Amor Celestial
26 Adeus, Amigo.
Notas iniciais
POV. Bella.
– Pai, será que o Senhor pode me explicar o que está acontecendo? Que tipo de peça eu sou nesse seu enorme quebra-cabeças? Qual a minha missão? O que devo fazer? Pai me ajude! – Falei desesperada comigo mesma. Mas nenhuma resposta me foi dada. – Deus, por que não me responde? Será que agora, quando mais preciso de Ti, o Senhor me abandona? – Perguntei já ficando nervosa e levantando da cama. Uma tontura me atingiu e logo tive que sentar novamente. – Eu estou perdida! – Chorei silenciosamente.
Eu estou contigo, Isabella. Assustei-me ao ouvir sua voz ao longe. Depois de alguns minutos alguém resolveu me responder! Minha criança, tenha paciência. Riu da minha implicância.
– Eu estou com minha família correndo risco, estou com quem mais amo a beira da morte. Como o Senhor quer que eu fique? Sorrindo? – Falei nervosa.
Não quero isso, quero apenas que se acalme e tenha paciência. Pediu tranquilamente. Sentei-me mais confortavelmente na cama e fiquei fitando o nada. Logo uma luz surgiu em minha frente e a paz tomou conta do meu ser.
– O Senhor nunca tomou uma forma humana, não é? – Perguntei respirando mais calma.
Diversas as vezes que isso aconteceu, pequena.Fiquei confusa.
– Quando? Nunca o vi entre os mortais! Na verdade eu nunca vi tua face! – De certa forma o acusei.
Lembra quando sua Alice estava para nascer? Assenti. Eu estava cuidando para que ela nascesse com saúde.
– Mais foi Aro que... – A ficha caiu. – Você se fez de Aro? – Riu levemente.
Lembra quando pediu a Vossa mãe que a ajudasse, que cuidasse de Esme? Concordei mais uma vez. Fui o primeiro a chegar perto dela. Olhei mais atentamente para a luz. Quando Alice deu a luz ao Anthony, você implorou a todos para que ambos saíssem vivos. E lá estava eu, zelando por seus pedidos.
– Quando meu pequeno quase morreu. Você também estava lá? Pois quem o salvou foi Rose!
Eu estava lá. Afirmou. Suspirei e enfim pude entender onde queria dizer.
– Você sempre estará comigo, não importa onde. Pois o Senhor vive em cada um de nós. – A luz brilhou mais intensamente e sua risada foi tranquila e suave.
És mais inteligente do que pensa, Isabella. Sorri. Então creio que sabe qual a sua missão.
– Me ajude nisso, Pai. Eu não entendo... Sou uma simples anja que teve a oportunidade de voltar a Terra. Como posso ser um empecilho nos planos de Lúcifer?
Você é mais que um simples anjo da guarda, Jovem Isabella. Você é a minha segurança de que tudo irá dar certo. Sem você Alice não teria direção. Sem você Anthony nunca teria nascido. Sem você a cura seria inexistente e a chave amaldiçoada. Entenda, você é mais importante do que pensa. Neguei.
– Pai, isso qualquer um faria. Carlisle já estava colocando na cabeça de Alice que abortar não seria a melhor opção. E uma hora ou outra Thony descobriria seu poder!
Você é o elo que deixa a família unida. Você é o portal que separa o bem e o mal. Isabella, sem você os meus planos nunca se concretizariam. Você, minha jovem, é muito mais do que pensa e menos do que sonha. Sua missão é simples, mas o mais simples é o mais complicado.
– E qual a minha missão? – Perguntei ansiosa.
Lembre-se sempre de uma coisa, minha jovem. A escolha é sua!
Terminado de falar, a luz simplesmente se apagou e a paz em meu peito sumiu. O desesperou voltou a me assolar.
O que será que Ele quis dizer com aquilo? Como assim a escolha era minha? E por que tanto mistério? Pai, o Senhor conseguiu me deixar ainda mais confusa do que eu já estava!
Respirei fundo e me deitei na cama, à fraqueza estava me invadindo. A cura que Thony fez é apenas física, mas meu psicológico está completamente abarrotado de coisas: a tortura, as imagens, essa conversa... DEUS! Isso tem que acabar logo! Antes que mais tragédias aconteçam...
[...]
Percebi que adormeci quando senti mãos macias e beijos suaves por meu rosto. Abri meus olhos lentamente e vi minha amada esposa ali, sorrindo e com uma cara preocupada.
