Amor Marginal
6 Capítulo VI
Notas iniciais
EMMA SWAN
Um dia desaparecida
A faculdade tinha me presenteado de forma grandiosa com um escritório que era mais um caixão, com espaço para uma escrivaninha, duas cadeiras e algumas prateleiras. Graham e eu abrimos caminho em meio a alunos de cursos de verão, uma combinação de garotos insuportavelmente jovens (entediados mas ocupados, os dedos digitando mensagens de texto ou sintonizando música) e pessoas mais velhas e muito sérias que eu supunha serem antigos funcionários do shopping tentando se preparar para uma nova carreira.
— O que você leciona? — perguntou Graham.
— Jornalismo, jornalismo para revistas.
Uma garota escrevendo mensagen de texto enquanto andava se esqueceu das nuances desta última atividade e quase esbarrou em mim. Ela deu um passo para o lado sem erguer os olhos. Isso me deixou irritada, como uma velha ranzinza do tipo que grita saia do meu gramado!
— Achei que você não trabalhasse mais com jornalismo.
— Quem não sabe fazer... — retruquei, sorrindo.
Destranquei meu escritório, entrei no ambiente fechado com cheiro de poeira. Eu havia tirado férias no verão; fazia semanas que eu não entrava ali. Na minha mesa havia outro envelope, que dizia segunda pista.
— Sua chave fica sempre no seu chaveiro? — perguntou ele.
— Sim.
— Então Regina poderia ter pegado emprestado para entrar?
Eu rasguei a lateral do envelope.
— E temos uma cópia em casa.
Regina fazia duplicatas de tudo — eu tinha uma tendência a perder chaves, cartões de crédito, celulares, mas não queria contar isso a Graham, dar outro sinal de que eu era submissa.
— Por quê?
— Ah, só queria ter certeza de que ela não teve de usar um zelador, ou outra pessoa.
— Nenhum tipo Freddy Krueger aqui, que eu tenha notado.
— Nunca vi esses filmes — retrucou Graham.
Dentro do envelope havia duas folhas de papel dobrado. Uma tinha um coração, a outra tinha escrito pista.
Dois brilhentes. Diferente. Meu estômago deu um nó. Só Deus sabia o que Regina iria dizer. Eu abri o bilhete que tinha o coração. Queria não ter deixado Graham entrar, e então vi as primeiras palavras.
"Meu querido marido,
Achei que este era o lugar perfeito — estes sacrossantos salões do aprendizado! — para lhe dizer que acho você uma mulher brilhante. Não lhe digo isso o bastante, mas me impressiono com sua mente: as estatísticas bizarras e as histórias, os fatos estranhos, a perturbadora capacidade de citar qualquer filme, a perspicácia, o modo bonito como você diz as coisas. Após anos juntos, acho que um casal pode esquecer quão maravilhosos acham um ao outro. Lembro-me de quando nos conhecemos, como fiquei deslumbrada com você, então quis tirar um momento para dizer que ainda estou, e que esta é uma das coisas que mais gosto em você: você é BRILHANTE.
Você é a espiã, e eu sou sua amante. Vamos à casinha marrom. Você só de gravata e eu só de batom."
Minha boca se encheu de saliva. Graham estava lendo por sobre meu ombro, e suspirou.
— Que gentil, ela — elogiou. Depois pigarreou. — Mas... Não entendi. Querido marido?
— É uma coisa nossa isso. Regina tinha... Tem mania de me chamar de marido, às vezes. No masculino. Ela adora dizer o quanto eu tenho um cérebro masculino — forcei um sorriso. Assim como ela adora esfregar na minha cara que o fato deu ter esse cérebro masculino me faz ser uma péssima esposa.
— Entendi — disse ele — Uhn, ahn, é sua?
Ele usou o lado da borracha de um lápis para levantar uma lingerie feminina (tecnicamente era uma calcinha — fio dental, rendada, vermelha). Estava pendurada em um botão do ar-condicionado.
— Ai, meu Deus. Isso é constrangedor.
Graham ficou esperando uma explicação.
— Ah, uma vez Regina e eu, bem, você leu o bilhete. Nós... Tipo, você sabe, às vezes a gente precisa apimentar um pouco as coisas.
Graham sorriu.
— Ah, saquei: professora lasciva e estudante safada. Saquei. Vocês duas realmente estão fazendo a coisa do jeito certo.
Estiquei a mão para pegar a lingerie, mas Graham já estava tirando do bolso um saquinho de provas e colocando-a dentro dele.
— Apenas uma precaução — disse, inexplicavelmente.
— Ah, por favor, não. Regina iria morrer... — disse, e me interrompi.
