Notas iniciais
Cá estou eu, toda capenga de sono... Depois de 41 dias... ~Capítulo de Primavera~ Como eu podei esse capítulo, só o word faz ideia... Não ficou como eu imaginava; talvez semelhante do que eu gostaria... ~Enjoy~♥

Auterpe aprendeu que gritaria era a linguagem dos fracos, dos que agem por falta de uma razão. Gritar e ameaçar evitava ataques físicos. Assim que saiu do esconderijo com Rigel, todos estavam dormindo, e o único som era do vento sobre as árvores. Ela ainda sentia dor, apatia e incompreensão de tantas promessas e desejos, traindo sua confiança. Nem queria pensar em Estela, Rainha vulgar que não poderia fechar as pernas e ignorar o cunhado. Seu coração estava despedaçado, a mente um caos; ela caminhou até o berçário do castelo.
Não sabia se era para os bebês de Saphiral ou para os futuros filhos que “hipoteticamente” teria com Estela. Os bebês eram cuidados por jovens nomeadas: “vigilantes”. O berçário era extenso, com vários berços e vigilantes á disposição, uma jovem se aproximou de Auterpe que beijou Rigel e o entregou onde ele foi colocado no berço, coberto e sendo cuidado. Auterpe respirou fundo, precisava ver William.

Cada passo causava uma sensação diferente. Era como estar de luto. Um luto que ela aceitava; não era desvio de caráter, toda a visão que ela tinha do seu marido, sua relação, casamento, laço e convivência a fazia repensar; ela se casou com William por medo de morrer sozinha, como ela foi idiota.

Repensando, quando eles se casaram, mal o conhecia realmente, a não ser uma vez no ano. Quando ela perdeu a confiança nele? Já estava traumatizada quando perdeu os filhos, quando descobriu que Rigel era surdo; emocionalmente era muito desgastante, traumático. Sua autoestima estava prejudicada, ela estava furiosa, chateada, agoniada; precisava do ódio. Honestamente, se fosse perdoar William não poderia se vingar. Mesmo que, a ideia de vingança fosse extremamente atraente.

Chegando à porta do quarto, ela respirou fundo; nunca poderia dar poder para William, ou ele se tornaria cruel. Ele nem precisava; ele tinha charme, dormia com mulheres poderosas e perigosas, tinha influência nelas, existia coisa mais cruel que isso? Assim que entrou viu William de pé na varanda, de costas para a entrada.

—Nunca fique de costas... – Ela falou fechando a porta atrás de si. Ele se virou e suspirou aliviado em vê-la, ela não foi embora. – Seus ouvidos podem te enganar. Alguém poderia te matar.

—(...) Poderiam tentar... – Ele mostrou uma adaga de ponta fina e pontiaguda, dando um meio sorriso que logo se desfez. Auterpe se sentou na cadeira trancando a porta e cruzando as pernas apenas o encarando como se fosse arrancar a alma do corpo dele. William engoliu em seco, se sentando na cama esperando ela falar algo. – Está brava porque eu não me impus para ficar com Orion durante a infância dele? Por não ter ficado com você? Por.

—É muita cara de pau a sua! – Ela o cortou elevando a voz. – Você deseja daquela meretriz! Como você fez uma coisa dessas comigo?! – Ela berrou se aproximando com fúria, seus cabelos estavam se arrepiando aos poucos. – Seu Matável ignóbil! – William tremeu se levantando, andando para trás. – Não se afasta!!

Ele sorriu nervoso desviando dela.

—Não estou gritando... Posso explicar se você me ouvir querida... – Ele mantinha o tom de voz paciente.

—Não me chame de querida! – Ela socou o peito de William com força o fazendo perder o ar e cambalear. – Você só veio atrás de mim, pois, eu era a única estúpida e inocente para não ver que você queria Estela... Eu não precisaria usar um lençol branco... – Ele olhou para Auterpe recuperando o ar e negou veemente.

—Não é verdade, você tem algo diferente e chamativo. – Sua voz era pausada. – Não precisa ficar com raiva disso... – William tentava explicar, mesmo recuando. –Não conhecia você nessa época, não tem porque ficar com raiva disso... O que Estela disse; foi para se defender de.

—(...) – Ela ergueu a sobrancelha com raiva. – Você é o problema; ao menos aquela vadia tem razão nisso... – Disse friamente, seu rosto estava vermelho. – Você me viu como acessível! Precisava de algo mais real e palpável, visualmente e fisicamente! Poderia ter me avisado que queria ocupar a cama dela!

—Não... – William apertou a glabela negando.

—Duvido se eu tivesse cabelos ruivos, pretos, loiros, outra cor; você estaria casado comigo!