– Você está bem? Como está se sentindo? – Foi logo perguntando. Não respondi nada, apenas ergui meu tronco e segurei sua nuca com minha mão a puxando de encontro aos meus lábios.
– Eu te amo. – Sussurrei ao terminar aquele leve beijo. Ela sorriu e logo uma lágrima escorreu por sua face.
– Eu te amo mais, meu amor. – Logo a sequei e beijei sua testa. Sentei-me na cama e a puxei para o meu peito. – Você dormiu por um dia inteiro. O que aconteceu? Fiquei aflita! – Suspirei.
– Estou apenas cansada, meu amor. Perdão. – Se apertou mais a mim e descansou sua cabeça em meu peito.
– Todos estão ansiosos para saber o que viu na mente de Jasper. O mesmo ficou desacordado tanto quanto você. Acordou recentemente e está reclamando de dores na cabeça. – Me informou.
– Preciso apenas de um banho, assim estarei mais relaxada. – Nos levantamos da cama e logo me trouxe uma muda de roupa e toalha. – Venha comigo, preciso do seu corpo junto ao meu. – Falei olhando em seus olhos, sem malicia, apenas um apelo. Sorriu levemente e concordou.
Aos poucos fomos nos despimos, e vê-la ali, nua, não me trouxe tesão, mas apenas um amor incondicional. Um amor que eu já sabia que sentia por ela.
– Você é perfeita. – Acariciei seu rosto e sorriu envergonhada.
– Não tanto quanto você. – Grudou nossos corpos num abraço acolhedor.
– Vamos, preciso relaxar meu corpo antes de enfrentar tudo que vem pela frente. – Beijei sua testa e entramos no Box.
Alice fez questão de ensaboar meu corpo e acariciar cada parte dele. Mas a luxuria também não estava presente em suas atitudes e gestos. Seu carinho foi me relaxando de uma forma extraordinária e a cada toque seu eu me sentia ainda mais leve.
Fiz o mesmo que fez em mim. A limpei por completo e logo em seguida, abraçadas e sentindo um o cheiro da outra, entramos debaixo da água morna que caia do chuveiro.
– Você está tensa. As marcas de seu corpo foram apagadas, mas as cicatrizes ainda estão ai, em seu peito. – Alice não perguntou, não afirmou, não negou. Apenas esclareceu um fato. Assenti e a apertei ainda mais. – Eu estou aqui, ao seu lado, para fazer essas cicatrizes se apagarem e seu coração ficar igual sua pele. Lisa e sem nenhuma marca.
– Deus me fez de anja, mas nuca vi anjos protegerem anjos. – Riu levemente e me olhou com carinho.
– Deus faz as coisas certas, e por linhas certas. – Concordei. – Nós que não sabemos entender seu propósito e suas mensagens. Sempre entramos no caminho errado, mas Ele como um bom Pai nos orienta e nos faz chegarmos ao lugar certo.
– Você, em pouco tempo, aprendeu muito. Está tão sábia quanto qualquer um de nós. – Colei nossas testas.
– Passar doze anos sem você me fez ficar mais ligada a Deus. Eu devia odia-lo por me tirar você, mas passei a entender que tudo tem um propósito. E se você está aqui hoje é por causa disso. – Sorri para ela e a beijei com carinho.
– E se eu tiver que ir novamente? Promete que não vai entrar em pânico? – Falei me referindo a nossa antiga conversa sobre isso.
– Não vou suportar mais isso. Sabe que meu coração não aguentaria tamanha dor! – Deixou uma lágrima escapar por seus olhos.
– Olhe para mim. – Pedi quando abaixou a cabeça. – Se algo me acontecer e para o paraíso eu tiver que voltar, eu nunca irei lhe abandonar. – Soluçou. – Eu estarei lhe protegendo. Ao nosso filho e a esse pequeno ser que habita dentro de ti. – Acariciei sua barriga e a vi sorrir. – Eu estarei lhe aguardando, estarei lhe esperando para viver a eternidade comigo!
– E se demorar? – Quis saber.
– Estarei sempre ao seu lado. Olhando cada passo que dá e fazendo ao máximo para lhe orientar. Não deixarei que se perca no caminho. E não importa os dias, meses, anos, eu lhe esperarei.
– E se eu encontrar outro alguém? – Sorriu de lado ao ver minha careta.
– Eu mato esse alguém! – Me bateu.
– Ciumenta e possessiva. Características humanas, cadê minha anja de bom coração? – Rimos.
