Notas iniciais
Oi, meninas! Estou adorando as teorias e a ansiedade de vocês. Sei que não veem a hora de saber o que de fato aconteceu com Regina, e quem é o responsável, mas creio que isso irá demorar mais alguns capítulos (não muitos, prometo). Enquanto isso... Continuem pensando! Um bom capítulo para vocês avaliarem o caráter e a personalidade de algumas personagens Beijão! Comentem!

EMMA SWAN

Três dias desaparecida

Retornei para a casa de Elsa e minha irmã ficou totalmente chocada quando contei à ela sobre o interrogatório que sofri em minha própria casa. As insinuações de que talvez eu pudesse ser responsável pelo desaparecimento de minha esposa deixaram minha doce irmã muito abalada. Exageradamente abalada, eu diria.

Minha irmã era a única pessoa que naquele momento não desconfiava nem 1% da minha inocência em relação ao sumiço de Regina, e isso era muito bom. Um alívio, mesmo. Porque eu sabia que alguém me amava o suficiente ao ponto de acreditar em mim, mesmo que todas as provas me apontassem.

Mas eu estava achando Elsa um pouco estranha. Ela realmente ficou muito nervosa. Não era para tanto, pelo menos não ainda. Havia algumas coisas "estranhas", como a fatura dos cartões de crédito que faziam com que os policiais me investigassem, mas isso não significava que eles possuíam provas que me ligassem diretamente ao desaparecimento de Regina.

— É um absurdo que eles desconfiem de você! — falou ela, visivelmente abalada — Eles disseram que havia muito sangue na cozinha, certo?

— Sim.

— Então provavelmente a Regina...

— Não! — interrompi abruptamente ao adivinhar o que ela diria a seguir e aquilo fez com que eu explodisse. — A Regina não está morta — afirmei com convicção e seriedade, torcendo dentro de mim para que aquilo fosse verdade.

Regina não estava morta. Não podia estar. Porque se ela estivesse... Eu estaria fodida, de todos os jeitos possíveis.

O meu jeito de falar foi tão intimidador que Elsa repensou suas palavras.

— Como havia muito sangue na cozinha, provavelmente ela foi tirada de casa à força e com ferimentos graves — se corrigiu — Como eles podem desconfiar de você? Pensar que justo você seria capaz de ferir alguém!

Olhei para ela com carinho. Era lindo ver minha irmã, tão doce e inocente, dizendo aquelas coisas. Elsa acreditava na minha inocência e mais do que isso: ela realmente pensava que eu era como ela. Mas eu não era. Eu não tinha sua pureza, sua bondade. Como eu poderia ter? Depois de tudo que passei com Cruella, com Regina... Era impossível.

Ao contrário de Elsa, eu era arruinada da cabeça. Uma mulher em frangalhos. Totalmente perdida na vida, sem rumo, sem direção, sem perspectiva. Atolada num rio igual ao de Storybrooke, só que ao invés de água só havia bosta no meu rio.

Eu até poderia ser inocente sobre o sumiço de Regina, mas eu não era inocente de todo o resto. Eu não era pura como minha irmã pensava.

— É muito bom saber que você acredita em mim, que posso contar com você — falei de forma carinhosa e Elsa segurou meu rosto.

— Eu sei que você é inocente e tenho certeza que em breve eles irão encontrar o verdadeiro culpado. Enquanto isso, acho que temos que deixar essa história um pouco de lado... Quer dizer, a coisa toda está sufocante demais! Você não tem paz, Emma. Essa investigação, interrogatórios, os pais da Regina, as pessoas todas... É muita coisa para você digerir... — enquanto falava, Elsa se livrou do meu casaco e me empurrou no sofá, fazendo-me sentar e então ela veio para o meu colo. — Acho que você precisa relaxar e eu tenho a fórmula perfeita para isso — sorriu maliciosamente para mim.

Minha irmãzinha realmente sabia como me agradar...

