Amor Marginal
5 Capítulo V
Notas iniciais
EMMA SWAN
Primeiro dia desaparecida
Minha querida esposa havia desaparecido e eu não fazia ideia de onde ela poderia estar. Para piorar, os policiais também não pareciam ter noção nem por onde começar, o que me deixava apreensiva. Não porque eu estava preocupada em encontrar Regina, embora eu quisesse que ela voltasse, mas porque eu estava preocupada comigo mesma.
Se eles não arranjassem logo um culpado, se não descobrissem seu paradeiro, começariam a desconfiar de mim... A porra da culpa era sempre do marido. Nessas horas eu me arrependia profundamente por ter casado de papel passado com Regina. Aliás, me arrependia de ter me casado com ela mesmo que não fosse no papel. Me arrependia ainda mais pela minha falta de coragem em pedir o divórcio no último ano, onde nosso casamento só desmoronar ainda mais.
Eu estava fodida! Não podia voltar para minha casa, porque lá era uma cena do crime. Os policiais e a perícia haviam interditado o meu lar. Eu não poderia pisar lá sequer para pegar uma cueca. Por sorte haviam algumas roupas minhas na casa da minha irmã, o único lugar onde eu poderia ficar.
Depois de deixar meu pai na clínica, fui para casa de Elsa e lhe contei todo o interrogatório que sofri. Minha irmãzinha estava apavorada. Ela detestava tudo que envolvesse crimes, mistérios. Eu era viciada em séries como CSI, Criminal Minds, Homeland, e ela fazia um esforço descomunal para assisti-las comigo, sempre com os olhos esbugalhados, morrendo de medo.
— Emma, você acha que podem desconfiar de você? — Elsa estava aflita com tal ideia.
Eu estava sentada em seu sofá, as pernas abertas, o corpo inclinado para frente, as mãos na testa.
— A culpa é sempre do marido para eles — murmurei, sentindo-me extremamente exausta. Meu cérebro fervia. — Eu não sei, Elsa. Não sei. Aonde será que Regina está? — olhei em sua direção, ela estava em pé, encostada ao balcão.
— Não faço ideia. Jamais pensei algo assim poderia acontecer com ela. Quero dizer, Regina parece o tipo de pessoa que está destinada a...
— Dramas? — conclui seu pensamento.
— Sim. E que tipo de perguntas eles fizeram?
Levantei-me do sofá e peguei o lençol dobrado que Elsa havia colocado sobre a mesinha, estendendo-o no sofá para que eu pudesse dormir ali.
— Me perguntaram se ela tinha amigas.
— E o que você disse?
— Que Regina é complicada.
— Emma! Todo mundo sabe que "complicada" significa uma cadela insuportável — repreendeu-me, enquanto dava a volta pelo balcão e pegava uma garrafa de Scotch. — Você precisa beber, mas só um gole.
Enquanto ajeitava o lençol, senti meu celular vibrando no bolso. Olhei-o rapidamente, vendo quem era no retrovisor e depressa escondi o aparelho de volta ao meu bolso, me sentindo ainda mais tensa.
Elsa deu a volta novamente se aproximou, entregando-me um copo com líquido castanho e ela também tinha um em mãos. Lembrei-me da época em que Regina parecia me amar e sempre me presenteava com belas garrafas de Scotch, sem necessidade de ocasiões especiais.
— Seja lá quem a levou, vai devolver — Elsa falou, tentando brincar, mas não consegui rir. Apenas virei meu copo.
Um dia sumida
Quando eu finalmente havia conseguido cochilar, acordei no susto com minha irmã pondo uma lata de refrigerante sobre minha testa. Levantei-me quase num pulo, assustada e ainda estava com a mesma roupa de ontem, amassada e fedendo à tragédia.
— Você não dormiu nada essa noite — comentou Elsa, preocupada, lhe entregando um frasco com comprimidos e uma xícara de café. — Precisa estar mais... Apresentável. E tem que tomar cuidado com seu comportamento.
— Por quê? Eu pareço uma boçal como o papai? — falei sem emoção alguma, tomando o comprimido e bebendo todo o café.
— Não, mas você tem um temperamento muito... Oscilante. Às vezes você é extremamente indiferente, e eu sei que não é porque não se importa com Regina, mas porque você já passou por muitas merdas em sua vida. E em outros momentos você se zanga com muita facilidade. Isso não é algo bom — instruía minha irmãzinha querida, que mais do que acordada, já estava pronta para me acompanhar à delegacia.
