Among Other Kingdoms - Quinta Temporada
7 Uma Estranha e Selvagem Região
Notas iniciais
Depois de um tempo, Orion desfez o abraço em seu pai. Quando ele virou para trás não viu nem Artemisa ou Ben, o Príncipe respirou fundo e passou o polegar sobre o nariz. Mesmo que seu tio disse que a rixa dos dois não daria em nada, a prima disse coisas muito precisas, quem ela pensava que era? Outra insegura de si mesma. Detestava ter que concordar com os primos do outro lado, mas, Artemisa não agia como Princesa e nunca saberia ser uma Rainha. Ele olhou para o lado e apontou para fora.
—Vou procurar a Galatéia. (...) Temos que resolver. Algumas pendências. Licença. – William acenou vendo o filho sair sabe-se lá para onde.
A sala do trono ficou silenciosa, e estranhamente assustadora. As coisas passavam devagar na mente de William, ele começou a pensar: “Como Auterpe ouviu ele e seu tio sussurrando, ou ele e Estela conversando?” Onde ela estava e quando foi isso? Ele sempre dizia isso em particular, ao extremo, não era possível ela estar em algum espelho os observando, ele veria. Depois de um longo tempo, Lincan ergueu uma taça com vinho e olhou para o sobrinho.
—Por essa eu não esperava... – O outro jogou a cabeça para trás sem reação, sem saber o que falar, o tio sorria. – Agora eu entendo porque Mandrik vive te chamando de Rei de dois dias. – Houve silêncio. – Por um instante eu achei que sua esposa iria matar sua cunhada, mãe de um de seus filhos.
—Ethan não é meu filho. É filho de Estevão. – Ele retrucou de forma confusa e frustrada. – Mas, que porra! – Ele quase esbravejou. – Quando Auterpe transou com Estevão? Que droga! – Ele exclamou furioso. Lincan riu.
—Talvez quando você estava com Estela... – Ele reirou os olhos.
—Não, Auterpe só foi para Calasir na época do acordo e depois, Estevão já estava morto; e quando esteve lá estávamos sempre juntos. Como ela ficou com meu irmão? Quando?
—Que hipocrisia... – Lincan disse bebendo mais vinho. William pegou a jarra com vinho e bebeu um gole enraivado, mas, não conseguiu beber mais, seu estômago estava revirado. – Nada frágil, um pouco descontrolada, emocionalmente abalada. Uma Rainha quebrada, fragilizada, insegura e com poucos filhos... – Ele olhou assustado para o tio com a frase um pouco astuta e com um tom de percepção.
—Auterpe... Não é assim... – O tio discordou colocando a mão no ombro dele.
—Tudo o que Estela falou, desestabilizou sua esposa. – William fechou os olhos com dor. – E claro, isso não vai acabar bem para nenhum dos dois Reinos. (...) Eu não lembro da coroação de Orion se... – Ele riu divertido. – Sua Rainha esposa, não sua Rainha cunhada; falar que caso algo ocorra com ela, o filho tomará conta do Reino.
—Porque, Ruphira não precisa... – William tentou dizer de uma forma firme, ainda estava tentando saber quando Auterpe se deitou com Estevão.
—Todo Reino precisa de um regente caso o monarca não esteja em condições de governar um País, nós sabemos disso, você sabe. – Lincan deu um sorriso e William negou rapidamente; não iria dar um passo maior que sua perna, nem queria, nem tinha coragem, nem estava disposto. Muitas regras, obrigações, ele não queria tudo isso.
—Não! Eu sou um Rei honorário...
—E daí? – William bebia da jarra, um pouco mais nervoso que quando Auterpe entrou na sala do trono. – Sua esposa não está muito bem. Quase matou a Rainha de outro Reino, quase causou uma guerra.
—Tio, pare, eu não vou fazer nada... Auterpe tem razão de estar furiosa comigo, eu não fui justo, eu devia ter contado, eu devia ter dito, desde o começo, mas, não contei.
—Mas, me diz; Ruphira não é um Reino dos seus sonhos? – O outro ficou em silêncio. – Com tudo aquilo acontecendo? Convenhamos, qualquer coisa que você falar, sua esposa vai querer te matar, mas, você tem seus filhos do seu lado. Não foi o que Estela disse? “Ninguém é tão poderoso quanto aquela que divide a cama com o Rei”, no seu caso, você é tão poderoso, pois, divide a cama com a Rainha. – Talvez seja a falta de noção do que fazer, de como agir ou a bebida, mas, o que Lincan dizia, parecia fazer certo sentido, parecia uma solução. – Você ainda quer que ela seja uma Rainha amada pelo povo não é? Não quer que ela caia; perca tudo, leve todos com a queda dela... Você quer?
—Auterpe não cairia, jamais deixaria Ruphira c.
—Antes talvez... – Lincan o interrompeu e William olhou para os pés, já estava se sentindo mal. – Se ela perder a coroa, não haverá mais volta, não é? Há desespero do qual você não pode se livrar. – Havia verdade no que seu tio falava, mas, ele nunca iria contrariar Auterpe, mas, seu tio continuou. – Para uma Rainha sobreviver é bom que ela seja capaz de manipular habilmente as outras pessoas. Tanto os inimigos como os aliados. Sob o trono, os corpos deus súditos se acumularão junto com seus pecados. Você não deve permitir que a sua esposa perca. Pois, para Estela, ela já perdeu.