REGINA MILLS SWAN

Anotação em Diário

2014

Estou incomodada que meu casamento esteja se desintegrando e eu não sei o que fazer. Era de se imaginar que meus pais, dois psicólogos, seriam as pessoas óbvias com as quais eu iria conversar, mas sou orgulhosa demais para procurálos. Eles não seriam bons para me aconselhar: são almas gêmas! Com eles há apenas altos, nada de baixos — um único surto infinito de êxtase matrimonial. Não posso dizer a eles que estou estragando a única coisa que me resta: meu casamento. Eles de algum modo escreveriam outro livro, uma censura ficcional na qual Regina Exemplar celebraria o mais fantástico casamentinho, o mais pleno e livre de problemas de todos os tempos... Porque ela se esforçou para que fosse assim.

Mas eu me preocupo. O tempo todo. Sei que já estou velha demais para os gostos da minha mulher. Porque eu costumava ser o ideal dela, há seis anos, então ouvia seus comentários impiedosos sobre a maioria das mulheres perto dos quarenta. Comentários machistas e bem estranhos, levando-se em conta de que ela também era uma mulher. Emma voltava de uma noite regada, e eu perguntava como o bar estava, qualquer que fosse, e ela costumava dizer: "Completamente inundado de Causas Perdidas", seu apelido para mulheres da minha idade. Na época, uma garota com trinta anos recém-completos, eu sorria junto de Emma como se aquilo nunca fosse acontecer comigo. Agora eu sou a Causa Perdida dela, e ela está presa a mim, e talvez seja por isso que sente tanta raiva.

Tenho me autorizado alguma terapia com bebês. Vou à casa da minha vizinha Belle todo dia (minha única amiga na cidade) e deixo que seus trigêmeos me apalpem com suas patinhas. As mãozinhas roliças em meus cabelos, o hálito pegajoso em meu pescoço. Dá para entender por que as mulheres sempre ameaçam devorar crianças: Dá vontade de morder! Eu o comeria com uma colher! Embora ver as três crianças cambaleando até ela, amarrotadas do cochilo, esfregando os olhos enquanto vão até mamãe, mãozinhas tocando o joelho ou o braço dela como se ela fosse a linha de chegaram como se soubessem que estavam a salvo... Algumas vezes me dói assistir a isso.

Ontem tive uma tarde particularmente carente na casa de Belle, então talvez seja por isso que fiz uma burrice.

Emma chegou em casa e me encontrou no quarto, após uma chuveirada, e logo estava me apertando contra a parede, enfiando seus dedos dentro de mim. Logo sei que acabou, pois ela me soltou e sentou na beirada da cama, ofegante e então ela disse:

— Desculpa por isso. É que eu precisava de você.

Disse isso sem olhar para mim.

Fui até ela, coloquei meus braços ao seu redor, fingindo que o que acabávamos de fazer era normal, um agradável ritual matrimonial.

— Estive pensando.

— No quê?

— Bem, talvez agora seja o momento certo. De começar uma família. De tentar engravidar.

Logo que termino de falar, sei que acabei de falar uma loucura. Eu me tornei a mulher maluca que quer engravidar porque acho que isso salvará meu casamento.

Emma se afastou de mim bruscamente.

— Agora? Agora é mais ou menos o pior momento para começar uma família, Regina. Você está sem emprego...

— Eu sei, mas de qualquer forma eu iria querer ficar em casa com o bebê no começo...

— Minha madrasta morreu há poucos meses...

— E isso seria uma vida nova, um recomeço.

Emma me agarrou pelos braços e me olhou nos olhos pela primeira vez em uma semana.