— Não se preocupe, Emma, é o protocolo, minha amiga. Você não acreditaria nas coisas pelas quais temos que passar. Só para o caso de, só para o caso de. Ridículo. O que a pista diz?
Deixei que lesse por cima do meu ombro novamente.
— E o que essa significa? — perguntou.
— Não faço ideia — menti.
REGINA MILLS SWAN
Anotação em Diário
Abril de 2010
Estou morrendo de amor. Bendito seja aquele que disse: tão bom morrer de amor e continuar vivendo. Sim, eu o entendo. Porque estou morrendo de tanto amor e permaneço viva, irrevogavelmente viva. Sinto todas as minhas entranhas se remexendo, meu coração batendo a todo vapor, o suor escorrendo, cada gota rolando pela minha pele que queima com os toques de Emma. Sim, eu estou viva. Incrivelmente viva. Tão viva como se tivesse nascido ontem. Cada sentido meu super aguçado. Seu cheiro forte de perfume amadeirado é capaz de me embriagar. Sua voz sussurrando faz com que minha calcinha se molhe, mesmo que seu sussurro seja feito do outro lado da linha. Estou viva. Mais viva do que nunca. Viva como nunca estive em toda minha vida...
Estar ao lado de alguém tão intensa como Emma era extraordinário. Ela era muito intensa. Sofrida, marcada, cheia de traumas, confusa, às vezes muito resmungona, chorona, mas intensa. Torridamente intensa. Majestosamente intensa. Emma é intensa quando se curva para mim e diz: Sou sua escrava. Ela é intensa quando assume o comando e me toma para si. É intensa quando tem crise de choro e me diz que odeia sua madrasta. Intensa quando ri de qualquer bobagem que eu digo, quando me abraça devagar no meio da noite, quando invade o chuveiro quando estou tomando banho e me beija toda assanhada.
A intensidade de Emma Swan poderia ser assustadora para qualquer outra pessoa no mundo, menos para mim. Eu a compreendia. Compreendia com perfeição. Compreendia e adorava. Amava. Desejava. Idolatrava. Eu também era intensa. E nossas intensidades se casavam harmoniosamente. Às vezes ocasionavam em explosões, mas eram explosões extremamente prazerosas.
Minha namorada maravilhosa massageia meus pés todas as noites. Pergunta sempre dos meus pacientes e me ouve pacientemente falar sobre eles. Emma lê os livros que eu recomendo, assiste comigo os filmes que tenho vontade. Ela aparece inesperadamente em meu apartamento trazendo sorvete de pistache, comida japonesa e dvd's. Emma transa comigo sempre — eu disse sempre. Nós não transamos só quando temos tempo de fazer uma sessão. Nós transamos sempre que nos vemos. Como se respirássemos sexo.
E mesmo nos dias em que estou mais atarefada, minha loira safada dá um jeito de conseguir transar comigo nem que seja por vinte minutos. Ela sempre carrega em sua mochila uma gravata e nosso strapon, e sempre traz um cinto de couro pendurado em seus quadris.
Quando me dou conta, estou com a saia erguida, a calcinha abaixada, meu corpo inclinado sobre a mesinha do meu consultório, minhas mãos amarradas para trás por sua gravata. Seu pau gigantesco está me penetrando com força, suas mãos puxando meus cabelos e eu estou tendo que me controlar para não berrar. Eu a amo! Deus, como eu a amo! Emma sabe tudo o que eu desejo, tudo o que eu quero. Não é necessário dizer. Ela simplesmente sabe.
Mas Emma não é maravilhosa apenas no sexo. Ela também tem se mostrado a cada dia mais romântica. Estávamos caminhando uma noite dessas quando passamos por uma tempestade de açúcar. Ela me puxou e me encostou na parede. Meus lábios ficaram brancos por causa do açúcar. Emma sorriu enquanto passava suavemente o indicador sobre eles, limpando-os.
— Você não pode passar por uma tempestade de açúcar sem ser beijada — sussurrou maliciosamente antes de me beijar.
Naquele momento eu me senti nas nuvens.
EMMA SWAN
Um dia sumida
À noite dirigi até a casa do meu pai. A casinha marrom que Regina se referia em sua segunda pista era a casa do meu pai, embora a mesma não fosse da cor marrom, e sim azul.
Eu mal entrei e acendi a luz e a porra do alarme começou a tocar escandalosamente. Disquei a senha do aparelho várias vezes, mas o alarme simplesmente não parava. Então levei um susto quando o telefone da cozinha começou a tocar. Eu andava me assustando facilmente.