O Rei honorário de Ruphira deu um longo suspiro profundo e dolorido. Se Auterpe cair, tudo acaba para ela. Ela não nasceu em Ruphira, Orion é Príncipe, Herdeiro do Trono, mas, só subirá ao trono se sua mãe estiver nele ao falecer. Ele conteve um grito de raiva abafando com a mão, o que ele iria fazer agora? Auterpe não matou Estela, hesitaria em matar ele? Talvez...
Dupla infalível. Teoricamente, eles mal se conheciam. Artemisa conheceu Orion exatamente há um ano, ele simplesmente apareceu começou com sorrisos e truques, ditou regras, ensinou, a repreendeu, a manipulou; mas, também a ajudou. Era uma boa companhia, mesmo sendo um hipócrita, mas, não poupou palavras, ao chamar sua mãe de serpente, destruidora, principalmente vadia. Ela estava em conflito, mesmo que, não imaginasse, nem passasse pela sua cabeça que ela e seu tio William tinham dormido juntos, o que sua tia tinha a ver sendo que eles nem estavam juntos? Artemisa caminhou para fora da sala do trono chateada, ela puxava Ben pela mão, ela não tinha um rumo, eles estavam em meio a um fio de luz da lua, o garoto queria impedir ela de seguir, não fazia ideia do que poderia esconder na escuridão.
—Aonde vamos? – Ele perguntou receoso, foi quando ela se virou entrando em um lugar com uma brisa suave. – Artemisa... – Ela não soltava a mão dele e nem parava de andar, então ele teve que parar. – Princesa! – Ben chamou então ela parou, mas, não olhou para trás, estava limpando as lágrimas. – Por favor, espera. – Pediu tocando no ombro dela com carinho e cuidado. Aos poucos ela foi se virando para ele afundando seu rosto no peito do garoto. – Está tudo bem, estou aqui... – Ele se sentou com ela no seu colo sobre o chão. – Pode chorar...
Artemisa chorou, de raiva, de dor, por um momento estava com raiva de Orion por falar o que falou, com raiva de sua mãe por ter tido Ethan e trata-lo como filho de Estevão, quando não era a mesma coisa com ela, estava com raiva do seu pai por não proteger sua mãe, sua tia poderia ter matado sua mãe e seu irmão. Mas, ela se viu na sua tia. Reinos são conquistados com “sorrisos e sussurros”, mas, ela protegeria seu Reino com poderes e espada, Auterpe era uma Subimortal, Artemisa era uma Subimortal, elas eram fortes. Certo? Ou buscavam validação para se sentir bem?
Pelos deuses, era isso que sua mãe pensava? Ou apenas disse aquilo para sobreviver? Era assim que Max pensaria dela se soubesse que ela era Eveline? Era isso que ele queria dizer quando falou que ela era: “intensa”, ela nunca conseguia as coisas como Elisa. Sorrisos e Sussurros. Ela berrou contra o peito de Ben; Malditos sorrisos e sussurros, o que pelos deuses ela era? O garoto a abraçou com força acariciando o seu cabelo enrolando alguns fios de cabelo entre os dedos beijando a testa dela várias vezes.
—As coisas vão ficar bem, deixe a briga das Rainhas entre elas. (...) Está incomodada porque Ethan também não é... – Ele ficou em silêncio e Artemisa o olhou com olhos marejados, um semblante triste.
—Porque as coisas não poderiam ser perfeitas? – Ben olhou em volta e a fez olhar também.
—Posso julgar esse lugar como “perfeito”. – Ela parou para observar.
Eles estavam em um jardim, parecia um pequeno palácio, tinham calçadas altas, sustentadas por pilares de pedra branca e cheios de todos os tipos de árvores e flores. As paredes estavam cheias de flores que iam até o topo dando um charme com as pequenas Uma coluna que parecia sustentar o teto era feita de rocha cristalina, mais havia algumas conchas brilhantes ao redor, no local ainda possuía uma fonte no centro, e ao redor de tudo, estátuas de Pégasus de asas abertas, era um local privado, havia poucos bancos, mas, todo o local era exuberante; Artemisa não tinha chegado a conhecer o jardim que seu pai fez para sua mãe, mas, estava nele, junto com Ben. Ela deu uma fungada enquanto ele limpava as lágrimas do rosto dela.
—Como meu pai diz que eu e Orion não podemos “carregar a rixa das nossas mães adiante”? – Ela se encolheu no corpo do garoto. – A mãe dele poderia ter matado meu irmão!
—Aan... – Ben não sabia o que falar, então deu uma risada um pouco nervosa. – Acho que ela queria só assustar sua mãe. Fazê-la recuar. Eu não quero opinar... – Ele olhou para baixo sem saber o que falar. Era uma questão complicada, ele não queria falar algo errado. – Eu não quero te deixar mais irritada. – Artemisa o olhou com tom na voz dele. – Mas... Você está assim pelas palavras de qual Rainha? – A garota desviou o olhar sem saber o que dizer; era complexo, ciúmes por um homem; ela estava com ciúmes de Max e Annie. Mas, não achava certo dizer que: “dividir a cama com o Rei” tornava a pessoa mais fraca ou mais forte.
—Orion me irritou. – Ela arfou irritada.
—Ele pareceu bem desagradável mesmo. – Ele encostou a testa dele na dela por um momento. – Vocês são iguais...
