Notas iniciais
Meninas! Hahahaha. Estou amando escrever essa fanfic, pois sou apaixonada tanto pelo livro quanto pelo filme Garota Exemplar, fora que adorei poder encaixar meus gostos excêntricos (BDSM) numa história Swan Queen. Fico contente por vocês estarem curtindo a história, e apesar de ter na fanfic muitas coisas do livro/filme, o final não será exatamente igual... Enfim! Mais um capítulo atualizado rapidinho, porque estou inspirada e quero logo mostrar certas facetas inéditas de algumas personagens, para que as teorias de vocês fiquem totalmente confusas. ;) Boa leitura. Beijão.

EMMA SWAN

Dois dias sumida

Minha mulher desapareceu bem em baixo do meu nariz. Quando eu saí de casa na manhã de sábado, Regina ainda estava lá. Agora não mais. Minha esposa havia sumido e eu não fazia ideia de onde ela estava e isso estava me matando.

Dormi novamente na casa de Elsa, porque a minha permanecia interditada e eu queria ser uma mosquinha para sobrevoar o local e ver o trabalho da polícia, saber o que eles haviam encontrado. Será que havia alguma pista que eu não sabia? Alguma suspeita?

Segunda-feira o dia foi tão ruim quanto no domingo. Os pais de Regina conseguiram mobilizar toda a cidade de Storybrooke. As pessoas não tinham outro assunto além do sumiço da minha mulher. Conseguiram reunir praticamente toda a população da cidade em um salão, ofereceram café e alguns doces. As pessoas vinham com palavras solidárias, sorrisos de consolo e às vezes perguntas invasivas.

Eu tentava seguir o conselho da minha irmã, que estava lá, ao meu lado, me dando suporte. Não sorrir demais, não exagerar na simpatia, mas também não esquecê-la. Eu tinha de pensar antes de falar ou de agir, porque estava sendo observada. Observada pelos meus sogros, observada pelo detetive Graham, observada por jornalistas curiosos, observada pela porra da cidade inteira!

Foi um dia exaustivo para caralho e o meu celular descartável não parava de vibrar no bolso. Mensagens e mais mensagens na caixa eletrônica, ligações inapropriadas em horas inapropriadas. Aquilo me deixava louca. Tudo estava me deixando louca.

Antes de conhecer Regina eu já achava que não era muito normal. Afinal de contas, uma pessoa que colecionava tantos traumas horríveis desde a infância, que mesmo depois de adulta "fugia", se trancafiava em um apartamento em Boston e se entupia de tarja preta não podia ser alguém normal. Mas até o conceito de normalidade que eu tinha foi alterado depois de me envolver com Regina.

Minha esposa tinha uma forma diferente de ver as coisas. Sua leitura do mundo era extremamente distinta e excitante. Sua mente brilhante não poderia se contentar em pensar igual aos outros, em fazê-la ser como os outros. Normalidade era sinônimo de mediocridade e Regina estava longe de ser medíocre...

Quando anoiteceu, voltei para casa de Elsa exausta.

— Esse dia foi uma merda. Uma grande merda. Horrível.

— Tenho que concordar. Foi mesmo... — suspirou longamente.

Me joguei no sofá e Elsa foi buscar uma garrafa de scotch para nós, sentando ao meu lado logo em seguida.

— Por que você não entregou a última pista que achou a polícia? — perguntou-me com toda sua inocência, olhando para mim.

Minha visão periférica me permitia sentir o seu olhar sobre mim.

— Porque esse caça ao tesouros é uma merda. Não vai ajudar a solucionar esse mistério do sumiço da Regina. O caça o tesouros é só uma forma dela fazer com que eu me sinta pior, esfregando na minha cara que sou uma péssima esposa. A polícia não precisa saber disso... — respondi, virando meu rosto em sua direção antes de beber um gole do líquido marrom em meu copo.

— Pelo menos conseguiu decifrar a última pista? — balancei a cabeça negativamente. — Ao que parece, ela caprichou esse ano.

