Amor Selvagem
20 Esperança
Notas iniciais
Emma mal pregou os olhos a noite inteira. Sabia que Regina estava triste, machucada. Mas ela ter lhe dado mais uma oportunidade era algo bom, não é?
Sentindo dores por todo corpo por conta do sofá a loira viu quando as luzes do sol começaram a invadir a biblioteca. Sem saber qual seria a reação da esposa ao vê-la pela manhã, a loira respirou fundo e resolveu levantar. Timidamente ela foi em direção ao quarto e quando passou pela sala de refeições encontrou a mesa de café da manhã já posta e imaginou que sua morena também não dormiu direito e isso a entristeceu.
Chegou ao quarto e não encontrou Regina. Resolveu tomar seu banho, depois procuraria a morena. Emma não demorou muito no banho, vestiu como sempre sua calça, camisa de mangas, um colete preto por cima e suas botas.
Tomando a coragem necessária a loira seguiu rumo a sala de refeições. Sentiu seu coração acelerar ao encontrar Regina a esperando sentada em sua cadeira habitual. A morena usava um vestido florido que a deixava perfeita.
Assim que sua presença fora notada, Emma viu tristeza nos olhos castanhos que sempre eram vivos e alegres e mais uma vez o arrependimento tomou seu peito. Respirando fundo a loira foi para seu lugar a mesa e Regina não a olhou.
— Bom dia! – disse Emma vacilante.
— Bom dia! – Respondeu Regina ainda sem olhá-la.
Ficaram por alguns segundos em silencio. Emma sem saber o que fazer e Regina sendo tomada pelas lembranças nada agradáveis daquele triste dia. E sem aguentar aquela tortura, Emma resolve se pronunciar.
— Regina... – disse a loira pondo a mão em cima da de Regina, mas a morena logo tratou de quebrar o contato.
Emma ficou destruída com tal reação, mas ela sabia que Regina tinha todos os motivos para fazê-lo. Então Emma decidiu dar espaço para a esposa. Regina, como sempre fazia, serviu sua esposa e comeram em silencio. Vez ou outra Emma ficava a encarando sem conseguir visualizar os olhos da amada que insistia em não encará-la.
Após a refeição Emma foi trabalhar, mesmo que sua intenção fosse ficar em casa até que sua amada a olhasse como sempre fazia, com brilho nos olhos, com um sorriso maravilhoso e muitos beijos.
Sua manhã foi tediosa, não conseguia se concentrar. Errou várias vezes um documento referente a alguns pedidos de seu melhor cliente.
Ruby percebendo que a loira não estava bem tentou animá-la com suas piadas idiotas, mas Emma parecia não ouvi-la. Na hora do almoço Emma foi para casa decidida fazer Regina lhe escutar, essa situação já estava sendo demais para ela.
Assim que entrou em casa encontrou a mesa posta, porém, sua esposa não estava lhe esperando como sempre fazia. Imaginando que sua amada estivesse em seu quarto a loira praticamente correu para lá e entrou no cômodo chamando por Regina, porém, o quarto estava vazio. Olhou no banheiro e ela também não estava lá. Procurou pela biblioteca e pelo jardim, mas estavam vazios. Só tinha um lugar onde Regina poderia estar, a cozinha e foi procura-la, mas só encontrou Belle, Mary e Pedro.
— Onde está sua patroa? – perguntou Emma para Belle.
— A senhora Regina saiu com o Henry. – disse Belle.
— E para onde ela foi? – Perguntou Emma triste.
— Ela não disse patroa. – respondeu Belle e Emma baixou a cabeça tristemente.
— Pode me servir o almoço, por favor. – pediu em tom baixo.
— Eu irei servi-la, Emma. – Disse Mary ficando de pé.
— Não! Eu pedi a Belle. – disse séria fazendo a garota voltar a seu lugar. – Belle, por favor. – pediu Emma e seguiu para a mesa.
Assim que Belle começou a servi-la, Emma perguntou.
— Como minha esposa passou a manhã?
— Bem... ela ficou trancada na biblioteca tocando piano. – Disse a garota e Emma sentiu seus olhos marejarem.
