Amor Celestial
22 De frente com a morte
Notas iniciais
POV. Bella.
Eu não aguentava mais ficar naquela casa. O ódio de Emmett e Jacob estava fazendo minha mente ficar completamente louca. Já as lágrimas de Esme, Alice e Ângela me fazia ter um aperto no peito. Eu não conseguia fazer nada para impedir o sofrimento de minha amada, e mesmo se tivesse seria impossível. Alice perdeu o irmão e o pai em tão pouco tempo que seria estranho se não ficasse abalada.
Rosalie é a única que ainda consegue manter a mente aberta e tenta ajudar a todas. Sempre é ela a lembrar a todos que temos que comer, tomar banho, nos trocar. Ela virou a mãe substituta da casa enquanto Esme ainda se recupera de suas perdas.
Thony estava se sentindo mal, duas mortes, seu tio e seu avô, e sem ter como salvar nenhum dos seus entes queridos. Mas era óbvia a resposta. Edward foi ferido no submundo, o mundo dos mortos, Gabriel e Rafael foram bem específicos nas instruções: Um ferimento feito lá era impossível de curar. Nem mesmo anjos tinham essa capacidade. A ferida era como um veneno jogado em sua corrente sanguínea. Mas a morte do Carlisle... Thony não conseguia entender, mesmo que eu tentasse, a todo custo, dizer que seu avô já estava morto antes mesmo de Lúcifer se revelar, ele não aceitava, se sentia um nada.
Por isso resolvi sair de casa sem avisar a ninguém. Precisava refrescar minha mente e pensar em alguma coisa que fosse realmente ajudar na guerra entre a luz e as trevas. Já se passava das 11 horas da noite, a rua estava deserta e um frio de arrepiar passou por mim. Fechei meu casaco com força e me protegi do frio. Estava caminhando tranquilamente pela rua quando senti um mau pressentimento. Um aperto no peito. Logo uma sombra apareceu em minha frente e me atingiu no rosto.
– Quem está ai? – Perguntei cambaleando e me recuperando do soco. Mas logo em seguido senti outro, dessa vez em meu abdômen. Curvei-me e respirei com dificuldade. – APAREÇA! – Gritei alto, mas o que eu ouvi como resposta foi uma risada. Uma risada irritante e cheia de maldade.
– Tão poderosa, mas tão frágil... – Outro soco em meu rosto, mas dessa vez em minha boca. Senti o gosto de sangue e logo cuspi tudo no chão. Mas eu não conseguia ver de onde vinham esses ataques, somente ouvia a voz. Novamente fui surpreendida quando recebi uma bancada forte nas costas e acabei caindo de joelhos no chão. – Isso, pobre e tola mortal, curve-se diante de mim! – Vi seus sapatos, couro puro e preto. Aos poucos fui erguendo minha cabeça e encontrei ali o ser mais lindo, poderia dizer que era um anjo celestial, se não soubesse que por de trás dessa beleza havia um ser maligno, que mata por prazer e ama ver a angustia dos outros. Principalmente dos seres humanos.
– Pelo visto você cansou de se esconder. – Sorri de lado, tentando não demonstrar a dor que eu estava sentindo.
– Não, brincar com vocês ao ver a morte de quem vocês mais ama é tão... Prazeroso. – Vi um sorriso largo brotar em seus lábios perfeitos. – Isabella, vamos lá! Sejamos francos, acha mesmo que vocês, seres da “luz,” vão conseguir me derrotar?
– Sejamos francos, você acha mesmo que será capaz de derrubar Ele? – Me encarou. – Vamos lá, Lulu. – Impliquei com seu nome. – Você foi expulso do céu, ele não te quis mais lá por saber do que era capaz, mas foi tão bom com você que te deu um lugar para ficar, lhe deu o inferno! – Respirei com dificuldade. – Lúcifer, sabe que se Ele se intrometer essa “guerra” acabará e você nunca mais verá uma discórdia na Terra. – Sua cara distorceu em ódio e logo em seguida senti meu corpo sendo arremessado contra um carro. O alarme não soou, mas a dor invadiu meu ser com tanta intensidade que acabei gemendo.
– VOCÊ É UM SER DESPRESIVEL, ISABELLA. – Gritou com ódio. – ELE TE TRANSFORMOU EM HUMANA, UMA RELES HUMANA, para que? Para cuidar de uma garota cuja finalidade era me prender no inferno para sempre? – Ironizou. – Isabella, você foi ainda mais tola quando aceitou isso, foi ainda mais burra ao trocar sua imortalidade e seus poderes por algo tão... Tão pouco. A Cullen não vale uma pena de sua asa! – Me ergui, com dificuldade, e o encarei com fúria.
– Alice Cullen é a dona do meu coração, por ela eu abriria mão da vida! – Gargalhou alto, muito alto. Logo sumiu e reapareceu a meio metro de mim. Esticou o braço e apertou meu pescoço com força.
