Amor Celestial
27 Inesperado
Notas iniciais
POV Bella.
Todos ainda estavam abalados com a morte de Jasper, mesmo tendo se passado alguns meses já. A família estava ainda mais incompleta. Alice e Thony se ajudavam mutuamente, a dor deles era realmente diferente da de qualquer outro nessa casa.
Esme tentava ser forte, coisa que estava conseguindo demonstrar, mas a noite, no meio da madrugada, era eu a ir até seu quarto a consolar. Deixar que mostrasse o que há em seu peito. Ângela e Nathalia estavam fazendo de tudo para ajudar, e Nath estava sendo um anjo para o meu Thony. Emmett, Rosalie, Letícia e os gêmeos... Bom, eles estavam aflitos. Jacob, Gabriel e Haniel... Eles viviam de segredos, conversas internas. Eu sabia do que se tratava, lógico que sabia, mas não iria me meter ali antes que me chamassem.
Dylan, namorado de Letícia, que já estava mais do que ciente do que estava acontecendo aqui, se disponibilizou para ajudar a qualquer hora. Não iria deixar a sua grande paixão se ferir... Lindo, claro, mas tolo. Nossa família é unida, mas pelo fato de existir esse amor incondicional e fraternal, tirando os casais, é o que nos torna fracos. As mortes nos abalam, a eles não. Edward, Carlisle, Jasper... Para nós foram três facadas no coração, para eles, os demônios que se feriram no inferno quando fomos salvar Metraton... Aquilo foi só para dar lugar a outro mais poderoso.
O nosso time era fraco, eu estava ciente disso. A vitória parecia cada vez mais distante, cada vez mais impossível. Mas se Ele está com todos nós, ainda tenho fé. Mas minha fé está abalada por todos esses acontecimentos.
Emmett, Rosalie, duas crianças, Letícia, Dylan, Jacob, Alice e um bebê, Anthony, Nathalia, Ângela, Esme, Gabriel, Heniel, alguns anjos e eu... Quem somos nós contra um exercito do mal composto por milhares de demônios?
Vocês são os meus escolhidos para salvarem a humanidade. Arrepiei-me ao ouvir essa voz em minha mente.
Eu estava sozinha no quarto. Ajoelhei-me ao chão e abaixei minha cabeça.
Não confias mais em mim? Questionou decepcionado.
– Perdão, Pai, eu só estou com medo... Muito medo. – Lamentei.
Confie em mim, sei o que faço. Só tenha paciência. Assenti. Hoje será um dia difícil para você, minha jovem Isabella.
–Por que o Senhor diz isso? – Fiquei angustiada.
Nossa pequena Alice dará a vida a nossa pequena anja. Suspirei. Alice estava com seus oito meses já, mas seria perigoso, um recém nascido... Só confie, minha anja.
–Anja? Será menina? – Sorri.
Sim, a nossa anja. Ela terá uma missão
–Pai... A vida da minha esposa e dessa criança... O que... Não quero perde-las. Não!
Desça agora e fique preparada, o parto tem que ser aqui. Assenti. Temos pouco tempo, logo será o dia da grande luta, Alice precisa estar preparada, ela é minha chave e você a guia dela, não se esqueça. A ajuda está a caminho.
–Sim, Pai. – Suspirei e depois o silencio voltou a reinar naquele ambiente. Ergui-me e logo sai do quarto. Desci as escadas e encontrei todos ali, reunidos e discutindo.
– Amor. – Alice sorriu a me ver, mas enrugou a testa. – O que aconteceu? – Ficou tensa quando me aproximei dela e ajoelhei-me. – O que foi? – Acariciou meu rosto. Beijei sua mão e logo beijei sua barriga.
– Só não machuque sua mãe, minha princesa. – Alice sorriu.
– Princesa? Acha que é uma menina? – Thony se aproximou e sentou-se ao lado da mãe.
– Ela é uma menina. – Suspirei. – Rosalie. – A chamei e logo se juntou a mim. – É formada em medicina, certo?
– Claro, mas por quê?
– Prepare o que for preciso para fazermos o parto de Alice. Nossa filha vem ao mundo hoje. – Rose e todos me olharam descrentes.
– Ela está de oito meses, não podemos forçar uma cesárea! – Ri sem humor.
