Amor Celestial
29 O inicio do Fim
Notas iniciais
Pov. Bella.
Os dias correram rápidos demais. Dean era um ótimo professor e todos já estavam cientes do que fazer e como fazer.
Ver meu filho segurar uma foice como se fosse uma brincando... Bom, realmente não foi algo que me agradou, mas o que doia ainda mais era ver como minha esposa manuseava uma espada... Claro que não eram materiais normais, era um metal especifico que somente os Gregory tinham conhecimento e que era fatal a qualquer demônio.
Parece irônico você matar o que estar morto, mas os demônios, assim como os anjos, não têm almas. Sua existência existe graças a uma força que exala em seu ser... Não sei explicar exatamente o que seria essa força, mas poderíamos compara-la ao nosso coração. Isso! Essa essência que exala de seu ser é como o coração humano. Se ela for tocada... Adeus demônio ou anjo.
Eles não possuem qualquer tipo de órgão, como nós seres humanos, mas possuem fraquezas como todo ser criado por Ele. Infelizmente, como todos sabemos, Lúcifer era um anjo, Deus o criou com carinho. Sendo um anjo caído, jogado ao porão do universo, ele sabe as fraquezas do bem e do mal.
Lúcifer não dá ponto sem nó, seu “exercito” já triplicou de tamanho e o nosso continua o mesmo, somente minha família e a família Gregory.
Logo que essas desgraças começaram a acontecer e Lúcifer escapar do inferno, pensei que o apocalipse estava para acontecer, que enfim seria o fim do mundo, onde o bem e o mal se enfrentariam e Ele sobressaltasse sobre todos, que as almas boas teriam seu merecido “felizes para sempre”... Mas Ele falou comigo, mas ele me deu uma missão a qual, mesmo eu fracassando, não desistiu de mim...
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–Isso pode ser o apocalipse! – Jacob falou algo que eu já havia ponderado. Mas já descartado.
– Não creio que seja isso. – Pelo visto Dean compartilhava a mesma ideia que eu.
– Por que não? Só olharmos ao nosso redor e vermos que os seres humanos estão se matando! Então para que esperar mais para o fim do mundo? – Questionou. Dean nada disse.
– Jacob pode ter razão, não no argumento, mas no pensamento. – Gabriel se pronunciou.
– Por que diz isso? – Questionei.
– Deus não se comunica mais conosco, não sei o que Eles quer de nós, anjos. – Sorri de lado. – O que há de engraçado, Isabella? – Neguei.
– Apenas achei estranho o fato de não mais falar com Ele, pois as vezes recebo suas mensagens. – Ele bufou.
– E mais uma vez Eles prefere os humanos. – Ri do seu bico. Me aproximei e, me aproveitando que estávamos no mesmo plano, o abracei de surpresa.
– Não se esqueça que sou uma de vocês... Ou era. – Ele riu.
– Sempre será minha pequena anjinha desastrada. – Revirei os olhos e todos riram.
– Mas a respeito do Apocalipse... – Jacob voltou a falar.
– Sua teoria pode sim estar certa, Jacob. Os sinais são claros, evidentes. Mas não podemos subjulgar agora. – Dean Foi coerente. – Bella, consegue falar com seu deus ainda? – Revirei os olhos por sua fala.
– Isso não pode estar acontecendo agora! Não creio nisso! E Ele se comunica comigo quando é preciso.
– Então o avise que é urgente. – Virou as costas e andou para a saída. – O mundo está entrando num caos e Ele simplesmente sumiu!
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... Meu Pai não quer o fim da humanidade, ele quer apenas...
– Mãe? – Balancei a cabeça e fitei o meu filho. Meus olhos ganharam um brilho diferente, como se algo tão óbvio fosse descoberto somente agora. – O que foi? – Perguntou sem entender.
– Jacob. – Chamei meu irmão. Corri para fora da casa e o vi reunido com todos no quintal, treinando e organizando estratégias.
– Sim? – Perguntou sem entender.
– Você comentou comigo, uma vez, sobre um possível apocalipse, se recorda? – Ele enrugou a testa, mas logo concordou. De fato ele havia citado isso em uma de nossas várias conversas.
– Mas você deixou em claro que isso não seria possível, bom, ao menos não agora! – Largou sua arma e se virou totalmente para mim. – Mudou de ideia e eu estava certo? – Perguntou com receio. Sorri de lado e neguei.
– Uma vez, quando a humanidade estava à beira de um colapso, Ele resolveu recomeçar tudo do zero. A raça humana foi recriada e os desentendes de Noé povoaram o mundo. Um mundo onde o mal não dominava... Claro, nem tudo que é bom dura muito e logo o mundo voltou as ruínas...