– Quando se trata de você, meu amor, não existe isso! – Me deu mais um beijo. – Eu quero sua felicidade acima de tudo. Se outro alguém, depois que eu partir, deixar isso claro! – Riu. – lhe fizer sorrir e feliz novamente, cuidando de você e dos nossos filhos, ou só tenho a agradecer!
– Por que insiste em falar sobre morte? Não vou te perder! – Me olhou com tristeza.
– Sabe o que vem por ai. Na mente de Jasper vi coisas que me deixaram ainda mais alarmada e temendo o futuro próximo. Meu amor, nosso pequeno também corre perigo! – Acariciou sua barriga e me fitou aterrorizada. Desliguei o chuveiro e peguei a toalha. – Mas eu irei protegê-la de tudo e de todos.
– Bella... – tremeu em meu peito.
– Vamos, se arrume e lá em baixo eu conto com mais detalhes. Não se aflige, meu amor, tudo irá dar certo.
[...]
– Bella! – Jacob, assim que me viu, correu para me abraçar. – Ficamos preocupados com você! – Alisou meu rosto e logo o beijou.
– Eu estou bem, meu irmão, estou bem. – Sorri para ele e logo Thony veio me abraçar. – Calma, ok? – Assentiu. Não falou nada, apenas me abraçou bem forte.
– Isabella... – Gabriel logo me olhou sério. Assenti e sentei-me no sofá com Thony do meu lado direito e Alice do meu lado Esquerdo. – O que viu que lhe deixou tão aflita?
– Ver sua esposa transando com outro te deixa meio desconsertada, sabia? – Tentei descontrair e Alice ficou rígida em meu lado tanto quanto Jasper em minha frente.
– Como? – Thony perguntou sem entender.
– Bella... Eu... Não... – Jasper tentava se justificar, apenas sorri, sem humor, e neguei.
– Não quero suas explicações. O que eu vi quero esquecer. – Assentiram. – Gabriel, Lúcifer me teme. – Todos me olharam sem entender. – Ele acha que sou uma espécie orientadora, ou algo do gênero. A peça principal do jogo. – Assentiu.
– Faz sentido. Foi você que fez Anthony usar o poder pela primeira vez. Você trouxe a noticia de que Alice era a chave.
– Lembro que quando fui ao Campos, Chris disse que eu era a escolhida dele para prender Lúcifer. Mas pensei que isso tivesse mudado e que fosse Thony a fazer isso. Agora faz sentindo seu medo de mim e sua ira em me matar! – Falei ao lembrar o ocorrido da minha quase morte.
– Você, somente você, é de fato a mediadora que Ele nos prometeu. É você que vai nos guiar, Bella. – Arregalei os olhos.
– Não... Gabriel não é... – Me calou.
– Ele não fala com nós. Não desde que você sumiu. A comunicação Dele é só com você! Bella entenda que somente você pode ser a líder da Luz aqui na Terra. Só você sabe dos planos Dele e de como isso tudo vai acabar!
– A escolha é sua... – Sussurrei comigo mesma.
– O que? – Emmett questionou.
– Nada... – Suspirei e olhei todos que estavam ali, deixando meu filho por último. – Sabemos que haverá muitas mortes. Mas quanto menos, melhor. Lúcifer disse que o tempo está acabando e com certeza ele está ao seu favor. Não podemos deixar isso acontecer.
– Claro que não, tia! – Letícia falou eufórica. Ri dela. – Quando começamos o treinamento? Vamos usar armas? Como vai ser?
– Sem armar. – Falei séria. – Demônios não morrem, já estão sem vida! – Revirou os olhos e sentou-se. – Nossa missão não é matar, mas sim prender Lúcifer. Alice precisa ganhar a criança antes de ir para a guerra. Não colocarei duas vidas em risco de uma só vez!
– Mas falta muito para meu irmão nascer, Mãe! Seis meses! – Anthony falou aflito.
– Não temos escolhas, filho. Lúcifer quer matar a criança também. Não deixarei que tire tudo de mim. Minha vida pode levar, mas não da minha família! – Ele levantou e segurou em meu ombro.
– Mãe, somos uma família e um protege o outro. Não pense em se arriscar por nós, faremos o mesmo por você! – Sorri emocionada para ele. – Vamos nos preparar para isso. Ensinar tudo que for preciso a mamãe para que nada saia errado. Vamos unir as forças e tentar não perder mais ninguém de nossa família. Meu tio e o avô foram perdas que... Abalaram a gente, abalaram muito!
