Amor Celestial
31 Estratégia.
Notas iniciais
POV. Narrador
Isabella, ainda envolvida pela luz do Arcanjo, se deixou levar para o mais próximo do Pai. Sua cabeça estava embaraçada, mas seu coração... Nada se comparava a esse pequeno órgão. Ele se encontrava acelerado, mas uma dor profunda ainda habitava nele.
– Calma, já chegamos. – Rafael foi sereno com a jovem e a colocou de frente. – Sente-se, feche os olhos que logo tudo irá se resolver. – Fez exatamente o que o Arcanjo ordenou.
Isabella sentiu a luz a deixar e um vazio tomou seu ser, mas isso não durou muito tempo. Um clarão a cegou, mesmo de olhos fechados, a incomodava. Nesse clarão não era possível dizer de quem pertencia àquela silhueta, mas algo em seu coração sabia perfeitamente quem era.
Um sorriso brotou em seus lábios e logo seu coração acelerou. Não era preciso ver para sentir a presença do Pai, seu poder e magnitude já anunciava sua chegada.
–Pai. – Isabella estava de cabeça baixa, prestando respeito à luz sagrada e divina.
– Isabella, minha jovem Bella. – Sua voz era suave e acolhedora. Bella queria abrir seus olhos e olhar na face do Criador, mas a luz a impedia de sequer abrir uma fresta.
– Deus, me diga, me diga o que está acontecendo! – Implorou. Impaciente, um mal que pertencia aos humanos.
– Calma minha jovem, tudo ao seu tempo. – Tentou tranquiliza-la.
– O tempo não está ao nosso favor, meu Pai. Tudo está desandando. Perdemos pessoas que amamos e que nada trará de volta. Meus aliados estão perdendo a força e... – Foi cortada.
– Enquanto tiver sua fé em mim, força não lhes faltará! – Ficou muda e sentou-se sobre os pés.
– Estamos sem fôlego, Pai. Eu estou perdida. – Admitiu. – Não sei mais o que sou. Não sei como posso guia-los. Não sei para que sirvo! – Uma lágrima escorreu por sua face, mas uma brisa a secou de imediato.
– Não chores minha pequena. Nada está perdido. Sabes muito bem quem é, Isabella. – Foi paternal com a jovem. – Guiará cada soldado da luz para a vitória. – Ainda de cabeça baixa e cabisbaixa, ela não conseguia ter a mesma confiança.
– Me perdoe, mas... Mas o que ele disse... – Sentiu novamente um carinho em sua face.
– Que é sua filha? – Perguntou sereno. Ele temia em lhe dar uma resposta, ela conseguiu sentir isso.
– O Arcanjo das trevas estava certo? Eu... Eu sou um demônio? – Se afastou o quanto pôde da luz, mas o Divino não a deixa, ele nunca a abandonou.
Agachou-se e a envolveu em seus braços, lhe transmitindo carinho e amor. A pegou no colo e, como se fosse apenas um bebe, a alinhou e cantarolou uma musica baixinha, mas já conhecida por ela.
– Diga-me, minha jovem, o que seu coração diz? – Perguntou ainda a balançando de leve, como se a preparasse para dormir.
– Ele não mais bate. – Ele sorriu de leve.
– Bate, bate lentamente, mas bate. E sabe o motivo desse esforço? – Negou. – Amor. Quem você ama precisa de ti, e não será agora, que Anthony e Alice mais clamam por sua presença, que abandonará sua família. – Isabella ficou sem reação.
– Se o que Lúcifer diz é verdade, por que não sinto vontade de ir contra sua vontade, Pai? – Questionou. Deus a colocou deitada em uma superfície macia, como uma cama de plumas, e a ajeitou com cuidado.
– Lúcifer lhe contou uma história, não é completamente irreal, mas cabe a você distinguir até onde ele fala a verdade.
O clarão foi diminuindo e Isabella pode, enfim, abrir os olhos e fitar a frente, mas nada viu. A luz já havia sumido por completo, e o Pai voltado para o seu posto.
Siga seu coração, nada nem ninguém irá interferir em suas escolhas. Nem mesmo eu tenho esse poder.
O livro Arbítrio...
POV. Alice.
– O que aconteceu com ela? – Meu filho estava atordoado, não conseguia despertar a mãe. Mas algo dizia que estava tudo bem, para não me preocupar.