Ela sabia que sua morena ainda sofria por suas atitudes e desconfianças. Emma se sentia mais que culpada, ela sabia que havia sido injusta com sua mulher, mas não conseguia imaginar o que fazer para mudar isso.
Após o almoço ela decidiu que iria trabalhar a tarde. Ao invés de ir para o deposito foi para a praia, lá ela poderia pensar em como recuperar seu casamento.
[SQ]
— Eu não acredito que a Emma foi capaz de pensar em se deitar com outra! – disse Zelena boquiaberta.
— Eu fiquei tão mal quando ela me confessou isso. – disse Regina triste. – Acredito quando ela diz que não teve nada com a tal mulher, mas... ela pensou em fazer isso.
— Ah! Amiga, eu não sei o que dizer. – disse Zelena segurando suas mãos.
— Não há nada o que dizer Zel. Acontece que eu a amo tanto. – disse Regina com os olhos marejados. – Eu nunca vi Emma tão transtornada como no dia que ela me acusou. Ela parecia outra pessoa. – Disse Regina e Zelena a abraçou.
— Vai ficar tudo bem. Ela prometeu mudar.
— Eu não quero que ela mude. Eu só... quero que ela confie em mim e no meu amor. – falou Regina deixando algumas lágrimas caírem de seus olhos.
Zelena ficou boa parte da tarde consolando a amiga. Ela estava com muita raiva de Emma no momento, seria capaz de dar umas boas bofetadas na loira se a encontrasse.
No fim da tarde Regina voltou para casa. Estava sendo difícil encontrar Emma, mas ela tinha que voltar. Ela queria recuperar seu casamento e voltar a acreditar em Emma, mas tudo ainda estava recente.
Assim que entrou em casa deu de cara com a loira sentada no sofá, tinha os olhos fechados e a morena pode perceber que ela havia chorado. Seu nariz estava vermelho e algumas mercas de lágrimas estavam expostas pela pele alva de Emma. Ela tentou passar despercebida, mas assim que deu alguns passos a loira abriu os olhos.
— Onde estava? – perguntou Emma ficando de pé.
Regina pode notar que sua loira estava diferente, triste, assustada. Em outra ocasião essa pergunta seria feita com autoridade, mas naquele momento as palavras saíram da boca de Emma com certo... desespero.
— Estava na casa da Zelena. – Respondeu Regina de cabeça baixa.
— Amor... Olha pra mim. – pediu Emma se aproximando. – Por favor, Regina. Eu não estou suportando essa distancia que existe entre nós. – Pediu Emma emocionada.
— Emma... ainda não. – falou Regina em um sussurro.
— Regina... por que você está fazendo isso? – perguntou Emma segurando os braços da morena. – Você disse que me daria mais uma chance!
— Emma ...
— Por que você está me machucando assim? – perguntou em desespero.
— Por que você me machucou primeiro! Por que você não acreditou em mim, quando tudo o que eu fiz foi te dar amor! – falou Regina alterando um pouco a voz e se livrando das mãos de Emma.
— Meu amor... – disse Emma com os olhos marejados.
— Você acha que é fácil para mim? Toda vez que fecho meus olhos as imagens de você se insinuando para Lily vem em minha mente. – disse também emocionada. – Quando nas poucas vezes que consegui dormir sonhei com você amando outra em uma cama qualquer! – confessou Regina chorando. – Não Emma! Você não é a única que está machucada aqui! – concluiu Regina e saiu rumo ao quarto.
Assim que Regina a deixou sozinha, Emma foi para a biblioteca. Não queria que ninguém a visse chorar, pois era isso que estava fazendo. Chorando feito uma criança, arrependida de todo o mal que fez a sua menina e tomada pela solidão, culpa e pela saudade dos braços que tanto amava, Emma pegou uma garrafa de tequila que estava em uma das estantes e começou a beber. Sentada no chão ao lado do piano a loira chorava e bebia todo o liquido da garrafa.
