Amor Puro
9 Capítulo 9 — O Peso da Culpa
Notas iniciais
— O que aconteceu, filha? — O grito de Charlie foi carregado de susto assim que atravessei a porta. Ele deve ter visto o fantasma em que me tornei.
Meu choro veio antes que qualquer palavra pudesse ser formulada. Meu pai, sem entender a gravidade da situação, apenas envolveu meu corpo em colapso em um abraço protetor. Cada vez que eu fechava os olhos, a imagem de Edward caído, cercado por aquele vermelho profundo, me atingia como um chicote.
— Está tudo bem, querida... — Charlie sussurrava, acariciando meus cabelos.
— Eu o machuquei, pai... A culpa é toda minha — consegui dizer entre os soluços que cortavam minha garganta.
— Como assim? De quem você está falando, Bella?
— Do Edward... Foi tudo culpa minha.
Minhas mãos tremiam contra o uniforme de Charlie. Aos poucos, o mundo ao meu redor começou a perder o foco, a voz do meu pai tornou-se um zumbido distante e minha visão escureceu por completo.
Acordei na minha cama, envolta pelo edredom. Charlie estava sentado em uma poltrona do outro lado do quarto, mergulhado em um sono inquieto. A escuridão lá fora indicava que a noite já havia caído há horas. Meu primeiro pensamento, como um reflexo doloroso, foi Edward.
Peguei o celular no criado-mudo e senti meu estômago revirar. Havia dezenas de mensagens de um número desconhecido — que meu instinto gritou ser de Carlisle. O aparelho chegou a travar por alguns segundos ao carregar o fluxo de ódio.
Queria não ter lido. Mas, uma vez que comecei, não consegui parar. Eram ameaças e insultos cruéis. Carlisle despejou toda a responsabilidade do acidente sobre mim, dizendo que eu havia destruído a vida e o futuro do filho dele, e que eu nunca mais deveria ousar procurá-lo.
Um soluço agudo escapou dos meus lábios, fazendo Charlie despertar de um salto. Ele caminhou até a cama e, vendo meu estado, tirou o celular das minhas mãos.
— Quem é esse? Por que ele está falando assim com você? — Charlie perguntou, a voz subindo de tom ao ler as mensagens.
— Eu atirei no filho dele — funguei, tentando oxigenar o cérebro. — Pai, eu juro... eu juro que foi um acidente! Eu jamais machucaria o Edward. Eu não sabia o que fazer com aquela arma... você precisa acreditar em mim.
— É claro que eu acredito, Bella. Eu conheço você — ele disse com firmeza. — Eu vou até o hospital agora mesmo conversar com o Carlisle.
— Não! — gritei, segurando o braço dele. — Ele disse que, se eu aparecer lá, ele chama a polícia e manda me prender.
— Ele não pode fazer isso, querida. Foi um acidente doméstico.
— Mas fui eu que disparei, pai! Minhas digitais estão em todo lugar. Eu não quero ser presa... eu não suportaria.
Meus olhos ardiam. Encolhi as pernas contra o peito, escondendo o rosto entre os joelhos, tentando desaparecer dentro de mim mesma.
— Eu posso resolver isso, Bella. Sou o chefe de polícia desta cidade, eu...
— Não tem o que resolver! — gritei, encarando-o com os olhos vermelhos e inchados. — Eu acabei com a vida dele! Eu sou uma idiota, uma estúpida que estraga tudo o que toca!
— Você não é nada disso — Charlie insistiu, tentando se aproximar.
Sequei as lágrimas com as costas das mãos em um gesto brusco e pulei da cama. Comecei a abrir o guarda-roupa com violência, puxando a mesma mala que trouxe no dia em que cheguei.
— Eu vou embora — anunciei, as mãos trêmulas enquanto jogava roupas de qualquer jeito dentro da mala. — Eu nunca deveria ter vindo para essa cidade maldita! Eu só quero ir embora daqui... sumir para sempre.
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