– Onde a acharam? – Jacob entrou na sala desesperado.
– Estava no sótão. – Emmett respondeu. Também estava aflito.
– Abram espaço, a deixe respirar. – Ordenei me aproximando com toda a calma que tinha. Todos me obedeceram e logo me agachei. Acariciei o rosto da minha amada e sorriu com carinho. – Meu amor, acorde. – Pedi com o coração falhando uma batida. Ela estava calma, mas eu sabia que algo ruim ia acontecer. Beijei de leve minha esposa e logo vi os olhos de Isabella se abrir.
– BELLA! – Um coro gritou atrás de mim. Bella sentou-se e colocou a mão na cabeça, uma dor forte a atingiu.
– Meu amor, está bem? – Questionei.
– Preciso de um banho e... E conversar com Anthony, a sós. – Não abriu os olhos.
– Está certo, venha, lhe ajudarei a toma rum banho. – a ergui com cuidado e a levei para o quarto. – O que aconteceu, meu amor? – Perguntei ao despir minha amada lentamente.
– Eu... Eu tive um encontro com Deus. – Falou ainda pensativa.
– O que lhe aflige tanto? – Questionei surpresa pela resposta. A deixei completamente nua e a levei para a banheira.
– O fato deu ter que escolher sozinha. – Me olhou nos olhos. Senti a angustia que transbordava em seu peito.
– E o que lhe deixa tão duvidosa? – Acariciei sua face quando já estava deitada na banheira e o corpo completamente afundado na água morna.
– Em saber até onde os fatos são verdadeiros. – Suspirou e fechou os olhos com os meus carinhos.
– Eu estava atordoada com a morte de minha mãe, mas não deixei de prestar atenção no que foi dito... – Abriu os olhos e me encarou.
– O que se lembra? – Suspirei.
– Ele mentiu amor. Você não é o que ele diz. – A tranquilizei.
– E se eu for? – Estava assustada.
– Você lutará contra isso, você é a luz, você é o bem. Nada tirará seus conceitos e sua ética. Meu amor, palavras são apenas palavras... – Me cortou.
– Mas, dependendo a ordem e contexto, machucam mais que navalhas no peito. – Acabei concordando com isso.
– Mas em quem você acredita? Crê em um anjo que traiu os próprios irmãos, ou no Pai, que lhe deu a vida? – Sorri carinhosa.
– Não sei em que acreditar. – Confessou-me tristonha.
– A guerra se aproxima, não sabe o lado que ficará, é isso? – Temi por sua resposta.
– Eu amo minha família, eu venero meus filhos e minha vida é você. Nunca duvide disso, por favor! – Implorou apertando firme em minha mão.
– Nunca duvidei. – Sorri amavelmente.
– Não sei qual é o meu lugar aqui, não sei mais o que eu sou de fato, meu amor! Temo que sejam verdade as palavras desferidas pelo Arcanjo Sombrio. Temo em ser um demônio! Mas meu coração não diz isso, ele clama pelo bem, ele repele o mal e quer proteger quem ama! – Chorou.
– O que Deus lhe mandou fazer? – Perguntei antes de falar qualquer outra coisa.
– Para seguir meu coração, nada nem ninguém tem o direito de interferir em minhas escolhas. – Assenti.
– Se nem nosso Pai, criador do céu e da terra, pode mudar o curso da vida, por que acha que aquele demônio poderá? – Ela riu, um riso de alivio, um sorriso de amor brotou em seus lábios.
– Quantas vezes terá que me acalmar? – Indagou.
– Quantas vezes for preciso para te ver tranquila novamente. – Beijei seus lábios com carinho.
Bella enlaçou minha nuca e aprofundou o beijo. Sorri com isso, mas fui pega de surpresa quando, em um único puxão, me jogou na banheira.
– Você não presta, sabia? – Falei querendo mata-la. Olhou-me com carinho e felicidade.
– Você presta, muito mais que eu. – Me ajeitou em seu peito e beijou-me novamente.
– O que faremos agora, meu amor? – Perguntei quando desgrudamos os lábios e me alinhei em seu peito.
– Eu preciso conversar com Anthony... 666 foi esse numero que ele nos deu. Creio que sejam 6 semanas, 6 dias e 6 horas. – Assenti.