—Óbvio que não é verdade... – William conseguiu falar. Auterpe sempre foi atraente e sensual, e ele era o libertino de primeira classe da corte de Estevão.

—É verdade sim! Você só viu a porra dos cabelos brancos e os olhos verdes e falou: “Nossa, ela se parece com Estela.” – William congelou, todos pensaram. – A personificação dos seus prazeres. – Houve uma pausa. – Seu irmão não se parecia com você, grandão e selvagem como um leão... – Ele ficou ofendido, magoado e olhou incrédulo para a esposa, ela estava se gabando de ter feito isso? Ele virou o rosto disfarçando o desconforto. – Ele era repulsivo, um crápula, nunca deixou de ser. Ao contrário daquela cadela. Destruidora de casamentos! – Auterpe respirou fundo, como se puxasse todo o ar do quarto.

—Quando Ethan foi concebido, nós não éramos casados!

—Ela era! – Exclamou. – Desde Perseu. A vadia não se importou...

—Você não queria seu irmão feliz? – Ele respondeu com um sorriso nervoso.

Auterpe segurou o esposo pela gola e arrastou seu corpo até suas costas baterem na parede.

—Que Perseu afunde no Tártaro! (...) Porque não escolheu Rigel? Preferia estar morta, sem saber sobre Ethan, do que perceber que sou a personificação da sua fantasia! – Ela berrava. – Aquele maldito sorriso. Diabólico como o seu... Você estava de pau duro quando Estela me confrontou. Você se excitou! – As lágrimas começaram a escorrer pelos olhos de Auterpe.

—Foi involuntário, sem querer... – Sua voz tremia.

—Sem querer?! Como faze um filho?!

—Achamos que não ia dar em nada! – Ele gritou.

—Porque não envenenou Estevão? – William observou a expressão da esposa que desconhecia. – E fugiu com Estela? Porque não foram viver a deslealdade de vocês na garganta do inferno?! – As unhas dela começaram a machucar a clavícula dele. Que segurou os pulsos dela não para machucar, apenas para fazê-la parar. – Você desejava tanto ela, como vou te olhar e não achar que você está pensando naquela desgraçada?! Aquela farsante de Rainha, aproveitadora, destruidora, escória de cabelos brancos, e reprodutora dourada! Eu a odeio! Eu devia ter perfurado aquela pele frágil dela.

Ele respirou fundo, se controlando.

—Porque não! Ouça o que está falando... Preste atenção amor. – Ela se afastou o soltando. – Sei que está brava, mas, quando aconteceu, nós nem éramos casados, só tínhamos um acordo e.

—E promessas vazias! – Ela arfou. – Se Perseu não tivesse casado com Estela. Se eu estivesse em Pardóx... Após a morte de Estevão, quanto tempo vocês estariam trocando fluídos? – Ele fechou os olhos se controlando. – Demoraria quanto tempo você se deitar com ela se Perseu não tivesse voltado?

—Eu... – Ele analisou a situação. Quando Estevão morreu, William estava preocupado com a sobrevivência dela. – Auterpe, você estava grávida e ferida. Eu te amo! Provavelmente quando eu fui atrás de você, no meu inconsciente, eu imaginei Estela. Mas, com o tempo, eu preferia você, queria você, por isso eu me casei com você! – Ela inspirou fundo de forma angustiada.

—Eu fui contra tantas regras. E você... – Havia lágrimas escorrendo pelos seus olhos, ela não tinha mais força. – É o problema?!

—Sei que está brava.

—Não acredito que você casou comigo porque não conseguiu casar com ela! Você se excita ao vê-la! Isso é humilhante... Seu desprezível! – Sem alternativa, William a prendeu em um abraço apertado, forte, quase confortante, porém, sufocador para conter os gritos, estava prevendo um surto e histeria.

—Lógico que não; eu casei com você porque eu te amo; esqueça o que aconteceu comigo e Estela; já passou, mas, nós estamos começando agora! Entendo que você me odeia agora, e se você quiser se afastar de alguém, de mim... – Após dizer isso, ele transferiu um tapa em seu rosto com força. O que o desestabilizou, ele colocou a mão sobre o local e olhou para ela, tentando mexer a boca, a face estava ardendo e pulsando, uma onda de choque foi jogada nele; que cambaleou um pouco se sentando á cama respirando fundo. Estava assustado, foi pego de surpresa.

Ela deu alguns passos para trás, paralisada, William estava imóvel, ele era frágil, era um Mortal. Seu peito doeu, seu coração vibrou. Seus olhos se arregalaram, pelos deuses, suas mãos começaram a tremer, Estela tinha razão, ela era sanguinária, violenta, ela poderia ter matado seu marido com o tapa. A Rainha de Ruphira colocou a mão na boca e caiu de joelhos chorando, de uma forma profunda e dolorida.