– Está querendo dizer que ele quer repovoar o planeta outra vez? – Questionou. Suspirei.
– Mais ou menos. – Me aproximei e vi cada um nos olhar inteiriçados.
– Explique isso melhor. – Pediu.
– Eu não morri por acaso, meu irmão. – Me olhou curioso. – Quando eu tinha apenas 17 pra 18 anos. – Assentiu. – Ele tinha um propósito para mim... Queria me treinar, queria ver se eu era capaz de cumprir tal missão.
– De cuidar de um bebê? – Victoria jogou um pouco do seu veneno. Ri e concordei.
– Exato, ruiva. – bufou por eu não retrucar. – Eu precisava estar “madura” o suficiente para cuidar de Alice. Para saber o momento certo de agir e os conselhos que daria a ela. Alice poderia ser levada para o lado obscuro, e a chave poderia se perder por um bom tempo.- Alice me fitou levemente corada. – Não sei se estava em seus planos que eu me apaixonasse por ela, mas sei que esse amor fez com que minha missão tomasse um novo rumo.
– Você ser mandada a terra por conta disso realmente é algo incomum. Nunca isso aconteceu antes. – Gabriel interferiu no assunto surgindo do nada.
– Vamos gente, por que ele me daria uma nova chance para voltar mesmo depois de morrer duas vezes? Lembram-se do helicóptero? – Alice tremeu e me olhou assustada. – Calma. – Pedi a olhando com amor.
– Ele tem um projeto que envolve você, minha irmã, isso é fato. Mas para onde você quer nos levar?
– Anja, articula!- Dean pediu sem paciência.
– Ele não quer recomeçar do zero, ele quer continuar de onde parou.
– Como? – Sam perguntou sem entender.
– O bem reinava após o dilúvio, certo? – Assentiu. – Mas com o passar dos anos, a humanidade se perdeu novamente e hoje estamos piores do que antes da inundação!
– Bella está certa! – Esme se aproximou e me abraçou com carinho. – Antigamente matávamos por vingança, em nome de um ente querido. Matávamos por comida ou para expandir os domínios da terra. Mas e hoje? Hoje qualquer coisa é motivo para se tirar uma vida. Para fazer um coração parar de bater! Uma discussão por uma batida, e lá se vai mais um pai de família. Uma traição por luxúria, e uma família destruída por um homem ciumento e uma mulher adultera. – Lamentou minha sogra.
– Lúcifer vai reunir muitos, pois o caminho do mal sempre foi o mais fácil de entrar. Mas lembram-se daquele conselho que nossa mãe sempre nos dava? – Perguntei sorrindo. Me sentindo uma cientista que acaba de descobrir a fascina de uma doença nova.
– “O caminha mais fácil nem sempre é o melhor”. – Alice respondeu por todos.
– O que está querendo dizer, resumidamente, é que eles são muitos, mas facilmente derrotados? – James quis saber.
– Quase isso. – Suspirei. – Eles são muitos, muitos mesmos! No mínimo uns 100 para cada um de nós. Mas juntos somos mais fortes e podemos contra as trevas!
– Seu discurso de motivação foi comovente, mas não convincente. – Victoria voltou a falar. – Sabemos que muitos irão morrer quando entrarmos naquele campo de batalha sangrento. E que a nossa equipe será a mais abalada. Mais de 7 bilhões no mundo e nem 100 pessoas ao nosso lado, em compensação, ao nado daquele demônio, mais de 100 mil. – Isso era o fato.
– Se quer desistir, Victoria, a porta da frente é a serventia da casa. – Thony se pronunciou pela primeira vez. – Não vou me abalar com números. – Sorri para o meu filho. – Não precisamos matar todos, são seres humanos também, não podemos esquecer isso. Os demônios que habitam em seu seres precisam sair para exterminá-los de vez. Dean nos ensinou isso.
– Pelo visto o rapaz prestou bastante atenção no intensivão. – assentiu.
– Mas vocês não podem se esquecer de uma coisa. – Emmett se pronunciou pela primeira vez.
– Do que? – Questionei.
– Você, Alice e Thony precisam ir ao inferno. Precisamos armar uma maneira de levar Lúcifer para lá e o prender de volta ao lugar onde nunca deveria ter saído. – Concordei.
– Vamos ter que nos dividir. – Falei o óbvio.
– Ótimo! Como se não bastasse sermos poucos, agora somos metade? – Victoria espumava de raiva.