– Eu sei dos riscos, mas Ele falou, o que Ele manda eu apenas obedeço, não questiono. – Assentiu e foi fazer o que pedi.
– Amor... — Me olhou com medo.
– Ele estará com vocês. Nada irá dar errado, ok? – Beijei suas mãos e logo em seguida, após me levantar, os seus lábios.
– Vai entrar comigo? – Neguei.
– Eu não suportaria. Prefiro ficar do lado de fora, eu só atrapalharia lá. Estou mais nervosa que todos vocês juntos. – Riu.
– Eu preciso de você ao meu lado. – Olhou em meus olhos.
– Bella está certa, melhor que seja somente quem irá fazer o parto e Esme. Minha irmã não ajudaria nada lá. – Jake me ajudou.
– Não vou conseguir sem você. – apertou minha mão bem forte.
– Eu vou só atrapalhar. – Olhei em seus olhos. – Sei que consegue. – Ele negou.
– Não sem você. Nessa minha vida, nada passei sem ter você ao meu lado. – Sorri por saber que isso era quase uma verdade.
– Exceto por 12 anos que... – Me calou com um dedo.
– Tudo de importante aconteceu com você do meu lado. – A fitei. – Descobrindo o amor verdadeiro, minha gravidez. Meu casamento. – Ri quando falou seu casamento. – O nascimento do Thony. Os momentos mais incríveis foram ao seu lado, não quero que fique em outro lugar a não ser do meu lado, no parto da Sophia. – A olhei sem entender.
– Sophia? – Indaguei.
– Sabedoria. Tenho certeza que ela puxará isso de você. – Sorri emocionada. – E você disse que é uma menina. – Acariciou seu ventre. – Gosto de Sophia. – Assenti.
– Sophia é um lindo nome, meu amor.
– Concordo. – Thony se manifestou e ri dele. – E concordo com a mamãe, você deve ir com ela. – Suspirei derrotada e ambos sorriram. Rosalie entrou na sala e logo nos chamou.
– Bella, não tenho como fazer um parto em Alice. – Estava desesperada.
– Ela tem que ser retirada dali logo. – Falei alarmada me referindo a criança.
– AHHHH. – Alice deu um grito de dor e todos a olhamos assustados.
– Amor, o que foi? – Perguntei desesperada.
– Eu não sei... Só... AHH! – Gritou e logo colocou sua mão no ventre.
– Ela está tendo contrações. – Rosalie estava espantada.
– Vamos leva-la para o quarto, sim? – Perguntei tentando recobrar a consciência. – Emmett e Jacob, a levem para lá. – Assentiram e logo a pegaram com cuidado.
– Preciso de você aqui, Amor. – Alice gritava descontroladamente. Olhei para baixo e vi que estava toda manchada.
– Sua bolsa estourou! – Rose não conseguia esconder sua surpresa. – Deus, só o Senhor mesmo. – Rapidamente ela e Esme pegaram as coisas necessárias para o parto. – Alice, se continuar assim conseguiremos um parto normal em você. Mas precisamos de sua ajuda. Sabe disso. – Assentiu.
Rose e Esme se movimentavam pelo quarto e logo voltaram para Alice. Retiraram sua calça e calcinha, logo a limparam. Alice apertava minha mão com força, uma força quase desumana.
– Eu estou aqui, calma! – Ela não me ouvia, apertava ainda mais minha mão. – Meu amor, respira... Você já passou por isso, lembra? – Olhou em meus olhos e senti que, somente quando sorri para ela, relaxou um pouco.
– Sua dilatação está quase perfeita. Suas contrações estão de 10 em 10min... Alice está quase lá.
– Meu amor, você consegue... Hey olhe só para mim, ok? – Assentiu e ficou me fitando. Eu estava uma pilha de nervos por dentro, um medo enorme de perder minhas duas mulheres, mas sabia que nada daria errado, era só um medo humano idiota. – Tudo dará certo. – Beijei sua testa.
Seus gritos estavam altos, sua dor estava me causando angustia.
– Alice, força! – Esme pediu.
Minha esposa empurrava o máximo que dava para baixo. Estava vermelha devido o esforço. Sua respiração estava descompensada e percebi que suas forças estavam indo embora.