— Ao que parece ela estava tentando nos reaproximar, salvar nosso casamento. E isso faz com que eu me sinta ainda pior... — confessei, sentindo um peso enorme nas costas. — Se Regina não tivesse aparecido... Ou se tivesse tentado essa reaproximação antes... Poderia ter sido diferente...

Elsa me olhava com um semblante reflexivo.

— Vocês estavam realmente mal, não estavam?

— O último ano foi péssimo. A situação toda chegou no limite ou o extrapolou, sei lá. Nós não transávamos mais, o que pode parecer normal para qualquer casal que já está há alguns anos juntos, ainda mais se está em crise, mas para nós... O sexo, nem só o sexo puro em si, mas as sessões... Eram tudo. E nós paramos.

Minha irmã me olhava penalizada. Embora ela e Regina nunca tenham se dado muito bem, Elsa era doce e amável o suficiente para torcer por nós e desejar que fossemos felizes, porque ela sabia que só em Regina eu havia encontrado a paz — ainda que momentaneamente — que nunca encontrei em outro lugar antes.

Ficamos durante horas bebendo. Já era de madrugada e nós seguíamos conversando. De teorias malucas a respeito do sumiço de Regina, fomos para assuntos aleatórios e logo falávamos da nossa relação, da nossa infância, que por um lado havia sido tão boa, mas por outro...

— Por que você não me contou, Emma? — perguntou-me de repente, me assustando.

Eu poderia estar embriagada, mas eu entenderia aquela pergunta feita com aquele tom de voz em qualquer lugar do mundo, de qualquer jeito.

Olhei bem dentro dos seus olhos claros e vi que havia lágrimas neles.

— Como você sabe? — minha voz saiu mais baixa do que eu gostaria, meu corpo todo enrijeceu.

— Só se eu fosse idiota para não saber! Foram tantos anos... Seu comportamento era estranho, o da Cruella o dobro. Eu via as marcas no seu corpo e uma vez eu ouvi vocês. Eu ouvi os seus gritos — confessou, as lágrimas rolando pelo seu lindo rosto, deixando-me desesperada. — Eu sei desde os meus quinze anos. E eu sofri tanto, Emma, tanto. Porque eu não podia fazer nada para impedir e também não podia te dizer que eu sabia. Porque eu sabia que você queria me proteger, e mesmo sabendo o custo horrível que teve de pagar por isso, eu fiquei tão comovida com o seu amor incondicional por mim...

Nessa altura, nós estávamos quase coladas. Olhávamos dentro dos olhos uma da outra e eu não tinha palavras para respondê-la. Elsa sempre havia sido meu referencial de amor, de família. O amor que eu tinha por ela era tão profundo que fez com que eu sacrificasse praticamente a minha vida por ela. Eu perdi a infância, a adolescência, a pureza, inclusive a sanidade por causa dela. E não me arrependia. Não agora, vendo aqueles lindos e grandes olhos me fitando com tremenda devoção.

Acho que no fundo, bem no fundo de mim, lá no inconsciente que Regina tanto acreditava, o inconsciente de que Freud falava, eu era apaixonada por Elsa. Completamente apaixonada pela minha gêmea, que era um pedaço de mim. O pedaço mais bonito e mais amável. Elsa era eu. Só que melhor. Ela era a parte boa de mim, fora do meu corpo. Eu a amava pra caralho...

— Eu não queria que você soubesse, não queria te traumatizar, não queria fazê-la sofrer — expliquei, sentindo um gosto salgado nos lábios e então me dei conta de que estava chorando.

— Eu sei disso, Emma, eu sei — tocou meu rosto carinhosamente e encostou nossas testas. Seus polegares secaram minhas lágrimas. — Eu sei disso. Você sempre cuidou de mim, sempre me amou incondicionalmente. Eu nunca consegui encontrar esse amor em outro lugar e sei que nunca irei. É você, Emma. Você é... A dona do meu coração... — deixou escapar a última frase num sussurro e nesse momento abri meus olhos e a encarei de perto.