—Não somos... – Artemisa gostou da proximidade que Ben estava lhe proporcionando, sua mão começou a deslizar pelo braço dele.
—Bom, vocês são Subimortais com sangue de um mortal, o pai de ambos pode ser deveras perigoso, ambos tem uma força de proteção e companheirismo, e claro; com algumas diferenças, vocês ficaram chateados por causa do que foi descoberto. Imagino você porque, Ethan não teve um tratamento diferenciado, e Orion porque, William podia ter contado para ele sobre o meio-irmão né? – Artemisa ficou pensativa.
—Meio, metade irmão. – Ela falou. Ben concordou, e segurou a mão dela antes de chegar a sua nuca, o que a deixou desapontada, mas, eles não tinham nada formalmente, ele queria que fosse especial.
—Em um ponto, vocês podem até ser quase irmãos... – A garota negou rindo, aquilo seria demais. Eram apenas situações demais, coisas expostas demais. Não havia nada de errado de não conquistar um Reino com espadas e lutas. Talvez...
Do lado oposto do Reino, na praia assombrada chamada Marjória, raramente alguém de Saphiral se aventurava por ali depois do entardecer, mas, o Príncipe de Ruphira estava arrasado demais para ver com clareza, ele só estava com a noiva e nada mais.
Orion passou uma mecha do cabelo coral de Galateia para trás da orelha dela, e beijou-a suavemente nos lábios. Ele estava chateado, sinceramente irritado, os olhos rosa claro da garota analisavam os olhos verde e azul do noivo. Ela o abraçou com força.
—Podemos esquecer o plano, se quiser, eu sei que você está sobrecarregado. – Ele negou. – Orion, você não está em melhor cabeça para seguir esse plano. Para fazer nada...
—O amor é uma coisa magnífica, mas, incidentalmente, também pode dar origem a uma terrível tragédia. – Ele disse em um tom baixo. – Aquele pedacinho de leite azedo... – Disse se referindo a Ethan. – Sei que meu pai tinha uma estranha ligação com ele. Do que adiantou eu escolher Mictlantecuhtli para fazer meu pai ter um laço maior comigo, se no fundo, Ethan é ótimo nisso?
—(...) Você não queria ser o Príncipe da Morte? – Galateia perguntou acariciando os cabelos do garoto.
—Minha mãe não gosta muito de Mictlantecuhtli, por causa de ele ter acolhido meus irmãos. Eu queria escolher Mixcóatl. – Galateia o olhou sem entender. – Ele é deus das tempestades e da caça. Seria muito divertido, eu estaria em uma caçada na minha própria coroação. – Ele começou a rir descontroladamente, enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto. – Ethan é o problema! Ele vai ocupar aquele ninho da droga da águia por pouco tempo. Depois ele vai ser um príncipe de nada! Eu odeio quando minha mãe desmorona...
—Acho que ninguém gosta. – Galateia disse em um tom suave tentando focar a atenção dele nela, mas, era em vão, Orion sabia que sua família estava quebrada, sem surpresa nenhuma, pela sua tia sem graça. – Tenta relevar... Se acalmar.
—Eu morro por você! – Orion declarou encostando seus lábios nos dela. Era o jeito mais romântico de dizer “eu te amo”. A garota sorriu.
—Se for seu desejo, eu o seguirei a qualquer lugar, mesmo que seu trono desmorone e sua coroa brilhante enferruje. Mesmo que os corpos se acumulem infinitamente acima da pilha sem fundo de cadáveres. Estarei ao seu lado enquanto você se deita suavemente, estarei com você até ouvir as palavras: “Cheguei ao fim. Acabou”.
—Eu me rendo... – O outro completou a tomando nos braços e a beijando e a tomando para si, ele precisava esfriar a cabeça antes de continuar seus planos.
~*~
A verdade foi exposta, mas, a que custo? Seu casamento com William estava arruinado, se vínculo com Estela estava completamente destruído e agora, Perseu estava um tumulo de emoções. Ela percebeu que embora tudo tivesse vindo à tona, isso não corrigia magicamente tudo. Ela ainda tinha um longo caminho pela frente em termos de cura e reconstrução da confiança, mesmo que quando o pesadelo começou, ela sentia um pequeno alivio, mas; seus olhos ao pousarem sobre seu marido mostrou outra verdade dolorosa; William estava excitado ao ver Estela reagindo, tão na cara.
Ela foi tão estúpida ao se render por um simples elogio.
Ela não era frágil? Pelos deuses, como Auterpe era frágil, nasceu amaldiçoada, cresceu quebrada e com medo. Auterpe não sabia mais o que fazer, não sabia mais como agir. Ela chegou até onde está ótimo! Era muito bom; então, porque agora ela não estava satisfeita? Sendo o que fez para estar onde estava hoje? Ela devia então aceitar que era uma Rainha de restos? Uma substituta? Outra? Estela não estava falando sério... Ela não se sentiria mal se algum homem se deitasse com ela porque ela lembrava alguém; os Deragonianos eram iguais, então era costume; comum, normal, claro, se não trocassem em quem ela desejasse. Óbvio.