– Essa sua frase pode se tornar realidade tão fácil... Mas olhe, se eu te matar perde toda a diversão! – Perdeu o sorriso. – Eu quero ver a dor em seus olhos quando enfiar a faca no coração de sua amada humana. – perdi todo o ar que havia em meus pulmões quando o mesmo pronunciou tais palavras.
– Não ouse... – Apertou ainda mais forte. – A minha dor física não lhe satisfará, Lúcifer, porque está fazendo isso? – Perguntei quando ele me jogou novamente ao chão. Dessa vez eu acho que fraturei algum osso, a dor foi mais intensa.
– Por que amo, sim, eu sei amar, anjinha. – Me olhou sarcástico. – Amo o sofrimento, a dor, a angustia. Essa sua dor física é prazerosa, mas a sentimental é mais. Que tal deixar você presa em uma linda sala, com uma bela tela, bem grande, onde poderá ver os acontecimentos? Ao vivo! Os seres humanos inventam cada coisa, mas o meu poder é muito maior, a qualidade será melhor, ok? – Brincou e logo me puxou pelo braço, justo o que estava doendo, e dessa vez foi impossível segurar o grito de dor.
– Seu idiota! Você não vencerá essa guerra, Lúcifer! Acha que poderá me manter aqui até quando? Logo vão achar você, logo tudo isso estará acabado! – Ele apenas ria enquanto me arrastava. Eu não sabia onde estávamos, mas entramos em um beco escuro e logo uma porta se abriu. Uma de ferro.
– Minha querida, creio que agora você terá que dormir um pouco. – Falou antes de acertar minha cabeça e a escuridão me tomar...
Quando abri meus olhos eu não conseguia enxergar nada além de um ponto branco no meio do preto. Tentei me mover, mas percebi que minhas mãos e pernas estavam acorrentadas.
– Onde eu estou? – Perguntei a mim mesma enquanto tentava me libertar das correntes.
– Ora, ora, ora se a nossa convidada de honra não acordou! – Uma luz forte acendeu, fechei meus olhos rapidamente e aos poucos fui conseguindo me acostumar com aquela claridade toda. Quando eu enfim consegui enxergar novamente, vi Jasper a minha frente, calado e de cabeça baixa, enquanto Lúcifer se aproximava com um chicote em mãos. Suspirei derrotada. Eu fui muito idiota ao ter saído sozinha de casa, nem um beijo na minha esposa eu dei!
– O que quer? Tortura, Lulu? – Percebi que Jasper controlou o sorriso. Depois de ver o sorriso no rosto de Jasper, percebi que aquele homem não era de fato mal. Ele tinha um sorriso encantador, agora entende o porquê de Alice ter se apaixonado por ele. – O que fez com Jasper, Lúcifer? – Ele riu.
– Apenas uma brincadeira com sua chave. Só não sabia que essa brincadeira me traria a cura e outro ser insignificante! – Rosnou e deu uma chicotada nos ombros do Jasper, que caiu de joelhos e calado. – Eu às vezes brinco com ele, sabe? Uma boa marionete. Ele estuprando sua amada, batendo nela e ameaçando aquela coisa... Eu deveria ter o mandado mata-la, mas demorou tantos anos para voltar que pensei que tinha ficado presa... Desisti da ideia. Nunca pensei que admitiria isso, mas errei. – Suspirei de alivio. Mas logo uma coisa veio em minha mente.
– O que pretende fazer comigo e com ele? – Jasper era um humano, apesar de tudo, vejo agora ele não tinha culpa!
– Pretendo fazer com que todos pensem que Jasper está ao meu lado, na verdade ele está. Não é mesmo? – Olhou para ele, que sangrava um pouco pelo ombro, e mexeu seu dedo indicador para cima e para baixo, fazendo assim a cabeça de Jasper seguir seus movimentos. – Bom menino... – Sorri. – Bom, agora que tal deixar você, digamos... Menos “anjinha”? – Perguntou.
O olhei assustada, eu sabia o que vinha pela frente. Fechei meus olhos com força quando vi que ergueu a mão com o chicote apontado para mim. A dor foi dilacerante quando a corda do chicote encontrou meu rosto, fazendo-o arder intensamente e um grito de dor ficar preso em minha garganta. Eu não daria esse gostinho a ele, não de me ver gemendo de dor!
– Pelo visto você é durona... – Comentou enquanto sentia, pela segunda vez, o meu rosto arder. Senti algo escorrer pelo minha face, e tenho certeza que não era suor. – Amarre-a de costas, quero deixar esse corpinho bem marcado. – Riu alto. Abri meus olhos, com certa dificuldade, para encarar os verdes do Jasper. Ele me encarava como se pedisse desculpas. Ajeitou-me com cuidado e colocou minhas mãos por cima.
– Vai, Lulu, sei que pode fazer melhor que isso! – Ironizei. – Por que não aproveita para fazer perguntar também? Vai que eu saiba de algo valioso? – o provoquei. Mas não espera pela chicotada em minhas costas ainda mais forte. – Ah. – gemi de dor, mas bem baixinho.
