Notas iniciais
FINALMENTE ATUALIZEI AMOR MARGINAL! Tô até emocionada hahahaha. Foi a fic que mais demorei a atualizar. Mil perdões, meninas, mas como já expliquei, eu viajei esses dias e não tive tempo de escrever. Espero que gostem desse capítulo. Comentem MUITO.

EMMA SWAN

Sete dias sumida

Quando finalmente fiquei sozinha em minha casa, desesperei-me. Eu era a maior suspeita — a única — de ter supostamente matado minha esposa grávida. Como eu poderia matar a minha esposa grávida de um filho meu? Como esses policiais poderiam pensar isso de mim? Se bem que... Eu não sabia da gravidez e disse isso a eles. Como você é burra, Emma Swan.

Fiz a única coisa que poderia fazer. Peguei um avião até Boston e fui atrás do advogado que arranjei. Nós só havíamos nos falado por telefone, mas Robert Gold parecia excitado com a ideia de me defender e foi muito cordial em nossa rápida conversa, aceitando de cara pegar o meu caso.

Fiquei horas dentro de seu escritório, conversando com ele. Robert me interrogou praticamente, quis saber todos os detalhes possíveis ao meu respeito, a respeito de Regina e principalmente do nosso casamento. Do início ao fim. Ele queria tudo.

Tive que contar a forma como nos conhecemos, o fato dela ser minha psicóloga e me propor aventuras sadomasoquistas, o que era totalmente antiético. Contei os nossos melhores momentos, nosso casamento, a vida feliz que levávamos quando morávamos em Boston, depois a mudança brusca para Storybrooke, a perca do dinheiro de Regina, a morte da minha madrasta e todas as desgraças que se seguiram. Tive, inclusive, que mencionar sobre Ruby à ele e isso o deixou preocupado.

Gold achava que minha amante poderia ser um problema e que eu precisava contê-la. Eu não poderia mais vê-la, nossa relação estava encerrada. E não me importei com isso. Segui suas intruções. O cara era um puta advogado, devia saber o que estava fazendo. Eu esperava que soubesse. Só ele poderia me salvar agora.

Voltei para Storybrooke antes da hora do jantar. Foi estranho, assim que Gold tirou Ruby do quadro — assim que ficou claro que ela simplesmente não poderia permanecer — com que rapidez aceitei isso, quão pouco lamentei a perda. Durante aquele único voo de duas horas eu fiz a transição de amando Ruby para não amando Ruby. Foi como passar por uma porta. Nossa relação imediatamente ganhou um tom sépia: o passado. Que estranho que eu tivesse arruinado meu casamento por causa daquela garotinha com quem não tinha nada em comum a ser não ser o fato de ambas gostarmos de uma boa risada e de uma cerveja gelada depois do sexo.

Claro que você está bem com o rompimento, diria Elsa. A relação ficou difícil.

Mas havia uma razão melhor: Regina estava crescendo em minha mente. Ela estava desaparecida, e no entanto estava mais presente do que qualquer outra pessoa. Eu me apaixonara pela Regina porque eu era uma Emma aperfeiçoada com ela. Amá-la me tornava sobre-humano, fazia com que me sentisse viva. Mesmo no seu momento mais fácil, ela era difícil, porque seu cérebro estava sempre trabalhando, trabalhando, trabalhando — eu tinha de me superar para acompanhá-la. A mente de Regina era tanto ampla quanto profunda, e fiquei mais inteligente por estar ao seu lado. E mais atenciosa, mais ativa, mais viva e quase elétrica, pois, para Regina, o amor era como drogas, álcool ou pornografia: não havia limite. Cada exposição precisava ser mais intensa que a última para alcançar o mesmo resultado.

Regina me fez acreditar que eu era excepcional, que estava à altura do seu nível de jogo. Isso foi tanto a criação quanto a dissolução de nós duas. Porque eu não podia dar conta das suas exigências de grandeza. Comecei a ansiar por leveza e mediocridade, e me odiei por esses sentimentos, e no fim das contas, percebi, puni Regina por isso. Eu a transformei na coisa irritadiça, espinhosa que ela se tornou. Eu fingira ser um tipo de mulher e me revelei outra bem diferente. Pior, me convenci de que nossa tragédia fora causada exclusivamente por ela. Passei anos me transformando exatamente na coisa que eu jurava que ela era: uma boa de ódio moralista.

No voo para casa, eu olhei para a pista 3 por tanto tempo que a decorei. Eu queria me torturar. Não era de se espantar que seus bilhetes estivessem tão diferentes dessa vez: minha esposa estava grávida, queria um recomeço, queria nos devolver à nossa vitalidade fantástica e feliz. Eu podia imaginá-la percorrendo a cidade para esconder aqueles bilhetes carinhosos, ansiosa como uma colegial para que eu chegasse ao fim — o anúncio de que ela estava grávida do meu filho. Madeira. Só podia ser um berço antigo. Embora a pista não tivesse exatamente o tom de uma futura mãe.