Sanguinária, violenta, de âmago podre, invejosa, insegura. Ela era isso tudo aos olhos dos outros? A Rainha de Ruphira estava realmente satisfeita do seu feito para desmascarar tudo? Seu irmão estava devastado, ela nunca quis vê-lo daquele jeito, valeu a pena? Era o que ela se perguntava enquanto deixava o quarto do irmão e corria pelos corredores do castelo. Ele poderia estar reconstruído, mas, as passagens secretas dele ainda permaneciam sobre as estátuas de mármore do Salão das Pinturas; ela apenas pegou Rigel que estava com Lennus, não deu nenhuma explicação, e se escondeu. Aquela sensação de fugir e se esconder quando as coisas davam erradas era de praxe, desde criança, estava no seu sangue, se esconder e se recuperar era a melhor solução. Valeu a pena passar por tudo aquilo? Era ambição? Ganância? Inveja? Egoísmo? Egocentrismo? Aquilo nunca teria fim.
Estela era superficial, revoltante, ela era mais demoníaca do que um demônio; claro, Auterpe também estava cheia de ira e revolta, isso era porque ela era uma Subimortal que sobreviveu ao inferno, á tanta coisa. Estela era apenas uma mera mortal sem muito a oferecer além do próprio corpo e persuasão.
Era tudo culpa de Perseu, sempre foi, sempre seria... Essa sede de “alianças” o levou á Calasir, o fez mudar a lua por uma mulher que ele mal conhecia; o que ocasionou em sua gravidez, o fato é; ele mexeu com a ordem das coisas. Possivelmente com o que “deveria” ser o futuro de ambos.
Seu quarto e esconderijo de Princesa quando pequena estava intacto, algumas teias de aranha, poeira, mas, serviria por alguns instantes, por paz, as paredes eram reforçadas antigamente, então os sons externos não chegavam aos seus ouvidos. Ela fez uma rápida limpeza, e refez uma colcha nova da antiga que estava na cama, todas as suas coisas estava ali, seu pequeno paraíso quando o espelho falhava. A ventilação era boa, ela embalou o filho por uns instantes chorando, enquanto William fazia Ethan, ela perdia um filho, ah, como ela poderia avisa-lo? Aquele infeliz do Pégasus, o maldito anel, ele estava tão ocupado de olho na mulher do próprio irmão que não verificava quando as emoções do seu filho ficavam embaçadas? E Navi? Aquele Cléota sem vergonha? Havia jeitos, se ele quisesse, mas, ele queria Estela. Como ela poderia aceitar isso? Devia ter escutado seu instinto e não contado da gravidez, teria Orion em Ruphira, o criaria sozinha e se ele quisesse encher aquela fortaleza com bastardos, ele estaria livre.
Rigel adormeceu, ela virou para coloca-lo na cama, foi quando sentiu um calor vindo de suas costas, ao se virar gritou de susto e pegou uma adaga para se defender.
—Por eu da Guerra! Eu nunca te assustaria Auterpe; o que houve? Você nunca se assustaria assim... – Ela engoliu o grito e passou a mão nos cabelos. De boa aparência, grande vigor físico, corpo alto e musculoso, uma barba bem aparada, cabelos pretos com algumas mechas grisalhas, a armadura, o elmo e o símbolo vermelho, Ares, o deus da Guerra estava olhando para Auterpe com um sorriso debochado, sarcástico. – Hermes mencionou que você se casou, fiquei decepcionado que não me convidou. – Ele mexeu nos cabelos de Rigel com uma voz áspera, rouca e penetrante. – Mas, no casamento de Perseu, Hades estava.
—Porque ele é um intrometido e amostrado. – Ela olhou para o seu protetor com um olhar curioso, depois que saiu de Saphiral, Ares não entrou em contato com ela, em Ruphira ele seria repudiado, mas, estava em Saphiral. – Algum problema? – Ares colocou as mãos para trás e observou Rigel.
—Finalmente teve um filho! – O rosto dela virou para o lado.
—Tive dois. – Ela respondeu uma voz vacilante. Ares olhou para os lados procurando. – Ele está pelo Reino se interessa.
—Apenas dois? Na sua disposição, com sua voracidade? Esperava ver no mínimo 15. – Auterpe franziu a testa e fez uma careta para Ares. – Achei que Lennus era melhor nesse quesito. – Auterpe mordeu os lábios e colocou Rigel na cama.
—Não são de Lennus. – Seu coração apertou. – São de um Matável. – Ares gargalhou, não acreditava, mas, tampou a boca.
—Não quero acordar o bebê. – Disse sem arrependimento. – Mas, é um pouco engraçada a frase.
—Ele é surdo. – Auterpe disse com pesar. – Pode rir, eu mereço, dê quantas risadas quiser. – Ela esmurrou a parede e encarou o deus com fúria antes de começar a gritar a plenos pulmões. – Porque você chegou primeiro? Porque eu? Porque você me deu essa raiva incontrolável? Essa resistência e força abominável? – Ares a observou por um instante enquanto ela desabafava. Cruzou os braços e ouviu. – Quem chegou depois de você? Quem era? Porque não outro? Porque você?!
Em seguida ela começou a chorar copiosamente, se encolhendo no chão, quantas vezes Ares viu aquela menininha indefesa perante a um Reino destinado á ruínas pelo próprio irmão? Ele se sentou na frente dela com a espada sobre seu colo.
—Ódio e tristeza pertencem a você. – Auterpe o observou, ele sempre era certo. – Transforme seus sentimentos em poder. É bom que você possa continuar seguindo em frente. Não é de seu feitio atirar uma flecha que não vai alcançar seu alvo. – Auterpe segurou sua coroa nas mãos. – O que aconteceu? Porque você se casou com um Matável?