– Quase 7 semanas... Precisamos de mais treino, certo? – Negou.
– Precisamos de estratégia, é diferente. –Piscou e me apertou mais forte. – Posso te pedir uma coisa? – Nos separou e olhou no fundo dos meus olhos.
– O que você quiser. – Afirmei.
– Confie em mim? – Estranhei sua pergunta. – O que acontecer de agora pra frente, não questione, apenas confie em mim? – Assenti.
– Confiaria minha vida em suas mãos, meu amor. – Sorriu.
– Era disso que eu precisava ouvir. – Selou nossos lábios novamente.
POV. Narrador.
Isabella gostaria de ficar o resto do dia com sua amada ali, deitada em seu peito e trocando caricias, mas sabia que precisava agir. Sabia que o tempo não estava ao seu favor.
– Troque de roupa e desça, convoque todos e conte sobre o tempo que temos e peça para que cada um pense em estratégias. – Bella deu ordens a sua esposa, a qual assentiu de imediato.
– E você, o que fará agora? – Indagou.
– Mande Anthony subir, minha conversa é com ele. – Beijou a testa da amada e se retirou da banheira. Enxugou o corpo e logo entrou no quarto para colocar uma roupa confortável.
– Sobre Lúcifer, você vai contar ou eu...? – A cortou.
– No momento certo contarei a todos. Temo que duvidem de mim e que não obedeçam as minhas ordens. – Terminou de se arrumar e olhou para Alice, que não vacilava em seu olhar profundo e intenso. – Eu confio em você, só você poderá saber disso.
– Tudo bem, meu amor. – Isabella enlaçou a cintura daquela que daria à vida para proteger. Respirou fundo e pegou todo o aroma que continha ali.
– Confio em você. – Alice sussurrou e logo se soltaram. Desceu as escadas e reuniu todos da família.
– O que aconteceu com Bella, minha irmã? – Emmett questionou preocupado.
– Ela teve uma experiência intensa... Precisa de descanso, mas quer você lá, meu filho. Precisa conversar contigo. – Anthony concordou e logo largou da amada, Nath, e subiu as escadas correndo. – Enquanto a vocês, temos muito que fazer...
[...]
– Mãe? A senhora mandou me chamar? – Thony bateu na porta e enfiou a cabeça entre ela. Avistou a mãe deitada na cama e com os olhos inchados. – O que aconteceu? – Ficou aflito ao perceber que a mãe, a guerreira que tanto admirava, estava abalada e chorando.
– Eu preciso de você, filho. – Suspirou e levantou-se. Thony correu a seu encontro e a abraçou forte, como nunca abraçou ninguém.
– Estou aqui, mãe, sempre aqui. – Sussurrou em seu ouvido. Uma paz encheu seu coração e logo estava chorando novamente. – Me conte, por favor, qual o motivo das lágrimas? – Quis saber com urgência.
– Sente-se, filho, precisamos ter uma conversa séria. – Ele fez exatamente o que lhe foi ordenado.
– O que foi? – Ansiava por respostas.
POV Bella.
– Há alguns anos, quando eu ainda era humana, sai com meus pais em um passeio. Havia completado meus 19 anos e estava eufórica para entrar na faculdade. – Sorri triste com as lembranças. – Mas naquele dia tudo parecia dar errado. – Suspirei. – Minha mãe havia discutido com meu pai, meu irmão defendia minha mãe e meu pai não conseguia se controlar, xingava sem se importar com nada. Era o meu aniversario, e naquele dia eu só fiz um pedido. – Me olhou atento.
– E qual foi?
– Pedi para que algo os unisse de novo. Para que a paz voltasse a reinar naquela família. Eu os amava demais para vê-los tão... Tão transtornados. – Assentiu. – Dentro do carro, já não aguentando aquela discussão, eu explodi. Gritei com todos e falei tudo o que sentia. Meu pai ficou abalado, minha mãe me olhava com lamento, Jacob parecia segurar o choro. Lembrei que era meu aniversario, pedi para que somente naquele resto de dia, fôssemos uma família unida.
– Mas algo aconteceu. – Palpitou certo.
– Meu pai, com lágrimas nos olhos, teve uma queda de pressão e perdeu o controle do carro. Os 5 segundos que permaneceu apagado foi suficiente para que chocasse contra um carro e capotasse diversas vezes até parar, próximo a um precipício. – Ele arfou. – Ninguém do carro se feriu, mas o lado esquerdo do carro, da parte de trás, foi completamente destroçado. – Arregalou os olhos.