Ela nunca imaginou que ficaria daquela forma por alguém, destruída, cheia de remorso e arrependimento. Regina fora a única capaz de desestabilizar Emma Swan, a única que fazia seu coração sangrar por estar longe. Nem Lily, depois de tudo o que fez conseguiu deixar a loira assim e essa era certeza que Emma nunca a amou, tal sentimento só fora aflorando por Regina, uma mulher linda, meiga, inocente e completamente apaixonante.
Dois dias se passaram e as coisas continuavam da mesma forma. Por vezes Emma teve vontade de agarrar a morena e mostrar para si mesmo que conseguiria ter sua mulher de volta, mas com Regina isso não funcionaria, pelo contrário, ela só faria sua esposa sofrer mais.
Em uma tarde, Emma estava sentada em sua mesa no deposito olhando para um ponto qualquer na parede a sua frente, quando Ruby, cansada de ver a loira definhando daquela forma resolveu tomar uma atitude.
— Cansei! – disse Ruby ficando de frente para Emma que a olhou sem ânimo. – Não aguento mais te ver assim, jogada no canto, chorando. Onde está a Emma que sempre vai atrás do que quer? Cadê aquela Emma que nunca desiste de seus objetivos?
— Eu não consigo! – disse Emma com os olhos banhados d’agua.
— Claro que consegue!
— Ela não me olha mais, Ruby. Não fala comigo. Eu estou desaparecendo e não consigo mudar isso. – Disse Emma chorando. – Regina consegue me transformar em uma pessoa diferente. Ela é meu oxigênio, meu sangue correndo nas veias, ela é... as batidas do meu coração e sem ela sinto que tudo está falhando. Você não sabe como eu morro um pouco sempre que ela me ignora, sempre que se afasta. Pela primeira vez na vida eu não sei o que fazer, estou perdida e não consigo encontrar o caminho de volta.
— Você percebe o que essa mulher é para você. – afirmou Ruby. – E mesmo assim age como uma idiota! – disse Ruby elevando um pouco a voz para dar um choque de realidade na amiga. – Se porta como uma menina mimada, insegura e extremamente ciumenta sem ter motivos para isso. Você magoou a única mulher que te amou verdadeira e incondicionalmente, julgou e condenou sua esposa sem nem ao menos dar a chance dela se defender. E agora, depois de saber o que realmente aconteceu, ao invés de pedir perdão e implorar para que ela a aceite de volta, fica ai chorando feito uma perdedora. – continuou Ruby e Emma apenas chorava. – Ela disse que lhe daria uma ultima chance se você mudasse, mas o que você está fazendo para mostrar a ela essa mudança? O que você está fazendo para provar a mulher da sua vida que você a ama, que confia nela e que fará de tudo para recuperar o seu amor? – Perguntou, mas a loira nada respondeu. – Me diz Emma, o que você está fazendo? – perguntou e continuou sem resposta. – RESPONDE! – gritou chamando a atenção da amiga. – RESPONDE EMMA!
— NADA! – Gritou Emma.- Eu não estou fazendo nada! – sussurrou essa ultima parte.
— Exatamente. Então trate de levantar dessa cadeira, enxugar as lágrimas e ir atrás do seu amor. – disse Ruby com um sorriso nos lábios.
Ruby saiu daquela sala com o sentimento de dever cumprido. Ela estava feliz por que sua amiga estava amando de verdade e sabia que Regina era a pessoa certa para ela. Mas sabia também que Emma precisava cair na real ou tanto ela como Regina seriam infelizes nesse casamento.
Emma ficou algumas horas sentada, pensando em como poderia ter sua morena de volta. Ela sabia que Ruby estava certa. Como ela prometeu mudar e não estava fazendo nada para isso? Sinceramente ela não sabia o que fazer, nunca foi boa em expressar seus sentimentos, mas teria que tentar, afinal, era de Regina que estava falando, de seu amor, sua razão de viver. Ela sabia que Regina não queria falar com ela ainda, então, como iria começar a se reaproximar de sua amada?