Onde está o meu final feliz? Eu nunca pedi nada de mais...— Ela começou a sussurrar para si mesma. William tentou relaxar o corpo e se aproximar dela com cautela e atento. Estava vendo a cena dela derrotada e profundamente ferida, ele observou ela soltar os cabelos que caíram sobre o seu rosto. Tudo estava um caos, principalmente porque sua garganta começou a arder. – Maldição!

Auterpe... Eu não sei o que você quer que eu diga... — A voz dele saiu baixa.

Eu, não consigo mais...— Seu tom de voz era o mesmo. – Que tipo de Rainha eu sou? Uma quebrada? – Ele suspirou; Lincan tinha razão, Ruphira poderia ruir foi quando ele ia falar algo. – Não aguento mais olhar para você, ouvir você, sentir o seu cheiro... – Auterpe olhou para ele, com olhos escuros de ódio, estava cansada.

—Você é uma Rainha forte, que não pode quebrar! – Ele passou a mão nos cabelos se sentando no chão. – Não importe o que eu fale... Você não quer falar comigo, também não é a personificação da minha fantasia... – Ele desviou o olhar. – Se você quer saber... Estela foi a primeira mulher de cabelos brancos da minha vida, não vou omitir... Acontece que agora você é a mulher para o resto da minha vida; e podia ter o cabelo diferente, você não é igual á ninguém. – William precisava recompor sua Rainha, mesmo que estivesse tremendo, de nervoso e de medo.

—(...) Aos seus olhos sou parecida com...

—Pelos deuses Auterpe! – Ele gritou irritado de voltar no assunto. – Dá pra esquecer a Estela? – O tom abaixou. – Foi a porra de um erro! Ethan foi criado como filho do Estevão, será que não dá pra você enxergar isso? Sei que a situação é ruim, já sei que vai ter o castigo do seu silêncio e do seu mau humor. – Ele fechou os olhos. – Prometi ser fiel a você! Não preciso da Estela, eu preciso de você... Orion e Rigel precisam de você; Ruphira precisa de você. (...) O que eu posso fazer para você me perdoar?

O quarto foi tomado por um vento frio e arrepiante. A atmosfera pesada, diferente de quando eles se casaram, de quando se apaixonaram. Ela o encarou que fez o mesmo.

—Ainda estou pensando se sou capaz de lhe oferecer perdão. – Ela elevou o rosto. – Você quebrou a minha confiança. – Ele ficou em silêncio. As marcas do choque de Orion eram mais fracas que as de Auterpe, que ardiam. – Você sabe quanto tempo um corpo demora a se decompor em um lago gelado? – William negou estranhando com uma expressão confusa. – Até uma década. Talvez meu perdão seja como decomposição.

William não conhecia essa Auterpe, fria e distante, era como outra face, nem chegava perto de como Estela ficava; era como se uma áurea o repelisse. O silêncio se instaurou no quarto; com reclusa, Auterpe deitou na cama com William, de lado opostos, não houve palavras. Foi à primeira vez, que dormiram sem se beijarem, sem toques, sem palavras. Sem meio-termo, apenas confusão, uma sensação de perda. Ele contava que o silêncio e a briga não durariam muito tempo.

ΦΦΦΦΦΦΦ

De manhã, os dois se levantaram em silêncio, descansaram muito mal, era desconfortável o ambiente no quarto, sem trocarem beijos ou cumprimentos, cada um trocou de roupa, ambos foram buscar Rigel e seguiram para a mesa do desjejum. Enquanto todos ocupavam seus lugares á mesa, Orion apareceu pela porta lateral.

Kalimera! – Houve um silêncio quando ele entrou de mãos dadas com uma garota “nova”. – Estão bem? – William ergueu uma sobrancelha e apontou para a garota. – Ah, essa é a Massipinoa, é minha futura esposa. – Se havia alguma respiração tensa no local, ela se dissipou com o anúncio.

—Aan... – Lincan soltou uma gargalhada. – Mas, e a...

—Ela é minha noiva. – Orion tocou no rosto de Galatéia com um sorriso apaixonado, que estava esperando ele na mesa. – Mas, Massipinoa será minha esposa. – Ele encostou o no rosto no dela com carinho. Ela possuía os cabelos longos dourados e encaracolados e visivelmente macios, presos em um coque com trança, seus olhos eram cinza azulado, e a primeira coisa que ela fez foi se curvar com delicadeza para todos.

—Assim... – William puxou ar para dizer. – Duas? – Orion afirmou e houve uma troca de olhares. – Consegue?