—Matei os outros 28 noivos... Subimortais. – Ela disse incomodada e revirando os olhos.
—Você teve dois meio Subimortais? – Ele perguntou exasperado.
—O primeiro foi um acidente, culpa do Perseu. – Ela puxou os fios do seu cabelo, por anos queria ter outra cor de cabelo, mas, qualquer tintura escorria como gotas de água, aquele branco nunca saia, sinal de maldição.
—Claro que foi culpa daquele reizinho de cabelos brancos exibido. – Ares também não era fã de Perseu, ele tinha um potencial para entrar em uma batalha causando estragos, mas, queria fazer as coisas mais estratégicas; prefira Auterpe nesse quesito.
—Queria ser protetor dele, não é?
—Não. Você não hesita, luta com todas as suas forças, me faz sentir orgulhoso. – Ela olhou para Rigel por alguns instantes. – Quem chegou depois de mim foi Hera; então, sinto muito, daria no mesmo. – Ele deu ombros dando um sorriso debochado, mas, Auterpe não olhou para ele, ela estava focada em seu filho, seu marido apenas disse que seria habilidoso, ele não tocava no assunto, ela não insistia, aquilo doía. – A dor tende a sarar com o passar do tempo...
—Pessoalmente, não quero que o tempo cure minhas feridas.
—Assim você vai se tornar uma áurea de ódio.
—Eu não vou abandonar o ódio. Se eu fizer, então nada irá sobrar de mim. – Ela cerrou os punhos com raiva. – Eu perdi tanta coisa, o laço com o homem que eu amei, e agora tudo desapareceu para um lugar no qual eu não posso ir. Estou acabada! – Estava evitando dar um soco em algum lugar para não chamar atenção pelo som saindo das paredes. – Eu odeio os mortais! – A exclamação saiu do fundo da sua alma.
—Para odiar algo que já amou, é um sentimento doloroso. – Ares colocou as mãos sobre os ombros de sua protegida que estava chorando. Ele respirou fundo. – Isso significa que você vai afundar constantemente na lama. Mesmo se você pisar em um lugar de onde não pode voltar, você escolhe não revelar seu grito de socorro para outras pessoas, não é? – O choro cessou por um instante, o que fez olhar para sua aliança de casamento, a fazendo torcer o nariz. – Você também o ama, penso. Você o amava desde antes de ser Rainha. Você o amava quando pediu e aceitou se casar com ele. – Ela já não sabia. – É um belo anel, claro, poderia ter sido melhor. Você merecia um mais chamativo.
—Agora, esse anel parece mais uma coleira para mim. Espero que um dia essa coleira me sufoque, mas, antes, mate William. – O deus riu pegando no colar da Rainha e puxando a única pedra de cor diferente.
—Eu te dei isso á muito tempo atrás. Na realidade, essa não é uma situação em que você pode ganhar seguindo as regras. Pelo que eu vi, Perseu quebrou as regras, outras pessoas quebraram as reagras; aparentemente, seu marido te traiu ao mentir. Você não é uma Rainha normal, muito menos uma Subimortal comum; você pode atravessar todo o campo de guerra em um único movimento.
Houve silêncio, ela não pensou realmente em usar o veneno que lhe foi presenteado aos cinco anos para se recuperar de seus medos, ela também não tinha vontade de lutar, não queria mais tentar. Ser a Rainha de um país macabro já era muito. Ela não iria conseguir seguir em frente enquanto sentisse dor, ela não ia esquecer facilmente, mas, tampouco perdoaria a ponto de ficar sentada e permitir que Estela a pisoteasse. Auterpe era Rainha dos Rubis, ela era egoísta, mas, era justa e uma flor venenosa. Mas, agora estava perdida, rendida e humilhada.
—Existe a possibilidade de você tirar alguns traços que você me presenteou? Não todos, não para sempre, por um tempo, eu não aguento mais... – O deus trincou os dentes, uma Auterpe frágil? Hipotente? Fragmentada? Seria loucura.
*
Em Calasir, os três dias passaram promissores, animados, havia sido difícil, eles se sentiam abandonados por sua mãe, estavam órfãos de pai, completamente sozinhos, esses pensamentos o faziam manter a decisão de manter seu plano de mandar os filhotes de dragão para Dragoi firme, ele não se arrependeria, apenas manteria tudo em seu controle, a era de ouro havia começado e ele não poderia abaixar a cabeça.
Enquanto ele e Mandrik analisavam sobre a melhor maneira de levar tanto os dragões, como os voluntários para Dragoi sem imprevistos. Max estava sentado em uma das poltronas com um bloco de notas na mão. Annie estava se mantendo presente quando ele não estava ocupado, ela ficava do lado dele, o fazia sorrir, era elegante, era possível conhecer ela aos poucos sem ter medo. Mas, seu olhar estava preso na janela sobre as ondas e o mar.
—O que você acha se fizermos assim? – Eilon repetiu, o que fez Max o olhar com as sobrancelhas arqueadas, não estava prestando atenção.
—Desculpe, eu... Pode repetir? – Disse se levantando e se aproximando dos dois, onde recebeu um olhar de confusão tanto do pai, quanto do Rei.
—Estava pensando no que? – Eilon perguntou com um sorriso curioso no rosto, sabia o que o amigo estava planejando, Elisa lhe contou empolgada, mas, não ouviu do garoto.
