Amor Puro
10 Capítulo 10 — O Presente do Silêncio
Notas iniciais
Alguns meses depois...
A decisão de deixar Forks foi a coisa mais difícil que já fiz. Partiu o coração de Charlie, e o meu próprio peito parecia uma ferida aberta que nunca cicatrizava. Durante todo o trajeto até a Flórida, enquanto as paisagens passavam borradas pela janela do ônibus, meu único pensamento era como eu conseguiria sobreviver sem o som da voz de Edward.
Eu não estava completamente sozinha; uma tia, irmã da minha mãe, morava no centro da cidade e me acolheu em sua casa. Em pouco tempo, mergulhei em uma rotina exaustiva para não ter tempo de pensar. Terminei o ensino médio à distância e consegui um emprego como garçonete. Eu precisava manter a mente ocupada, especialmente porque sentia algo mudar — e crescer — dentro de mim a cada dia.
Hoje completei trinta e cinco semanas de gravidez.
Ver minha barriga ganhar forma trouxe uma sensação calorosa e emocionante que eu não esperava. Nos momentos em que a solidão ameaçava me afogar, o movimento do bebê era o sinal de que eu nunca estaria realmente só. Era um presente, um pedaço dele que o destino permitiu que eu ficasse. Pensei milhões de vezes em voltar para Forks, em contar a verdade, mas o silêncio de Edward e as ameaças de Carlisle ainda ecoavam na minha mente. Imaginei o pior sobre a saúde dele e, para me proteger, segui em frente sem olhar para trás.
Em pouco tempo, eu teria uma filha. Eu a criaria com todo o amor do mundo, mas uma dúvida cruel me assombrava: o que Edward pensaria? Ele aceitaria? O plano dele sempre foi a Juilliard, o palco, o mundo. Eu não podia ser o peso que o impediria de voar, nem mesmo agora.
Charlie tentou me convencer por meses, alegando que Edward tinha o direito de saber que seria pai. Mas só de imaginar um encontro frente a frente, meu corpo entrava em colapso.
— Ei, calma, meu bebê — sussurrei, acariciando a curvatura da minha barriga ao sentir uma pontada aguda.
Quase nenhuma roupa me servia mais. Eu vivia em camisetas largas, tentando ignorar o inchaço nas pernas após turnos duplos na lanchonete.
— Ah! — soltei um grito contido, sentindo outra pontada.
Meu corpo enrijeceu e tive que me apoiar com força contra o balcão. O turno mal tinha começado. Eu segurava uma caneca de café quente para o primeiro cliente do dia; larguei o objeto sobre a bancada antes que minhas mãos falhassem. A próxima contração veio mais forte, roubando meu ar.
— Está tudo bem, Bella? — Charlotte se aproximou rapidamente.
Ela tocou meu ombro com gentileza, e eu me apoiei nela como se fosse minha única âncora. Charlotte era jovem e tinha uma história de vida tão complicada quanto a minha; em pouco tempo de trabalho, ela se tornara minha única confidente.
— Ai, meu Deus — gemi, enquanto uma dor lancinante irradiava pela minha lombar. — Eu acho... Charlotte, eu acho que ela vai nascer. Ah!
O pânico e a excitação se misturaram. O momento que eu tanto temia e esperava havia chegado, mas, em meio à dor, o único rosto que eu desejava ver era aquele que eu tinha deixado para trás em Forks.
Fale com o autor