—Eu consigo... – Artemisa chegou junto com Ben, naquela noite, ela havia dormido nos braços dele, mas, ao acordar, estava em seu quarto e sozinha, Ben era perfeito, respeitoso, puritano.
Massipinoa fora uma Guerreira, quando ela quis ser a oferenda no aniversário de Orion, ele a transformou em Copeira, quando ela tentou novamente ele a nomeou como Sacerdotisa do templo de Xochiquetzal, a deusa da beleza. E pelo visto ela tentaria uma terceira vez, mas, agora se tornaria Princesa consorte.

Não importava quem ele anunciou como noiva, se casaria com a outra, Galateia estava de acordo e animada. Todos ficaram surpresos pela coragem ou a loucura do garoto ter. Ele deixou que Massipinoa se apresentasse evitando perguntas. A ausência de Estela foi notada, mas, não tão repercutido, o final das gestações eram sofridas, a desculpa ideal de todos. O casamento era a pauta e Joice queria saber logo a data.

—Hoje! Antes de fecharem o portal! – Orion respondeu com calma, o que causou uma pequena euforia, William tinha que admitir seu filho estava muitos passos á frente do que devia.

—E onde vai ser? – Connor perguntou surpreso. – Algo tão... Repentino.

—Em Marjória. É uma ilha de Saphiral e território de Ruphira. – Ele disse em um tom animado, seu plano estava dando certo. Era perfeito, Navi voltaria para Calasir com eles e depois do casamento eles iriam para o Refúgio. – Repentino, mas, quero que vocês estejam presentes!

—♥ É bom compartilhar. Estão todos convidados!♥ – Massipinoa deu um sorriso encantador cheio de charme. O que fez Artemisa sentir pena da garota. Os Rubis eram traiçoeiros. Ele queria apenas fazer o papel bonito com outra Subimortal para disfarçar o casamento com a Bruxa; o quão inconsequente ele podia ser?

~

Depois do desjejum, Perseu decidiu conversar com Estela; bateu na porta de forma sincronizada esperando ansioso. Assim que ouviu a voz gentil autorizando a entrada, abriu a porta, colocou primeiro a cabeça observando a expressão dela.

Kalimera. – Com a voz gentil entrou segurando uma bandeja de café para ela. – Estão bem? – Sua voz soava envergonhada. Estela estava deitada na cama, passando a mão sobre a barriga. Seus olhos encontraram os de Perseu o que a fez sentar na cama. – Fui irresponsável. – O Rei dizia enquanto colocava a bandeja na mobília e ajeitava os travesseiros para o conforto dela. – Distância não resolve nada e atrapalha. – Disse genuinamente culpado. – Apenas foi muito confuso, mas, céus, é horrível ficar longe de você. Ficar nessa situação... – Ele bagunçou os cabelos. Estela respirou fundo. – Eu não pensei direito, o que fiz... – Perseu se sentou no chão oferecendo chá para Estela que aceitou o observando ainda um pouco receosa.

—Como está se sentindo? – Estela perguntou com suavidade.

—Confuso. – Ele inclinou a cabeça. – Auterpe poderia ter machucado você e Sísifo. – Sua voz era firme, mas, plácida. – Não quero que você fique receosa com o que aconteceu... Não precisava ser na frente de tanta gente, saiu do controle, eu perdi o controle. – Houve um longo silêncio. – Eu não devia ter te deixado nesse quarto vazio... Mas é que... – Ele coçou o pescoço nervoso. – Estar casado, ter uma filha, um filho á caminho, dois enteados e uma belíssima esposa... – Ele deu um pequeno sorriso sem jeito se virando para ela. – não sei como cuidar de uma família, como resolver as coisas... – Dizia envergonhado enquanto oferecia pão para Estela, que aceitou observando as gesticulações de Perseu. – Você é linda e doce como ambrosia.

—Obrigada... – Ela respondeu com um sorriso meigo, havia momentos que ela e Estevão conversavam, mas, dessa maneira, apenas Perseu conseguia fazer. Perseu estava sendo cuidadoso com as palavras, sentia seu coração acelerado; não queria julgar Estela, cada um reagiu de uma forma, cabia apenas a eles decidirem o que era certo ou errado fazerem. Ele colocou o rosto sobre os joelhos e cobriu a cabeça com as mãos.

—Me desculpe mesmo. Por ter sido tão duro, me desculpe por não ter interferido... Foi muita hipocrisia minha... Todos acabaram envolvidos, eu não sabia o que falar ou fazer... – Houve um longo suspiro dos dois, e Estela desceu da cama com cuidado se sentando do lado dele. – Não é que eu quisesse te expulsar. Mas eu estava tão confuso... Eu ainda estou; eu queria me manter forte; mas, eu fui forte até agora e do que adianta ser forte se enfraquece nosso casamento?!— A voz de Perseu foi ficando embargada e quando ela percebeu, ele já estava chorando, ela o abraçou acariciando suas costas com suavidade, carinho e conforto, na qual surpreendeu Perseu.