—Nada especial ou que ajude nas decisões. – Mandrik revirou os olhos rindo.
—Mas, nos deixou curiosos! – Eilon estava curioso, bastante animado, talvez, ele tivesse a alma de casamenteiro que seu pai tinha. – Conte, depois retomamos as decisões. Pode dizer.
—Ahm... – Ele pressionou os lábios um pouco sem jeito, mas, voltou a olhar para a janela. – Eu. Fiz uma promessa... – Os dois inclinaram a cabeça curiosos. – E não pude cumprir. Apenas. – Max mexeu a mão querendo deixar o assunto de lado. – Não é importante, de verdade, é sobre os filhotes? – Mandrik trocou um olhar com Eilon e em seguida tocou na cabeça do filho pegando o papel que estava na mesa.
—Já vou deixar tudo arrumado, a ideia é boa. – Ele saiu da sala do pequeno conselho e fechou a porta atrás de si, era compreensível que alguns assuntos seu filho não se sentisse a vontade de falar com o pai. Assim que Mandrik se afastou no corredor, Eilon sentou na poltrona e fez um sinal para Max sentasse a sua frente, o garoto olhou com um meio sorriso.
—Que promessa? No que eu posso ajudar a ela se realizar? – Max negou coçando a cabeça. – Nada? Tem certeza? Eu.
—A coroação dela deve ter sido linda. – O garoto interrompeu olhando para a janela, o que fez Eilon recuar. – Com certeza ela deve ter feito algo fora do normal. Será que ela gostou do vestido? Foi impulsiva? – O rei suspirou com certa culpa, não muita, estava tão irritado com Perseu que esqueceu que sua irmã gêmea seria coroada Princesa; Max não sabia de tudo, apenas a conhecia como a filha do Rei de Saphiral. – Sei que não deveria estar pensando nisso, mas... Não consigo parar.
—Ah. – Ele finalmente falou, não pensava que fosse isso. – Eu... Acho que ela deve ter improvisado em alguma coisa. – Ele riu sem jeito, assim como Max. – Aquelas regras eram bem idiotas, não é? – O garoto concordou antes de respirar fundo e colocar as anotações na frente de Eilon.
—Não sei se Annie vai gostar, mas, me pareceu uma boa ideia fazer algo com charme, mas, sem muito luxo. – Eilon se inclinou para ver as anotações, um casamento na catedral, com flores e velas como decoração bem detalhada. O que fez o outro sorrir como a ideia do outro era fabulosa, com certeza seria inesquecível.
—Tenho certeza que ela vai adorar! – Ele exclamou, em seguida apoiou a cabeça com uma mão. – Mas, você está feliz com a Annie? Assim, porque, para dar um passo desses é pra toda vida. Se você se arrepender, se.
Max rodou o anel que estava em seu dedo e sorriu brevemente.
—Eu sei, mas; ela é incrível. Ela é uma rocha pra mim, sei, que quando qualquer coisa sair do controle, eu vou ter ela para me apoiar, me acalmar e me fazer sorrir. –Houve um suspiro. – É o lado bom, ela será uma boa esposa, ela é uma garota excepcional. Eu seria um idiota se deixasse ir embora.
—(...) E Artemisa? Não iria ficar comparando as duas? Ficará pensando muito na princesa do outro lado? – Max passou a mão sobre os cabelos de uma maneira reflexiva.
—Nem tem comparação; só queria ver até onde Artemisa foi; é só curiosidade. Aprendi a deixar ser a Princesa que ela realmente é, com espada, com poderes e impulsos... – Ele deu de ombros um pouco saudoso, seria um processo difícil, mas, ela já estava muito mais á frente em questão de sentimentos. Era o que ele pensava.
Naquela tarde, todos os arranjos já estavam feitos para levar os dragões e os voluntários da Ordem do Dragão para Dragoi. Eilon seguia no ar montado em Ronar, com os três filhotes seguindo o dragão maior como patinhos atrás da mamãe; ele mantinha os três próximos, mesmo do tamanho de gatos, seria muito fácil um se perder. Por isso, bem mais atrás, Ethan fazia guarda montado em Vieno; no navio iam Greta que estava animada, a garota praticamente já mantinha em mente como manteria não apenas os filhotes de dragão, assim como os outros quatro bem comportados. Simon tentava não rir das falas da garota. Eles eram uma equipe, mas, ela não poderia tratar os filhotes como gatos para sempre, logo seriam tigres, ursos e assim por diante. Elisa, Elora e Annie acompanhavam pelo barco.
A Ordem, do Dragão era formada por Greta, Simon, Philip, Charlie e Magno; os primeiros cinco, os primeiros voluntários que conseguiram ditar os comandos básicos, eles iriam se revezar para proteger e cuidar dos filhotes de dragão e dos futuros ovos de dragão que vierem a seguir. Não dava para negar que era uma imensa responsabilidade, aliás, a dinastia que Estevão criou há uma década e meia antes estava seguindo, e eles eram responsáveis por esses costumes não morrerem.