– Isabella, Isabella... Pensa que não sei de tudo o que acontece por lá? – Riu alto e começou a golpear minhas costas com força. Eu nunca pensei em sentir uma dor tão intensa como essa. Era horrível. A todo instante eu sentia que poderia morrer, o sangue escorria por minhas costas, e não era pouco. – Pegue álcool e limão. – Lúcifer ordenou. – Espero que goste do presentinho, minha cara. – Riu quando não mais resisti e acabei gritando de dor.
– AH! – O grito foi tão horripilante que até mesmo Jasper gemeu de dor comigo. Minhas costas não somente ardiam pelas feridas, mas pelo álcool e limão que foi misturado e entravam nelas.
– Você será meu bichinho de estimação, Bells. – falou meu apelido com carinho. – Todos os dias irei vir lhe visitar trazendo um brinquedinho novo, ok? – Perguntou jogando o resto do liquido.
Assim que a porta se fechou senti alguém me retirando das algemas e me pegando com cuidado. Era ele, Jasper.
– Por que está fazendo isso? – Perguntei com dificuldade.
– Eu não sou um monstro, Isabella, eu nunca quis machucar ninguém. Eu nunca amei a Alice, mas nunca faria aquilo com ela. – Me ajudou a deitar em uma cama, de bruços, que havia ali. Retirou minha blusa por completo, deixando apenas meus seios tampados, e logo começou a limpar minhas feridas. – Quando ele me deixou livre, pouco mais de quatro anos, pude fazer enfermagem, não era o curso dos meus sonhos, mas era o que eu podia fazer. – Assenti.
– Você está se arriscando, ele pode lhe matar! – Gemi de dor quando jogou agua pura, para limpar.
– Ele já me matou ao fazer o que fez com a jovem Alice e... Meus filhos! Eu sou pai e nunca pude dar ao menos um carinho à neles. – O meu corpo inteiro doía, mas as declarações de Jasper eram ainda mais sofridas. – Eu queria tanto poder formar uma família, sabe Isabella? Não com Alice, ela é sua, mas com uma mulher que eu realmente amava... Maria. – Ficou calado.
Eu não ousaria perguntar mais nada a ele. Já imagino que aconteceu com sua antiga família, sei também que a dor era grande.
– Durma, assim a dor passará mais rápido. – Concordei. Mas a dor era tão insuportável que dormir parecia impossível. – Tome, isso talvez a ajude. – Me fez engolir um comprimido. Olhei em seus olhos e não vi mais aquele Jasper que vi antes de voltar a Terra pela segunda vez e quase o matei, vi um homem bondoso, com um sorriso puro, mas um olhar sofrido. O remédio era forte e logo acabei dormindo.
Os dias iam passando e a cada lua que surgia no céu, era uma tortura diferente que Lúcifer arrumava para mim. Ferro quente, choques elétricos, ratos, afogamento... Meu corpo era todo marcado e as dores só não eram piores, pois eu tinha Jasper ali comigo, as escondidas, cuidando de meus ferimentos parcialmente e me dando analgésicos para aliviar um pouco.
Uma semana, era esse o tempo em que eu estava ali, sofrendo e vendo minha família sofrer pelo meu sumiço. Via como estava transtornada e nervosa, isso não faria bem ao bebe.
– Aquele é o Anthony? – Jasper um dia perguntou ao ver meu filho cuidando da mãe.
– Sim, meu garoto. – Ele sorriu.
– Ele é muito parecido com a mãe. – Comentou.
– Mas tem o verde dos seus olhos. – Comentei num fio de voz. Eu estava fraca e não aguentava mais ver sofrimento de minha família e de como Lúcifer estava agindo, deixando-os vulneráveis e sensíveis. — Ele a matou, não foi? – Perguntei sobre sua mulher.
– E nosso filho. – Sabia que estava chorando. Virei-me e tive a certeza. – A conheci na faculdade. Um mês foi suficiente para ama-la. – Eu sabia que o que me contava era verdadeiro. Acho que mereço e devo ouvir sua versão sobre tudo. Ele rapidamente conseguiu aliviar um pouco minhas feridas. Mas eram muitas e profundas. – Isabella, terá que ficar assim. Essas feridas levam mais de um mês para se curarem! – Ri.
– Se eu sobreviver até amanhã pode ter certeza que nunca terei um mês para deixa-las boas. – Assentiu. – Conte-me mais, claro, se puder... – assentiu novamente.
– Ele matou minha mulher quando estávamos andando no parque, com nosso filho recém nascido nos braços. Ele simplesmente a desmembro em minha frente e comeu o coração do meu filho. – Seu soluço foi baixo, mas carregado de dor. – Eu vou ajuda-la a sair daqui, Isabella. – Estava decidido.
– Sua vida está em risco. Não quero mais mortes nessa guerra. – Falei fechando os olhos. O cansaço e a dor estavam me vencendo.
– Ele tirou minha vida ao me privar de ter uma família. Durma, assim a dor passa. – Acariciou meu cabelo com delicadeza.
Eu sabia que ele estava disposto a me ajudar, não havia mais nada a perder, mas não seria muito fácil sair desse lugar. Não mesmo!
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