— Regina, acho que você pensa que agora que minha madrasta morreu nós vamos voltar alegremente para Boston e ter alguns bebês, e você terá sua velha vida de volta. Mas não temos dinheiro suficiente. Mal temos dinheiro suficiente para nós duas vivermos aqui. Você não pode imaginar a pressão que eu sinto, todo dia, para dar um jeito nessa confusão que estamos. Para prover, porra. Não posso dar conta de você, de mim e de mais algumas crianças. Você vai querer dar a eles tudo o que teve quando criança, e eu não posso. Nada de escola particular para os pequenos Swan, nada de tênis e aulas de violino, nada de casa de veraneio. Você iria odiar quão pobre seríamos. Você iria odiar.

— Não sou tão superficial, Emma...

— Você realmente acha que estamos em uma fase ótima agora, para ter filhos?

Isso foi o mais perto que chegamos de discutir nosso casamento, e eu pude ver que ela estava já arrependida de ter dito.

— Estamos sob muita pressão, amor — disse — Tivemos alguns problemas, e sei que muito disso é minha culpa. Eu só me sinto muito desocupada aqui...

— Então vamos ser um daqueles casais que têm um filho para dar um jeito no casamento. Porque isso sempre funciona tão bem...

— Vamos ter um filho porque...

Os olhos dela ficaram escuros, caninos, Emma agarrou meus braços novamente.

— Simplesmente... Não, Regina. Não agora. Não posso suportar mais nem um pingo de estresse. Não posso dar conta de mais nenhuma coisa com que me preocupar. Estou cedendo à pressão. Eu vou explodir.

Pela primeira vez, eu soube que ela estava dizendo a verdade.

EMMA SWAN

Cinco dias sumida

Lembram quando eu disse que se Regina não aparecesse eu estaria fodida em todos os sentidos? Pois é. Ela ainda não apareceu e eu já estou começando a me foder...

Uma puta de nome Ingrid White é uma apresentadora de um programa patético que todos assistem. Ela adora comentar casos polêmicos e claro que ela não deixaria o desaparecimento de Regina Exemplar passar batido. Sua equipe estava presente no dia da coletiva e eles me filmaram.

Então imaginem que coisa maravilhosa: Eu na comissão, minha esposa desaparecida e eu ali, sorrindo, quase que inabalável. Serena. Imaginem o que a puta não comentou sobre isso... Afirmou que meu comportamento era para lá de suspeito e teve coragem de insinuar que meu relacionamento com Elsa era "íntimo demais". Sim, essa piranha estúpida afirmou em rede nacional que eu e minha irmã podemos ter um relacionamento incestuoso. E o pior é que ela nem ao menos estava errada.

Elsa ficou muito abalada com isso, não com a parte das insinuações sobre nós. Na verdade minha irmã parecia ter gostado de alguém nos reconhecer como um casal, se é que posso colocar a coisa desse jeito. Mas havia um certo orgulho no sorrisinho de canto de lábios que minha irmã esboçou ao ouvir essa parte na televisão. Porém sua raiva emergia com força ao ouvir quem quer que fosse me acusar de, talvez, ser uma assassina.

Assassina. A palavra era tão... Esquisita.

Desde criança eu pensava em assassinatos. Sempre fui muito ligada nessa coisa toda policial, achava um máximo, mesmo. Se meus traumas com Cruella não tivessem me feito tão cuzona, talvez eu poderia ter seguido carreira na polícia. Não sei. Mas sempre gostei e depois que eu e minha madrasta iniciamos aquela relação anormal, eu pensava frequentemente em assassiná-la. Imaginava em minha mente perturbada todos os tipos de mortes possíveis para aquela criatura. Claro que nunca consegui realizar meu desejo...

Adulta, eu vivia pensando em matar alguém. Um pensamento recorrente, interessante, divertido. A maioria das pessoas me entendiava, quando não me irritavam. E mesmo os que não me causavam raiva, eu pensava em matá-los. Era divertido estar numa reunião de trabalho, sentada em silêncio na minha cadeira observando cada um na sala e me imaginando com um lança chamas em mão, queimando todos de uma vez. Muito legal.