— Alô? — era da empresa de proteção e segurança — É Emma Swan. Está no nome do meu pai, David Swan — falei quase gritando, porque o barulho do alarme era demais.
A voz do outro lado da linha se tornou muda para mim quando meus olhos encontraram um envelope sobre a mesa escrito: TERCEIRA PISTA. Eu sabia!
Peguei o envelope e no instante seguinte um alarme da polícia me indicava que eu teria problemas.
— O primeiro mascote dela? Isso realmente é necessário? — perguntei irritada, após a funcionária me perguntar qual era o primeiro mascote de Regina. — Não pode só desligar o alarme? Eu sei... É... É... É Puddles, né? Ou será Poodles?
Detetive Graham surgiu na minha frente, pois a porta da cozinha estava aberta. Nesse momento desliguei o telefone depressa e enfiei o envelope no bolso grande do meu jeans, na parte de trás.
— Tudo bem — disse ele em um aparelho de comunicação e subitamente o alarme da casa do meu pai parou. — Oi, estranha — cumprimentou-me, desconfiado. — Que coincidência você por aqui. É a casa do seu pai, certo?
— Está me seguindo? — perguntei ligeiramente irritada.
— O que está fazendo? — ele rebateu a pergunta.
— Como disse: é a casa do meu pai. Venho uma vez por semana para ver se não pegou fogo. Mas tudo parece ok. Eu acompanho você.
Saí tensamente da casa de meu pai, acompanhando Graham e lá fora estava Lily perto do carro deles, esperando.
— Sabe, pensei que talvez essa fosse a casinha marrom — disse o detetive, acendendo uma lanterna e mirando para as paredes da casa.
— Não, continua sendo azul — respondi com um sorriso forçado enquanto caminhava em direção ao meu fusca.
Dirigi rapidamente até a casa da minha irmã, parei o fusca ainda na garagem e abri o envelope, ansiosa para ler a pista.
"Me imagine uma garota muito, muito má.
Preciso ser punida, e "punida" quer dizer "possuída".
É onde guarda as delícias do quinto ano de casamento.
Então abra a porta e cuidado."
Não consegui compreender o que Regina estava tentando me dizer com aquele bilhete, então num acesso de fúria fechei a mão em punho e dei um soco no volante, fazendo a buzina tocar baixinho.
— Piranha! — xinguei minha esposa desaparecida.
REGINA MILLS SWAN
Anotação em Diário
2012
Estou gorda de amor! Corpulenta de ardor! Morbidamente obesa de devoção! Uma abelha feliz e ocupada com o entusiasmo matrimonial. Chego até a zumbir quando estou perto de Emma, cuidando e arrumando. Eu me tornei uma coisa estranha. Eu me tornei uma esposa. Eu me vejo mudando rumo de conversas — grosseiramente, sem naturalidade — apenas para poder dizer o nome dela em voz alta. Eu me tornei uma esposa, me tornei uma chata, pediram que devolvesse minha carteira de Jovem Feminista Independente. Não me importo. Eu controlo as contas, corto seu cabelo. Eu me tornei tão retrô que em algum momento provavelmente usarei a palavra valise, passando pela porta com meu gracioso casaco de tweed, os lábios pintados de carmim, a caminho do salão de beleza. Nada me aborrece. Parece que tudo ficará bem, todo aborrecimento transformado em uma história divertida a ser contada no jantar.
Notei que não fui a única a me tornar retrô e que Emma, sempre tão fiel e obediente, aceitou como em um acordo silencioso assumir o papel do marido. Ela é o marido que cumpre de forma exemplar com suas obrigações, e eu sou a esposa. O que é um tanto quanto irônico e talvez confuso para os desavisados de plantão, já que em maior parte do tempo sou eu que tenho o controle da relação — e do sexo. Mas não dizem que é mesmo a esposa que manda em casa?
Exerço um doce controle sobre "meu marido" (fiz Emma inclusive gostar do adjetivo masculino). Corto seus cabelos, lavo e passo suas roupas, preparo sua comida, lhe recebo calorosamente quando ela chega do trabalho, faço Emma gozar com sexo oral todas as noites, além de mantê-la adestrada com sessões semanais de BDSM. Eu a chicoteio, marco seu corpo com couro, unhas e dentes. Fodo Emma até ela estar exausta. E ela simplesmente adora...