Está tudo bem. Deveria ter mencionado, em algum momento... Não sei... E como você se sente agora?— Ela falava em um sussurro aveludado e preocupado. Perseu virou o rosto para ela, o rosto vermelho de chorar. – Está com raiva de mim, de Auterpe, de William?

— Estou com raiva de mim! (...) Eu poderia ter me esforçado para ver você e Artemisa; mandar presentes, cartas, aparecer... – Estela limpou as lágrimas dele, com os olhos já marejados. – Mas, não daria certo, poderia acabar em chamas. – Perseu acariciou o rosto dela com delicadeza. – Eu te amo. Os Guardiões dizem que é insuportável de ver... É um exagero, já que eles apenas ouviam... – Estela se corou e sorriu, era como rever o Rei que tinha vergonha de conversar, como estudava as pessoas, como queria salvar todo mundo. Ele passou o polegar pelos lábios dela. – Eu gostaria que voltasse para nosso quarto. Se não quiser, tudo bem, eu entenderia... – Ele deu um sorriso tímido.

—Você tem certeza disso? Decisão definitiva. – Ele a olhou por inteiro, cada detalhe.

—Precisaremos de uma cama maior. Vocês merecem mais conforto e espaço, minha cama é grande, mas... – Estela deu uma risada baixa e suave.

—Ela é perfeita, não precisa disso tudo. – Perseu pressionou os lábios um pouco ansioso, queria que as coisas dessem certo. Estela inclinou a cabeça. – Foi por causa de Ethan?

—Não... – Ele suspirou. – Medo... – Ela ergueu a sobrancelha. – De outra pessoa te conquistar. – Estela prendeu a respiração. – E eu sinto as dores da Auterpe, doeu do mesmo jeito, mesmo sendo diferente... – O confronto me assustou, você se defendeu, quando Auterpe foi além do aceitável. – Houve um alívio da parte de Estela, Perseu refletiu bem. – Me perdoe ter te expulsado do nosso quarto e te mandar para cá. – Estela olhou de soslaio para ele dando um pequeno sorriso. – Nunca mais vou ousar fazer isso, eu prefiro sair a te mandar sair. – Ela sorriu com um tom divertido enquanto ele abaixava a cabeça.

—O que foi?

—Você realmente me ama? De verdade? Com todo o seu coração?

—Com toda a minha alma... – Ela disse em um tom provocativo. Estela apenas juntou os lábios de ambos, em um beijo ardente, o que fez o Rei se arrepiar, ele não estava esperando por isso, nem sabia se devia fazer isso. Quando ele menos percebeu estava passando as mãos pelas costas nuas de Estela; então parou o beijo e o toque quando chegou à cintura. – O que?! – Perseu ficou com o rosto vermelho, e com expressão desconcertada. Arrumou o vestido de Estela, a sentou no chão e depois se levantou, aquele gesto a fez rir. Ela ficou sentada no chão esticando o braço para pegar na mão dele para levantar. – Está tudo bem?

—Aan... – Ele recuou. – Você e Sísifo precisam descansar, não podemos fazer... Isso; assim... Agora. – Ela riu do receio de Perseu, sabia que Estevão não hesitaria.

—Vamos ficar bem... – Perseu ficou vermelho e olhou para trás. – Eu nunca te vi tão envergonhado assim... – A voz sensual de Estela, e a sua aproximação, o fez segurar na cintura dela e gaguejar:

—T. temos que a.arrumar as crianças, para irem para o Refúgio. –. Estela deu um pequeno suspiro e depois uma risada acariciando os cabelos dele.

—Quanto tempo eles ficaram fora?

—No máximo sete luas, o mínimo são quatro... Ou até três.

—Tudo isso?! – Estela ergueu as sobrancelhas. – Não é tempo demais?

—Estou supondo, e claro, se eles não ficarem de castigo. Como acontecia com Orion. – Ela piscou devagar e riu quando Perseu a colocou na cama. – Teremos um tempo só para nós... – Ele disse acariciando o rosto e o ombro de Estela. – Adoro estar com você, olhar nos seus olhos, ver seu rosto. Discussões irritam. – Ela começou a acariciar também o rosto dele com suavidade. – Meu primeiro casamento.

—Hm. Mas, pense antes de tomar decisões assim... – Ele concordou com um pequeno sorriso...

—Orion casará casar hoje. Com a Massipinoa

—Quem é essa? – Perseu deu ombros, era um mistério.