– Você estava lá. – Assenti.
– Eu não senti dor, meu filho. Foi como se algo bom tivesse me acontecido. Eu fui rendida por dois arcanjos: Gabriel e Rafael. Quando morremos, logo de inicio tudo parece irreal. Você consegue ver seu corpo estirado no chão, consegue ver seu corpo perdendo a cor e o desespero de quem está a sua volta, mas não consegue toca-los. Você vira um fantasma.
– Isso deve dar um incomodo muito grande.
– De certo. – Sentei-me na cama mais confortavelmente. – Filho, eu entrei em choque. Os Arcanjos foram cruciais para minha sanidade e para que eu não vagasse para o mundo inferior. – Tremeu. – Eu era uma alma limpa, por assim dizer. Nunca experimentei pecado algum da carne. Eu era jovem e criada por uma família conservadora, então... – Ele riu.
– Morreu virgem, mãe? – Ri ironicamente.
– Sim. – Gargalhou. – Mas isso, segundo os anjos, me fez ter a oportunidade de virar anja da guarda. No céu, depois de anos exercendo essa função, conheci um anjinho. Ele era uma pequena criança ainda, morreu precocemente em meio a guerra. Um inocente com a alma conservada.
– Esse anjo seria... – Sorri acariciando seu rosto.
– Anthony, meu jovem Thony. – Perdeu a voz. — Você era meu melhor amigo, te cuidava e protegia como um filho. Você aprontava, era levado, mas todos o amavam. – Riu sem graça. – Era apegado a mim como nenhum outro anjo.
– Não só quando anjo. – Sorri docemente a ele. — Mas... Mas temos sentimentos enquanto anjos? Pensei que... Pensei que só vivessem por missão, para proteger e não para amar. Que isso fosse coisa de humanos.
– Se você não ama, por que protegeria? – Assentiu. – Você, querendo ou não, se apega a quem lhe é dado como protegido. Você cria um laço tão forte que nada separa, nem mesmo a morte. E assim é no céu, você se apegado a todos, mas com alguns é somente por hábito, mas outros... Em poucos você verdadeiramente faria tudo por ela.
– Esse amor veio de forma equivocada para você e Alice. – Ri de leve.
– Eu me apaixonei e amei essa mulher como nunca pensei ser possível, meu filho.
– Sua história é triste, mãe. Fico feliz em saber que me amava e me protegia desde sempre, mas sei que não foi por isso que me chamou. – Me encarou sério.
– Há pouco tempo muita coisa mudou, seu tio, seu avô e sua avó faleceram. – Suspirei. – Tudo aconteceu quando voltei a terra. Não entendi ao certo o que estava acontecendo, mas tudo se esclareceu em pouco tempo, Lúcifer estava livre. Então entendi o porquê da minha missão: Manter Alice no caminho da Luz. – Assentiu. – Não sei se você foi planejado ou foi mandado como improviso, mas foi a melhor coisa que me aconteceu. – Apertou minha mão. – Comandar a Chave e a Cura, uma responsabilidade tão grandiosa que, juro, não sabia por que não foi dada a um Arcanjo.
– Agora sabe? – Assenti triste.
– Quando sua avó morreu, eu me isolei, fui para o sótão e lá apaguei. Minha mente viajou até um local espiritual, esse lugar se chama Quietum. – Vi sua cara de confusão, então logo o expliquei. – Quietum é um local onde as almas que ainda precisão cumprir alguma missão vão parar. Podem demorar dias, messes ou até mesmo anos, mas só vão descansar em paz quando sua missão estiver completada.
– E se não cumprirem? – Suspirei lamentando.
– Vaga sem rumo. Como se sua existência perdesse completamente o sentido. Nem mesmo os Arcanjos ou demônios podem interferir nisso. – Tremeu. – Quietum não é parte do céu, mas também não pertence ao inferno, é um território neutro, é isso que precisa entender. – Assentiu. E foi pra lá que alguém me levou.
– Quem? Deus? – Neguei.
– Lúcifer. – Se arrepiou.
– O que ele queria? – Rosnou. – Te feriou? – neguei.