– Eu sei, meu pequeno. – Beijei sua testa.
Vi quando Jasper começou a se mexer no sofá e seus olhos a mudarem de cor.
– Jasper. – O olhei preocupada e logo me soltei de meu filho.
– Bella, ele... Ele está aqui. Ajuda-me! – Implorou.
– Como posso te ajudar? – Fiquei sem entender e desesperada.
– SUA VADIA. EU VOU TE MATAR! – Gritou comigo assim que seus olhos ficaram vermelhos. Arregalei os olhos e fui jogada ao chão quando seu corpo atingiu o meu.
– Jasper! – Gritei com ele, mas o mesmo não me ouvia, Lúcifer já estava em seu corpo.
– Seu deus é um merda. A vitória é minha! – Sua boca espumava e seus olhos só se via o vermelho.
– Engano seu, Lulu. – Sorri sarcástica e recebi um soco na cara. Com certeza quebrou meu nariz. – Violência não resolve nada. Pensa que vai conseguir nos vencer assim? – Gemi de dor e ele riu.
– Solte a minha mãe, seu monstro! – Thony gritou com fúria e se jogou contra o corpo de Jasper.
– Olha, vejamos se não é a chave que ELE, o todo PODEROSO, mandou para a Terra. – Apertou o pescoço do meu filho com força, fazendo o mesmo ficar vermelho.
– Anthony! – Alice gritou desesperada sendo amparada por Emmett.
– Vou matar cada um de você, um por um. Mas vamos começar por esse moleque idiota! – Apertou ainda mais o pescoço dele.
– PARE! O LARGUE, SEU IDIOTA! – Jacob tentava se aproximar, mas alguma coisa o impedia de chegar perto.
– O filho amado de Isabella. Como pode ser tão frágil, mas me causar tantos problemas? Alice era para estar morta assim como Isabella! Mas por sua culpa elas estão vivas. Seu inútil!- O jogou com força na parede. Correu em sua direção, mas antes disso pegou um canivete no bolso e apontou para o seu peito. – Uma morte bem lenta... – Falou ao cortar seu abdômen lentamente.
O gemido de dor do meu filho me fez ficar sem reação. Mas a ira estava tomando conta do meu ser. Levantei-me e limpei o sangue de minha cara. Olhei com fúria para ele e andei rapidamente em sua direção
– Pai, não! – Mas parei ao ouvir aquilo. Prendi minha respiração e o encarei incrédula. Ele o chamou de... Pai?
Mas parece que aquilo estava dando certo. Lúcifer foi perdendo as forças sobre o corpo de Jasper, os olhos dele estavam voltando ao normal.
– Pai, o senhor é mais forte, sempre foi. Lute contra isso! Não deixe ele te dominar! – Thony o incentivava e aos poucos Jasper foi o soltando. Um alivio me preencheu todos ali.
– Eu não consigo. É mais forte... – Os olhos vermelhos voltaram e a ira de Lúcifer pareceu triplicar. Mas do nada sumiu e o azul do Jasper dominou. – Meu filho... Eu... Perdoe-me. – Pediu ao colocar no chão. Mas algo naqueles gestos me fez desconfiar. – Eu não sei como, mas conseguiu. – Sorriu. Um sorriso que aparentemente era sincero. Mas não para mim.
– Anthony! – O chamei e logo se virou para mim. Vi como estava sangrando e logo me apressei a chegar perto dele. – Foi profundo o corte? – Negou, mas gemeu de dor quando encostei a mão. Olhei de relance e vi ira nos olhos de Jasper. – Tente se curar, sabe como faz. – Assentiu. — Atrás de mim, AGORA!- Ordenei e me coloquei a frente dele.
– Mãe, calma. – Pediu tranquilo.
– Lúcifer, sei que está ai anda. Você não mais me engana. – Rosnei para Jasper, que riu levemente.
– Calma Bells, eu estou bem. Ele se foi! – Um lampejo de malicia, igual o que vi quando ele estava na cama com Alice, surgiu em seus olhos. O ciúme, ira, fúria e raiva se misturaram e parti para cima dele. – O que foi, Isabella? Não gostou de me ver fudendo com a sua esposinha? – Soquei sua cara com força, mas a minha nunca se compararia com a de um demônio.
– Cala a merda da sua boca. Seu demônio idiota! – Rosnei.