Eu estava quase em casa quando descobri. "É onde guarda as delícias do quinto ano de casamento": as delícias seriam algo feito de madeira. Punir é levar alguém para o depósito de madeira. Era o depósito atrás da casa da minha irmã — um lugar para estocar peças de cortador de grama e ferramentas enferrujadas -, uma velha construção decrépita, como algo saído de um filme de terror em que campistas são assassinados lentamente. Elsa nunca ia lá; costumava brincar dizendo que ia queimar a coisa toda desde que se mudara para a casa. Em vez disso, deixara que ele ficasse ainda mais tomado por mato e teias de aranha. Sempre brincávamos dizendo que seria um bom lugar para enterrar um cadáver.

Não podia ser.

Atravessei a cidade, meu rosto dormente, minhas mãos geladas. O carro de Elsa estava na rampa, mas passei pela janela iluminada da sala de estar e desci o íngreme declive, e logo estava fora da linha de visão dela, fora da vista de qualquer um. Um lugar muito privado.

Bem nos fundos do quintal, no limite das árvores, estava o depósito.

Eu abri a porta.

Nãonãonãonãonão.

REGINA MILLS SWAN

O DIA DO

Estou muito mais feliz agora que estou morta.

Tecnicamente, desaparecida. Em breve, considerada morta. Mas para simplificar, digamos morta. São apenas horas, mas já me sinto melhor: articulações soltas, músculos relaxados. Em dado momento desta manhã me dei conta de que meu rosto parecia estranho, diferente. Olhei pelo retrovisor — a horrenda Storybrooke setenta quilômetros atrás de mim, minha mulher autossuficiente fazendo hora em seu par pegajoso enquanto a tragédia balança em uma fina corda de piano logo acima de sua cabeça alienada de merda — e percebi que estava sorrindo. Rá. Isso é novidade.

E meu marido, aquela preguiçosa, ingênua, traidora e mentirosa será presa por homicídio. Emma Swan me tirou orgulho e dignidade, minha esperança e meu dinheiro. Tirou e tirou até eu deixar de existir. Isso é homicídio! Que pague na mesma moeda.

É preciso disciplina para forjar um homicídio plausível. Assisti e li muitos vídeos sobre o assunto. Fique amiga de uma idiota do local, colha detalhes de sua vida tediosa, encha-a de histórias sobre o temperamento violento de sua esposa. Crie problemas financeiros em segredo, cartões de crédito com apostas online. Com a ajuda da ingênua, aumente seu seguro de vida. Compre um carro para a fuga em classificados online. Genérico. Barato. Pague à vista. Atribua características a si mesma para que chorem sua perda. Os EUA adoram uma mulher grávida. Como se fosse difícil abrir as pernas. Sabe o que é difícil? Forjar uma gravidez.

Primeiro, esvazia a privada. Convide a idiota grávida à sua casa, e a encha de limonada. Roube a urina da idiota grávida. Voilá! Uma gravidez para seu histórico médico.

Feliz bodas!

Espere sua esposa, que não sabe de nada, ir trabalhar. Ali vai ela. Começou a contagem. Monte o local do crime meticulosamente, com alguns erros para dar o benefício da dúvida. Precisa sangrar. Sangrar muito, muito, muito. Ferimento na cabeça sangra. O local de um crime sangra. Precisa limpar mal, como Emma faria. Limpe e sangre, sangre e limpe. E esqueça algo. Lareira no verão?

Como é você, não pare por aí. Precisa de um diário.

Meu diário foi a maior sacada de mestre que eu poderia ter inventado. O início da história totalmente real. Eu queria que as pessoas nos conhecessem, que soubessem nossa história de amor e que se apaixonassem por mim e Emma, pelo menos no princípio. Depois, comecei a inventar. O medo, os abusos, a violência, os gastos. Mentiras e mais mentiras. E Emma pensou que ela fosse a escritora...

Queime o diário na medida certa para a polícia achar. E honre a tradição com uma caça ao tesouro.

Se der certo, todos odiarão Emma por matar a bela esposa grávida. Depois de toda a indignação, quando estiver pronta, me afogo com uma porção de pílulas e um bolso de pedras. Quando acharem meu corpo, vão saber que Emma desovou sua amada como lixo. E Emma morrerá também.

Emma e Regina sumirão.