Dirigi contra gosto até a delegacia, a única coisa me mantendo mais calma era minha irmã, sentada ao meu lado no banco do passageiro. Ela sempre me olhava com um sorrisinho tranquilizador, mesmo que eu pudesse ver claramente que ela também estava aterrorizada.
Chegamos na delegacia e o detetive Graham esperava-me logo na entrada. Disse-me que meus sogros já estavam lá prontos para a maldita coletiva aonde eu ficaria totalmente exposta — o que eu odiava.
Aproximei-me de Cora e Henry e fui recepcionada com abraços calorosos e exagerados. Ambos tinham um ar de desespero que não condiziam com os rostos praticamente perfeitos, sem nenhum sinal de lágrimas. Não, eles não haviam ficado sem dormir como eu fiquei por causa de Regina. Eles não haviam surtado, nem chorado feito loucos, pelo contrário. Pareciam um casal muito bem apresentável.
A coletiva toda foi um grande circo. Me vi como um animal encurralado diante de vários fotógrafos e jornalistas que não paravam de fazer perguntas as quais eu não sabia responder. Colocaram um enorme cartaz com uma foto de Regina e fiquei ao lado do mesmo enquanto dizia poucas palavras, palavras que segundo minha irmã eram necessárias. "Se você não disser nada, ou se sorrir como costuma fazer, será estranho" sussurrou em meu ouvido antes que eu fosse levada ao centro, ao lado do retrato, como um animal era levado ao matadouro.
Os pais de Regina ficaram ao meu lado, olhando-me com grandes olhos escuros comovidos, os dois tinham os mesmos olhos que Regina e encará-los naquele instante era muito perturbador.
Após minhas curtas e breves palavras, anunciando o sumiço de minha esposa perfeita à Regina Exemplar, posicionei-me ao lado de seu estranho retrato aonde ela sorria e permiti que meus lábios se movessem num sorriso discreto para as câmeras, que queriam nos fotografar. Claro que queriam.
Lembro-me de quando nosso casamento foi anunciado. Mesmo que eu fosse a caipira de Storybrooke, sem mãe, com um pai alcoólatra e uma vida muito medíocre, os Mills não toleraram que eu e Regina nos casássemos sem darmos uma grande festa, inclusive uma coletiva de imprensa.
Cora e Henry estavam sempre sobrevoando a filha como verdadeiros urubus! Tudo por causa da merda dos livros. Não se conformaram em plagiar a infância e adolescência, também queriam sua vida adulta, queriam sua alma. Nunca me esquecerei de uma noite em que eles anunciaram o casamento fictício de Regina Exemplar com outro personagem dos livros, o Daniel. Fizeram uma noite entendiante, cheia de convidados robóticos e jornalistas abelhudos, que ficaram em cima de Regina, questionando-a. Perguntas do tipo: "Como você se sente com a notícia do casamento de Regina Exemplar?", "Você ainda é solteira?". Regina estava extremamente desconfortável com toda a situação, até que eu decidi intervir e aliviar, tomando uma decisão que mudaria o rumo de nossas vidas... Lhe propus casamento na frente de meus colegas jornalistas.
Estávamos sentadas em uma mesa e haviam uns quatro, cinco jornalistas a interrogando quando eu tomei a frente para fazer minhas próprias perguntas.
— Há quanto tempo tem o privilégio de namorar Emma Swan?
Ela sorriu, aquele sorriso aberto e doce para mim.
— Há dois anos mágicos — respondeu veemente.
— Dois anos mágicos — repeti, anotando em uma caderneta. — Em que teve a oportunidade de lhe apresentar um mundo completamente novo — trocamos um olhar de cumplicidade, uma cumplicidade que ninguém naquela mesa, naquele lugar ou no mundo inteiro poderiam compreender. — De lhe ensinar, por exemplo, a ser menos preguiçosa e mais organizada. A apreciar música clássica e não confundir Beethoven com Mozart.
— Um lapso que minha namorada cometia muito a princípio — permanecia com um sorriso de canto.
— Regina Mills, você é mais do que exemplar. É genial, e mesmo assim não é esnobe. Você me desafia, você me surpreende. E... Um fato aos fãs: Tem uma vagina fantástica! — falei de bom humor, embora não deixasse de ser verdade.