**

Galateia cuidou da decoração, vestimentas, do local, deixando Marjória visualmente linda com a magia perfeccionista. Além das árvores floridas, haviam pilares de marfim salpicados de pedras preciosas, a areia da praia era lilás brilhante. Sobre a costa havia arquibancadas nos Reinos permitindo observar a cerimônia, sem atravessar o mar. Estela e Artemisa ficarem em Saphiral, enquanto William e Rigel estavam em Ruphira. Alguns súditos de Ruphira estavam no local, assim como Auterpe e Perseu como anfitriões.

—Eu não imaginei que Orion se casaria assim... – Ela revirou os olhos.

—Impulsividade! Querendo dar orgulho para William; por causa de Ethan. Você a perdoou?!

—Você não o perdoou?

—Eu te odeio Perseu! – Sua voz era rígida e magoada. – Você não me ouve.

—Foi antes de casarmos.

—Continue pensando assim. Não chore quando ela te largar por outro. – Perseu respirou fundo e tocou no ombro dela.

—Eu amo você Auterpe.

—Eu também me amo... – Perseu permaneceu em silêncio, com um meio sorriso no rosto.

O casamento de Ruphira era algo limpo, diferente das coroações. Miztla conduzia o rito e Chalchiuhtlicue, a deusa do casamento fazia a cerimônia e abençoava o casal.
Em um altar em forma de heptágono, o casal foi apresentado aos quatro ventos e sete mares, a cerimônia era cheia de previsões dos Oráculos, incensos aromáticos com canela eram queimados em uma fogueira, que os próprios noivos fizeram, havia música, dança, e exclusividade o casal usando túnicas brancas mostrando os ombros, abaixo dos joelhos. Orion colocava penas vermelhas cobertas com pó cintilante nas pernas de Massipinoa, que fazia o mesmo com ouro derretido e penas azuis. O povo de Ruphira adorava uma festa, isso era um fato; porque a felicidade do Príncipe era contagiante. Após, trocarem os votos, colocarem as alianças e serem abençoados pela deusa Miztla amarrou as roupas dos dois concretizando a união e por fim, ocorrendo o beijo, enfim casados.

O casal cumprimentou os familiares e quem estivesse por perto. Eles tinham pouco tempo para consumar o casamento antes de ir para o Refúgio. Orion abraçou o pai e o irmão assim que alcançou a arquibancada, foi muito mais longo, como se estivesse desesperado para ser o filho perfeito, em seguida ele partiu para um dos templos com Massipinoa. Lennus que via tudo de longe se aproximou de William com um olhar desdenhoso.

—Cerimônia bonita, não achou? – Lennus começou, William deu um sorriso e concordou com o Conselheiro, nunca tinha conversado com ele direito. – Cheia de vida, sem sangue ou corpos empilhados.

—É... – William inclinou a cabeça sem olhar para o homem, seu olhar estava fixo em Auterpe conversando com Perseu sem olhar para Lennus. – Mas, o que importa é a felicidade do Orion.

—(...) Nunca gostei de você senhor William... – William virou confuso para Lennus que tinha uma expressão de rivalidade. – Você é um Mortal muito espurco! Tão espurco quanto o lado que você veio!

—O que?! – William o olhou com incredulidade e confusão. – Como pode falar assim com o Rei? – O Conselheiro riu.

—Você não é Rei, nunca foi, nunca será. – Seu tom era firme. – A Majestade Auterpe quebrou a sua coroa, pegou o seu anel, você não é nada além de um Mortal...

—Aquilo foi uma confusão! – Ele ficou de pé. – Já foi esc.

—Você ousou se deitar com a minha Majestade. – Lennus o interrompeu, William deu dois passos para trás, Lennus a chamava de “Majestade” e não de “Rainha”. – Todo maldito ano voltava para minha Majestade...

—“Sua Majestade” é a minha mulher! – Exclamou irritado, Lennus deu de ombros. –Porque a chama de Majestade?

—Porque ela é grandiosa, poderosa, diferente de qualquer outra misera Rainha. – William encarava Lennus com fúria. – O primeiro corpo que ela sentiu foi o meu, e ela sempre melhorou... – Lennus deu um sorriso vitorioso para William que sentiu um ódio com as palavras dele.

—Não fale assim da minha esposa! – Ele vociferou dando um passo quando o outro magicamente parou atrás dele.

—Estou falando da minha Majestade... – O tom era de pose e de presunção. – Magnífica em todos os aspectos...

—Você pode ter magia, mas, eu sou louco! – Lennus deu um sorriso debochado e cruzou os braços.

—Sei que você é louco, e também é outra coisa... – Houve uma risada abafada, na qual William franziu o cenho, o choque estava ardendo. – Um procriador dos filhos da Majestade Auterpe; então, como um bom procriador não irrite Minha Majestade; para o bem dos atuais e futuros Herdeiros... – Lennus o encarou antes de se retirar.