É um pouco bizarro, mas quando conheci Regina eu fiquei quase obcecada com esses assuntos envolvendo morte. Eu me tornei ainda mais mórbida do que era. Minha esposa instigava em mim os desejos, os impulsos mais profanos. E mesmo na minha fase mais apaixonada aonde eu seria capaz de morrer por minha esposa, eu não podia deixar de me imaginar matando-a. Ficava pensando em como seria... Quase todas as vezes em que eu lhe fodia, gostava de apertar as mãos em seu pescoço, de sentir suas veias saltadas pulsando sob meus dedos. Eu sentia o calor de seu sangue escorrendo sob a pele, sentia as batidas de seu coração e via o ar fugir. Encarava seus olhos dilatados, sua boca ficava aberta, tentando desesperadamente encontrar o ar e eu ficava pensando no quão linda ela ficaria morta.

Claro que eu nunca consegui ir até o fim. Quando ela gozava, meus dedos simplesmente soltavam seu lindo pescoço e ela voltava a respirar, como se estivesse se afogando durante longos instantes e de repente sua cabeça saísse para fora d'água.

Agora eu era suspeita de assassinar minha própria esposa. Os detetives ainda não disseram isso, não com essas palavras. Eles continuam me investigando, mas agora contratei um advogado, porque não podia continuar como estava. A coisa estava tão feia para o meu lado que até meus sogros duvidavam da minha inocência. Sem muita saída, eu e Elsa decidimos investir todo o dinheiro possível (que não era suficiente, por isso ela resolveu hipotecar sua própria casa) para que eu contratasse o melhor advogado do estado: Robert Gold. Um especialista em defender maridos suspeitos de assassinato. A maioria deles culpados, o que não era muito bom para mim, mas...

Eu não atendia meu celular descartável desde que tudo aconteceu, mas isso não foi suficiente. Recebi uma sms na noite de quinta-feira. "Estou aqui fora, abra a porta." Aquela mensagem me deixou desesperada. Antes de levantar do sofá e ir à porta, certifiquei-me de que Elsa estava mesmo dormindo, a casa toda silenciosa e escura, exceto pelo abajur da sala. Abri a porta.

— Oh meu Deus! — Ruby voou em cima de mim, beijando meus lábios várias vezes seguidas, me empurrando para dentro, encostando-me na parede. — Eu te vi na televisão, que loucura!

— Eu sei, eu sei... Mas sh, não faça barulho! — implorei, fazendo sinal com a mão.

— Ela desapareceu?

— Desapareceu.

— Você não atende meus telefonemas, não responde minhas mensagens! — reclamou, torcendo seus lábios rosados, os olhos verdes parecendo olhos de criança. — Eu estou tão preocupada...

— Está tudo uma loucura, Ruby. Eu não tive como... Estão desconfiando de mim! Estou com sérios problemas. O que você está fazendo aqui? Minha irmã está dormindo aqui do lado! — eu sussurrava, meio desesperada.

— Estou morrendo de saudades! E preocupada, também — beijou meus lábios mais uma vez, suas mãos em meu corpo, me apertando. Ruby não sabia respeitar espaço pessoal, ela era intensa e impetuosa como todas as jovens de sua idade.

Ela era minha aluna. Nós tínhamos um caso há um ano mais ou menos. Um caso secreto, obviamente. Elsa não sabia sobre Ruby, ninguém sabia. Nós transávamos na garagem, na casa do meu pai, na minha sala na universidade e nos lugares mais inusitados possíveis, porque se eu a levasse em um motel certamente Regina descobriria... Apareceria na fatura do cartão...

— Isso não foi uma boa ideia! — falei, soltando-me dela por um instante para fechar a porta.

— Por favor, diga que me ama, Emma! — pediu desesperada, puxando-me pela camiseta e me fazendo abraçá-la.

— Eu amo, mas temos de tomar cuidado agora. Muito cuidado!