Todos riram na mesa, inclusive minha adorável futura esposa, que na época estava com os cabelos compridos.
— Meus colegas dizem que não é casada... É verdade?
— Não sou.
— Já não é hora de mudarmos isso? — levantei a parte superior da caderneta, mostrando-lhe um anel de noivado escondido entre as folhas em branco.
Regina olhou para mim com aquele brilho nos olhos, não um brilho de garota boba e apaixonada, mas aquele brilho de satisfação, de prazer nítido por eu fazer algo incrível para ela, algo que se ela pudesse ter planejado e executado por si própria, o teria feito.
Minha esposa amava ser surpreendida, e quando eu digo surpreendida, eu quero dizer: faça exatamente aquilo que ela gostaria que você fizesse, da mesma forma, senão melhor. Se conseguir fazer melhor, ela irá lhe idolatrar, do contrário...
Saí com os Mills, minha cabeça baixa enquanto mais flashes espocvam. Estava quase na saída quando Graham cruzou a sala na minha direção, acenando.
— Posso falar com você um minuto, Emma?
Ele me atualizou enquanto seguíamos para um escritório nos fundos.
— Verificamos aquela casa em sua vizinhança que foi invadida, parece que as pessoas acamparam lá, então levamos os peritos. E descobrimos que outra casa dentro do condomínio tinha intrusos.
— Bom, isso é o que me preocupa — expliquei — Há caras acampados por toda parte. Esta cidade está tomada de gente desempregada e puta da vida.
Storybrooke era praticamente uma cidade falida. E a falência combinou perfeitamente com minha psique. Durante anos eu estivera entediada. Não um tédio reclamão e inquieto de criança (embora não estivesse a cima disso), mas um mal-estar denso, paralisante. A mim parecia que nunca mais haveria algo de novo a ser descoberto. Nossa sociedade era total e tragicamente derivativa (embora a palavra derivativa como crítica seja em si derivativa). Éramos os primeiros seres humanos que nunca veriam algo pela primeira vez. Nós olhávamos para as maravilhas do mundo de olhos embotados, desanimados. A Mona Lisa, as pirâmides, o Empire State Building. Animais da selva atacando, antigos icebergs derretendo, vulcões entrando em erupção. Não consigo me lembrar de uma só coisa que eu tenha visto em primeira mão que não ligasse imediatamente a um filme ou programa de TV. Um maldito comercial. Você conhece o medonho trinado do blasé: Jááá vi. Eu literalmente já vi tudo, e o pior, o que faz com que eu queira explodir meus miolos, é: a experiência de segunda mão é sempre melhor. A imagem é mais nítida, a visão é mais intensa, o ângulo da câmera e a trilha sonora manipulam minhas emoções de uma forma que a realidade já não consegue fazer. Não sei se a essa altura somos realmente humanos, aqueles de nós que são como a maioria de nós, que cresceram com TV, filmes e agora internet. Quando somos traídos, sabemos quais palavras dizer; quando um ente querido morre, sabemos quais palavras dizer; queremos bancar o fodão, o espertinho ou o idiota, sabemos quais palavras dizer. Todos trabalhamos a partir do mesmo roteiro gasto.
Era uma época muito difícil para ser uma pessoa, apenas uma pessoa real, de verdade, em vez de uma coleção de traços de personalidade escolhidos de uma interminável máquina automática de personagens.
E se todos nós estamos atuando, não pode existir algo como uma alma gêmea, porque não temos almas genuínas.
Cheguei ao ponto em que nada mais importava, pois não eu não era uma pessoa de verdade, então ninguém mais era.
Eu teria feito qualquer coisa para me sentir real novamente.
Graham abriu a porta da mesma sala onde eles haviam me interrogado na noite anterior. No centro da mesa estava a caixa de presente prateada de Regina.
Eu fiquei olhando para a caixa no meio da mesa, tão agourenta naquele novo ambiente. Uma sensação de terror tomou conta de mim. Por que eu não a havia encontrado antes? Eu deveria tê-la encontrado.
— Vá em frente — incentivou Lily — Queríamos que você desse uma olhada nisso.
Eu abri com muito cuidado, como se pudesse haver uma cabeça ali dentro. Encontrei apenas um envelope branco-envelhecido onde estava escrito PRIMEIRA PISTA.
Lily sorriu.