Acharam mesmo que Emma teria coragem de me bater? Se nem mesmo quando invertíamos na sessão de BDSM ela era capaz de fazê-lo... Imagine num contexto diferente. Emma jamais levantou um dedo sequer para mim, mas isso não diminuía sua culpa, não diminuía o fato de que ela merecia ser punida.

Emma mentiu para mim, ela me traiu com aquela vadiazinha de vinte anos e por isso merece sofrer, merece pagar!

Emma liberou em mim coisas que eu nem sabia existir. Uma leveza, um humor, uma calma... Mas eu a tornei mais inteligente, mais incisiva. Inspirei-a a se elevar a meu nível. Forjei a mulher de meus sonhos. Mas Emma se acomodou. Virou alguém com quem não concordei casar. Ela esperava que eu a amasse incondicionalmente, e me arrastou, sem um centavo, para o umbigo deste grande país, e achou uma nova, mais jovem, saliente puta. Achou que a deixaria me destruir e ser mais feliz que nunca? De jeito nenhum.

Emma não vence.

Minha bela mulher de Storybrooke. Ela precisava aprender. Adultos ralam para conseguir as coisas. Adultos pagam. Adultos sofrem as consequências.

EMMA SWAN

Sete dias sumida

Fui desesperada atrás de Elsa após abrir seu depósito de madeira e encontrar um monte de produtos caros lá dentro, produtos estes que estavam na lista de compras que o detetive Graham havia achado, e que eu jurava não me pertencerem. Estava tudo lá, até mesmo os tacos de golf!

Elsa se chocou assim como eu ao se deparar com aquilo. Definitivamente havia algo de muito errado na história toda. Como todos aqueles produtos foram colocados lá, se eu não os havia comprado?

Minha ficha caiu.

— Regina está tentando me incriminar — disse o óbvio.

Elsa olhou para mim.

— Desgraçada! — ficou raivosa de súbito.

No meio de tantas compras, havia uma grande caixa branca com um laço. Era um presente para mim e vinha com um cartão. Eu e Elsa levamos a grande caixa até sua casa, abrindo a mesma sobre sua mesa de madeira.

"Caro marido, sei que pensa passar pelo mundo despercebida. Não se iluda. Sei onde esteve e aonde vai. Nestas bodas, planejei uma viagem. Suba o rio. Sente e relaxa, porque você já era." Elsa leu o bilhete dela.

— Subir o rio? — perguntou confusa.

— Subir o rio significa ir presa.

— Que piranha louca!

Nos entreolhávamos sem saber o que fazer. Se Regina realmente havia armado para me pegar, ela conseguiria. Regina era Exemplar e eu não era páreo para ela.

— Ela quer me incriminar pelo assassinato dela! — eu disse.

— Casou com uma psicopata — Elsa cuspiu as palavras, seu olhar era como se dissesse "eu te avisei".

— Na manhã das bodas, eu ia pedir o divórcio. Eu já não aguentava mais. Não ia fingir mais um ano, mais um dia — desabafei.

— O que houve?

— Antes que eu dissesse algo, ela me disse: quero que vá a algum lugar pensar sobre nosso casamento. Ela sabia que eu iria à praia.

— E assim não teria álibi.

— Ela sabia exatamente o que eu faria! — falei quase gritando de raiva.

— Ela é boa... — Elsa admitiu, suspirando.

— Como eu fui burra!

Voltamos a nos atentar ao presente, abri o mesmo e encontrei fantoches lá dentro.

— São os fantoches Punch e Judy.

— Você se lembra que ele bate na Judy até a morte e mata o bebê? — minha irmã me perguntou, segurando Judy nas mãos.

Peguei o Punch e o encarei.

— Eu sou o Punch, então. Já sabíamos. Aonde quer chegar?

— Storybrooke tem pena de morte? — Elsa olhou-me trêmula.

Olhei dentro dos olhos da minha irmã sem reação alguma. Nós já sabíamos a resposta daquela pergunta.

Regina queria que eu morresse, incriminada pelo seu assassinato que não aconteceu. Ela queria se vingar de mim, provavelmente porque sabia que eu a deixaria. Ela era louca a esse ponto e eu não sabia dizer o que estava sentindo naquele momento.

Por um lado, eu estava revoltada. Talvez se a visse naquele instante, eu fosse mesmo capaz de matá-la! Como Regina podia fazer aquilo comigo? Forjar sua morte, desaparecer, deixar-me desesperada sem saber se ela estava viva ou morta e ainda por cima tentar me incriminar?

Ainda assim, eu não podia deixar de sentir um alívio. Ela estava viva. E se estava viva, isso significava que eu ainda poderia tê-la de novo. Sei que a ideia parece maluca, já que Regina quer me ver morta e eu não faço ideia de como encontrá-la, mas eu tinha esperanças de revê-la.

Provavelmente eu lhe daria um soco e um beijo assim que a visse. Talvez, talvez.