– Não desista, meu amor, força! – Pedi apertando sua mão. Ela me encarou mais uma vez e tentou, respirou fundo e empurrou.
– Mais um pouco, Alice. Só mais um pouco. – Rose sorria.
– Eu não consigo. – Alice chorava intensamente. Entre choros e gritos de dor, fiz algo que foi por impulso.
Todas me olharam sem entender quando minha mão foi para sua barriga. Meus olhos estavam fechados e a outra mão ainda apertando a da Alice.
– Você consegue amor, força. – Pedi. Algo fluía de mim. Eu sentia uma corrente passar por todo meu corpo e se direcionar em minha mão. Alice se esforçava o quanto sua energia dava, mas percebi que não estava sendo suficiente. – Vamos Alice, FORÇA! – Gritei com ela. A mesma logo me obedeceu.
Senti meu corpo ficando fraco, sem ter um motivo aparente, e logo uma tonteira me atingiu. Abri meus olhos no mesmo instante em que Alice caiu exausta na mesa e um choro agudo tomou conta do quarto.
– Ela é linda. – Ouvi Rose comentar feliz.
– Minha neta... Como é linda. – Esme também elogiava.
– Você conseguiu. – Falei ofegante. Ela me olhou cansada e assentiu.
– Só por sua causa. – Beijei sua mão e logo olhei para minha amiga e sogra.
– Acho que as mamães querem conhecer sua mais nova integrante da família Swan. – Sorri e logo ela se aproximou de mim, com nossa menina enrolada numa toalha branca.
– Sophia. – Sorri ao pegá-la no colo. Eu estava fraca, mas ao pegá-la me senti viva, recarregada. Ela era tão pequenina, tão linda. Não dava para ver seus olhos, mas conseguia imaginar um azul intenso, idêntico a da mãe. – Minha linda princesinha. – Beijei sua testa.
– Deixe-me vê-la. – Alice pediu ansiosa. Abaixei-me com ela e logo a coloquei em seu peito. Alice sorriu boba, com emoção e felicidade. Dizia o mesmo que eu.
– Ela nasceu, meu Pai, e agora? – Perguntei para mim mesma, ainda observando minha Alice e minha Sophia.
Aproveite um pouco de sua família, minha anja, terá poucos dias para se recuperar, aliados estão chegando para lhe ajudar a combater o mal.
Sorri e assenti.
– O que foi? – Esme perguntou. Ela percebeu.
– Apenas recebendo ótimas noticias. – Sorriu aliviada. Vi o sangue em suas mãos e um péssimo pressentimento me tomou.
[...]
Três meses... Esse foi o tempo que tivemos para aproveitar minha filha recém-nascida e minha família inteira.
Esses dias foram de total atenção a minha esposa, ela precisava se recuperar e ficar forte o mais rápido possível. Percebi que, a cada dia que passava mais anjos rondavam nossa casa, mais iluminada e clara ficava.
Os vizinhos nada percebiam, mas era bem óbvio que o bem estava completamente concentrado aqui. Metraton voltou a terra e ficou conosco. Planejava algumas coisas com os meninos e sorria a me ver, mas era um sorriso sofrido para um anjo. Eu não queria questionar, não queria ter mais problemas. Eu sentia que algo estava fora do lugar, um mal me atingia toda vez que acordava.
“Você consegue sentir? Você consegue ver? Em seus sonhos o futuro é revelado a você! Tome cuidado, anja, sua hora está chegando!”
– Não temo você, demônio, o bem sempre vence o mal. Essa lei da vida nem mesmo Lúcifer é capaz de mudar!
“Não pense que é assim, mera anja fantasiada de humana!”
– Não penso, é assim!
“Tola, pensa que o bem sempre vence... Não se esqueça de que entre o bem e o mal existem humanos facilmente manipuláveis!”
– Assim como existem humanos que são totalmente da luz!
“Assim como existem humanos das trevas!”
– A guerra já está ganha!
“Ela nem começou.”
– Para o bem não existe barreira!
“Para o mal também não, derrubamos todas!”
– O meu Deus é maior!
“O meu senhor é muito mais!”
– Veremos isso!
“Encontro-te no inferno, Isabella...”.