– Podem ser um numero menor, mas tem os melhores ao seu lado. – Ouvi uma voz desconhecida. Me virei e dei de cara com mais cinco pessoas. Quatro mulheres e um homem. – Olá, somos a família Denali. – Se aproximou.
– Bruxas. – Assentiu.
– Mas do bem. – Ri quando se defendeu. – Ele nos enviou um chamado que há tempos não nos dava. – Pelo visto Ele realmente tem algo em mente...
– Quem são vocês? – Dean questionou. Olhou intensamente para a que era a porta voz do grupo. Ri mais disso.
– Sou Tania. Essas são minhas irmãs: Irina e Kate. Nossos tios Carmen e Eleazar. Meus tios não são bruxos, apenas humanos, mas querem ajudar. São bastante religiosos e querem honrar o nome de Deus. – Assenti sorrindo.
– Serão bem vindos e aceitos. Precisamos de vocês. – Não disseram nada, apenas assentiram.
– Eu sou a mais velha e que obtém mais sabedoria dos encantos. Mas contra demônios não há muito que fazer. Eles são quase indestrutíveis com magia.
– Não se preocupe. Acho que Ele mandou vocês por outro motivo. – Sorri.
– Qual seria? – Sua curiosidade era estampada nos olhos.
– Precisamos remover eles de dentro dos humanos sem ferir ninguém. Queremos mata-los e não o homem. – Meu filho falou por mim.
– Entendo... Esse feitiço não é complicado, mas eu e minhas irmãs, para muitos, não damos conta. – Suspiramos.
– Só de saber que temos mais ajuda, o que vier é lucro. – Sam logo tentou ser otimista.
– Até o conflito final teremos mais surpresas. – Olhei para cima e suspirei. – Assim espero, meu pai...
– Vocês devem estar cansados. – Esme logo se prontificou a hospedar os cinco enviados de Deus, literalmente, na mansão.
– Essa casa está ficando pequena para tanta gente. – Emmett riu.
Todos da família e amigos saíram do quintal e andaram em direção a casa. Fiquei sozinha, ou ao menos pensava que estava sozinha.
– Você anda tão pensativa ultimamente. – Alice acariciou meu ombro e acabei relaxando.
– E não dando atenção a você. – Me virei e enlacei sua cintura.
– Não quero ir para cama com você, meu amor. – Acariciou meu rosto. – Só me preocupo com seu bem estar. – Sorri.
– Meu bem estar é completo e perfeito quando estou em seus braços... E há muito tempo não fico neles. – Beijei seu pescoço e me deliciei com seu gemido leve e longo.
– Aqui não. – Parou minha mão quando a mesma descia para sua bunda.
– Vamos ter uma longa noite hoje, por favor. – Implorei e riu me beijando.
– Vou te fazer ficar revigorada... – Sorrimos maliciosa uma para outra. – Mas primeiro nossa menina. – assenti. Sophia era a única que não sabia de nada, mas sentia tudo. A noite ela nunca dormia direito. A levava para cama e, somente entre eu e Alice, dormia profundamente.
Ao longe um trovão forte e poderoso ecoou no céu. Um raio, estranho e vermelho, caiu no chão e uma ventania sem explicação começou. Arrepiei-me, não me frio, mas por algo maligno que estava se iniciando.
Todos da casa saíram correndo para ver o que estava acontecendo. Cada qual com seu par, quem não tinha apertava a mão do irmão. De mãos dadas todos presenciaram algo completamente anormal. O céu ficou negro. A escuridão tomou conta de toda a terra.
– Vocês conseguem sentir isso? – Perguntei segurando firme a minha esposa. Olhei para o lado e vi minha sogra com meu filho e Nath, que segurava Sophia.
– O mal está bem presente. – Tania respondeu o que todos sentiam.
– Está começando algum ritual. – Irina completou.
– E é de invocação. – Kate finalizou.
– O que Lúcifer quer invocar? – Questionei sem entender nada
– Leviatã. – Heniel também apareceu. O olhei sem compreender.
– Levi... O que? – Emmett perguntou por mim.
– Leviatã. É um monstro enorme. Seu poder de destruição é incrível. Metraton o destruiu no ano 1000 a.C., matou vários anjos e arcanjos, destruiu cidades e acabou com milhares de vidas. Esse monstro havia sido aniquilado pelo Querubim. A invocação é poderosa, não duvido que consiga resgata-lo da escuridão do infinito. – Suspirei.
– Os humanos não são nada comparados ao Leviatã. – Conclui.
