Amor Puro
11 Capítulo 11 — O Desejo das Velas
Notas iniciais
Alguns anos depois...
Renesmee estava completando sete anos. Para celebrar, preparei seu favorito: bolo de morango com cobertura de chantilly e um recheio generoso de creme de chocolate. Alguns vizinhos e Charlotte, minha fiel companheira de jornada, vieram prestigiar o momento. Reunidos ao redor da mesa, cantamos parabéns em um coro desordenado e alegre.
— Faça um pedido, Nessie! — Charlotte instigou assim que as palmas cessaram.
O rostinho rosado da minha filha se iluminou. O sorriso dela, faltando os dentes da frente, era a imagem da pureza.
— Eu quero um pai — Nessie desejou em voz alta, sem hesitar.
Em seguida, ela se curvou sobre o bolo e, de olhos bem fechados, soprou as velas. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Charlotte me lançou um olhar de imediato, carregado de desculpas. Aquela não era a primeira vez; desde que Nessie entrara no ensino fundamental e vira a dinâmica das outras famílias, o assunto "pai" se tornara uma ferida aberta que eu nunca sabia como estancar.
Anos mais tarde...
— Nessie? Você ainda está dormindo, filha? — bati na porta do quarto dela, tentando disfarçar a impaciência.
O horário da escola se aproximava e ela ainda não havia descido para o café. Sem resposta, girei a maçaneta e entrei. O quarto estava mergulhado na penumbra das cortinas fechadas. Fui até a janela e abri as cortinas, deixando a luz da Flórida invadir o ambiente. Debaixo de um emaranhado de cobertas, Nessie parecia tentar desaparecer.
— Filha? — chamei, aproximando-me da cama. — Você vai se atrasar.
— Eu não vou hoje, mãe — a voz dela saiu abafada, enterrada nos travesseiros.
— Por que não? Está doente? — Tentei puxar a coberta, mas ela a segurou com força.
— Eu só não quero ir. Me deixa em paz! — Nessie exclamou, com uma rispidez que me atingiu como um tapa.
Respirei fundo, contando mentalmente até dez. Lidar com uma pré-adolescente era um desafio diário, mas faltar às aulas sem motivo não era negociável.
— É claro que você vai... — declarei, tentando manter a voz firme e calma.
Dessa vez, puxei o cobertor com força, revelando seu corpo magro e encolhido. Nessie sentou-se na cama, os olhos faiscando de fúria e ressentimento.
— Eu não vou para a merda daquela escola hoje! Que droga, mãe!
Seus cabelos estavam emaranhados e seus olhos, muito inchados. Eu não sabia se era pelo sono ou se ela passara a noite chorando.
— Você não tem escolha, Renesmee. Precisa estudar — rebati.
— Eu não quero ir! — ela gritou novamente, as lágrimas começando a transbordar.
— Mas por que agora? Você nunca falta, Nessie. O que aconteceu?
— Hoje é Dia dos Pais — ela cobriu o rosto com as mãos, soluçando desesperadamente. — Eu não vou passar vergonha lá outra vez, como no ano passado. Todos vão fazer apresentações e homenagens... não tem sentido eu estar lá. Eu não tenho ninguém para homenagear!
O peso daquelas palavras me deixou estática. O choro dela era o som da minha própria culpa ecoando através dos anos. Eu achava que estava protegendo Edward, mas, no processo, eu tinha deixado nossa filha no escuro.
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