— Imagine nossa confusão: um caso de pessoa desaparecida, e aqui temos um envelope escrito primeira pista.
— É para uma caça ao tesouro que minha esposa...
— Eu sei. Para o aniversário de casamento de vocês. Seu sogro mencionou.
Eu abri o papel, tirei um pedaço comprido de papel creme — o papel que era marca registrada de Regina — dobrado ao meio. Subiu bile pela minha garganta. Aquelas caças ao tesouro sempre se resumiam a uma única questão: Quem é Regina? (O que minha esposa está pensando? O que foi importante para ela no último ano? Quais momentos a deixaram mais feliz? Regina, Regina, Regina, vamos pensar sobre Regina.)
Li a primeira pista com dentes trincados. Considerando nosso clima matrimonial no ano passado, aquilo me faria parecer horrível. Eu não precisava de mais nada que me fizesse parecer horrível.
"Eu me imagino como uma estudante,
Com uma professora tão bela e brilhante
Minha mente se abre (para não falar em minhas coxas!)
Se eu fosse sua pupila, não haveria necessidade de flores
Talvez apenas um encontro safado nos corredores
Então corra, ande logo, por favor
E desta vez eu ensinarei uma coisinha ou outra a minha professora."
Era um roteiro para uma vida alternativa. Se as coisas tivessem acontecido de acordo com a visão da minha esposa, ontem ela teria pairado perto de mim enquanto eu lia esse poema, observando-me com ansidade, a esperança emanando dela como uma febre: Por favor, entenda isso. Por favor, me entenda.
E ela finalmente diria: Então?
E eu diria:
— Ah, essa eu sei! Ela deve estar se referindo ao meu escritório. Na faculdade. Eu sou professora de adjunto lá. Ahn. Quer dizer, deve ser isso, certo? — eu semicerrei os olhos e reli — Ela pegou leve comigo este ano.
— Quer que eu a leve até lá? — perguntou Graham.
— Não, estou com o carro da Elsa.
— Então sigo você.
— Você acha que é importante?
— Bem, isso revela os movimentos dela um ou dois dias antes de desaparecer. Então não é desimportante — respondeu ele, olhando para o papel — Isso é lindo, sabe? Como algo saído de um filme: uma caça ao tesouro. Minha esposa e eu trocamos cartão e às vezes saímos para comer. Parece que vocês estavam fazendo isso do jeito certo. Preservando o romance.
Então Graham olhou para os próprios sapatos, ficou envergonhado e sacudiu as chaves para ir embora.
REGINA MILLS SWAN
Anotação em Diário
15 de Dezembro de 2009
Estou saltitante de tanta felicidade! Claro, não poderia ser diferente. Finalmente minha vida começou a decolar como um foguete. De repente eu não estava mais entendiada, tratando dos mesmos pacientes chatos e beberrões, nem tendo de aguentar meus pais e suas conversas sobre Regina Exemplar, como se ela fosse e eu, e eu simplesmente não existisse. Não realmente.
Agora eu não mais a Regina sem namorado, que tinha de ouvir as amigas ficarem falando de seus romances clichês, que começavam parecendo histórias do Nicholas Sparks e quase sempre terminavam em casamentos terrivelmente fracassados. Agora eu tinha uma namorada, uma namorada apresentável, uma namorada totalmente adorável. Agora eu tinha Emma Swan.
Nós namorávamos há pouco mais de um ano. Sim, é claro que nossas sessões de BDSM na sala secreta do meu escritório não foram suficientes para abranger toda a gama de sentimentos eletrizantes que nós sentíamos. Uma pequena sala não era suficiente para nós. Boston também não era. Talvez o mundo não fosse.
Me apaixonei por Emma tão rapidamente, de uma maneira tão voraz que nem consigo pensar em um momento ao seu lado em que eu não estivesse apaixonada. Ela me ganhou desde o primeiro instante, quando pisou pela primeira vez em meu consultório.
Em um ano de namoro viajamos três vezes. Emma era totalmente acessível, não se importava em largar tudo a qualquer hora e cair na estrada ao meu lado. Ela sempre me olhava com seu sorriso infantil, os dentes tortos, os lábios finos repuxados suavemente.
— Com você, eu vou até o fim do mundo — dizia.