Emma é como um bom drinque forte: dá a perspectiva correta para tudo. Não uma perspectiva diferente, a perspectiva correta. Com Emma, eu me dou conta de que, na verdade, de fato não importa se a conta de luz está alguns dias atrasada, se meu trabalho está uma bosta. Não importa se o novo Regina Exemplar foi devidamente arrasado, as resenhas cruéis, as vendas despencando após um começo já inseguro. Não importa de qual cor pinto nosso quarto ou quanto tempo o trânsito me faz perder ou se nosso lixo reciclável não é realmente reciclado. Não importa, porque encontrei meu par. É Emma, descontraída e calma, inteligente, divertida e simples. Submissa. Obediente. Apesar de torturada, feliz. Legal. Apertada. Seios firmes, braços fortes.
Todas as coisas de que eu não gosto em mim fora empurradas para o fundo do meu cérebro. Talvez seja disso que mais goste nela, o modo como Emma me faz. Não me faz sentir, apenas me faz. Sou divertida. Sou brincalhona. Sou decidida. Eu me sinto naturalmente feliz e totalmente satisfeita. Eu sou uma esposa! É estranho dizer essas palavras.
Adoramos nossa casa. A casa que Regina Exemplar construiu. Uma casa de tijolos vermelhos no centro de Boston que meus pais compraram para nós. É extravagante, o que faz com que eu me sinta culpada, mas é perfeita. Eu luto como possa contra a aparência de menina rica mimada. Muito trabalho manual. Pintamos nós mesmas as paredes, em dois fins de semana: verde-primavera, amarelo-claro e azul-aveludado. Na teoria. Nenhuma das cores ficou como achamos que ficaria, mas mesmo assim fingimos gostar delas. Enchemos nossa casa com badulaques de brechós; compramos vinis para o toca-discos de Emma. Ontem à noite nos sentamos no velho tapete persa, tomamos vinho e escutamos os velhos arranhões no vinil enquanto o céu escurecia e Boston se acendia, e Emma disse:
— Foi assim que sempre imaginei. Exatamente assim que imaginei.
Nos fins de semana, conversamos sob quatro camadas de cobertores, nosso rosto quente sobre um edredom amarelo iluminado pelo sol. Até mesmo as tábuas do piso são alegres: há duas tábuas velhas rangentes que nos chamam assim que passamos pela porta. Adoro isso, adoro que seja nosso, que tenhamos uma grande história por trás da antiga luminária de piso, ou da caneca de cerâmica deformada que fica ao lado de nossa cafeteira, sempre vazia a não ser por um único clipe de papel. Passo meus dias pensando em coisas gentis que eu poderia fazer por ela — comprar um sabonete de hortelã que ficará em sua mão como uma pedra quente, ou talvez um fino filé de truta que eu possa preparar e servir para ela. Eu sei, sou ridícula. Mas adoro — nunca soube que eu era capaz de ser ridícula por alguém. É um alívio. Chego a ficar extasiada com suas meias, que ela consegue largar em adoráveis poses retorcidas, como se um cãozinho tivesse trazido de outro aposento.
Estamos completando um ano de casadas. Um ano maravilhoso, onde engordei de amor. Isso porque nos disseram que o primeiro ano era difícil. Papo furado. Podia ser difícil para os outros, mas não para nós duas. Éramos a exceção.
Era um dia frio de dezembro. A neve praticamente nos deixou presas em casa, mas nós não nos importávamos, até preferíamos assim. Ter uma desculpa para não sair de nossa casa e também não receber ninguém, especialmente os meus pais.
Estávamos em mais uma sessão. Emma já estava toda suada e marcada. Eu havia lhe acertado com o chicote, lhe queimado um pouquinho com vela derretida e lhe fodido com nosso strapon algumas vezes, fazendo-a gozar em todas elas.
Seu corpo nu é uma verdadeira tentação. Deitada de bruços, a bunda empinadinha, tão linda... Estava vermelha por causa dos meus tapas, mas continuava linda, perfeita como deveria ser. Suas pernas estavam bem juntas e seus braços esticados, amarrados à cama. Seu rosto encostado no travesseiro que eu posicionei confortavelmente para ela.
— Eu quero fodê-la, Emma — anunciei, ajoelhando-me sobre ela. — Quero fodê-la por trás... — inclinei-me para baixo, me deitando sobre seu corpo, sussurrando aquelas palavras em seu ouvido. — Foder o seu cuzinho apertado...
Ela gemeu alto meu nome naquele momento, como se só minhas palavras já fossem suficientemente poderosas para fazê-la gozar. Seus olhos verdes procuraram os meus com certo desespero, pois sua posição e imobilização dos braços a impediam de ter a liberdade necessária para me encarar como pretendia.
Aproximei nossos rostos e fitei seus olhos verdes. Emma estava levemente receosa, mas deu-me um sorriso. Um sorriso de total entrega, me sinalizando que ela estava disposta a entregar mais aquela parte sua a mim.