Fiquei tão atordoada com aquelas constatações que fizemos à noite que voltei para o meu lar, o meu doce lar com Regina e fui para a cama sozinha. Eu precisava pensar. Ou melhor, eu deveria parar de pensar. Meus miolos estavam fritando!

Os Estados Unidos me conheciam e provavelmente me odiavam por eu ter matado minha linda esposa, que não estava morta. Regina queria me incriminar, e estava conseguindo. Eu precisava salvar minha pele se quisesse viver, e mesmo com todos esses problemas, eu não podia deixar de pensar em estar ao lado da minha esposa novamente.

Não menti em nada sobre Regina. Ela é exatamente como descrevi. Cada defeito, cada atitude desagradável. Mas também tenho que falar do lado bom, tenho que justificar o motivo pelo qual sou tão dependente dessa mulher que quer me ver morta.

Regina me deu tudo! Tudo o que nunca pensei que teria. Não me achava digna de uma mulher como ela. Regina conseguiu me entender e fazer uma leitura profunda de mim desde o início, dando-me exatamente aquilo que eu precisava na medida certa, respeitando os meus limites e me fazendo crescer gradativamente.

Ela me fez mais forte, mais inteligente, mais rápida, vívida. Deu-me uma liberdade enorme dentro da nossa relação possessiva. Me ensinou a voar, mesmo tendo me aprisionado em seu coração insano e vingativo. Regina me amou de um jeito que nenhuma mulher nunca pode, e esse amor deixou-me louca.

— Vou amá-la pelo resto da minha vida — declarou-se para mim em uma noite estrelada. Eu estava nua em nossa cama e Regina usava uma camisola preta, deitada ao meu lado, sua mão em meu rosto. — Você é tão adorável, Emma Swan.

Olhei para ela, piscando lentamente, meu coração batendo acelerado. Eu não sabia se encarava seus olhos profundos ou seus lábios carnudos.

— Eu também vou — sussurrei.

Ela sorriu largamente, pôs a mão em minha nuca e me beijou intensamente.

Regina veio para cima de mim, arranquei sua camisola e ela rapidamente amarrou minhas mãos com um lenço, prendendo-as sobre minha cabeça. Só de lembrar daquela noite, o meu corpo inteiro esquentava...

Beijou-me com fervor por alguns minutos enquanto rebolava, sentada em meu abdômen e eu sentia seu sexo pegando fogo, mesmo que ela ainda estivesse de calcinha.

Regina devorou meus seios com sua boca. Ela os apertava fortemente e os massageava em sentido circular, apalpando-os ao redor. Lambeu e sugou intensamente meus mamilos, me deixando toda eriçada. Eu suspirava, entregue a ela, como sempre.

— Minha escrava deliciosa — mordiscou minha barriga em pontos específicos que ela bem sabia que me enlouqueciam.

Eu estava toda arrepiada, agitada, meu sexo pegando fogo quando Regina desceu para me chupar. Ela abria minhas pernas com autoridade, beijava a parte interna das minhas coxas e de repente: puf. Sua boca estava lá, enlouquecendo-me.

Regina me lambia toda, várias e várias vezes, enfiava sua língua em mim para depois massagear meu clitóris. Era o seu ritual de sempre, o ritual que eu amava. O ritual que me fez gozar enlouquecidamente.

Ela me lambeu até limpar-me e ao invés de me foder loucamente como fazia, Regina soltou meus pulsos depressa, segurou em meu rosto e me olhou com os olhos cheios de lágrimas.

— Me prometa que nós nunca nos perderemos uma da outra. Que jamais seremos como os outros casais! — havia um certo desespero em sua voz.

Toquei seu rosto e a encarei profundamente, meu coração batendo forte.

— Eu prometo!

Regina sorriu largamente e me beijou com desespero.

— Essa noite não quero sessão — disse. — Quero dormir agarrada com minha esposa amada.

— Mesmo? — meus olhos brilharam ao ouvir aquilo. Eu amava as demonstrações de afeto de Regina, a maneira como ela oscilava entre uma sádica vigorosa e uma romântica incurável.

— Sim. O que você acha?

— Maravilhoso! — lhe abracei com força e a beijei mais uma vez antes de deixá-la se deitar ao meu lado.

Regina me puxou para si, encostei o rosto em seu peito e abracei seu corpo. Ela deslizou os dedos pelos meus fios e beijou minha testa de maneira protetora.

— Eu te amo, Emma.

Eu também te amo, Regina. Foi o que eu pensei agora, após tanto tempo, relembrando-me daquele momento. Eu ainda a amava, mesmo Regina querendo me incriminar, querendo me ver morta. Eu a amava e Regina precisava saber disso!