Amor Puro
3 Capítulo 3 — Entre Apostas e Espaçonaves
Notas iniciais
Algumas semanas se passaram, e minha interação com Edward se tornou o centro dos meus dias. A vida dele, vista de longe, parecia um comercial de perfeição, mas, à medida que ele me confiava os detalhes, eu percebia as rachaduras que ninguém mais via.
Edward me contou sobre a força de seu pai, Carlisle. Como ex-militar, ele tinha recursos e uma disciplina admirável, mas nem o melhor plano de saúde do mundo pôde salvar Esme, a mãe deles. O luto havia moldado os três irmãos de formas diferentes: Alice, a mais nova, tentava trazer cor à casa no seu primeiro ano de ensino médio; Emmett, o mais velho, usava o humor como escudo enquanto se preparava para a faculdade; e Edward... Edward se perdia na música e no silêncio. Apesar de tudo, eles tentavam manter a alegria viva, uma lição que eu ainda estava tentando aprender.
— Meu irmão apostou que eu não teria coragem de falar com você — Edward confessou um dia, enquanto caminhávamos lado a lado pelo corredor lotado.
Parei por um momento, franzindo a testa.
— Isso é sério?
— Emmett notou como eu olhava para você. Eu confessei que, apesar de sentar ao seu lado todos os dias em biologia, eu simplesmente travava. Não conseguia dizer um "oi".
— E você só falou comigo para não perder dinheiro? — perguntei, tentando esconder a pontada de insegurança com um tom irônico.
Edward sorriu, e meu coração, como de costume, errou a batida. Era impressionante como ele tinha esse poder sobre mim em tão pouco tempo.
— Não foi bem assim — ele disse, diminuindo o passo. — Na verdade, eu só precisei de um empurrão. A aposta foi a desculpa que eu usei para vencer a minha própria timidez.
Ele parou de repente na minha frente, cortando meu caminho. A proximidade me fez sentir o calor do seu corpo e o aroma amadeirado do seu perfume, algo que sempre parecia embriagar meus sentidos.
— Estou planejando ir até Port Angeles no próximo sábado — ele começou, fitando-me com uma intensidade nova. — Se você não tiver outro compromisso... gostaria de vir comigo?
Meu cérebro pareceu travar, focando apenas no movimento dos lábios dele. Levei tempo demais para processar o convite.
— Você aceita? — ele insistiu, com um brilho de expectativa nos olhos.
Respirei fundo, tentando colocar meus pensamentos em ordem e não parecer desesperada.
— Claro. Eu adoraria. Sábado parece perfeito.
Charlie não ofereceu nenhuma resistência. Surpreendentemente, meu pai tinha uma excelente impressão de Carlisle Cullen, o que serviu como um "passe livre" imediato.
No sábado, quando Edward estacionou na frente de casa, meu queixo quase caiu. Eu estava acostumada a vê-lo chegar na escola com a picape do Emmett — um veículo funcional que não chamava atenção. Mas ali, brilhando sob a luz pálida de Forks, estava um Volvo prata impecável.
— Para onde você pretende me levar nessa espaçonave? — Não contive a risada enquanto caminhava até o carro.
Os olhos verdes dele cintilavam de diversão. Edward vestia uma calça jeans e uma camiseta azul sob uma camisa aberta de tom mais claro. Ele parecia... impecável. Eu, por outro lado, tinha passado a manhã lavando o cabelo e checando meu hálito a cada cinco minutos, alimentando a esperança secreta de que aquele dia terminasse com o nosso primeiro beijo.
— Para o paraíso — ele respondeu em um tom irônico, abrindo a porta para mim. — Pronta?
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