Elora por outro lado estava meio dividida, não queria afastar os filhotes dos outros dragões, parecia mais um castigo para os filhotes do que para os supostos filhos que sua mãe teria com Perseu. Ela até tentou conversar com Ethan sobre isso, mas, ele se mantinha firme como uma rocha, ela apertou levemente os pulsos, nem sempre ela queria conversar com Ethan, nem queria mais ficar tanto tempo sozinha com ele; aquelas linhas de sangue brotando de suas veias a assustava, mas, ver seu futuro esposo as lambendo, era muito mais apavorante. Por isso, ela gostava de ficar com Elisa e com Annie, e em Interlok na presença de Carlota, era uma distração, e ela sabia que era sua segurança, não podia contar para ninguém; para quem ela contaria? Sua mãe estava longe, seus irmãos mais velhos, estavam muito ocupados, seu avô do outro lado do portal, e seu pai; estava morto. Mas. No caso de Elora e Ethan, mesmo se Estevão estivesse vivo, ela não acreditava que teria algum efeito romper a futura união deles.
Assim que chegaram a Dragoi, Eilon foi recebido pelo sacerdote do Templo, ele explicou exatamente tudo o que já tinha dito á Ordem do Dragão; como haviam mais dragões do que cavalheiros, como futuramente poderiam vir mais ovos, e aqueles cinco eram de confiança tanto do Rei quanto da Rainha de Calasir, eles seriam os responsáveis pelas feras, pela segurança da ilha, do templo, honrando o Grande Dragão, e também contando que com a falta de perigo, eles não cresceriam muito, apenas deixassem a Ordem do Dragão assumir tudo como já havia sido instruído. Após todos se acomodarem, arrumarem lugares para os filhotes, e aproveitarem de um bom lanche da tarde, a realeza de Calasir voltou para Drakoj, Ethan e Eilon pelo ar e as meninas de navio. Havia um motivo especial para Annie ir para essa tarefa e Max não. Chegando ao porto Elisa deu um enorme sorriso para a dama de companhia enquanto desembarcavam. O que causou uma leve estranheza.
—O que houve? – Elisa não precisou enrolar muito, Max estava com um grande pacote nas mãos esperando pela garota que ficou ruborizada por alguns instantes, assim que ela pegou a caixa sentiu o peso e se inclinou junto com Max para segurar. – O que é isso? – Ela perguntou rindo. Na qual o garoto não conseguiu responder sem corar.
—É... Seu vestido de casamento. – A garota ficou boquiaberta, já pronta para abrir. – Não! Espera! Eu, não vi, e não quero que dê azar no casamento, quem escolheu foi Leodak; e baseado no que eu descrevi de você, vai ficar lindo. – Elisa correu para o lado de Eilon apertar a mão do marido com felicidade, era como um sucesso que eles conquistaram.
—Você viu?— Elisa perguntou baixinho para Eilon que negou rindo.
—Eu só vi os preparativos.
—E quando vai ser esse casamento? – Ethan perguntou curioso com um sorriso debochado segurando a mão de Elora com suavidade e delicadeza, o que a deixou mais tranquila.
—Eu, acho que... Em cinco dias? – Max perguntou animado para Annie que concordou, eles já haviam dormido juntos, então era melhor casarem logo.
—Já? – A voz de Mandrik falhou por um momento.
—Sim; Navi terá voltado, o portal vai estar fechado, será perfeito para a união de vocês dois!
Eilon disse com orgulho na voz e tristeza na alma. Mesmo que, com o portal fechado significasse que sua mãe ficaria do outro lado com aquele Rei; Artemisa não tinha chance de aparecer como uma entidade do nada. O que, em partes preocupava tanto ele quanto Elisa. Esperava que Ben a manteria feliz por muito tempo. Rezava aos deuses que sim.
Mesmo que Artemisa se esforçasse ao máximo para fazê-lo deitar-se com ela, o garoto sempre recusava, eles não tinham o certo grau de intimidade que ele pretendia antes de se deitar com ela; ele queria uma ligação emocional mais forte, o que a Princesa nem sempre parecia entender.
╫╫╫╫╫╫╫╫
Primeiro amante...
Sabia disso. Não era direito de reclamar dos casos antigos; na época Estela estava casada, Perseu só não imaginava que ela se deitaria com William. Era uma flechada em seu peito, mas, a ponta não era tão afiada; sabia que Estevão era um monstro; mas, a gêmea magoada, era triste. Auterpe queria ferir Estela e Sísifo, demonstrava quão quebrada ela estava. “Gêmeos amaldiçoados, sem amor e sem laços.”
Saphiral e Ruphira não possuíam um acordo, a aliança deles era por serem irmãos gêmeos. Safiras e Rubis eram pedras irmãs, Safiras eram feitas com a essência do amor, os Rubis feitos com a essência do prazer; embora, juntas conseguiam manter a harmonia em meio ao caos que transformou Pardóx.
Eles só queriam a felicidade, a companhia de alguém que não os temesse, que pudessem confiar, que pudessem construir algo. Perseu não sabia se conseguiria ficar do lado de Auterpe; havia dor, mas, por motivos diferentes. Era uma confusão em sussurros.
Seu peito doeu, e se debruçou sobre a varanda, foi quando sentiu a presença de alguém, ao se virar se deparou com Hera.
Seus longos cabelos loiros acobreados, olhos violetas perfeitos, feição intimidadora, a coroa deslumbrante de Rainha do Olimpo e a capa com penas de pavão sempre deixava Perseu alarmado. Ele fez uma reverência e abriu a boca para cumprimenta-la, mas, não conseguiu.