– Não irei para o mesmo lugar que você, Azaziel!
–BELLA! – Meus olhos se abriram e logo vi que meu irmão me olhava atormentado. – O que aconteceu? Estamos a horas te chamando e você não acordava! – Neguei.
– Tive uma conversa com seu melhor amigo, Gabriel. – Ironizei e me olhou sem entender.
– Miguel se comunicou contigo? Ou Rafael deu coordenadas? – Neguei.
– Azaziel! – Arregalou os olhos e Heniel se arrepiou.
– O que aquele crápula queria contigo?– Estava alterado.
Levantei-me do sofá e andei até a cozinha, bebi um pouco de água e voltei ao meu lugar. Vi minha esposa brincando com Sophia e Thony ao seu lado. Sorri para eles.
– Ele quer me encontrar no inferno. – Ri sem humor e andei até minha família. – Como vocês estão? – Questionei.
– Melhor agora com você aqui. – Alice piscou e ri. Sorri de verdade para ela, com amor e carinho.
– Só você consegue me fazer sentir paz, sabia? – Beijei seus lábios.
– Você é minha paz. – Apertei sua mão com carinho e logo me entregou nossa filha. – Ela quer você. – Assenti e a peguei com cuidado.
– Minha princesa, a minha anja. – Sorri para ela. A mesma me olhou com intensidade, revelando a imensidão azul que eu imaginara quando a peguei pela primeira vez. Sorriu e resolveu brincar com uma mecha de cabelo meu que caiu perto de seu corpo.
– Quem é Azaziel? – Anthony questionou quando eu já estava quase esquecendo daquilo, me interagindo com minha filha.
– Thony... – Me olhou sério. – Era um anjo... Ele ensinou os homens a como guerrear, digamos assim. Espadas, facas, armaduras, o ensinamento disso foi ele o responsável por esse mal. Deus não gostou disso, e, após confrontar Gabriel e Miguel, Azaziel foi amarrado e subjulgado, claro, com o consentimento Dele, pelo anjo Rafael.
– E por que estava falando dele? – Alice resolveu perguntar.
– Não é só Deus que tem uma conexão direta com minha mente, meu amor. Estou num estado que me encontro vulnerável para quaisquer lados. Amor, não se esqueça de que anjos podem se comunicar e aparecerem para mim, mas os demônios já foram anjos. – Assentiu.
– O que ele falou? – Thony quis saber.
– Eu sinto que algo está acontecendo, meu filho, sinto o mal mais presente do que nunca. Sinto que o bem não é tão forte quanto pensamos. Mas confio Nele, confio em sua força e tenho fé. – Sorri para minha filha. – Ele sabe disso tudo e muito mais. – Ri antes de falar o final. – Azaziel é, com certeza, um grande fã meu.
– Por que diz isso? – Alice perguntou se levantando.
– Ele me quer no inferno. – A olhei e vi que arregalou os olhos.
– Para você ir lá deve morrer! – Estava assustada.
– A passagem mais fácil é pela morte, mas você entrou no inferno, não se lembra? – Pisquei. Beijei a testa da minha princesa e a coloquei no colo de Thony. – Amor, está na hora. – Beijei seus lábios e logo me apertou em si.
Aqui está o que prometi. Deus sussurrou para mim.
– Eles chegaram. – Sorri e percebi que todos se reuniram na sala quando a companhia tocou. Soltei-me de minha esposa e fui até a porta.
– É aqui que estão precisando de um bom caçador de demônios? – Sorri.
– Não só um, mas uma legião de vocês. – Ele riu e entrou sem pedir licença.
– Pois bem, família Gregory inteiramente ao seu dispor!
Vinte e cinco pessoas entraram pela porta principal, portando bolsas enormes e armas na cintura. Suas aparências não eram das melhores. Homens e mulheres, misturados e determinados a cumprirem com seu propósito. Via em seus olhos a garra e a sede pela ação.
– Não será fácil, não é nenhuma caça ao tesouro que estão acostumados. – Relatei.
– Ele nos guiou até aqui. Se isso aconteceu, é porque algo muito grande está para acontecer! – Assenti. – Nos explique, madame, por que seu deus nos quer juntos agora, depois de tantos anos?
– A história é longa, sente-se, vamos conversar!
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