Seu cheiro doce, suas lágrimas, seu hálito quente com cheiro de scotch, aquela visão esplendorosa de seus olhos esverdeados... Eu não podia resistir. Não pude.

Segurei sua cabeça perfeita e invadi sua boca com minha língua selvagem. Elsa me beijou como se dependesse daquele contato para viver, entregando-se a mim.

REGINA MILLS SWAN

Anotação em Diário

Dezembro de 2013

Querem descobrir qual é o pior lado de um casamento? Adicionem uma crise econômica no país e subtraiam o emprego do "chefe" da casa. Emma foi demitida do jornal por causa da crise que finalmente chegou em Boston. No princípio, tudo estava bem. Porque eu tenho uma boa poupança guardada, e ainda estou trabalhando, embora meu número de pacientes tenha caído justamente por causa da crise. Eu e "meu marido" combinamos que não nos deixaríamos abalar por causa da crise. Não seríamos como os outros casais. Não poderíamos ser.

Nas primeiras semanas, Emma fazia de tudo para se manter ocupada. Pintou de novo toda nossa casa, começou a procurar coisas para consertar, cuidava do serviço doméstico e limpava excessivamente as coisas, até que deixou tudo de lado e se tornou quase que uma adolescente porca.

Emma passou a ficar enfiada vinte e quatro horas por dia no sofá, na frente da televisão. Às vezes ela nem tomava banho, a menos que eu a obrigasse. Ela estava deprimida, chateada por ter perdido o emprego, por se sentir inútil. Eu posso entender isso, claro que posso. Mas ela está extrapolando os limites e me deixando impaciente.

Não quero ser a esposa chata. Não quero mesmo fazer esse papel da esposa insuportável que reclama de tudo e faz o marido tampar os ouvidos toda vez que ela abre a boca. Eu nunca quis ser essa esposa, mas Emma me obriga a colocar limites, a mandá-la fazer ou não fazer coisas.

Esses dias tivemos uma discussão horrível, tudo porque cheguei em casa cansada de trabalhar e encontrei minha esposa fedendo em frente à televisão, jogando vídeo game. Um vídeo game novo que ela havia comprado com o meu dinheiro, sem me comunicar. E não foi só um vídeo game, ela comprou vários jogos, um notebook novo e outros eletrônicos. E adivinhem: quando eu fui questioná-la, Emma se tornou agressiva e hostil, acusando-me de estar jogando na cara que ela havia gastado o meu dinheiro.

— O dinheiro é nosso, Emma — eu a lembrei, com a voz mais branda possível, mas foi inútil.

Não tinha como discutir com ela. Não mais. Não no estado em que ela se encontrava. Eu olhava para minha Emma e notava que ela estava em ruínas. De repente Emma ficou totalmente instável, desestruturada, apenas porque havia perdido um emprego do qual ela nem gostava tanto, mas que não deixava de ser o seu trabalho e que de certa forma a fazia se sentir menos inferior a mim, por ter o próprio dinheiro — mesmo que ele não bancasse nem 20% da casa.

Eu só não podia imaginar que as coisas iriam piorar muito mais, muito mais!

Foi em uma segunda-feira a tarde, sua irmã telefonou e pela expressão de Emma eu soube que algo terrível viria a seguir. O pai estava enlouquecendo, precisando ser internado e sua madrasta sádica estava com câncer. Elsa não tinha condições financeiras e nem metal de cuidar de ambos sozinha.

— Nós teremos que nos mudar para Storybrooke — anunciou ela, sem perguntar minha opinião, sem questionar se eu realmente queria fazer isso.

De repente Emma não mais agia como se fôssemos um casal, ou como se ela fosse minha submissa, na maior parte do tempo ela agia como se eu fosse a submissa. Ela simplesmente fazia as coisas da forma que achava melhor e eu que me fodesse. Simples assim.

Claro que mesmo não querendo, eu aceitei. Emma também não queria, pelo menos era o que me dizia. Só estávamos nos mudando "provisoriamente" para cuidarmos de sua madrasta estupradora de crianças e do seu pai alcoólatra que me detestava.

