Amor Puro

2 Capítulo 2 — Cicatrizes Invisíveis


Notas iniciais
Oi, tudo bem? Sejam bem-vindos a mais um capítulo. Gostaria de agradecer pelo carinho de vocês nos comentários e lembrando que essa narrativa é a segunda de uma sequência de histórias sobre o amor. Serão histórias curtas que ainda assim mostrará com toda intensidade todas as paixões.


Três semanas haviam se passado, e Edward Cullen ainda era um enigma. Durante esse tempo, ele manteve uma distância cautelosa, trocando comigo apenas as palavras estritamente necessárias quando o Sr. Banner passava alguma atividade em dupla. No restante do tempo, o silêncio dele era quase palpável. Mesmo assim, eu sentia que estava sendo observada; um calor na nuca que me obrigava a tentar manter um comportamento normal, o que, para mim, já era um desafio.

Enquanto caminhava pelo corredor em direção à aula de biologia, avistei Edward conversando com um garoto alto. Mais tarde, descobri que era seu irmão mais velho, Emmett. Ele era o oposto de Edward: tinha um porte físico impressionante e, embora fosse tão bonito quanto o irmão, não fazia questão de ser modesto. Emmett parecia se alimentar da atenção das garotas que davam em cima dele de forma nada discreta.

Entrei na sala antes da maioria dos alunos. Estava tão perdida em pensamentos que, ao me aproximar da minha bancada, meus pés se atrapalharam. Tropecei no próprio ar, sentindo o peso da mochila escorregar e atingir o chão com um baque surdo.

— Deixa que eu te ajudo.

Meu corpo inteiro congelou. Aquela voz... soou logo atrás de mim.

Virei-me devagar e dei de cara com o sorriso largo de Edward. Antes que eu pudesse reagir, ele se abaixou, pegou minha mochila e a colocou sobre a mesa, agindo com uma naturalidade que me deixou tonta.

— Obrigada — gaguejei, abismada com a mudança repentina de atitude.

— De nada. Seu nome é Isabella Swan, certo? — Ele se sentou ao meu lado, os olhos fixos nos meus.

— Só Bella — corrigi, minha voz quase sumindo.

— Ah. Sou Edward Cullen. Muito prazer, Bella.

A voz dele era como uma melodia perfeita. Por todo esse tempo, eu tinha evitado olhar diretamente para o seu rosto; o contato visual era um território perigoso para alguém tão desastrada quanto eu. Mas, de perto, era impossível ignorar. Seus olhos verdes tinham um brilho impressionante, e o cabelo bronze parecia ter uma ordem própria em meio ao caos.

— Desculpe não ter me apresentado antes — ele continuou, notando meu silêncio. — Confesso que fiquei um pouco... envergonhado.

— Sério? — Minha voz saiu fina demais. Limpei a garganta. — Quero dizer, eu também tive receio de dizer algo. Você parecia tão distante.

Ele sorriu de lado, um gesto que fez meu coração errar a batida.

O Sr. Banner entrou na sala, interrompendo o momento com um entusiasmo exagerado sobre o estudo de raízes de cebola. Ganharíamos um prêmio ao final da atividade, mas eu mal conseguia focar no microscópio.

— O dia está agradável, não acha? — Edward comentou, preenchendo o primeiro tópico da folha de exercícios com uma caligrafia elegante.

Olhei pela janela, onde o céu cinzento derramava baldes de água.

— Na verdade, eu odeio a chuva — confessei. A neblina estava tão densa que eu não duvidava que nevasse mais tarde.

— Então por que se mudou para o lugar mais chuvoso do país? — ele questionou, soltando uma risada baixa e genuína.

— É uma longa história — suspirei.

— Temos bastante tempo. Pode falar.

Encarei o material sobre a mesa, buscando coragem. O silêncio na sala parecia ter sumido, restando apenas nós dois naquela bolha.

— Minha mãe faleceu faz pouco tempo.

As mãos dele pararam instantaneamente. Edward abandonou a caneta e me encarou com uma intensidade que me deixou sem ar.

— Eu sinto muito, Bella.

— Tudo bem. Foi um acidente de carro. Aconteceu muito rápido — informei, tentando manter a voz estável, embora o nó na garganta estivesse lá.

— Eu posso entender o que você está passando — ele disse, e o brilho nos seus olhos mudou para algo mais sombrio, mais profundo. — Minha mãe morreu há alguns anos.

— Meus pêsames. O que aconteceu? — perguntei e, temendo ser invasiva, completei rápido: — Não precisa falar se não quiser.

— Está tudo bem. Eu não tenho problemas em conversar sobre isso agora. Ela teve câncer.

Por um breve segundo, a fachada de "garoto perfeito" caiu. A dor dele era evidente, uma ferida antiga que ainda não tinha fechado completamente.

— Não deve ter sido nada fácil — sussurrei.

— Um acidente de carro teria sido melhor — ele disparou, voltando a fixar os olhos nos meus. Logo em seguida, franziu a testa. — Me desculpa. Eu não quis comparar as tragédias.

— Não se preocupe. Eu entendo o que você quis dizer.

— É que... eu vi o sofrimento dela. O câncer consumiu toda a energia que ela tinha. Foi lento.

Edward voltou sua atenção para o dever, mas o clima entre nós tinha mudado drasticamente. Fiquei encarando o perfil dele por alguns instantes, sentindo uma pontada de conforto em meio à tristeza. Edward Cullen era, provavelmente, a única pessoa naquela cidade que realmente entendia o peso do meu luto.

Notas finais
Os comentários de vocês é o único contato que temos. Eu adoraria que vocês me dissessem qual é a primeira impressão! ❤️