Amor Puro

4 Capítulo 4 — Ravioli e Interrupções


Notas iniciais
Oi, tudo bem? Sejam bem-vindos a mais um capítulo. Obrigada pelos comentários!


Edward saiu da livraria com uma pilha de livros debaixo do braço. O tema era sempre o mesmo: música e suas infinitas particularidades. Enquanto caminhávamos de volta para o carro, ele me contou que sua paixão nasceu através de seu avô, que lhe deu seu primeiro piano aos onze anos. Desde aquele dia, ele não passou vinte e quatro horas sem tocar. Sua mãe, Esme, fora sua maior incentivadora, regando esse amor até que ele se tornasse parte de quem Edward era.

— O que acha de jantar antes de voltar, hein? — ele sugeriu, abrindo a porta do Volvo para mim.

Meu estômago respondeu com um ronco audível, fazendo Edward soltar uma risada leve.

Encontramos um restaurante italiano aconchegante. Pedi meu prato favorito, ravioli ao molho branco, enquanto ele optou por uma massa tradicional. Observando-o à luz de velas, não pude deixar de pensar no quanto nossas realidades eram distintas. Eu tinha planos para a faculdade, é claro; minha mãe havia deixado uma poupança para que eu pudesse estudar no norte do estado. Mas Edward... os planos dele eram grandiosos. Juilliard, palcos, um mundo que parecia grande demais para Forks. No fundo, uma voz pessimista sussurrava que, após o ensino médio, nossos caminhos dificilmente permaneceriam cruzados.

A viagem de volta para Forks foi mergulhada em um silêncio diferente. Edward insistiu em me deixar na porta de casa, mas notei que ele parecia inquieto.

— Você se divertiu? — perguntou, com a voz baixa, assim que estacionou.

Suas mãos não paravam quietas, ajeitando detalhes desnecessários no painel do carro, enquanto seus olhos desviavam frequentemente para a porta da minha casa.

— Foi incrível — admiti sinceramente. — E o jantar estava maravilhoso. Obrigada, Edward.

Percebendo que o nervosismo dele era quase palpável, tomei a iniciativa e segurei uma de suas mãos. Senti a palma levemente úmida; ele estava realmente tenso. Ao sentir meu toque, Edward finalmente parou. Seus olhos se cravaram nos meus e, lentamente, ele reduziu a distância entre nós. O espaço desapareceu de forma gradual, como se o tempo estivesse desacelerando só para nos dar aquele momento.

Quando seus lábios se moldaram aos meus, senti os pelos da minha nuca se arrepiarem. Foi suave, doce e carregado de uma urgência contida. Eu havia esperado ansiosamente por aquele beijo, e sentir que ele compartilhava do mesmo sentimento fez meu coração disparar.

De repente, dois toques secos na janela do carro nos fizeram saltar, separando-nos bruscamente. Gemer de desespero foi inevitável ao ver o rosto de Charlie do outro lado do vidro. Com um gesto severo de cabeça, ele indicou que eu entrasse. Agora.

Edward saiu do carro para abrir a porta para mim, e mesmo sob o olhar vigilante do meu pai, vi um sorriso vitorioso e brilhante em seus lábios.

— Um pouco tarde, você não acha? — Charlie questionou, enquanto eu caminhava apressada pelo caminho de pedra.

— Perdi a noção do tempo, pai — respondi, sem coragem de encará-lo. A vergonha queimava minhas bochechas.

— Ah, sim... — ele resmungou, num tom que misturava desconfiança e resignação.

Assim que cruzei o batente da porta, não dei chance para interrogatórios. Subi as escadas direto para o meu quarto, jogando-me na cama. Toquei meus lábios, ainda sentindo o rastro do beijo, a textura da pele dele e a memória da sua mão segurando meu rosto enquanto eu me perdia no seu perfume amadeirado.

Eu não sabia explicar por que tudo estava acontecendo tão rápido, mas a certeza era absoluta: eu estava perdidamente apaixonada. E, naquele momento de euforia, eu acreditava que nada no mundo — nem a distância, nem os planos de faculdade, nem mesmo Charlie — poderia nos separar.

Notas finais
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