—Você sabia que muito estresse prejudica o bebê? – Disse caminhando pelo quarto. – Como esposo, pai e Rei; é o seu dever poupar sua esposa de situações delicadas como essa! – Ele pressionou os lábios. – Você não estava presente, o que esperava? Ela pode morrer ao dar a luz á um Subimortal. – Perseu tentou falar. – Você tem que ser bondoso com ela, compreensivo, completamente tolerante; não pode ser conveniente com o erro da sua esposa... – Ele ergueu uma sobrancelha, Hera além de hipócrita era autoritária. – Não pode irritar ela, não pode ofendê-la; muito menos podia ter expulsado ela do quarto! Ela está sendo fiel á você! Ela não era fiel ao falecido, mas, á você; ela deixou o outro lado por você!
—(...) – Perseu ficou olhando para a deusa, então respirou fundo. – As notícias correm...
Hera cruzou os braços.
—Que casamento estranho...
—Está me julgando? – Sua expressão demonstrava exaustão. – Eu tenho todo direito de estar magoado, de ficar bravo com minha esposa e meu cunhado! A dor é insuportável porque eu confiava nele! – Hera revirou os olhos. – Achei que tudo daria certo. Mas, Auterpe; ela... – Perseu cerrou os punhos. – Como não vou pensar em algo que é claramente uma traição?
—Não é traição da sua esposa! Traição de confiança não é o mesmo que traição física ou carnal. – Perseu revirou os olhos. – Hey!!! Vocês são apaixonados um pelo outro, seu casamento é união de almas, fogo e sangue, se você está sentindo dor, ela também está. – Houve uma pausa. – Ignore o antes, repare no agora; é sua responsabilidade ter um cuidado especial com ela! – Ele fechou os olhos com força, queria se concentrar.
—Sei das minhas responsabilidades; quero ter um casamento feliz, eu só preciso pensar. – Hera respirou suspirou. – Não tenho o direito de ficar chateado?
—Só lembre que vocês ainda não estavam juntos; nunca soube que vocês fizeram uma promessa de amor. Use a sabedoria que Atena lhe deu para ver através da ira da sua irmã. Você não é mais uma criança impotente; quero que veja que não poderia tratar sua esposa assim...
—Eu sabia que ela faria isso! – Atena surgiu como uma ventania de penas de coruja. – Mortais são nojentos, são infiéis e cruéis! – Ela encarou Perseu. – Eu escolhi proteger um Rei guerreiro, um Rei que não cometeria erros, não deixaria rastros, não iria cair aos encantos de vadias. Mas, não, você resolveu agir como um idiota, se arriscar por uma desleal ao marido, ao amante, aos demais!
—Atena, calma... – Hera falou.
—Te moldei para não ser tão nobre a ponto de arriscar a sua vida por um amor repulsivo! Isso não é só uma vergonha para mim, mas, também para você. Você deve limpar sua culpa por me desafiar por aquela coisa insignificante! Use seus poderes! Não para os mortais, para os Subimortais! – Ela berrou, Perseu sentiu seu interior queimar, estava abalado internamente, queria processar. Porque ele não podia simplesmente ter um momento para sentir o que descobriu por Auterpe? – Nós zombamos de seus desejos desesperados e pisoteamos como insetos! Você não é um covarde, você é tão forte quanto eu te prepa.
—Fui infeliz. – Ele a interrompeu, com chamas nos olhos. – Matou minhas noivas Subimortais porque eram distrações? Ou porque você estava atraída por mim?! – Atena franziu o cenho e em seguida agarrou o pescoço dele, Hera ficou surpresa. – Não consigo ser feliz com Subimortais, não posso ser feliz com uma Mortal, o que você quer? Ganhei todas as batalhas que você queria. Você não que me matar. Querida Atena... – A voz de Perseu era presunçosa, Atena apertou o pescoço forte o suficiente para ele perder o ar, mas, ele lutou.
Ele não iria ceder, sacrificou-se para chegar onde estava; principalmente por Estela. Conheceu e viveu com o desespero, lutou contra o passado, tinha que enfrentar a realidade do momento, amava Estela. Atena era amarga, as batalhas a tornaram imbatível, cega e egoísta. Quando seus lábios já estavam roxos, o redor dos olhos vermelhos, ele se incendiou, queimando as mãos dela, subindo pelos seus braços, fazendo ela o soltar; Perseu caiu no chão puxando ar, segurando o pescoço encarando a protetora.
—Quando tudo estiver manchado, quando você entrar em profundo desespero, porque eu sei que vai, antes de abrir mão da sua nobreza e coroa, se lembre de que você não nasceu para ser feliz! – Ela gritou furiosa saindo assim como chegou, de repente. Hera se aproximou do Rei.
—Está bem?
Perseu acenou positivamente, quase teve seu pescoço quebrado, então começou a refletir; ele estava mais magoado de não ter estado por perto, de não ter se feito presente. William parecia tão confiável e “prestativo”, não deveria ter confiado tanto nele; suas emoções falavam muito alto, havia um estrago emocional e havia um ponto muito crucial em sua mente; Estela traiu Estevão duas vezes; desejava ter certeza de que ela não o trairia também. Ele precisava analisar com calma, levando tudo em consideração e todas as implicações. Perseu nunca experimentou o amor por muito tempo, agora que se casou, não sabia o que fazer. Mas, percebeu que expulsar Estela do quarto foi errado.
Fale com o autor