecendo. Se alguns diziam que as vezes é preciso “cair” para “alcançar” seus objetivos, ela tinha certeza dessas palavras. Ela e Emma tiveram que passar por tudo aquilo para viverem felizes e plenas como estavam agora.
As duas mulheres pareciam crianças correndo. Emma em nada parecia aquela mulher séria e temida naquele momento. A loira sorria enquanto tentava alcançar a morena a sua frente.
A “brincadeira” só parou quando Ruby, em uma tentativa de se esquivar de Emma esbarrou em alguém levando ambos os corpos ao chão.
[SQ]
— RUBY-
Eu estava indo para a taberna de Tommy quando de longe vejo Emma e Regina sentadas em um dos bancos da praça. Fiquei feliz por perceber que as duas estavam bem novamente. Emma já havia me contado tudo o que aconteceu, mas vê-las ali rodeadas de tanto amor era maravilhoso. Desde que Emma conheceu Regina, se transformou em outra pessoa, em um bom sentido, claro. Mesmo que no começo ela se recusava a admitir. Mas eu a conheço bem e percebi no primeiro momento que as vi juntas que elas eram destinadas uma a outra.
E depois de ver Emma definhando longe de Regina, eu tinha certeza que elas se pertenciam para sempre.
Quando estava me aproximando Emma começou a beijar sua morena e então resolvi fazer uma brincadeira para “irritar” a Emma. Assim que falei minha amiga tomou um tremendo susto, não imaginava que essa seria sua reação e ela ficou de tal forma que eu não consegui controlar minha gargalhada. Sorri por um bom tempo, eu tentava parar, mas meu corpo não me atendia.
Quando, enfim, me controlei continuei implicando com a loira. Eu sabia que ela detestava revelar seus sentimentos e comecei a contar para Regina como sua loira não parava de falar dela e era verdade. Podíamos estar fazendo qualquer coisa que o nome da morena entrava na conversa.
Minha amiga estava com certeza apaixonada por Regina e não conseguia esconder isso. Enquanto eu continuava falando percebi que Emma me olhava estreitando os olhos e quando percebi ela ficando de pé comecei a correr. Sabia que ela estava atrás de mim porque ela repetia que iria me pegar. Continuei com aquela fuga, pois, nunca vi minha amiga tão leve e feliz daquela forma. Em determinado momento escutei sua risada e meu coração se encheu de felicidade. Emma era uma boa mulher, sempre ajudando quem sempre precisava, sempre querendo resolver os problemas dos menos favorecidos, contudo, nunca a vi se preocupando consigo mesma. E agora, eu via ela se esforçando a ser uma pessoa melhor e isso só aconteceu quando Regina Mills entrou em sua vida e eu sempre serei grata a ela por isso.
Eu já estava cansada de correr e por isso Emma chegou bem perto, quando tentei me esquivar senti um corpo se chocar com o meu, para falar a verdade meu corpo se chocou a alguém. Com puro reflexo, abracei o corpo magro e girei meu próprio corpo tentando proteger o corpo frágil em meus braços e assim cai com as costas no chão senti um forte dor no abdômen quando a outra pessoa caiu sobre mim. Escutei um gemido sôfrego daquela mulher, sim era uma mulher, linda por sinal.
Senti o ar escapar de meus pulmões, não por estar machucada e sim por encarar tamanha beleza. Fiquei encarando aquele rosto delicado, olhos azuis, lábios finos, meu deus será um anjo que veio me levar? – claro que não sua tapada, esse tombo não iria lhe matar” — pensei.
Não sei por quanto tempo ficamos ali, mas ela me fitava tão intensamente que eu poderia ficar ali pela eternidade.
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