William sentiu raiva, confusão, ciúmes e ao mesmo tempo perturbado. Auterpe também tinha um segredo e nunca contaria para ele... Ele suspirou e olhou para Rigel esfregando seu nariz na bochecha do filho.

— Você é mais bonito que qualquer outro... – Rigel acariciou a bochecha dele e riu, ele sentia que seu pai estava incomodado, não ouvia, mas, sentia.

ΦΦΦΦ

—Ficarei algumas luas sem te ver? – Ben inclinou a cabeça enquanto ajudava Artemisa a arrumar mala. Ela olhou para ele enquanto guardava as faixas.

—Você... Vai voltar para Calasir? – Ela perguntou sem olhar para ele. – Porque, bem... Não vou estar aqui... E. – Seu tom de voz foi diminuindo. – Mesmo se estivesse, não iria mudar muita coisa...

—Como assim? – Ele se inclinou um pouco para olhar para o rosto dela. – (...) Você está chorando? – Artemisa negou limpando as lágrimas, não sabia que teria que ir para o Refúgio tão rápido, não passeou o bastante, não se divertiu com Ben. – Vamos respirar... – Ben falou sentando sobre a cama dela, colocando-a em seu colo afagando seus cabelos. – “Não iria mudar muita coisa” significa o que?

Artemisa abaixou o olhar e começou a mexer sua mão junto com a de Ben.

—Porque você não gosta do meu corpo? – O garoto arregalou os olhos e se corou de imediato parando de acariciar os cabelos dela.

—Quem disse que não? – Ele perguntou com um pequeno sorriso, quando ela o encarou. – Mas, como assim?

—Como eu explico? – Artemisa colocou a mão sobre a bochecha pensando. – Você... Nós. Aan. – Ela rolou no colo dele ficando por cima dele na cama. Fazendo Bem rir e a segurar pela cintura estreitando os olhos.

—Aah! Assim? – Ben sentiu cada fio de cabelo se arrepiar quando ela o beijou com desejo, que foi correspondido da mesma maneira. O garoto apertou a cintura dela descendo as mãos pelas coxas a fazendo arfar em seus lábios.

Ele deslizou os dedos pelos cabelos de Artemisa enquanto a beijava, passava a mão em suas costas a fazendo se arrepiar, era o momento perfeito, do jeito que ela desejou, sem ser apressado, desesperado, foi aguardado.

—Princesa Artemisa! – O momento foi interrompido pelo rompente da porta. Nielle era uma jovem de cabelos castanhos e olhos cinza. Assim que ela entrou no quarto, paralisou quando viu os dois quase despidos. Ela cobriu os olhos. – Me perdoe Princesa... Eu; acho que eu bati; tenho certeza que eu bati na porta... – Artemisa soltou um gemido de frustração saindo de cima de Ben que estava vermelho; ao menos não foi Perseu, era o que ele pensava enquanto arrumava o vestido da garota constrangido. – Me perdoe Alteza...

— Nielle? – Perseu havia a colocado como dama de quarto da filha, mais para dar apoio e observar, porque ela era protetora e preocupada, o que ela não achava necessário. A jovem permanecia em silêncio. – Pode abrir os olhos.

—(...) Bom, a hora chegou.

—Mas. Já? – Ben perguntou surpreso. – Achei que iríamos o jantar e... – Nielle fez uma careta negando devagar. – Porque não?

—As donzelas do Refúgio chegaram, eles precisam fechar o Portal, queridos... – Ela evitou se aproximar deles. – As malas já estão prontas? – Artemisa olhou para Ben que concordou pegando as duas malas as colocando sobre os ombros. – Nielle assentiu e se retirou.

—Não respondeu a minha pergunta...

—Qual? – Ben perguntou enquanto ela ajeitava a coroa.

-Vai voltar para Calasir?

—(...) – Ele a acompanhava enquanto caminhavam para a arena. – Seu pai disse que, eu poderia voltar depois... Mas, eu vou estar aqui quando você voltar! – Ela riu e entrelaçando os dedos nos dele. – Você fica tão magnífica com esse sorriso.

—Aprecio seus olhos também...

A arena ficava perto do porto, onde o navio de Calasir estava se preparado para zarpar. Pela primeira vez desde que a aliança Navi estava voltando para Calasir sabendo que Estela estava grávida, mas não precisaria levar uma Cléota para o outro lado. Orion e Rigel já tinham partido. Connor, Lincan e Joice, que ainda limpava as lágrimas pela despedida dos netos e do filho, junto a Navi estavam preparados para voltar para casa.