— Estou tão assustada. Me toque, Emma.

Ruby se encostou na parede e me puxou para cima dela. Apertei seu quadril com força e nossas línguas se roçaram enquanto nossos lábios grudavam. Suas mãos se perderam meus cabelos e o seu beijo era extremamente erótico, o que me deixava facilmente excitada... Uma das coisas que me fizeram amar Ruby.

— É melhor pararmos... — sussurrei entre suspiros, sua boca assanhada beijando meu pescoço, suas mãos invadindo minha blusa.

— Eu preciso de você, baby.

— Pare com isso!

Soltei-me de Ruby e agarrei suas mãos.

— Vem aqui, vamos sentar.

Me sentei no sofá e a coloquei sentada de frente para mim sobre a mesinha. Ela sorria de forma levada.

— Você não falou, por acaso, de nós para ninguém? — perguntei baixinho, preocupada.

— Não, claro que não!

— Você deixou uma calcinha vermelha no meu escritório?

— Eu não sei, talvez...

— Pense! — pedi, meio irritada.

— Não sei, teria que ver no meu estoque de calcinhas vermelhas.

Revirei os olhos. Ruby era terrível. Uma garota terrível.

— Ruby, leve a sério, está bem? Essa será a última vez que iremos nos ver.

— Até quando? — arregalou os olhos.

— Até ser seguro.

— Você ia se divorciar!

— Nunca diga isso em voz alta! — eu quase avancei sobre ela, agarrando seus braços e Ruby olhou-me assustada.

— Está bem, me desculpa. Não brigue comigo — falou, inclinando-se e me beijando mais uma vez daquele jeito assanhado que só ela tinha. — Eu só quero ficar com você... — empurrou-me até que minhas costas encostassem no sofá e veio para meu colo sem que eu pudesse fazer nada.

— Por favor... — implorei, enquanto ela beijava meu pescoço.

— É nossa última vez, vamos aproveitar — falou de forma sensual, abaixando o zíper de seu vestido que ficava na parte da frente, deixando seus seios nus de fora.

Não resisti. Como eu poderia resistir aqueles seios firmes e a buceta apertada de adolescente que Ruby tinha?

Desliguei o abajur que estava ao meu lado e abocanhei seu seio, apertando-a contra mim.

Transamos o mais silenciosamente possível. Ruby gemia bem baixinho, rebolando em meu colo, em cima dos meus dedos e eu beijava seu pescoço, chupava seus seios e sua língua gostosa. Ela agarrava meus cabelos e quicava sem parar, como uma doida querendo quebrar os meus dedos.

Deitei seu corpo no sofá e chupei sua buceta. Era a minha parte favorita no corpo das mulheres que eu amava. Lembrava com muita clareza da buceta de Regina e poderia descrevê-la com uma riqueza de detalhes assustadora. E mesmo não tendo transado com Elsa tantas vezes quanto com Regina, eu também reconhecia cada partezinha de sua buceta apertada. Assim como também havia memorizado a de Ruby.

Depois de tanto sexo sacana, proíbido, acabamos dormindo, o que foi um grande erro. Logo cedo eu acordei e fiz Ruby acordar também.

— Você precisa ir, baby — falei, levantando-me e ajudando-a se ajeitar, pois estava com o vestido todo amassado, os seios para fora, a calcinha no chão.

Ela se vestiu e eu a levei até a porta, antes de abri-la nos beijamos mais uma vez.

— Me desculpe apressá-la, mas não tem outro jeito. Tome cuidado.

— Prometa me ligar todos os dias, pelo menos uma vez! — exigiu antes de sair.

— Eu prometo.

Beijei seus lábios e depois sua testa, abri a porta e praticamente a empurrei. Fechei a porta depressa e suspirei profundamente, como se me livrasse de um problema.

— Você é uma grande imbecil! — ouvi Elsa berrar atrás de mim e me virei devagar, com os olhos apertados, sabendo que havia feito merda.