Fiz um esforço descomunal desde o primeiro instante para me sentir a vontade na pequena e pacata cidade. Tive estômago o suficiente para encarar Cruella, conversar com ela e até mesmo me penalizar por sua situação lastimável, mesmo tendo plena consciência de que aquela mulher havia arruinado a mente da minha esposa.

Porque no final das contas, era eu quem passava a maior parte do tempo cuidando de Cruella, especialmente quando ela chegou na pior fase em que parecia mais um cadáver ambulante.

A casa em que morávamos agora era de aluguel, e estava em meu nome. Emma me pediu, praticamente me implorou com seus olhos verdes pidões de criança que eu lhe comprasse uma espécie de bar, para que ela e a irmã pudessem trabalhar e não ficássemos mais a mercê das crises do país. Sorrindo, eu lhe dei o que ela me pedia. E dei também um carro novo, um fusca amarelo igualzinho ao seu anterior, que havia ficado velho demais para funcionar.

Cruella morreu há duas semanas.

Que época estranha, esta. Tenho de pensar dessa forma, tentar examiná-la à distância: rá-rá, que período estranho será este de relembrar, como ficarei divertida quando tiver oitenta anos, vestindo lavanda desbotada, uma figura sábia e divertida preparando martínis, e isso não será uma história e tanto? Uma história estranha e medonha de algo a que sobrevivi.

Porque há algo terrivelmente errado com meu marido, estou certa disso agora. Sim, ela está de luto pela madrasta, mas é algo mais. Parece dirigido a mim, não uma tristeza, mas... Sinto ela me observando às vezes, e ergo os olhos e vejo seu rosto contorcido de desgosto, como se tivesse me flagrado fazendo algo medonho em vez de apenas comendo cereal de manhã ou penteando os cabelos à noite. Está tão irritada, tão instável que fiquei me perguntando se seu humor está relacionado a algo físico — uma daquelas alergias a trigo que deixam as pessoas loucas, ou uma colônia de esporos de mofo que se alojou em seu cérebro.

Desci as escadas, olhando para uma pilha de faturas de cartão de crédito. Observei Emma, totalmente só, sob a luz de um candelabro. Quis ir até ela, me sentar com Emma e resolver tudo como parceiras. Mas eu não o fiz, eu sabia que isso a irritaria. Algumas vezes me pergunto se esta é a raiz de seu desgosto comigo: ela me deixou ver suas deficiências, e me odeia por eu conhecê-las.

Emma me empurrou. Com força. Há dois dias, ela me empurrou, eu caí e bati com a cabeça no balcão da cozinha e não consegui ver por três segundos. Não sei muito bem o que dizer sobre isso. Foi mais chocante que doloroso. Eu estava dizendo a ela que poderia conseguir um emprego, algo como freelance, para podermos começar uma família, ter uma vida de verdade em Storybrooke...

— Como você chama isso? — ela perguntou.

Purgatório, eu pensei. Fiquei calada.

— Como você chama isto, Regina? Hein? Como você chama isto? Isto não é a vida segundo a Senhorita Exemplar?

Não é minha ideia de vida! — eu disse irritada, e ela deu três grandes passos na minha direção e eu pensei: parece que ela vai... E então ela estava se jogando contra mim e eu estava caindo.

Ambas ficamos sem ar. Ela fechou a mão em punho e parecia que ia chorar. Emma estava além de triste, estava chocada. Mas eis o que eu quero deixar claro: eu sabia que estava fazendo, sabia que estava forçando a barra com ela. Eu a via se fechando cada vez mais — queria que dissesse algo finalmente, fizesse algo. Mesmo que seja ruim, mesmo que seja o pior, faça algo, Emma. Não me deixe aqui como um fantasma.

Apenas não me dei conta de que ela iria fazer aquilo.

Ela se desculpou profusamente. Concordou em considerar terapia de casal, algo que nunca achei que iria acontecer. O que é bom. Emma é uma mulher tão boa, no fundo, que estou disposta a esquecer o que ela fez, a acreditar que realmente foi uma anomalia doentia, produzida pelo estresse pelo qual nós duas estamos passando.