Eu estou com vocês. Seja forte. E principalmente... Eu estou com você, minha filha.
Deus sussurrou em meu ouvido e a paz tomou conta de mim. Alice, que estava em meu peito, sentiu minha tranquilidade e acabou por relaxar também.
Mas logo em seguida um mal pressentimento me atingiu. Olhei em volta e logo protegi Alice com meu corpo.
– O que foi? – Dean quis saber.
– Tem algo ou alguém aqui! – Olhei ao redor e todos entraram em posição de defesa. Percebi que Esme estava sem reação, como se o medo se instalasse em seu corpo.
– Esme... – A olhei preocupada. Mas não me escutava. – Thony, saia de perto da sua avó. – Pedi e logo chegaram perto de mim. Olhei mais atenta para ela e logo uma lágrima rolou por minha face. – POR QUÊ? POR QUE NÃO CONSEGUE PARAR DE SER COVARDE? – Gritei para minha... Para aquele demônio. Esme logo sorriu, um sorriso diabólico.
– Vim apenas lhe trazer um recado, minha doce Isabella. – Esme andou em minha direção, cada passo que dava, eram dois que eu fazia minha família dar. – Olhe ao seu redor. Consegue ver o que estou fazendo? Consegue entender a dimensão do meu poder? – Rosnei para ele. – Leviatã não é nada comparado ao que farei ainda.
– Não importa o que faça, os monstros que invoque, vamos te derrotar! – Ele gargalhou.
– Só quero que preste atenção em três números... 666. – Me arrepiei. – Esse é o tempo que ainda te resta... – Esme me olhava profundamente. – Eu tinha planos para você, sabia? – O olhei sem entender. – Muitos planos... Você era forte. Inteligente. Astuta. Mas é claro, eu te fiz com um propósito... Mas ele se intrometeu! Aquele desgraçado estragou meus planos! — Não estava entendendo nada.
– Do que está falando? – Esme sorriu.
– Por que será que seu deusinho te ama tanto? Te quer tão perto dele? – Ironizou.
– Eu sou sua escolhida! Eu vou limpar o mundo da SUA maldade! – Negou.
– Ele te quer por perto porque o mal habita em você! – Neguei. Isso não era verdade! – Porque ele pode ter um filho, mas eu não posso criar algo para espalhar meu nome!
– O que está dizendo? – Meu coração acelerou e logo comecei a entender o que queria dizer, mas não acreditar!
– Você é mais que isso, Isabella... Minha Bella... – Andou em minha direção e me puxou com o uma força incrível, sem mesmo encostar a mim. Passou a mão de Esme em minha face e logo falou. – Você é perfeita, eu a criei. – Lágrimas rolavam por minha face descontroladamente. – Eu te fiz como um teste... Mas, antes mesmo de completar seus 18 anos ele a tirou de mim! Antes que eu a pegasse para seguir e trilhar seu caminho! – Neguei.
– Não... Não! – Esme sorriu. Lúcifer comandava bem aquele corpo.
– Minha pequena... Não negue. O mal está em você... Lembra quando sentiu ódio de Metraton? O que queria fazer quando ameaçou a vida da sua esposa e filho? – Matar. Foi o que veio em mente. – Exatamente... Um anjo puro não pensa assim, não acha? – Tentei me desvencilhar dele, mas sem sucesso. – Não fuja do seu pai, minha filha. – Tentou ser... Carinhoso? Ou estava só sendo irônico? Consegui me soltar dele e corri para trás.
– Saia daqui! – Rosnei.
– Quer mesmo ir contra seu pai? – Perguntou ainda calmo. – Ao meu lado você poderá viver eternamente com essa coisinha ai. – propôs.
– Não cairei em tentação! Meu Pai é Deus e não você! – Balancei a cabeça com força. – Não tente falar asneiras, Lúcifer. Eu nunca teria seu veneno correndo em minhas veias! – Ela sorriu ironicamente.
– Nunca diga nunca. Lhe dei a oportunidade... Já que quer assim... – Sua cara se distorceu em fúria. – PAGARÁS CARO POR SUA ESCOLHA! SEU FIM ESTÁ TRAÇADO, ISABELLA! – Me arrepiei. – 666... Não esqueça esse numero. – O corpo de Esme caiu ao chão, já sem vida.
Emmett correu desesperado para mãe e Alice fez o mesmo. Todos tentavam salvar o que já estava morto há muito tempo.
Cambaleei para trás e me apoiei numa arvore que havia ali. Suas palavras ecoavam por minha mente e não saiam de jeito nenhum.
Filha?
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