– Ele queria... Queria me contar uma história.
– Que história? – Insistiu em saber.
– Resumindo? – Fechei meus olhos com força. – Eu sou filha dele. – Riu.
– Não é possível, um anjo filho de um demônio? Mãe, por favor...
– Eu não nasci anjo, mas morri antes do mal me corroer. – O olhei seriamente.
– Está querendo dizer que...
– Que sim, posso ser filha do Anjo Sombrio. – Evitei tremer ou chorar. Tinha que ser forte.
– Mãe... – Seus olhos lagrimejaram.
– Ele me fez uma proposta. – Prestou bastante atenção no que eu falava. – Que se eu me juntasse a ele, o mundo seria meu. Minha família permaneceria ao meu lado e que tudo ficaria bem.
– Você aceitou tal tentação? – Ri da sua preocupação.
– “Não caireis em tentação”, lembra? – Sorriu. – Mas pensei em uma coisa que pode dar certo.
– Qual seria o plano? – Quis saber de imediato.
– Vou precisar que confie em mim, custe o que custar.
– Minha vida é sua, mãe! – Me ergui e o olhei firme.
– Não quero sua vida, meu filho. – Ri tristonha. — O Arcanjo sombrio deseja aniquilar a raça humana, assim se vingará do Pai. Esse é o seu plano central. Mas algo me diz que é algo a mais... Mas não sei o que! – Me senti frustrada.
– O que sugere?
– O único modo de parar Lúcifer é o prendendo novamente a sua cela no inferno, certo? – Assentiu. – Para isso precisaremos ir lá. Mas seus poderes serão inúteis quando alguém se ferir no mundo inferior. Entende o risco?
– Entendo que nem a senhora, muito menos Alice, vão entrar lá! – Ri da sua preocupação.
– Estarei segura, fique tranquilo. Mas você, você ficará no pelotão de frente, lutará junto com seus tios. Não matem os humanos, a não ser que seja realmente algo necessário. São marionetes, fantoches nas mãos de Lúcifer. Nada têm a ver com essa guerra.
– Mas se aliaram a Lúcifer! Nem todos são bons, mãe! – Contra argumentou.
– Infelizmente eu sei disso, mas tenho certeza que os aliados por vontade própria ficaram numa hierarquia maior.
– Focar nos líderes, é isso que quer dizer? – Assenti contente pela esperteza dele.
– Alice, Dean e Sam. Quero os irmãos com minha esposa. Confio neles, algo me diz que serão os guardas-costas perfeito! – Ri do codinome que os dei. – Jacob e Emmett ficarão na liderança contigo, mas te quero mais atrás, para auxiliar os feridos. Somos poucos, mas com cura mais rápidas. Uma vantagem. – Assentiu. – Rose, Nath e Ângela, infelizmente, terão que participar do combate. Somos poucos, qualquer ajuda é bem vida. Com as mulheres em campo, você, Emmett e até mesmo Jacob, ficarão mais focados em proteger a família e não somente em matar.
– Seu plano não é ruim. Mas ainda faltam coisas. As crianças, por exemplo. – Assenti entendo sua preocupação.
– O sótão, pelo que percebi, é um lugar sagrado. Conservava uma mesa central com uma bíblia e uma santa. Tenho que averiguar, mas ali poderá ser um santuário perfeito. Um lugar de proteção contra qualquer divindade. Seja ela satânica ou celestial.
– Você pensou em tudo. Mas... E você, mãe? – Ficou intrigado.
– Eu disse que precisava confiar em mim, certo? – Concordou. — Lúcifer consegue ler mentes humanas. Não poderia contar meu plano a Alice ou a qualquer outro, mas a você... Filho, você é celestial também, foi mandado para uma missão, renasceu para crescer e amadurecer. Sua mente é selada, os poderes psíquicos do satã não afetariam você.
– E a você?
– Também não. Ouça bem o que irei lhe contar. – Suspirei. – Irei me ausentar da grande batalha, me verá em um ponto duvidoso, mas preciso que confie em mim.
– Por que não posso saber? – Indagou.
– Por que preciso fazer isso sozinha. – Virei de costas e olhei o horizonte. O céu estava escuro, anunciando uma grande catástrofe. – O fim está próximo, mas podemos intervi nisso. – Fiquei tensa. – Mas não podemos errar nada.
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