Então o empurrão forte, tão rápido, e pronto, isso não me assustou. O que me assustou foi a expressão em seu rosto quando eu estava caída no chão, piscando, a cabeça zumbindo. Foi a expressão em seu rosto enquanto ela se controlava para não dar outro golpe. Quanto queria me empurrar novamente. Quão difícil foi não fazê-lo. Como ele tem me olhado desde então: culpa e desgosto pela culpa. Desgosto absoluto.

Eis a parte mais sinistra. Ontem fui de carro até o shopping, onde metade da cidade compra drogas, e é tão fácil como entrar na farmácia com receita; sei porque Belle, nossa vizinha me contou: o marido dela às vezes vai lá comprar um baseado. Mas eu não queria um baseado, queria uma arma, só para me prevenir. Para o caso de as coisas com Emma darem totalmente errado. Só quando estava chegando me dei conta de que era Dia dos Namorados. Era Dia dos Namorados e eu ia comprar uma arma e depois fazer o jantar do meu marido. E pensei comigo mesma: O pai de Emma estava certo sobre você. Você é uma piranha burra. Porque se você acha que Emma vai te machucar, você deve ir embora. E no entanto você não pode deixar sua mulher que está de luto pela madrasta. Não pode. Você teria de ser uma mulher biblicamente medonha para fazer isso, a não ser que algo estivesse realmente errado. Você teria de realmente acreditar que sua mulher machucaria você.

Mas eu não acredito realmente que Emma me machucaria de verdade, fora de um contexto de BDSM.

Apenas me sentiria mais segura com uma arma.

EMMA SWAN

Dois dias sumida

Em cinco minutos mudei para sempre o rumo da minha vida, o rumo da vida da minha irmã. Em cinco minutos eu alternei completamente nossos destinos, rompi com todas as barreiras, derrubei os muros que havia criado para evitarmos aquela situação. Mas ela foi inevitável. Falou mais alto que eu. Que ela. Que nós.

Levei Elsa para sua cama, lhe carregando no colo. Nós nos beijávamos como duas adolescentes apaixonadas pela primeira vez, que não sabem ainda as maravilhas do sexo. Eu me sentia extremamente empolgada e emocionada com seus toques, como se eu fosse uma virgem sendo amanda pela primeira vez.

Arrancamos nossas roupas e eu podia ver em seus olhos verdes as lágrimas de pura emoção que minha irmã guardava. Ela realmente me olhava como uma adolescente virgem prestes a ser amada pela primeira vez. Olhava-me profundamente, com extrema devoção. Acariciava meu rosto.

— Eu amo você, Emma — repetia. — Eu amo você. Você é minha vida.

Eu sorria para ela. Era lindo ouvir aquilo. Maravilhoso. Elsa, minha querida irmãzinha que eu sempre protegi, que eu sempre amei mais do que a mim mesma. Ela era tão adorável, tão linda e perfeita. Seu rosto... Seu corpo. Milhares de tentações.

Sei o que isso parece. Isso parece mórbido, pecaminoso, terrível. Eu sei. Mas não é. Não para nós. Eu e Elsa sempre nos amamos em segredo, desde criança. Sempre estivemos apaixonadas uma pela outra, na verdade. Não sei se esse amor é doentio ou não, não sou médica, não entendo da cabeça alheia, menos ainda da minha.

Mas eu sei que amava Elsa. Amava desde sempre. Nada no mundo era mais lindo e encantador do que minha irmã. Ela era a única pessoa no mundo pura. Totalmente pura. Era a única pessoa que não tinha a maldade do mundo sujo e cruel em que vivemos. Elsa era pura. Tão pura que me surpreendeu com uma revelação:

— Emma, eu sou virgem — contou-me com lágrimas nos olhos quando paramos de nos beijar.

Estávamos muito ofegantes, pois nos beijamos muito durante longos minutos enquanto nos apertávamos uma contra a outra, nossos corpos nus totalmente unidos.

— Virgem? — perguntei atônita.