Ali sozinha, rodeada pelo silencio teve uma ideia. Já que Regina não queria nem olhar em seus olhos, ela resolveu escrever, faria uma carta para mostrar a sua amada suas intenções e assim convencê-la a lhe dar esperanças que algum dia elas poderiam voltar a ser o que eram. Duas pessoas apaixonadas que com ajuda o amor mais puro conseguiriam superar tudo.
A loira começou a escrever, as palavras não saiam de sua mente e sim do coração. A cada linha concluída um raio de esperança entrava no carnação da loira. Depois de várias folhas jogadas ao chão e de muitas lágrimas ela conseguiu concluir. A loira seguiu para casa, ficou espantada quando saiu do deposito e percebeu que já era noite, não sabia que horas eram, mas ao contar pelo deserto que as ruas se encontrava julgara ser tarde.
Assim que adentrou o portão da grande casa, Emma parou em frente a uma roseira e retirou um lindo botão de rosa. Adentrou a residência em silencio e seguiu para o quarto onde julgava encontrar a morena dormindo. Quando entrou no quarto viu sua menina dormindo pesadamente. Caminhou na ponta dos pés para não acordá-la e deixou a carta e a rosa ao lado da morena, sentiu uma vontade quase que incontrolável de beijá-la, mas se assim o fizesse poderia acordá-la, então da mesma forma que entrou, sai do quarto com o coração acelerado, rogando a todos os santos para que suas palavras tivessem algum resultado, um bom resultado.
[SQ]
Os raios solares entravam timidamente pela janela anunciando o inicio de mais um dia. Regina lentamente abriu os olhos e diferente dos dias em que acordava ao lado da loira sentiu seus olhos marejarem. Ela estava sofrendo pela falta de Emma, mas a loira tinha que fazê-la acreditar que tudo seria diferente, que a confiança e o respeito fariam parte de suas vidas. Como vinha fazendo nesses dias sombrios ela virou-se para abraçar o travesseiro de Emma a fim de sentir seu cheiro, mas para sua supressa tinha algo ali que não estava quando ela fora dormir.
Uma rosa vermelha estava por cima de uma papel que ela pode reconhecer a letra da loira. Olhou em volta para ver se Emma estava no quarto, mas ela era a única pessoa ali. Regina voltou os olhos para a flor e pegou-a levando junto ao rosto e sorriu quando sentiu o cheiro delicioso que ela emanava. Em seguida ela pôs a pequena rosa a seu lado e pegou o papel e começou a ler o que estava escrito.
”Eu não quero ser a lágrima que cai sobre suas mágoas
Nem pretendo ser o choro com o qual você expressa sua infelicidade
Eu não quero ser uma imagem, desaparecendo lentamente em sua memória
E nem pretendo ser simplesmente uma sombra, escurecendo sua passagem
Eu só quero me perder por trás do espelho de seus olhos
Ser o consolo que acalma as paixões secretas em sua vida
Só quero perder meus sentidos, perder sua tristeza e acalmar essa loucura
Ser a única com quem você pode contar para aliviar sua tristeza
Eu vou roubar seu coração e libertá-lo
Derrubar as paredes que te cercam
Posso até segurar você dentro de mim
Mas esse laço jamais amarrará você, meu amor
Eu não quero ser o fogo que inflama as tentações
Nem pretendo ser a espada que atravessa você com adoração
Eu não quero ser um sussurro, minhas emoções te envolvem em silencio
E nem pretendo ser a mensagem que te lembra que o tempo é inestimável
Eu só quero ser o vento que te eleva acima do chão
Viver só para desencadear os poderes sagrados que descobrimos, o nosso amor
Só quero respirar sua essência, ser seu conforto e te preencher com sorrisos
Ser cada momento que vivermos a partir desse dia, para sempre
Então, eu vou roubar seu coração e libertá-lo
Tão livremente, que você vai se surpreender
E sem meu amor, você jamais vai estar
De alguma forma, sempre te encontrarei
E te mostrarei, minha vida, o quanto eu te amo e sempre irei te amar.
Eu te amo, Regina e esse sentimento permanecerá fincado em meu peito até meu último suspiro.
Por favor, me perdoa amor. Estou morrendo sem você a meu lado.
Da sua, hoje e para a eternidade.
Emma Swan.”
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