– Vamos, continue. Mate o Jasper. Menos um inútil no mundo. – Foi só ali que percebi o que estava fazendo. Saí de cima dele e vi como estava ferindo um amigo, mas não a Lúcifer. – Continue, ou terei que te provocar mais? – Sentou-se e limpou o sangue que escorria de sua boca. – Não consegue lembrar-se do meu membro entrando e saindo daquela vadia? Dos gemidos de prazer que ela dava? – Eu tremia descontroladamente. – Ou prefere se lembrar de quando a agredia e a fodia sem permissão? Confesso que era melhor ouvir seus gemidos de dor do que aquele de prazer. Muito irritante! – Dei um passo em sua direção, mas logo Alice me abraçou, chorando em meu ombro, me impedindo de fazer algo que eu iria me arrepender.
– Você, Lúcifer, você é um nojento! Escroto e sem alma! Nunca mereceu estar ao lado Dele! – Repirei fundo e com os carinhos de minha amada fui relaxando.
– Pois bem, se não querem mata-lo, eu os mato! – Sua cara se distorceu, enfim parecia um demônio. Correu em nossa direção e enfiou o canivete em meu peito.
– NÃO! – Ouvi várias vozes gritando. Olhei nos olhos dele e falei.
– Jasper. Você é humano e erra. É humano e é fraco. Deus sabe dos seus erros, mas sabe também dos seus acertos. – Falei sem fôlego. – Você amou Thony desde quando soube de sua existência. Você ama essa criança no ventre de Alice e faria tudo por seus filhos. Você perdeu sua família, tenho certeza que não quer perder a que ainda tem. – Vi amor e arrependimento naqueles olhos que eu encarava.
– Eu sou um fraco. – Falou com dor. Concordei. – Ele é forte demais para mim, Bella. Eu não posso... – Vi que estava perdendo as forças. Não resistiria por mais tempo. Retirou a lamina de meu peito e a colocou em minha mão. – Me mate. Por favor! – Implorou. Neguei. Não conseguiria fazer isso. – Eu me arrependo, mas meu arrependimento não é mais forte do que ele. Sempre serei possuído. Posso matar um de vocês sem querer. Tire minha vida, descarte meu corpo e será um problema a menos para você! – Neguei. – Eu perdi a quem mais amava. Eu perdi um filho recém-nascido. Minha vida já não fazia sentido. Se eu ferir Anthony ou Alice nesse estado... Nunca me sentirei em paz. Por favor.
– Eu não... Você me salvou. Não posso tirar a sua vida, meu amigo. – Falei com lágrimas nos olhos. A dor e a compaixão estavam em meu peito.
– Me deixe morrer pensando que fiz o bem. Me deixe partir sem causar mais mal a alguém. Ele está voltando... Faça isso logo! MATE-ME! – Implorou.
A escolha é sua. Deus sussurrou para mim.
Fechei meus olhos com força, lágrimas escorrendo pela minha face. Por favor, eu lhe imploro. Jasper sussurrou. Com apenas um golpe, rápido para eu não me arrepender, enfiei o canivete em seu coração, o fazendo cair no chão e ter apenas alguns segundos de vida.
– Me perdoa. – Pedi com lágrimas nos olhos. Alice e Thony logo correram para perto dele e seguraram sua mão.
– Eu... Eu os amo. Por favor, não esqueçam... Perdoe-me. – Seu tempo estava acabando.
– Você me mostrou que não é fraco, meu pai. – Thony deu um beijo em sua testa. – Eu lhe perdoou. – Falou com sinceridade.
– Sabe que tem nosso perdão. – Alice sorriu triste e acariciou seu ventre. – Ele saberá que seu pai ajudou a salvar o mundo. – Negou.
– Conte tudo. – Não passava de um sopro as suas palavras.
– Assim o farei. – Beijou sua bochecha e apertou sua mão junto com Thony.
Olhou de relance para mim, uma ultima olhada. Encarei os seus olhos e vi a felicidade estampada ali. Uma lágrima escorreu de seus olhos no mesmo momento que em minha face. O vi dar seu ultimo suspiro e seus olhos se fecharem.
Feche os meus com força, não acreditando que tinha de fato feito aquilo. Meu peito estava sangrando, doendo e me deixando fraca devido ao ferimento, mas minha vontade era de sair correndo e gritar para todos o monstro que eu era.
Sua decisão não poderá lhe afetar tanto. Na vida precisamos fazer coisas que nunca faríamos para seguir a diante e concretizar nossa missão. Não era Deus a falar comigo, mas sim Charlie, meu pai.
Cai de joelhos ao chão e logo me deixei levar pela dor. Obrigada, meu pai.
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