Quando eu sai de Storybrooke, eu sabia que Elsa ainda era virgem, mas isso há anos atrás. Agora nós tínhamos trinta e cinco anos. Como era possível uma mulher tão linda ser virgem?

— Sim... — duas lágrimas rolaram pelo seu rosto, mas eu as limpei depressa. — Eu nunca... Eu não pude...

— Por que não? Eu achei que...

— Por isso nenhum namorico que tive foi para frente, Emma. Porque eu não pude. Mesmo tendo certeza dentro de mim que nós nunca ficaríamos juntas, eu sabia que não poderia me entregar a outra pessoa além de você.

Olhei totalmente chocada para Elsa, meu corpo sobre o dela, minhas mãos em sua cabeça, acariciando seus cabelos.

— Você se manteve virgem por mim?

Ela assentiu com a cabeça, enquanto acariciava meu rosto.

— Estou tão feliz e emocionada por estarmos aqui agora. Eu sempre sonhei com esse momento, Emma. Sempre. Desde os meus doze anos, quando comecei a entender sobre sexo... — confessava-me aquelas coisas e eu não tinha palavras para respondê-la. Era tudo muito insano. Um insano maravilhoso.

— Eu... Eu também, Elsa. Enquanto eu vivia todo aquele inferno com Cruella, a única coisa que aliviava o meu sofrimento era pensar em você. Eu imaginava o seu toque... Esse toque... — suspirei, fechando os olhos enquanto seus dedos deslizavam pelo meu rosto. — Imaginava nós duas... Foi você que sempre me manteve viva.

— Por que você foi embora? — perguntou com a voz embargada. Eu sempre soube o quanto Elsa sofreu quando eu sai da cidade. Sabia que aquilo havia lhe machucado muito. — Por que não ficou comigo? Não me disse essas coisas todas?

— Eu não podia, eu não podia poluir sua mente pura, não podia estragar sua vida, acabar com suas ilusões, com seus sonhos de princesa. Não queria que você soubesse das coisas horríveis que precisei suportar. Não queria que você odiasse a Cruella ainda mais. E eu também não podia mais me aguentar... Não podia mais fingir que não me sentia atraída por você...

Nos beijamos mais uma vez. Nossas línguas estavam furiosas. Elsa mordiscava meu lábio inferior e o sugava deliciosamente. Suas mãos deslizaram pelas minhas costas, apertando-me mais contra ela. Eu podia sentir nossos corações batendo juntos.

— Não fuja mais de mim, por favor — implorou em meu ouvido, beijando meu rosto, mordendo minha orelha.

— Eu não vou, eu não vou nunca mais sair do seu lado.

— Faça amor comigo, Emma. Faça amor comigo.

Ela não precisou pedir duas vezes.

Beijei todo seu corpo com paixão, deixando rastro de saliva por onde passava. Mordisquei seus pontos sensíveis: pescoço, colo dos seios, baixo ventre, parte interna das coxas. Elsa se contorcia toda, suspirava e gemia baixinho, tão delicada... Tão pura... Tão minha. Tão diferente de Regina.

Regina. Por que diabos ela estava na minha cabeça?

Chupei minha irmã. Uma das coisas que mais desejei a vida inteira era sentir o seu sabor. E ele era exatamente como eu pensei: doce. Elsa era doce. Tudo nela era doce.

Chupei minha irmã até ela gozar na minha boca, com as pernas e todo o corpo tremendo, o rosto corado, a respiração sôfrega, os gemidos altos...

Quando ela gozou, me senti como um verdadeiro rei. Eu era foda. Eu era mais do que foda. A minha linda e adorável e encantadora e maravilhosa e deliciosa irmã virgem havia se guardado para mim, e agora eu fazia ela gozar gritando o meu nome. Eu era foda. Minha esposa era Regina Exemplar, famosa por todo o país por ser excelente em tudo. Aquela mulher brilhante, genial, que dominava todas as técnicas do BDSM era minha esposa. Eu era mais do que foda. Eu era exemplar assim como Regina.