Ela era incrivelmente amável. No começo, eu só pensava na parte sexual, no sadomasoquismo. Avaliava Emma em sua conduta como escrava, em sua capacidade gigantesca de suportar tanto a dor física quanto mental. Seu desempenho sexual deixava-me de queixo caído. Ela era excepcionalmente boa. Mais que boa, Emma era extraordinária!
Lembro da primeira vez que eu a deixei me foder. Não estávamos propriamente em uma sessão, mas sempre nos utilizávamos de elementos do BDSM para transar. Ela me beijava com ímpeto, ao mesmo tempo que me tocava suavemente, sendo extremamente romântica.
Emma me chupou por tanto tempo que eu não soube como sua língua não ficara dormente. Me fez gozar várias vezes ao longo da noite, só com sua língua. Seus dedos vieram para mim logo depois, uma outra descoberta maravilhosa de fonte de prazer. Ela era rápida, ela era intensa, ela era avassaladora.
Fiquei bem surpresa quando Emma me propôs que trocássemos. Ela queria assumir o controle da situação, porque mesmo quando ela estava me comendo, eu continuava no comando. E me surpreendi mais ainda pelo fato de eu ter aceitado a troca sem sequer pensar.
Eu a amava. Eu a desejava incrivelmente. Não teria problema nenhum em deixar Emma me liderar. Queria que ela me levasse ao paraíso, ou ao inferno. Queria que me levasse para onde quisesse.
Confesso que fiquei com medo quando fomos fazer nossa primeira sessão invertida. Eu não tinha ideia do que Emma faria comigo, e levando em conta que eu sempre a castigava duramente, provavelmente ela teria uma revanche muito bem elaborada em mente.
Ao contrário do que eu pensava, Emma agiu de forma muito tranquila. Com uma roupa toda preta, salto alto e os cabelos presos num coque, Emma conduziu todos os meus passos sem dizer uma única palavra. Seus olhos verdes não estavam mais resignados. Seus olhos verdes agora eram vorazes.
Despiu-me completamente e me conduziu até sua cama — a sessão era em seu apartamento. Emma amarrou meus pulsos e meus tornozelos, deixando-me presa em sua cama com as pernas abertas para ela.
Nesse momento fiquei totalmente vulnerável, meu coração batia forte, minha respiração estava descompassada e Emma sorria ao ver o quão descontrolada eu estava. Eu pensei em mil possibilidades. Pensei que ela me bateria com um chicote, com uma cinta, com as próprias mãos, mas não. Emma Swan não me bateu. Ela não me torturou, não assim.
Ela vestiu o meu, o nosso strapon, depois de tirar toda sua roupa, peça por peça, lentamente, fazendo minha boca salivar. Subiu na cama, ajoelhada entre minhas pernas, segurou em minha cintura e sem dizer nada, penetrou-me profundamente, com força, fazendo-me gritar.
Quando eu pensava que ela iria me foder com todo seu vigor, deixando-me louca, Emma simplesmente deslizava o dildo para dentro de mim com uma lentidão agonizante, sem dizer nada, sem fazer nada além de segurar minha cintura.
— Pare de me torturar! — resmunguei meio autoritária. — Por favor — corrigi-me logo em seguida, apertando os olhos.
Sem me responder com palavras, Emma segurou meu pescoço com as duas mãos e me olhou profundamente. Seu olhar era de devoção. Emma me amava, me desejava, era devota a mim. Mas ela também me queria por inteira, o tempo todo. Exigia que eu desse tudo, inclusive a minha alma.
Apertou os dedos lentamente ao redor do meu pescoço e começou a mover-se com velocidade dentro de mim, logo me fodendo como um verdadeiro animal, sem se importar com o que eu sentia. E o que eu sentia naquele momento era muito prazer.
Quanto mais eu me aproximava do ápice, mais Emma metia com força e apertava meu pescoço, roubando todo o meu ar e se eu não a conhecesse até a medula, teria medo que me matasse. Mas eu a conhecia. Ela jamais me mataria.
Gozei berrando seu nome, com a voz estrangulada. EMMA!!!
Ela sorriu para mim pela primeira vez. Um sorriso sádico, cruel, romântico, radiante. Sorriu e lentamente foi desapertando meu pescoço — provavelmente marcado.
Emma saiu de dentro de mim e segurou meu rosto com ambas as mãos, beijando meus lábios com paixão durante alguns segundos.
— Eu amo você — sussurrou, encarando-me — Amo você, Regina Mills.
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