— Faça o que quer — sussurrou — Foda meu cuzinho, Regina — implorou, com aquele falso ar angelical. — Me tome toda para você. Eu te pertenço de corpo e alma.
— Boa menina... — selei seus lábios com força e voltei a me posicionar de joelhos.
Apertei suas nádegas com força e em seguida cuspi em meus dedos, deslizando-os em sua entrada traseira. Segurei no pênis grosso e encostei sua ponta na entrada dela. Emma apertou os olhos, apreensiva. Precisei fazer muita força para conseguir que a porra do brinquedo finalmente deslizasse para dentro dela, desaparecendo totalmente. Um empurrão forte e pronto!
Emma berrou alto e inclinou a cabeça para trás. Senti suas pernas tremerem em baixo de mim e nesse momento apoiei as mãos em sua lombar.
— Calma... Calminha, gostosa.
Comecei a mover-me lentamente. Emma não conseguia se conter, ela realmente berrava. Pouco a pouco fui abrindo passagem dentro de seu cuzinho rosado, que foi se dilatando para mim. Logo eu metia dentro dela num ritmo insano, com minhas mãos agarrando seus cabelos úmidos de suor, puxando sua cabeça para trás, lhe possuindo, exercendo todo meu poder sobre ela.
Emma era minha! Totalmente minha. Tão minha que eu não suportaria a ideia de perdê-la.
Me perdi em devaneios obsessivos durante o sexo, tanto que quando dei por mim eu já havia voltado a foder sua buceta ao invés de seu ânus.
Emma não era de reclamar, e nunca, nunca havia usado nossas palavras de segurança. Eu não fazia muita ideia de quais eram seus limites, porque ela sempre foi extremamente "forte", no sentido de suportar todos os meus castigos, de aguentar as penetrações mais abruptas e as humilhações mais sádicas que eu poderia propor.
Claro que como parte da brincadeira toda, às vezes ela dizia que não queria ou me mandava parar, mas por puro charme, eu sabia. Claro que eu sabia. Só de olhar em seus olhos eu poderia saber exatamente o que ela estava sentindo, sem que Emma me dissesse. Eu não precisava de palavras, bastava um único olhar e eu poderia entendê-la claramente.
Mesmo sem dizer nada, quando eu voltei a montar nela de frente, entre suas coxas, comendo-a no famoso "papai e mamãe", só que da maneira mais bruta possível, vi seus olhos verdes cheios de lágrimas e o olhar dela me comunicava o que Emma talvez não quisesse me dizer: ela estava desconfortável, estava sentindo dor.
Parei imediatamente, preocupada. E quando sai de cima dela, livrando-me da cinta, notei que havia sangue no pênis e em sua vagina. Emma não disse nada, parecia envergonhada. A minha menina submissa, minha esposa, meu marido estava com vergonha de mim! Aquilo era um tanto quanto absurdo...
Emma correu para o banheiro e se trancou lá durante alguns minutos. Eu estava tão estarrecida com aquela situação inédita e assustadora que me vi sem reação. A única coisa que fiz foi me livrar do strapon e esvaziar nossa cama. Fiquei lá, nua, sentada na mesma esperando que ela voltasse. Então um barulho de choro se iniciou e o meu coração acelerou. Eu simplesmente não suportava vê-la chorar!
— Emma, abra a porta, por favor — pedi, batendo com o punho contra a madeira — Eu estou preocupada com você...
Quando ela abriu a mesma, encontrei minha mulher totalmente fragilizada, o rosto vermelho coberto de lágrimas. Emma se jogou em meus braços, apertando-me com força e escondeu seu rosto em meu ombro.
— Meu amor! Sou eu, Regina. A sua Regina. Está tudo bem. Estamos na nossa casa, só eu e você. Estamos bem, estamos a salvo — sussurrei em seu ouvido, entendendo sua crise, entendendo que as lembranças de Cruella eram cruéis e inevitáveis.
Lhe guiei até nossa cama e lá nos deitamos em baixo dos edredons. Emma se apertou contra mim e não queria me largar, como um bebê agarrado a mãe.
— Eu te amo tanto — eu sussurrava, enquanto acariciava seus cabelos loiros e ficava dando beijinhos em sua testa. — Mal consigo respirar de tanto que eu a amo, minha vida. Me perdoe se exagerei essa noite. Não queria feri-la e nem trazer lembranças ruins.
Emma fungou baixinho, sua mão largada no meio do meu peito. Ela ergueu o rosto depois de longos minutos silenciosos e me encarou um pouco mais calma.
— Obrigada por cuidar de mim — sussurrou. — Eu te amo.
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