Eu vou sentir a sua falta...— Ben dizia em sussurro para Artemisa enquanto a abraçava demoradamente. – Eu sei que vai ser difícil, mas; não use muito do seu charme para nãoa atrair atenção dos outros...— Artemisa riu.

Eu também vou sentir a sua falta. Não se encante por nenhuma ninfa...

Desculpe, eu só me encantei por uma Princesa...— Ele disse acariciando o rosto dela, quando Perseu revirando os olhos tocou no ombro dela para se despedir. Enquanto Estela fazia o mesmo com Elia e Evan; entretanto o menino parecia um pouco eufórico. Tudo o que ele ganhou e achou por Saphiral e Ruphira estavam em sua mala, porém, não parecia certo.

-Mamãe, eu estou com saudades de Aurys... – Estela entregou Elia para uma das donzelas, se virando para Perseu que se inclinou na altura do menino.

—E o que podemos fazer para resolver isso?

—Eu... Posso ir com o vovô? – Perseu olhou para Estela que não sabia o que responder. – Eu posso voltar depois. Mas, eu também estou com saudades da Elora, do Ethan, Elisa e Eilon. – Os ombros de Perseu caíram e Artemisa se aproximou do meio-irmão.

—Evan, você não gostou de Pardóx? Porque quer voltar?

—Gostei, eu gosto. Mas, eu estou com saudades, você não está? – Artemisa olhou ao redor por um longo momento. – Eu volto depois. – Merope estralou a língua no céu da boca.

—Mas, depois dragãozinho, você não poderá ir para o Refúgio. – Ela disse de forma pacifica. – Então pense bem, o que você quer? – Evan fechou os olhos pensando.

—(...) Perseu, você vai ficar bravo se... Eu não querer ir pro Refúgio? – Perseu deu uma pequena risada e negou.

—Claro que não Evan.

—Mamãe, você vai me amar se eu quiser voltar para perto de Aurys? – Estela se abaixou e abraçou Evan com força beijando sua cabeça deixando as lágrimas caírem.

-Claro que eu vou amar, sempre vou amar. Mas, eu vou sentir saudades, eu sinto de todos eles também.

—Então, porque não vem também? – Ela respirou fundo enquanto sentia a mão de Perseu em seu ombro.

—(...) Oh meu amor... Eu me casei com Perseu; se eu for, Perseu teria que ir também. – Evan ergueu a sobrancelha.

—Ele não pode abandonar Saphiral...

—Eu sabia que você era inteligente. – Perseu bagunçou levemente os cabelos dele. – Você sempre foi meu favorito, não conte para os seus irmãos tá bom? – Ele sussurrou sorrindo e Evan concordou com um sorriso.

—Eu posso levar isso, então?

—Pode... É seu. você achou... – Perseu observava o menino, queria que ele crescesse em Saphiral, sobre uma influência menos caótica, mas, havia Connor, a única influência sã e bondosa, a quem Estela o confiou. Assim como o Rei de olhos azuis pediu para Navi auxiliar o pequeno. – Não se esqueça de sempre ser gentil... – Evan acenou, tinha tanta coisa para mostrar para os irmãos.

—E Elia? – Ele ergueu uma sobrancelha.

—Ela estará segura. E que tal, daqui a dois anos, ela ir para Calasir?

—Vão cuidar bem dela?

—Do melhor jeito que pudermos Príncipe... – A donzela disse devagar antes dele se despedir da sua futura esposa, como era o certo. Artemisa se despediu dos pais e do irmão tocando a barriga de Estela.

—Quando eu voltar, nós vamos nos conhecer, estou ansiosa para isso! – Sísifo respondeu com um chute que fez Estela se curvar. – Desculpa...

—Não precisa pedir desculpas... – Estela olhou para Artemisa, Evan, Elia, Perseu e depois para Ben com um longo sorriso e olhos brilhantes. – Agora está tudo bem, vamos ficar bem.

Naquele entardecer, enquanto Elia e Artemisa iam com as donzelas para o Refúgio, o navio voltava para Calasir, houve uma boa despedida, entre ela e Connor e Evan que subiam juntos no navio, enquanto acenavam, uma sensação de felicidade tomou conta de Estela, o quão grata ela poderia ser por isso? Por um desejo de frutas, ela conheceu um homem incrível, que agora era seu marido, pai da sua primogênita, que a amava de maneira diferente.

Perseu e Auterpe ficaram na parte mais alta de seus Reinos, apontando as mãos recitando um longo feitiço apontaram para o portal, que se fechou devagar. As crianças estavam seguras, os Mortais do lado certo. Perseu apenas precisava preparar Estela para ser apresentada por Saphiral. Rainha consorte, Eilon gostando ou não.

Notas finais
→Aviso: Se preparem para dois capítulos, oh, um show!!♥ ~♥Beijos da Autora♥~