Olhei dentro de seus olhos verdes e mesmo de longe eu podia ver a intensidade deles. Elsa estava na cozinha, de braços cruzados, encostada na pia, encarando-me com uma raiva que eu nunca vi antes.

— Sua babaca! Mentirosa! Você tem uma amante? — não conseguia falar de forma calma, ela simplesmente gritava.

— O meu casamento com a Regina estava uma merda, você sabe... — murmurei, dando alguns passos.

— Quantos anos ela tem?

— Vinte e poucos.

Elsa estava transtornada e eu sabia que se não a respondesse seria pior.

— Desde quando estão juntas?

— Um ano e meio.

— E você não me contou? — berrou de novo — Mentiu para mim durante todo esse tempo? — ela se desencostou e saiu da cozinha e eu a segui pela sala numa distância que respeitava seu espaço pessoal.

— Eu sabia que você não aprovaria, que tentaria me impedir... — justifiquei em tom baixo. — Meu casamento estava horrível, era horrível chegar em casa e encontrar a minha esposa infeliz, aqueles olhos castanhos me acusando de ser a causa da sua infelicidade! A maldita caipira de Storybrooke que estragou sua vida exemplar!

— Você tem noção de que se descobrirem isso, você está fodida?

Fiquei em silêncio, eu sabia.

— Eu não acredito que você me traiu.

— Eu não te trai, Elsa! — exaltei-me — Deus, há um ano atrás eu nem sonhava que você me corresponderia um dia. Meu casamento estava em ruínas, eu me sentia péssima e Ruby estava lá...

— Você me traiu, sim, sua filha da puta, sua mentirosa! Você trepou com essa vadia no meu sofá! — gritou com lágrimas nos olhos.

Ela veio para cima de mim enchendo-me de tapas no rosto, e eu tentei segurar seus braços, o que me fez receber mais tapas em todas as partes que ela conseguia alcançar. Ela me batia e me empurrava, até que cai no sofá e consegui detê-la, segurando seus pulsos. Derrubei Elsa em meu colo e a abracei com força, imobilizando-a.

Presa em meus braços, Elsa tremia e chorava desesperadamente.

— Me perdoa, me perdoa, Elsa, me perdoa, por favor... — sussurrei em seu ouvido, beijando sua cabeça, seus cabelos platinados. — Você é minha alma gêmea, me perdoa... Eu te amo, eu te amo...

— Eu te odeio, Emma. Eu odeio o quanto eu te amo. Odeio precisar de você, odeio! — falou, encarando-me com seus grandes olhos cheios de lágrimas.

— Não diga isso! — gritei, brava. — Não diga isso! Nós somos irmãs, nós somos almas gêmeas. Nós nos amamos e isso é puro, isso é verdadeiro. Por favor, não me odeie. Não me odeie por um erro, por uma fraqueza. Eu estou ficando louca com essa história toda, me entenda. Me perdoe.

— Só te perdoo com uma condição... — disse, mais contida agora.

— Qual?

— Se me deixar foder você como a Regina fazia — seus olhos brilharam para mim, era a primeira vez que seus olhos brilhavam daquele jeito. Um brilho de perversão que me arrepiou toda a coluna.

— Você quer dizer...

— Fazer uma sessão de BDSM. Uma sessão onde eu estarei no controle, onde eu vou dominá-la. Se você me ama, se quer o meu perdão, faça isso por mim, Emma — sua voz havia suavizado, de repente ela estava sussurrando com os lábios quase grudados nos meus, suas mãos acariciando meu rosto. Eu estava cercada por mulheres loucas e apaixonantes. — Me deixe te dominar...

— Eu... — estava sem palavras, sem reação, atônita. Mas eu a conhecia suficientemente bem para saber que Elsa não blefava. Ela não me perdoaria se eu não aceitasse. — Deixo.